quinta-feira, 4 de outubro de 2012

CRÍTICA DO LIVRO: "AS VIDAS DE CHICO XAVIER"



RESUMO: O presente artigo tenta separar o homem Chico Xavier do mito, por meio da análise crítica do livro As Vidas de Chico Xavier do jornalista Marcel Souto Maior.

Deus, espírito, vida após a morte, alma, reencarnação, sempre foram questões que despertaram em mim interesse profundo desde muito novo, principalmente ao ver quanto tais ideias têm poder sobre tantas pessoas ao ponto de deixarem-se enganar por aqueles que tão bem sabem manipulá-las, ou fazer com que muitas dediquem seu precioso tempo e vida a estas. E nascido em uma família que, como a grande maioria das famílias brasileiras, mistura várias formas de crenças religiosas, catolicismo e espiritismo - tendo inclusive os chamados médiuns na família -, dando pouca importância a coerência, passei a pesquisá-las com maior empenho. E logo me deparei com a figura de um simpático senhorzinho que dizia falar com os mortos, Chico Xavier, que causava tanta admiração a minha família quanto a milhares de brasileiros, isto ainda nos anos 80. Dediquei-me a conhecer mais sobre este homem e suas ideias. E tendo sido reconhecido, ontem (3/10/12), por meio de votos, via internet, como “O Maior Brasileiro de Todos os Tempos”, achei oportuno expor, aqui, minha a analise de suas ideias e comportamento. Comecemos então analisando o livro que ultimamente é reconhecido como o melhor meio de conhecer Chico:


AS VIDAS DE CHICO XAVIER

Marcel Souto Maior

EM SEU LIVRO “AS VIDAS DE CHICO XAVIER, Marcel Souto Maior conta a história do famoso médium brasileiro Francisco Cândido Xavier (1910 – 2002): uma história recheada de detalhes extraordinários de uma vida que foi cercada por mistérios, de fenômenos sobrenaturais e, como a grande maioria das famílias brasileiras da época, de extrema pobreza também, que tinha como uma de suas principais características a comunicação com os mortos, por meio do que é conhecido como “psicografia”: o poder da comunicação com o além por meio da escrita. O autor nos transmite a ideia de um ser humano com poderes sobre-humanos, que via e ouvia mortos desde criança, como quando o autor nos relata que quando Chico possuía apenas quatro anos de idade, ao ouvir a conversa de seus pais, repreendendo o aborto ocorrido com uma vizinha, disse ao pai:
“- O senhor está desinformado sobre o assunto. O que houve foi um problema de nidação inadequada do ovo, de modo que a criança adquiriu posição ectópica.”
E ao ser interpelado pelo pai, “o que é nidação?” e “o que é ectópica?”, o pequeno Chico não sabia responder, pois apenas tinha repetido o que tinha ouvido de um espírito. 
Este homem que, em fevereiro do ano 2000, já havia sido eleito o mineiro do século, e que recentemente foi eleito “O Maior Brasileiro de Todos os Tempos”, é descrito por seu biógrafo como uma grande figura religiosa como as do passado, que possuíam poderes de cura e feitos milagrosos, como Jesus Cristo ou Buda, porém com uma grande diferença, Chico, ao contrário das grandes figuras religiosas de então, possui uma vida muito bem documentada, em todos os aparatos tecnológicos do presente: televisão, fotografia, revista, jornais etc, facilitando análises mais acuradas a seu respeito. E o que tem chamado bastante atenção para o livro foram as declarações do autor feitas em palestras e entrevistas, afirmando que antes de sua pesquisa, “tinha sérias dúvidas sobre questões como vida depois da morte e encarava o líder espírita com o habitual distanciamento jornalístico”, mas que durante a feitura deste e de outros livros seus dedicados ao tema, viu-se transformado em um crente nos fenômenos espirituais.
Assim, já no início de seu livro Marcel descreve fenômenos que aconteceram com ele próprio em presença do médium, como quando diz: “Eu não sabia nem como nem por que, mas lágrimas começaram a escorrer pelo meu rosto sem que eu sentisse qualquer coisa especial. Desabavam à minha revelia, aos borbotões, sem nenhum controle.” Ou quando afirma que quando estando na casa de Chico “um calor insuportável tomou conta da minha mão direita – era como se ela estivesse pegando fogo. Uma sensação tão nítida que me fez largar a caneta, saltar do sofá, ir até a porta, girar a maçaneta e correr para o quintal.”
“Fiquei ali fora sacudindo a mão de uma lado pro outro na noite fria...”

