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sexta-feira, 27 de março de 2026

JEFFREY EPSTEIN E AS SOCIEDADES SECRETAS DO SEXO






JEFFREY EPSTEIN E AS SOCIEDADES SECRETAS

DO SEXO

O escândalo provocado pelo caso do bilionário americano Jeffrey Epstein, acusado de traficar mulheres e comandar um grupo de bilionários, políticos e pessoas famosas, levaram teóricos da conspiração também a associá-lo a rituais satânicos e sacrifícios humanos, criando a afirmação absurda de que o famoso diretor americano Stanley Kubrick (1928 - 1999) teria tentado avisar ao mundo com seu filme “De Olhos Bem Fechados”. Eles até afirmam que Kubrick foi morto por causa de sua denúncia em seu filme. Poucos, porém, se dão conta de que o filme é uma adaptação bastante fiel da maravilhosa novela “Breve Romance de Sonho”, do escritor autríaco Arthur Schnitzler (1862 - 1931).


O livro de Arthur Schnitzler parte da confissão dos desejos e fantasias mais íntimas de um casal e envereda por uma aventura sombria, envolvendo uma festa secreta de mascarados, em que realidade e fantasia tornam-se inseparáveis.


A obra teve a ousadia de, em pleno 1927, revelar ao mundo que mulheres também sentem desejos e buscam satisfação sexual em um relacionamento amoroso, algo que, para os padrões da época, em que mulheres eram vistas apenas como mãe e dona de casa, era inconcebível.




O filme “De Olhos Bem Fechados” possui pouquíssimas mudanças do livro, de modo que, por uma questão de coerência, deveria-se dizer que quem queria denunciar tais sociedades secretas seria o escritor não o diretor, o que também não faria sentido, já que o livro foi escrito em 1927, muito antes de Jeffrey Epstein existir. 










sábado, 13 de dezembro de 2025

ATRIZES, CANTORAS E... VAMPIRAS




ATRIZES, CANTORAS E... VAMPIRAS

Em fins do século XIX, cantoras e atrizes que se destacavam por seu espírito independente, talento, beleza e poder de sedução, eram chamadas de “vampiras”.


Quadro "The Vampire" de Philip Burne-Jones


Tudo começou com um quadro pintado por Philip Burne-Jones (1861 - 1926) que retratava uma mulher diante de um homem deitado sobre a cama, aparentemente morto ou em sono profundo. A obra recebeu o nome de “The Vampire”.


Poema de Rudyard Kipling acompanhado do Quadro "The Vampire"


O quadro inspirou o poeta Rudyard Kipling (1865 - 1936) que fez um poema em que retratava um homem “tolo” por amar uma mulher que não o amava, mas apenas queria sugar sua energia e seus bens, depois deixá-lo na ruína.


O poema se popularizou tanto que passou a inspirar peças de teatro e filmes, que ajudaram a consolidar ainda mais a imagem da “vampira” como uma mulher sedutora, talentosa e com grande poder de sedução capaz de levar homens à ruína física e econômica.


Sarah Bernhardt


Sarah Bernhardt (1844 - 1923), famosa atriz francesa que com seu talento excepcional parecia hipnotizar o público masculino, parece ter levado para a própria vida a imagem da vampira.


Sarah era vista em seus passeios por Paris usando chapéu que ostentava um morcego empalhado e possuía um caixão usado como leito de dormir.


A diva tinha o costume excêntrico de, após um dia atarefado e cansativo, descansar em um caixão que ela mantinha em seu quarto.


