terça-feira, 27 de dezembro de 2022

A IMORTALIDADE DA ALMA E OS PENDRIVES



Muito se comenta sobre a possibilidade de uma vida após a morte, isto é, sobre a continuidade da essência humana após a morte do corpo físico. Contudo, a grande maioria das afirmações a esse respeito se baseia apenas em crenças religiosas que, para muitos, não apresenta nenhuma validade. Então resolvi demonstrar tal possibilidade, recorrendo a leis físicas que possibilitaram a criação de tecnologias como as do pendrive.


A IMORTALIDADE DA ALMA E OS PENDRIVES



Até a década de 50, a coisa mais complexa que o ser humano havia inventado tinha sido o sistema de telefonia, com suas milhares de conexões, fios, unindo milhões e milhões de pessoas em grande parte do mundo. Devido a sua complexidade, era comum cientistas usarem o modelo de telefonia para exemplificar o funcionamento do cérebro humano. Porém, hoje, a grande rede de computadores mundial, com seus bilhões e bilhões de bancos de dados, não apenas superou em milhares de vezes a complexidade do sistema de telefonia, como parece ter abarcado todo o conhecimento humano produzido até hoje. Esta nova complexidade originada com a criação dos computadores, se tornou o melhor modelo de explicação de como funciona a memória e a mente humana.


Mas como é Possível que os Modernos Computadores Possam Servir de Modelo de Explicação para o Funcionamento do Cérebro Humano? 

Uma das Salas com Computadores que
Armazenam Milhões de Informação de um Servidor de Internet

Assim como a criação da máquina fotográfica, com suas lentes, câmara escura, etc. ajudaram a entendermos melhor o funcionamento do olho humano --- podendo até mesmo ser reproduzido por meio de suas lentes as causas da miopia, do estrabismo, astigmatismo --- devido ao fato de que, as mesmas leis ópticas que fazem com que o olho humano funcione, são as mesmas que fazem a máquina de fotografia funcionar também. O mesmo pode-se dizer do computador, que funciona por meio de uma lógica semelhante a usada por nós e alimentada por pulsos elétricos, assim como o cérebro, também semelhante na forma de armazenar memória.


As Leis de Transferência de Dados já Existiam Antes dos Computadores e Pendrives, e etc.



Hoje, podemos copiar um documento através de um scanner de computador ou tirar uma foto dele por meio da câmera fotográfica de um aparelho celular, e passar para um aparelho de armazenamento de dados, como um pendrive. Estas informações, ao ser transferidas, passam de uma forma material (papel) para uma forma imaterial (digital), através de pulsos elétricos, conservando sua imagem e informações contidas nele, podendo ser reconstituídas quando decodificadas por uma máquina para que assuma novamente sua imagem (forma) original, por meio de uma impressora ou tela de computador. 


A mudança da forma material do documento para a forma imaterial (digital), feito pela moderna tecnologia, só foi possível graças às leis da natureza. E assim como as leis ópticas já existiam antes da câmera de fotografia ser inventada, ou que o olho humano fosse criado, as leis de transferência de informação já existiam quando ainda não haviam computadores, pendrives ou outro dispositivo moderno de armazenamento de dados.

 

DNA Armazena Informação dos Gens dos Pais para Criar seus Filhos

Mas não vá pensando que só por não existir instrumentos de armazenamento de dados, elas ainda não agiam, pois eram usadas das mais diferentes formas pelo cérebro humano, que captava as informações vistas pelos olhos, e as transformavam em pulsos elétricos cerebrais, transformando-as em memória, e armazenando-as em partes específicas do cérebro. E muito antes de existir o cérebro humano, e mesmo o cérebro dos animais, elas já agiam no mecanismo de DNA, que nada mais é do que um suporte de armazenamento de informações biológicas, sobre um ser e sua ascendência.


A Possibilidade da Imortalidade da Alma Exemplificada pela Tecnologia de Transferência de Informação



As modernas tecnologias de transferência de informação --- wifi, bluetooth, etc. --- são exemplos práticos da existência da passagem de algo do estado material para um estado não-material, mantendo sua essência e identidade por tempo indeterminado, em um estado imaterial independente da matéria, tendo por base leis físicas de transferência de informação que sempre estiveram ativas desde a criação do mundo.


Essas leis poderiam, sim --- já que agem independente do ser humano --- possibilitar que a essência e identidade de um ser material, como a de um ser humano --- tal qual a de um documento, música, estrutura de objetos por impressoras 3D, etc. --- pudesse se tornar independente de sua estrutura material e ser transferida para outro ambiente e permanecer, por tempo indeterminado, independente de uma base material (corpo), e existir mesmo após a destruição do corpo. (Possibilitaria também a existência da reencarnação).

  

Hoje, o Passado e o Futuro

Até pouco tempo, não possuíamos nenhum conhecimento sobre a possibilidade de transferência de informação, do material por meio do imaterial, pois ainda não tínhamos criado a informática e seus mecanismos, nem sabíamos sequer que elas existiam; e nem conhecíamos ainda sobre o funcionamento do mais complexo dispositivo de transmissão de informação biológico conhecido, o DNA. 