Chico Xavier (O Filme)
O que tem também chamado bastante a atenção dos leitores para o livro, além da transformação do mesmo em filme, é que Marcel afirma ter escrito a biografia de Chico de modo jornalístico, imparcial, como ainda não havia sido feita, sendo mesmo apontada por muitos espíritas como uma das “fontes mais sólidas” para se conhecer o fenômeno Chico Xavier. Porém, não foi essa a sensação que tive ao ler o livro. A impressão que tive foi que Marcel, ao escrevê-la, pretendeu muito mais dar atenção aos “fatos” miraculosos tornando a vida de Chico tão empolgante quanto aquelas histórias romanescas em que o personagem principal após sofrer tanto com toda sorte de dificuldades, pobreza, desconfiança da família e do público, etc., tem no fim seu valor reconhecido; ou tornando-a semelhante às vidas de renúncia e sofrimento dos santos católicos. Em suma, Marcel escolheu, intencionalmente, esta velha fórmula aproveitando bem os “fatos” marcantes do mito Chico, misturando-os com doses precisas de humor, o que fez também da narrativa leitura bastante atrativa, e assim, agradando, automaticamente, aos milhões de brasileiros ávidos por conhecer e manter a imagem de um Chico mitificado, com poderes sobrenaturais e santo, garantindo assim o sucesso de seu livro, do que apresentar um Chico humano, passível de erro e de críticas, que se envolveu com pessoas e fatos que não mereceram credibilidade, como plágios, falsificações, etc. Fatos que Marcel Souto Maior passou bastante longe, apenas dedicando poucas linhas aos mesmos.
E são esses fatos, que o autor preferiu não dedicar-se a eles, que a série de textos seguintes, dedicados ao tema, pretendem, de modo sucinto, vasculhar sua autenticidade, abordando as questões com evidências inquestionáveis, mantendo sempre assim a imparcialidade em suas linhas.

terça-feira, 2 de outubro de 2012

O DIA EM QUE PERDI MINHA VÓ NO CÍRIO (de Paulo Emmanuel)



Da série: Cadê minha vó? Jesus maria josé...

Lá pelos idos de 198epouco a minha vó paterna, a vó Dária que morava em Manaus, veio realizar seu sonho de filha de Maria, que era uma vez na vida assistir ao Círio de Nazaré. 

Eu nunca fora muito religioso, e nessa época estava cada vez mais longe das festividades religiosas, mas como minha vó tinha se descambado pra cá com essa intenção. E fui eu e minha irmã mais nova levá-la pra ver a passagem da Santa, nem que fosse de longe. 
Eu disse a ela que era perigoso chegar muito perto, por causa da forte correnteza humana que, em alguns pontos do percurso, virava uma tormenta. Eu já tinha passado por dois percalços e nos dois, quase sucumbi à fé e me desgracei nos pés da multidão. 
A primeira vez foi quando minha mãe disse: - Vamos ver a passagem da santa lá na Pres. Vargas, ali perto da Enasa. Ficamos num canto esperando e quando a onda humana realizou a curva ferozmente, jorrou gente em cima da gente, fomos arrastados e ficamos esmagados na parede do prédio da Importadora e numa luta sobre humana conseguimos sair e escapar pela rua lateral. Em menos de cinco minutos minha camisa amarela nova comprada na Makell virou um trapo. Todo mundo se olhando de olho arregalado e depois minha mãe disse: - Nossa, quase a gente morre!
Passaram-se os anos e um pouco mais velho resolvi esperar a Santa na praça matriz. Calculei mal a minha travessia com a chegada da multidão no CAM em frente ao Cine Nazaré e fui pego por uma tormenta de romeiros que me carregaram uns metros com os pés suspensos e os braços abertos em desespero. Fui salvo, quando passou perto de mim um poste e me agarrei nele. Colei agarrado que não tinha bombeiro que me tirasse dali.
Então, já tinha no currículo vasta experiência dos perigos da massa ciriana pra quem não conhece a sua força. Assim, prudentemente ficamos na esquina da Generalíssimo Deodoro com a José Malcher, olhando a procissão passar. Mas minha vó tomada pela emoção de estar vendo o Círio ao vivo, disse pra minha irmã: 
-Vamos ver um pouquinho mais de perto. 
Eu disse: - vou ficar aqui e esperar. Não vou não. Cuidado! Não vão muito perto! 
E assim sumiram na multidão que andava em direção à Av. Nazaré.
Depois de passado o burburão de gente, minha irmã voltou só e eu perguntei: 
- Cadê a vó? 
Ela disse: - Sumiu na multidão e foi arrastada pela procissão. Ainda percorremos às ruas transversais pra ver se achávamos, mas nada de encontrar a pobre senhora de 70epoucos anos. Depois de muito procurar voltamos pra casa depois de uma hora da tarde, mortos de cansaço.
-Cadê tua vó? Perguntou minha mãe.
- Sumiu no Círio, respondi. -E agora? 


Ligamos pra polícia e denunciamos o desaparecimento de uma vó assim, assado, frito, tudo. E esperamos angustiados.