Sarah Bernhardt Dorme em seu Caixão


Uma revista da época, comentou assim seu peculiar costume:


“Quando Mme. Bernhardt está cansada do mundo, ela entra neste caixão --- uma peça macabra de mobília em seu quarto --- e, cobrindo-se com grinalda murchas e flores desbotadas, cruza as  mãos sobre o peito e, com os olhos fechados, despede-se temporariamente da vida. Uma vela acesa arde em um castiçal ao seu lado, e um crânio repousando no chão é adicionado à ilusão. É somente quando o jantar é anunciado que ela abre os olhos e mais uma vez demonstra um interesse lânguido pelas coisas materiais.”


sábado, 12 de julho de 2025

OUIJA — O SEU PRIMEIRO CONTATO COM O ALÉM, VOCÊ NUNCA ESQUECE




OUIJA — O SEU PRIMEIRO CONTATO COM O ALÉM, VOCÊ NUNCA ESQUECE


Em 1974, o grande sucesso do filme O exorcista fez reviver um antigo “brinquedo”, já meio esquecido, tornando-o definitivamente um ícone do cinema de terror: o Tabuleiro de Ouija.

 

Mas nem sempre o famoso tabuleiro esteve associado a espíritos maléficos. Nos Estados Unidos, o tabuleiro é classificado como brinquedo infantil. O que pode impressionar os que cresceram ouvindo lendas urbanas de comunicação com espíritos maléficos. E ainda para maior espanto, saiba que até mesmo no Brasil, durante a década de 80, a famosa fábrica de brinquedos Estrela produziu uma versão infantil do tabuleiro, com o nome de “Converse com seu Anjo”.



 

Inicialmente, a suposta comunicação com espíritos era feita por meio de baques em paredes ou mesas girantes em sessões espíritas, lá pelos idos de 1848. Então pensando em maior agilidade e conforto para as almas penadas, criou-se os tabuleiros com letras do alfabeto, para facilitar a vida, ou melhor, a morte dos mortos.

 

A invenção do famoso tabuleiro agitou tanto o mundo dos mortos, que teve o efeito similar da criação do telefone para os vivos, pois foi um fala daqui, um responde de lá, entre vivos e mortos, que propulsionou a venda de milhares de tabuleiros para falar com aquele parente querido já falecido.



 

Mas coube ao empresário estadunidense Elijah Bond, em 1890, a criação do Tabuleiro de Ouija como conhecemos hoje — cujo nome parece ser a união do “sim” em francês e alemão, “oui” e “ja”, respectivamente —, com uma pequena prancheta deslizante para apontar as letras do alfabeto, supostamente comandada pelo fantasma contactado.



 

Foi com o livro O Exorcista de Willian Blatty, de 1971 — baseado em um suposto caso real —, e principalmente com sua versão de filme, que o tabuleiro foi definitivamente associado aos espíritos maléficos, sendo por meio dele que a personagem infantil entra em contato com um espírito maléfico, para depois ser possuída por ele. 


Mas o que comanda os movimentos da prancheta no tabuleiro? Simplesmente, os movimentos inconscientes produzidos por nossas mãos sobre a prancheta. Portanto, não precisa mais ter medo, seu tolinho(a).

sábado, 9 de março de 2024

QUANDO A REALIDADE SUPERA A FICÇÃO (Jean Libbera)




QUANDO A REALIDADE SUPERA A FICÇÃO (Jean Libbera)


No filme O Vingador do Futuro (1990), Arnold schwarzenegger é Douglas Quaid, um simples trabalhador que ao fazer um implante de memória, para ter lembranças e sensações como se tivesse realmente viajado para uma das colônias em Marte, passa a ter memórias que foge do simples roteiro de turismo, como ele pretendia, passando a ficar indeciso se as memórias são do implante ou reais.




Em Marte, ao encontrar George e seu irmão mutante Kuato, que é parte do ventre do irmão e líder da resistência, Douglas Quaid descobre tudo sobre seu passado.




Na verdade, o personagem Kuato não é um mutante mas o que é conhecido como gêmeo “parasita vestigial”, uma má formação genética. E como a realidade está sempre pronta a nos surpreender mais que a ficção, irmãos gêmeos parasitas, não é tão incomum quanto se pensa: nasce um a cada 50 mil nascimentos. O mais famoso caso foi do italiano Jean Libbera.