É possível que no futuro possamos conhecer mais sobre as leis naturais e mecanismos de transferência de dados, e se torne cada vez mais provável a ideia de que a essência e identidade de um ser humano possa sobreviver à morte de seu corpo físico.


Hoje, usando informações e exemplos vindos das novas descobertas tecnológicas, dizer que é possível que a essência humana sobreviva à morte do corpo, não mais  pode ser visto como um total absurdo, mesmo pelo mais cético.


terça-feira, 13 de dezembro de 2022

O GÓTICO TROPICAL DE GÓTICO MEXICANO



O GÓTICO TROPICAL DE GÓTICO MEXICANO

Nascida em 1764, com o Castelo de Otranto, de Horace Walpole, a Literatura Gótica sempre se nutriu da atmosfera sombria das paisagens inglesas --- tendo em sua primeira fase os sombrios castelos medievais como ambientação, e em finais do século XIX, as sombrias mansões vitorianas e as lúgubres e enevoadas ruas de Londres como cenários, que tornaram-se parte essencial desta literatura.


Mesmo com a propagação da Literatura Gótica para outros países europeus, ou até mesmo para os Estados Unidos, a mudança de ambientação não foi tão grande, já que mantinha-se o mesmo clima frio, com cultura e arquiteturas semelhantes. O que gera a inevitável pergunta: Seria possível fazer Literatura Gótica ambientada em um país não-europeu e com clima tropical?


Silvia Moreno-Garcia

À essa pergunta a escritora mexicana Silvia Moreno-Garcia respondeu com seu romance Gótico Mexicano, de 2020, ambientado na Cidade do México. 


Gótico Mexicano (Sinopse)

Noemi Tabuada é uma jovem mexicana de uma rica família que divide a vida entre festas, namoros, e seu desejo de cursar o mestrado de antropologia --- algo que, em plena década de 1950, não é nada comum para uma mulher. Seu pai recebe uma carta confusa de sua prima Catalina, que afirma coisas estranhas sobre a família do marido, além de dizer que está sendo envenenada e diz ver fantasmas atravessarem as paredes da casa. O pai sugere que Noemi viaje em busca da prima e verifique seu estado de saúde.




Noemi ao chegar, se depara com uma mansão vitoriana decadente com grandes manchas de mofo, no alto de uma colina, próxima a um antigo cemitério tomado por cogumelos. Verifica também o estranho comportamento dos parentes do marido da prima, uma família inglesa, com regras rígidas de silêncio, que delimita seu pouco contato com a prima, e que, passados tantos anos no México, reluta em absorver costumes mexicanos, ou aprender a língua nativa, mas conserva todos os costumes ingleses, chegando ao ponto de terem aterrado o terreno da casa com areia inglesa trazida de barco para sua nova morada.


Com o passar do tempo Noemi percebe algo muito mais estranho naquela casa do que suas paredes tomadas pelo mofo, passando a se sentir tão desorientada quanto a prima, e descobre que um terrível segredo envolve aquela casa e seus membros, e luta para fugir com sua prima.


O Gótico Tropical



O romance de Silvia Moreno-Garcia não traz apenas a novidade de situar uma história gótica em terras tropicais, embora a autora escolha a forma mais fácil, transpondo os mesmos clichês das histórias góticas inglesas para o México --- a casa decadente vitoriana cercada por um antigo cemitério, no topo frio de uma colina, tomada por denso nevoeiro, que a autora afirma existir realmente em lugares montanhosos do México.




Mas a grande novidade de Gótico Mexicano é desfazer estereótipos que concebem personagens de países do terceiro mundo, apenas como serviçais e ignorantes, pois Noemi pertence a uma rica família mexicana, sendo uma mulher inteligente e bastante informada, que fala de igual com os esnobes membros da família inglesa do marido de sua prima, cujo patriarca é um arrogante racista que durante sua conversa com Noemi sempre põe em relevo a superioridade dos ingleses sobre os mexicanos, mesmo tendo em sua frente a bela representante de uma das principais etnia indígena que formaram a população mexicana.



É interessante ver em uma mesma história de terror, a autora desconstruir não apenas a ideia de que uma história gótica só pode ser concebida em um país europeu, de clima frio ou de cultura semelhante à europeia, como também expor críticas à ideia de que culturas não-europeias de países do terceiro mundo são inferiores àquelas, superioridade que fica claro quando a família inglesa, Doyle, se recusa a absorver qualquer manifestação cultural, incluindo a língua, do México, apesar de ter ido para lá há décadas com o intuito de explorar as minas de pratas da região. Ou seja, apenas de explorar sem dar nada em troca, um componente tão presente na política de colonização propagada pelo Império Britânico sobre suas antigas colônias, embora o México não tenha sido colônia britânica, mas que serviu muito bem o recado.




A incorporação de elementos da história e da cultura mexicana a um romance gótico, também foi fabuloso, saindo da prática de valorizar apenas a cultura de países ricos, e dando aos leitores mexicanos o prazer de verem sua cultura retratada em uma divertida história escrita ao modo inglês, e aos estrangeiros, a oportunidade de conhecer um pouco da cultura de um país que tem em sua cultura uma singular forma de culto aos mortos, em que festeja-se o dia destes com festas noturnas em cemitério.