E deu três, deu quatro, deu cinco, deu seis, deu sete, deu oito horas da noite e nada de minha vó retornar. 
De repente ouvimos um gritinho fraco. Alguém disse: - É a vovó! 
Morávamos num prédio na Av. Almirante Barroso que tinha quatro andares. Ao lado tinha outro, exatamente igual, também de quatro andares. O nosso, o edifício Walena tinha o portão de entrada pela Av. Almirante Barroso e o outro pela Alameda Bancrévea. Nisso meu irmão desceu e ouviu o grito mais forte da minha vó. Quando ele chegou na garagem e ouviu novamente o grito, subiu um muro, não muito alto que separava os dois prédios e viu minha vó do outro lado, segundo ele branca como um fantasma. Saiu correndo do nosso prédio, deu a volta e entrou no outro e quando lá chegou ela desapareceu!
Ele voltou branco dizendo que tinha visto o fantasma de nossa vó.
Então eu disse: - Deixa que eu vou ver isso. E corri pra baixo.
Quando cheguei no prédio ao lado, perguntei pra um morador se ele tinha visto uma senhora idosa assim, assada e coisa e tal. Logo, olhamos pra escada e lá vinha uma moradora trazendo minha vó segurando seu braço e a bichinha mais morta do que viva. Coitada.
Fiquei aliviado por ver que ela estava bem. Tremendo, me contou a história de como voltara pra casa. Quando se viu só ficou desesperada e pra explicar aos policiais aonde ela morava foi um problema porque ela não conhecia a cidade, nem tinha o nosso número do telefone. Mas acabou chegando, não sabemos como. A levei pra casa e depois do susto, tudo ficou bem.
Anos depois ela se converteu ao evangelismo e faleceu pertencendo à Assembléia de Deus.
Muito justo, pensei.

segunda-feira, 1 de outubro de 2012

A LITERATURA PODE SER PERIGOSA? - Em Pauta: Nietzsche e Sade



RESUMO: O texto a seguir corresponde a uma pequena releitura do ensaio “Os perigos da Literatura: o ‘caso Sade’”, de Eliane Robert Moraes, contido no livro “Lições de Sade – ensaios sobre a imaginação libertina”, da mesma autora; porém sendo incluso também na análise a obra de Nietzsche, devido a semelhança de pensamento, repercussão, estilo, em que há a mescla de filosofia e literatura, no caso de Nietzsche, poesia e filosofia à semelhança da obra de Sade.
  
DOIS CRIMINOSOS E UM LIVRO EM COMUM

Mark Chapman, o homem que assassinou John Lennon, foi encontrado pela polícia quando lia tranquilamente O Apanhador no Campo de Centeio do escritor americano J.D.Salinger.

John Hincley Jr., o homem que atirou no presidente americano Ronald Reagan, nos anos 80, para supostamente chamar a atenção da atriz Judie Foster, também tinha um exemplar do livro de Salinger em casa.

Teria este livro o poder de despertar em pessoas comuns o poder da ira do assassinato?

Coincidência ou não, o texto a seguir tenta dar respostas para tal questão, examinando dois outros casos de suposta relação entre criminosos e livros.

O CASO: LEOPOLD-LOEB



Em 1924, tem inicio uma nova forma de assassinato, o assassinato como teste de ideias filosóficas, e em que a literatura, melhor, a filosofia de Nietzsche, foi acusada como um dos elementos incentivadores para tal crime. É o que podemos ver através da história do caso Leopold-Loeb.

Nathan Freudenthal Leopold Jr. e Richard Albert Loeb, ambos, na época, com 19 e 18 anos, respectivamente, eram dois alunos com inteligência excepcional, pertencentes a Universidade de Chicago, que decidiram, em 1924, cometer o crime perfeito. Para tanto, sequestraram e mataram Bobby Franks, então um garoto de 14 anos.

Leopold e Loeb achavam-se pessoas excepcionais, ideia tirada de suas façanhas intelectuais: ambos eram superdotados; Leopold falou suas primeiras palavras com apenas quatro meses de idade; já Loeb era, então, o mais novo graduado pela Universidade de Michigan. Ambos começaram a praticar pequenos crimes. Achando-se superiores as penalidades das leis, partiam cada vez mais para crimes mais audaciosos, até que, para testar suas capacidades, resolveram cometer o mais grave de todos: o assassinato. Passaram seis meses arquitetando-o, em seus mínimos detalhes; já haviam escolhido a vítima: o garoto Bobby Franks, que era vizinho de Loeb, e pertencia a família deste.

Ao serem descobertos pelo crime, Leopold e Loeb revelaram terem cometido o crime inspirado na filosofia de Nietzsche, em sua ideia de super-homem.

“Antes do assassinato, Leopold escreveu para Loeb: ‘Um superhomen (...) é, em virtude de certas qualidades superiores inerentes a ele, isento das leis comuns que regem os homens. Ele não é responsável por qualquer coisa que ele possa fazer.’”

