terça-feira, 23 de junho de 2026

ROMANCE PARAENSE CONCEBE UMA AMAZÔNIA CYBERPUNK, DOMINADA PELO TURISMO SEXUAL





ROMANCE PARAENSE CONCEBE UMA AMAZÔNIA CYBERPUNK, DOMINADA PELO TURISMO SEXUAL


Em uma Amazônia futurista, devastada por mineradoras e pelos gigantescos conglomerados de data centers das inteligências artificiais e dominada pelo turismo sexual, praticantes de um perigoso fetiche são encontrados mortos. A investigação leva um policial a mergulhar no submundo internacional do sadomasoquismo e a praticar os mais bizarros fetiches para desvendar os assassinatos.


A trama se passa em Belém do Pará, que, no romance, é chamada de “BelHell” --- palavra criada pela juventude da cidade, sendo uma contração das palavras “Belém” com “hell”, inferno em inglês.




No romance, a cidade de Belém sofre com os efeitos das mudanças climáticas, agravados pela chegada de grandes corporações de data centers, que consomem os rios, exalando ainda mais calor na atmosfera, elevando a temperatura a 50 graus, tornando-a quase inabitável. BelHell também sofre com os efeitos da prostituição, estimulada pela falta de oportunidades de emprego, já ocupadas pelas IAs, transformando a cidade no principal centro mundial do turismo sexual, a ponto de políticos verem nisso mais um motivo para lucrar com um novo imposto: a Taxa de Insalubridade Afetiva. 


O policial contemplava a cidade, com seus gigantescos painéis digitais de propagandas, que exibiam mulheres de micro biquíni e longas botas pretas girando em barras de pole dance, em algum ambiente de entretenimento adulto. Ele observava pela janela do carro, que desviava do lixo acumulado na avenida, tomada por uma fina penumbra de poeira tóxica da extração de minério e pela fuligem das queimadas, que ardiam noite e dia, ofuscando as luzes das ruas, obrigando moradores a usar máscaras de gás e conferindo a BelHell um ar predominantemente noturno, com seu céu sem estrelas e cinza-claro.

Nas esquinas, traficantes e prostitutas seminuas, de corpos magros e doentios, cobertas por suas cooling fan-jacket transparentes, aproveitavam o clima ameno da noite para oferecer seus serviços. Nas travessas, prostíbulos e bares com entretenimento adulto, tolerados pelo governo mediante o pagamento da “Taxa de Insalubridade Afetiva”, que permitia oferecer garotas e rapazes aos clientes em grandes vitrines, como objetos à venda. Sem isso, prostitutas e cafetões eram perseguidos, presos e obrigados a pagar o imposto individualmente, prostituindo-se nas cadeias para o governo.  

Tudo era tolerado, exceto a sonegação de impostos, que bancava o luxo e os gigantescos condomínios fechados dos políticos.

Moreira via os gigantescos condomínios fechados, formados por luxuosos edifícios que contornavam a Baía do Guajará, interligados por passarelas, contendo tudo de que seus moradores precisavam para viver sem a necessidade de descer ao solo e adentrar a vasta área dos desvalidos, que correspondia a 97% da cidade, composta por vielas insalubres e malcheirosas.

Os condomínios formavam um mundo à parte, com seus shoppings centers, suas estufas que produziam alimentos, suas impressoras de carne cultivadas artificialmente em laboratórios e seu poderoso sistema de resfriamento, exaustores e filtros que retinham a fuligem das queimadas.


Nesse cenário distópico, corpos aparecem boiando nos rios da região, sempre com os mesmos ferimentos, sugerindo que foram mortos devido à prática de um perigoso fetiche. Com a ajuda de um escritor que pesquisa novos fetiches surgidos com a internet para um livro sobre o escritor francês Marquês de Sade, cujo nome deu origem à palavra “sadismo”, definida como prazer na dor e sofrimentos alheios, os dois mergulham no submundo do sadomasoquismo e nas sangrentas lendas urbanas da dark web.


“Fetiche – Um Thriller Policial Sobre o Criminoso Mundo da Dark Web” traz uma novidade às histórias de serial killers: sua trama se passa em um clube de swing.

 

Afinal, na busca por um predador sexual, é necessário, antes de tudo, conhecer os ambientes e as fantasias às quais a mente do criminoso se conecta.


CYBERPUNK



A estética cyberpunk usada no referido romance, não é atoa. Desde a década de 80, em que foi criada, esse subgênero da ficção científica, projeta no futuro questões que dizem respeito ao nosso presente, como forma de crítica e reflexão. 


O cyberpunk denuncia a possibilidade de um futuro em que o ganho em tecnologia não trouxe melhoria de vida para a humanidade. Ao contrário, a fez perder sua humanidade, em que humanos ao se adaptar às novas tecnologias, acabam por perder sua identidade confundindo-se com a máquina. Nada tão distante dos tempos de hoje, em que a inteligência artificial ameaça substituir humanos em muitas áreas de atividade, então consideradas essencialmente humanas. 


SOLARPUNK



Mas o romance não foca apenas no pessimismo, aponta caminhos para a conscientização da preservação ecológica e da cooperação mútua entre as pessoas. Para isso, recorre a outra importante estética da ficção científica atual: o solarpunk, que surgiu como uma forma de evitar um futuro distópico preconizado pelo cyberpunk, apostando em uma visão de mundo em que a evolução tecnológica se harmoniza com a natureza e com a procura por fontes de limpa de energias e não degradante, freando o consumismo e o desperdício dos recursos naturais de nosso planeta.


Ilustrado por Robson Marone


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