Jean Libbera nasceu em Roma em 1884, com um pequeno irmão grudado em sua barriga. O irmão, que Jean o chamava de Jacques e com quem compartilhava todos seus órgãos, tinha dois braços, duas pernas e a cabeça estava embutida no estômago de Jean.


Libbera havia tido 12 irmãos, um deles também nascera com um gêmeo parasita grudado no corpo, porém faleceu quando ainda era bebê.




Jean ganhava a vida se apresentando em um circo de freak show, com seu irmão que, assim como ele, vestia um smoke, sapatinhos e fralda, e quando precisava sair o cobria com uma capa. E embora Jacques não tivesse a desenvoltura de Kuato, há relatos de que Jacques movia os braços e as pernas.


Jean Libbera viveu até seus 50 anos, casou-se, teve quatro filhos normais, e voltou para a Itália, falecendo em algum período entre os anos de 1934 e 1936. 


terça-feira, 20 de fevereiro de 2024

O EXTERMINADOR DO FUTURO E O ANO DE 2024




O EXTERMINADOR DO FUTURO E O ANO DE 2024


Lembro de filmes da década de 1980, em que personagens se comunicavam por meio de aparelhos portáteis, não apenas por áudio mas também com a imagem do cidadão do outro lado da linha (como se dizia na época). Aquilo parecia tão distante da realidade dos orelhões (como era chamado os telefones públicos) e dos pesados aparelhos de telefone com fio das casas brasileiras, que parecia algo que jamais existiria.


Para Quem Não Sabe o Terror que Era Ligar em um Telefone Público

E não é que agora, com os aparelhos de celular, se comunicar com a imagem do interlocutor estampado no aparelho, tornou-se algo banal!


Lembro também dos óculos de imagens virtuais de alguns filmes do passado, que hoje se tornou algo comum. É, em matéria de tecnologia, os filmes de ficção científica previram muitas coisas boas, que hoje é totalmente realidade.


Mas os filmes também não se limitaram apenas em prever coisas boas vindas da tecnologia. Em filmes famosos, como Matrix, a tecnologia passa a competir com o próprio ser humano, o escravizando e se alimentando da nossa energia e tomando nosso lugar no mundo.


No filme O Exterminador do Futuro, de 1984, Sarah Connor é avisada de que, 40 anos depois, será criada a tecnologia que irá começar uma guerra entre humanos e máquinas pelo poder da Terra. E adivinhe qual era o ano… O ano seria 2024.


Coincidentemente, é o ano em que as empresas de inteligência artificial prometem um grande avanço das tecnologias de IA (inteligência artificial). E o ano já começou com uma notícia assustadora (pelo menos para a maioria daqueles que trabalham com vídeos), a divulgação da Sora, um programa de inteligência artificial que é capaz de criar vídeos extremamente realistas, apenas com alguns comandos de texto. Ou seja, você escreve: “Quero a imagem de uma mulher asiática, vestida com jaqueta de couro e óculos escuros caminhando, à noite, em uma rua com transeuntes e molhada da chuva”… E, após alguns segundos, lá está a imagem da mulher caminhando, com tudo que se pediu, e sendo impossível a um desavisado, dizer que não é a imagem de alguém real.


O Sora é um programa da mesma empresa que criou o Chat GPT, o programa que cria texto e que responde a perguntas, que tem causado bastante medo de provocar uma grande leva de desempregados no mundo inteiro, que pode substituir profissionais em mais de 80 tipos de profissões, e que foi um dos responsáveis pela greve de trabalhadores dos estúdios de cinema de Hollywood. Pois posso lhes dizer que com o Sora, a leva de desempregados será bem maior, principalmente daqueles profissionais que trabalham com imagens, podendo ser o início do fim dos filmes de Hollywood, com seus astros multimilionários. 




Imagino que, em um futuro próximo, poderá acontecer de, para assistir um filme, bastará apenas dar os comandos certos para o programa de IA, segundo o gosto do usuário, e a IA criará, do nada, um filme totalmente de acordo com o gosto do cliente.