  O advogado Clarence Darrow em pé, tendo ao seu lado direito Leopold e Loeb

Temos, pois, um caso da mais extrema violência, em que o assassinato é justificado através da ideia de superioridade, e em que o filósofo alemão Nietzsche é relacionado a este por meio de sua obra; tendo tal fato sido mesmo usado pelo advogado Clarence Darrow, à época um experiente e conceituado advogado, como meio de evitar que os réus, Leopold e Loeb, fossem levados à pena de morte, argumentando:

"Esse terrível crime era inerente a esses garotos, que se originou no passado … devemos culpar alguém que tomou os ensinamentos de Nietzsche em sua vida? … devemos realmente condenar um garoto de 19 anos pela filosofia que foi obrigado a absorver na faculdade?"

Em outras palavras, o advogado culpa a influência da filosofia de Nietzsche como a verdadeira causa de tal crime.

Abaixo, um trecho da versão cinematográfica do caso Leopold-Loeb, o filme Festim Diabólico, de Alfred Hitchcock:



Mas antes de continuarmos, e tentarmos responder a pergunta título, o que diz esse filósofo?

O PENSAMENTO DE NIETZSCHE



Nietzsche (18844 – 1900) conceitua em seus escritos que a cultura ocidental fora tomada por uma forma de moral decadente, a moral dos fracos, em que por meio desta é ensinado ao homem a odiar a vida, a apostar toda sua vitalidade, sua esperança, em uma vida pós morte, esquecendo a vida concreta, e de seus deveres para com esta; uma moral da renúncia, que em nome de um paraíso hipotético, esquecem de cultuar a verdadeira vida. Nietzsche, ao contrário, crê ser portador de uma mensagem aos fortes, busca por meio desta acordar estes, convidando-os a construir o paraíso na terra, a construir uma moral forte, que ao rejeitar o além ilusório, não negue a verdadeira vida, e que não a torne mais ilusória que aquela. Esta nova moral pertenceria aos fortes que, ao contrário dos anteriores, afirmarão mesmo sobre os maiores dissabores da vida, seu querer-viver, sua vontade. A tarefa de transmutar os valores, de afirmar a vida, será, portanto, tarefa dos fortes, tornando-a cada vez melhor aos seus descendentes, tomando-a em suas mãos, e imprimindo-a o poder da mudança positiva; é tarefa dada aos homens que não temem viver, que não precisam de um consolo de além túmulo para suportar o medo da morte, e também da vida; e a esses homens Nietzsche chamava de superhomens. São tais homens, que possuem a vontade de poder mudar, estão além de bem e mal, de certo e errado, posto que são os verdadeiros criadores da verdadeira moral, já que tais valores pertencem a uma moral decadente, e que deve ser por isso mesmo derrubados.

SADE E NIETZSCHE

Curiosamente, a filosofia de Nietzsche, em parte, fora antecipada por outro filósofo, um escritor francês, chamado Marquês de Sade, que como aquele privilegiava a vontade individual, conceituava a moral de seu tempo como decadente e que subvertia as noções de bem e mal, certo e errado; e que, curiosamente, também teve sua filosofia acusada de influência criminosa, como nos conta o escritor americano Roger Shattuck, em seu livro Conhecimento Proibido, em que afirma que em dois casos de violência sexual seguida de assassinato, acontecidos nas décadas de 60 e 80, nos Estados Unidos, as ideias de Sade estavam presente, pois os assassinos não apenas disseram que conheciam Sade, como também tinham cometidos tais crimes sob a influência de suas ideias.

 Dois pensadores com ideias semelhantes, tendo seus nomes e ideias envolvidos em crimes, teria sido tudo mera coincidência, ou ambos tiveram participação indireta em tais crimes, provando que a literatura, sim, pode ser perigosa? Mas antes de responder a isso, o que dizia Sade?


O PENSAMENTO DE SADE


Sade (1740 – 1814), diferentemente de outros pensadores, escreveu sua filosofia em meio a romances e novelas pornográficas; o que fazia seus escritos despertar interesse em um público muito mais amplo que não estava interessado apenas em filosofia, mas também em pornografia; meio que melhor se adaptava ao seu pensamento, já que o autor pretendia que os homens retornassem a cultuar os princípios básicos da vida, ao seus instintos básicos, tido por ele como superior as outras formas de pensamento. Portanto, o sexo era um elemento fundamental em seus escritos, pois por meio dele o homem poderia sentir-se como parte da natureza, fato que a moral estabelecida parecia tentar esconder do homem, criando uma enorme barreira entre este e aquela, moral e instinto. E assim como Nietzsche, inverteu noções de bem e mal, certo e errado. Afirmou que a moral baseava-se em noções contrárias à natureza, sendo, portanto, falsa. A verdadeira moral deveria partir dos verdadeiros princípios da natureza, de nossos instintos básicos, e não distorcê-los, e negá-los como impróprio do homem, como então a moral estabelecida tinha feito com o sexo, vendo nele não algo natural ao homem e aos outros animais, mas algo impróprio do mesmo, concebendo-o como antinatural, e recheando-o de sentimentos de culpa e de pecado. Deste modo, em nome dos instintos, Sade passou a defender tudo aquilo que a moral proibia, mas que, segundo ele, era garantido pela natureza, como o assassinato; o roubo; as formas mais extremas de sexo, em que o máximo de prazer está ligado ao mais extremo egoísmo, implicando mesmo na destruição do objeto do prazer; o incesto; o homossexualismo; o aborto; etc. Ele chegou mesmo a afirmar que o assassinato, aos olhos da natureza, era um direito do homem, embora, surpreendentemente, fosse contra o frio, e anônimo, assassinato através da pena de morte, devido a esta não ser algo natural, mas mera convenção humana.

