A LENDA DO BOTO: A União Entre Humanos e o Místico Povo das Águas
Teria existido uma época em que mulheres indígenas se relacionavam com botos, que vinham até elas à beira dos rios em um misterioso ritual místico?
Montadas em suas nadadeiras, elas cavalgavam neles em uma espécie de transe-místico, e mergulhavam nos rios, unidas aos seus corpos esguios e brilhantes.
Seriam como bruxas, montadas não em vassouras, mas em botos, neste mundo aquático que é a Amazônia.
Certamente, tal ato não teria sido visto com pudores, mas como a união sagrada entre o povo da terra e o povo místico das águas, símbolo sagrado do insondável, misterioso e fonte da vida.
Tal união seria como um avivamento de nossa memória perdida de quando éramos peixe, quando flutuávamos, por nove meses, no líquido amniótico do ventre de nossas mães.
Este antiquíssimo ritual ainda persiste em nossa memória hoje na forma de uma lenda: a Lenda do Boto, em que este se transforma em homem e seduz mulheres à beira de rios, gerando filhos.
“Filhos de boto”, seriam verdadeiramente gerados após o ritual, com seus maridos. Mas acreditava-se que a magia do boto ainda estava presente e que o ritual selaria a união entre o povo da terra e o povo das águas na forma de uma criança, que herdaria qualidades dos botos: intuição mística e o poder de se comunicar com os seres das águas.
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| Amuleto de Olho de Boto |
Mas esta união foi quebrada com a chegada do homem branco, que atraído pela mística dos botos, deturpou-a caçando-os para retirar-lhes os olhos para fazer com eles amuletos para aumentar-lhes a virilidade e o poder da conquista.