SADE E O CONHECIMENTO PROIBIDO

Para Roger Shattuck a literatura assim como a 
genética e a física atômica também teria seus perigos

Em seu livro Conhecimento Proibido, Roger Shattuck (1923 – 2005) toma a obra de Sade como um grande exemplo dos perigos da literatura, pois assim como outras áreas do conhecimento, como a física atômica e a manipulação genética, a literatura ao tocar em assuntos tabus, ou questionar valores humanitários, como propõe exemplarmente a obra de Sade, toca em noções extremamente perigosas, podendo influenciar pessoas com suas ideias perigosas. Roger Shattuck chega mesmo a questionar os livros de Sade entre as obras-primas da literatura universal:

Deveremos acolher entre nossos clássicos literários as obras de um autor que violou e inverteu todos os princípios de justiça e decência humanas desenvolvidos ao longo de 4 mil anos de vida civilizada? Terá o século XX cometido, com relação ao marquês de Sade, um dos mais monumentais erros de julgamento cultural ao colocar seus livros entre as obras-primas de nossa literatura?

E ainda, ao refletir sobre a atitude dos escritores e editores que se dedicaram a liberar a obra sadiana para publicação: “em nome da liberdade de expressão, somos capazes de defender práticas como a indecência, a profanação e as expressões de ódio, enquanto ao mesmo tempo tememos seus efeitos sobre a comunidade”.

Contudo, Roger Shattuck, não defende a censura às obras de Sade:

O Ocidente levou séculos construindo uma cultura que associasse o sexo a noções de ternura e vida familiar. Explorando as próprias perversões, Sade criou uma pedagogia alternativa, em que sexo é maldade e assassinato. Para ele, crianças são como "unhas a ser cortadas". Ainda assim, eu jamais apoiaria qualquer censura ou destruição de suas obras. Basta combater, com todas as armas da razão, aqueles que se iludem e pintam como grandes gênios Sade e outros como ele.”

 De modo geral, Roger Shattuck diz que é difícil explicar a reabilitação de Sade e, ao tentar, a uni as ideias de Nietzsche:

"Atribuo-a mais a um sinistro desejo de morte pós-nietzschiano, característico do século XX. Esse desejo de morte busca a libertação absoluta, sabendo que levará à destruição absoluta - física, moral e espiritual".

Em suma, para Roger Shattuck não apenas a obra literária de Sade ofereceria perigo, mas toda obra que quebrasse tabus ou questionasse valores morais fundamentais, como os de certo e errado, bem e mal, etc., o que inclui a própria obra de Nietzsche, e que faz aproximar as ideias de Shattuck da defesa feita pelo advogado Clarence Darrow no caso Leopold-Loeb.

Estaria ai a verdadeira explicação para que obras como a de Sade ou de Nietzsche tenham exercido influência em assassinos como os descritos acima, comprovando que a literatura, sim, poderia exercer uma má influência em seus leitores?

CONTRARIANDO ROGER SHATTUCK

Porém, há um outro modo de ver tal questão. Em seu ensaio, Eliane Morais aponta algumas, como as de alguns autores que saíram em defesa da obra de Sade, como a do escritor Octavio Paz, que afirmou:

Não acredito que haja autores perigosos; melhor dizendo, o perigo de certos livros não está neles próprios, mas nas paixões de seus leitores”.

Já Maurice Heine, primeiro biógrafo de Sade, responde a questão deste modo:

Todos os livros, uma vez nas mãos de degenerados, podem ser considerados perigosos. Não é possível prever que impulso mórbido um degenerado pode receber da mais inocente leitura. Uma narrativa sobre a vida dos santos, ou outra sobre a paixão de Joana D’arc, pode perfeitamente levar um desses infelizes a se apoderar de uma irmãzinha e assá-la viva...

Henri Miller, mantendo a mesma linha de raciocínio, ao questionar a proibição de uma de suas obras, argumenta:

Não é possível encontrar a obscenidade em qualquer livro, em qualquer quadro, pois ela é tão-somente uma qualidade do espírito daquele que lê, ou daquele que olha”.

Em suma, para estes autores, contrariando as ideias de Roger Shattuck, os livros seriam objetos passivos, incapazes, verdadeiramente, de influenciar alguém, no máximo refletiria apenas a mente do leitor; em outras palavras, o perigo não estaria nos livros, mas sim na mente de seus leitores.

Para tais autores, o erro na argumentação de Shattuck, seria a impossibilidade de se prever qual o efeito que um livro teria em seu leitor, mesmo um livro como o de Sade; isto é, seria impossível provar que um livro que propõe o mal tenha a maldade como um de seus efeitos em seus leitores, já que esta poderia muito bem já estar presente na mente de seu leitor; ou que um livro de amor possa provocar efeitos bons em seus leitores. Ademais, as teses de Roger Shattuck “não nos autoriza a atribuir maior ou menor eficácia a este ou aquele livro, tendo em vista apenas seu conteúdo manifesto”. Por exemplo, no final do Séc. XVIII, o livro Os Sofrimentos do Jovem Werther, de Goethe, foi acusado de incentivar centenas de suicídios na Europa; o livro conta a estória de Werther, um jovem apaixonado, que não vendo seu amor correspondido se mata. As ideias de Roger Shattuck seria incapaz de prever o efeito de tal livro em seus leitores. E mesmo um livro considerado uma fonte de sabedoria como a Bíblia, já foi inspiração para atrocidades, como a inquisição, causando mais mal que todos os outros livros em mãos de pessoas inescrupulosas.

Visto por essa nova ótica, as obras de Nietzsche não teria nenhuma culpabilidade no caso Leopold-Loeb, anulando totalmente a defesa feita pelo advogado do caso. A culpa recairia apenas sobre os algozes; a maldade já estaria presente em suas mentes antes destes conhecerem a obra de Nietzsche.

CRITICANDO A IDEIA DE PASSIVIDADE DOS LIVROS

Porém a ideia de passividade dos livros, defendida pelos autores anteriores, tem também suas falhas, pois ela não é honesta para com os autores.

Se dizemos que os livros de Sade chocam é porque eles provocam no leitor reações adversas, eles não se mantém como passividade pura, refletindo, como um espelho, apenas a mente do leitor; eles convidam o leitor a participar de uma interação mútua; creio que a grande maioria dos autores não gostariam de ser apenas espelhos de seus leitores, eles gostariam também de provocar as mais diversas sensações em seus leitores, dividindo suas ideias, seus sentimentos, seus segredos, sua mais íntima intimidade, porém para tanto é necessário que o poder de agir lhe seja intrínseco. Negar esta ideia seria também negar o poder das palavras, das ideias; seria negar o poder de toda a tradição; seria sermos injustos com autores como Sade e Nietzsche; mas não necessariamente cairíamos no erro de Roger Shattuck ou do advogado do caso Leopold-Loeb ao atribui-los uma influência má.

A LITERATURA PODE SER PERIGOSA? AS IDEIAS DE GEORGE BATAILLE


Uma saída para o impasse é dado por George Bataille (1897 – 1962). Para ele, como nos explica bem Eliane Morais, os autores da literatura considerada perigosa, aquela que Roger Shattuck inclui entre uma das formas de “conhecimento perigoso”, que manipula a representação do mal, que ultrapassa, ou mesmo invertem noções de bem e mal, certo e errado, e que tem em Sade o maior de seus representantes, buscam por meio da literatura, explorar, trazer à tona, discutir possibilidades que a realidade recusa, por meio de “ uma espécie de ‘ruptura com o mundo’ e, consequentemente, com as exigências sociais de ordem ética e moral”, mas que são latentes ao homem. Deste modo, torna-se necessário a esses autores se desvencilharem dos valores de uma tradição humanista para poderem melhor repensá-los. Portanto, torna-se imprescindível que o autor crie certa cumplicidade com o leitor, para juntos explorarem regiões insuspeitas do homem, alargando o conhecimento deste; conhecimento que somente a literatura pode fornecer. Para tanto, é necessário que o leitor veja o mal não como algo exterior a si, como algo estranho ao humano, “mas sim como uma possibilidade que o concerne”. Neste sentido somente a literatura, para Bataille, pode, por meio do campo simbólico, transgredir a lei independente de uma ordem a criar; o que a torna, em certo sentido, perigosa. Porém sendo ela um conjunto simbólico ela é inorgânica, e sendo inorgânica ela é também irresponsável: “nada pesa sobre ela. Podendo dizer tudo.”

As concepções de Bataille marcam, pois uma profunda diferença entre as concepções precedentes; de um lado, com as ideias que concebem o livro como um objeto totalmente passivo, incapaz de influenciar o leitor, um mero espelho da personalidade deste, posto que devolve aos livros o poder de mexer, influenciar o leitor, criando mesmo uma cumplicidade entre ambos; e por outro, com as ideias de Roger Shattuck, fazendo com que o leitor não seja apenas um ser passivo, em que as ideias de um livro penetre em sua mente sem nenhuma crítica ou participação com este. E enquanto para Shattuck o mais importante é prevenir sobre o perigo destes livros, para Bataille o mais importante é que estes livros são necessários para se compreender o homem, os abismos mais profundos de seu ser, alargando assim o conhecimento sobre nossa própria natureza. O que parece ter sido mesmo uma das intenções de Sade: “a filosofia deve dizer tudo”; e que sendo verdadeiro, tudo deve dizer, mesmo que seja perigoso. O que aliais, como já foi demonstrado quanto a literatura, jamais saberemos o que pode ser, de fato, perigoso, se um livro de Sade e Nietzsche ou uma triste estória de amor como a de Werther, e muito menos se a maldade está nos livros de Sade, Nietzsche ou de seus leitores.

Vale lembrar que Nietzsche e Sade jamais mataram alguém.

Sim, sou um libertino, eu confesso, concebi tudo o que é possível conceber nesta matéria; mas seguramente não fiz tudo o que concebi e seguramente não o farei jamais. Sou um libertino, mas não um criminoso nem um assassino”. (Palavras de Sade à sua esposa)

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

A HISTÓRIA DE LINGUETA (de Bosco Silva)




15
LINGUETA

Lingueta fora um conhecido ladrão que invadia casas e repartições públicas na calada da noite. Era um exímio arrombador de cofres e fechaduras, que atormentara os bairros ricos da cidade durante alguns anos antes de ser preso. Nunca fora violento. Dedicara-se apenas ao que considerava ser uma arte: a invasão de lugares onde não queriam sua presença. O malandro, na maior parte das vezes, agia sozinho, desde quando era menino em sua cidade natal.

Quando coroinha, acostumou-se a roubar vinho dos padres, e logo passou a roubar as esmolas dos santos. Gostou tanto da experiência que, quando cresceu, passou a roubar o que as igrejas possuíam de maior valor: obras de artes em forma de imagens de santos, que muitos colecionadores ambicionavam por seu grande valor histórico e artístico. E para tanto, teve que aprender a lidar com ferrolhos e fechaduras, conhecendo-os a fundo, em seus pontos mais frágeis. No entanto, com o tempo, parecia ter-se regenerado. Tanto que abandonara o velho apelido, impondo seu nome de batismo. Corria o boato à boca pequena que o malandro desistira de roubar igrejas por um fato inusitado, que este sempre afirmara ter origem sobrenatural.


Conta-se a história que, no tempo que roubava igrejas, fora mandado por um colecionador a uma velha cidade do interior de Minas para roubar peças raras de arte sacra de uma antiga igreja. Ficou na cidade por alguns dias, participando de seus cultos, em meio aos anônimos que se aglomeravam nas festas santas, ou rezando solitário, diariamente, em seus bancos. Sempre de olho nas imagens e na fragilidade da igreja. Uma obra em especial lhe chamava a atenção: um quadro que ilustrava a traição de Judas. Lingueta ficava horas a fio a contemplá-la. Tinha um lugar preferido que a muitos dizia fazer parte de uma promessa que mantinha desde que era menino, de rezar bem juntinho à janela. E ninguém desconfiava do que Lingueta preparava. Quando rezava à janela, Lingueta forçava-a e estudava minuciosamente suas falhas. E assim, a cada dia preparava sua entrada.

Em uma noite furtiva, sob uma imensa lua cheia, contornou a antiga igreja que se situava na parte mais antiga da cidade. Forçou a janela, que já vinha preparando-a há alguns dias. Suas dobradiças, bem como a pesada grade de ferro que a protegia, cedeu às suas investidas. Entrou sorrateiramente naquele lugar. A escuridão e o silêncio dominavam aquele recinto, em que muitos investiam suas esperanças, e que o povo via e acreditava como um lugar sagrado, em que as almas penadas iam à noite para rezarem por sua salvação. Mas nada disso o afastava. Avistou, então, a imagem que tanto interessava ao colecionador, um São Pedro talhado em madeira que, ao apanhá-lo, substituiu-o por uma obra falsa, mal acabada, em madeira simples, levando-a embora consigo naquela noite enluarada. Na noite seguinte, resolveu voltar à mesma, desta vez para levar o quadro que ilustrava a traição de Cristo. Pôs-se então a procurá-lo, achando-o estranhamente, sobre a janela que arrombara. Ao subir à sua altura, pôs-se curioso a examinar tal obra de arte, e repentinamente caiu ao chão estupefato. É que ao examinar tal obra de arte, descobriu que Judas tinha sua cara. Isso o fez mudar instantaneamente. E no dia seguinte, sem ainda terem dado pela falta, lá estava São Pedro de volta à sua casa.

Tirado do livro "Sexo, Perversões e Assassinatos". 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

SEXO COM CHEIRO DE MORTE (de Bosco Silva)


Convido todos para o lançamento do livro "Sexo, Perversões e Assassinatos", que terá sua noite de autógrafo no dia 28/09 às 21h00 na 16ª Feira Pan-Amazônica do Livro, no Estande do Escritor Paraense. E como amostra temos uma parte do cap. 16:


16

SEXO COM CHEIRO DE MORTE


Neste momento seu telefone toca. A legista Renata, do outro lado da linha, pede para que Moreira vá com urgência ao seu encontro, pois esta tinha uma grande surpresa para lhe dar.

* * *

O investigador chega imediatamente ao local combinado, uma velha casa, aparentemente abandonada. Ao entrar, sente algo errado: um forte cheiro de sangue parecia exalar de seus cômodos. E o que a princípio parecia ser apenas uma suspeita transforma-se em certeza, ao penetrar ainda mais fundo no interior da casa: quatro corpos de homens, caídos, tinham-se esvaído em sangue até as suas últimas gotas. De repente, enquanto Moreira agacha-se, e examina os cadáveres, um barulho faz-se ouvir de dentro de outro cômodo. Põe-se de pé, e enquanto procura com a mão sua arma, alguém pula, seminu, em seus ombros, por trás, beijando-lhe sua orelha e rosto. Era Renata que se identifica por meio de sua voz, dizendo-lhe:

- Vamos, querido, temos pouco tempo.

Moreira despe-se imediatamente e, em meio aos corpos esfacelados por tiros, o casal se entrega aos seus desejos mais luxuriosos.

* * *

Algum tempo depois:

- O que temos aqui? – inquiriu Moreira vestindo as calças semiarriadas, após o sexo.
- Um possível acerto de contas, investigador. Pois todos os corpos possuem tiro na boca.
- Um sinal de traição... Drogas?
- Sim, possivelmente um acordo desfeito. Estão aqui aproximadamente há dois dias; olhe: o Rigor Mortis... E eu te assustei ao entrar, querido?
- Nem tanto. Se assemelhou muito às outras vezes... Como você consegue isso?
- Simples, como pode ver, chego primeiro que a polícia. E as ligações são sempre denúncias anônimas.
- E os seus auxiliares?
- Digo-os para virem depois.
- Você gosta disso, hein?
- Adoro sexo com cheiro de morte, investigador – retrucou Renata, beijando Moreira na boca.
- Veja: a polícia já está chegando.

* * *

À noite, o investigador liga para o francês, conta-lhe sobre seu plano, sobre o modo como irá invadir a boate e obter os possíveis nomes de clientes envolvidos com atividades sexuais indesejadas. Mirvel lhe adverte que, se houver uma ligação direta entre a boate e a Sociedade, seu plano poderá botar tudo a perder. Moreira, porém, lhe garante que encontrou o homem certo para o serviço, que o fará entrar sem deixar o menor vestígio. E segue direto para a casa de Renata, como ele lhe havia prometido.

* * *

Após o jantar, como de costume, o casal se reúne na varanda; enquanto degustam o licor, põem-se a conversar:

- Estive pensando sobre esses seus estranhos prazeres, Renata – disse Moreira entre um gole e outro de licor.
- Quais?
- Como os de hoje.
- Bem, eles nunca foram problemas para nós.
- Sim. Mas isso não os faz serem menos estranhos. E o que você quis dizer hoje com a ideia de que lhe agrada sexo com cheiro de morte? Não lhe parece algo doentio, querida? - Nesse momento ele pensava em todas aquelas histórias que Mirvel tinha lhe contado.
- É apenas um prazer a mais de transgredir as regras, investigador, um prazer inofensivo. Um misto de excitação e perigo e, sem dúvida, com uma grande pitada do proibido, como alguém que gosta de transar em elevadores – disse Renata enquanto levantava-se a fim de apanhar novamente a garrafa de licor. – Ou alguém que se excita com seu ambiente de trabalho. Porém, o meu trabalho inclui os mortos, querido. Por que, investigador Pedro Ivan Moreira? Isto lhe incomoda? – inquiriu Renata, olhando-o e franzindo a cara, imitando alguém que profere uma pergunta séria, enquanto, em pé, segurava o copo e a garrafa de licor, terminando por dar, no final, algumas gargalhadas.
- Não. Apenas andei lendo algumas coisas a respeito.
- O que, por exemplo?
- Necrofilia.

Renata pôs-se a rir, pausando as gargalhadas para responder-lhe:

- Não se preocupe, investigador, ainda não cheguei a tanto. Se bem que ontem, chegou um loiro lindo! – e continuou a gargalhar.
- É. Com uma mulher assim, chego a ter ciúmes dos mortos! – e os dois puseram-se a rir juntos.