Nesse requisito, não posso deixar de pensar que, após os programas de IA substituir os atores, as paisagens, os roteiristas, os cameramens, e criarem os filmes por inteiro, fruto totalmente da atividade não-humana, chegará o momento que até mesmo o público de espectadores será substituído pela máquina. Será quando o humano terá sido totalmente substituído e as máquinas terão entrado em uma nova fase, de auto consciência. 


Volto novamente para a imagem dos filmes da década 80, com aparelhos de comunicação por imagem, e olho para o celular na minha mão, e penso: O domínio da máquina sobre os humanos, como no filme O Exterminador do Futuro, será apenas um roteiro de cinema ou uma assustadora antecipação do futuro?


A grande verdade é que, os programas de inteligência artificial tendem a substituir o trabalho humano, pelo simples fato dos computadores serem capazes de fazer tudo mais rápido, com custo muito menor do que seria feito por humanos e nunca grevarem por melhores salários (pelo menos por enquanto), substituindo o trabalho humano por completo, e nos tornando totalmente ultrapassados.


Isso é assustador! Depois não vão dizer que o cinema não avisou. 


Atenção: Este texto foi escrito por um humano. 


segunda-feira, 13 de novembro de 2023

A.I. E SUA VERSÃO PARA A DISPUTA ENTRE HUMANOS E MÁQUINAS







A.I. E SUA VERSÃO PARA A DISPUTA ENTRE HUMANOS E MÁQUINAS

Filmes como O Exterminador do Futuro e Matrix nos ensinaram que no futuro seremos escravos da Inteligência Artificial e que robôs tomarão nossos lugares e empregos. O que parece se confirmar a cada nova versão de programas de Inteligência Artificial, tais como Chat GPT e Midjourney.


Mas em 2001, o filme Inteligência Artificial, de Steven Spielberg, fugiu de todas essas regras e propôs uma nova visão sobre o tema.


Em Inteligência Artificial são as máquinas que possuem bons sentimentos: amor, companheirismo e amizade, enquanto os humanos possuiriam apenas ódio, desprezo e orgulho em seus corações.




O filme conta a história de David, um menino-robô, comprado pelo marido com a finalidade de preencher o tempo de sua esposa com uma criança-robô enquanto o único filho do casal se encontra inconsciente em um hospital devido a uma doença.




David começa a desenvolver sentimentos de amor por sua mãe adotiva, e passa a disputar com o filho biológico, após sua melhora, a atenção de sua mãe adotiva. David passa a ser alvo de bullying de seu “irmão” biológico, e ao lhe devolver inocentemente as brincadeiras, o machuca sem querer. O que leva David a ser abandonado pela sua família adotiva.


A partir daí, o filme se desenrola com David tentando se tornar humano para que possa ser amado por sua mãe adotiva como um filho biológico.




O filme Inteligência Artificial é uma nova versão de Pinóquio --- um Pinóquio dos tempos modernos.


Inteligência Artificial, em suas entrelinhas, propõe um desfecho bem diferente da disputa entre humanos e máquinas, propondo que não apenas seremos substituídos por máquinas, que terão o melhor de nós --- inteligência, poder de criar e bons sentimentos ---, mas que ainda estarão a existir muito tempo depois que os seres humanos tiverem sido extintos, seja por epidemias ou por guerras travadas entre nós mesmos.

 

quinta-feira, 23 de março de 2023

CIDADE INVISÍVEL, 2ª TEMPORADA: AS ORIGENS DA ENCANTARIA



CIDADE INVISÍVEL, 2ª TEMPORADA: AS ORIGENS DA ENCANTARIA

Desde sua estreia, em 2021, a série Cidade Invisível tem mostrado que não necessitamos importar super heróis ou mitologias estrangeiras, pois temos a nossa rica mitologia de entidades folclóricas, fruto da mistura de tantos povos que formaram o Brasil, para contar boas histórias de mistério e aventura.




A série
, que já esteve entre as 10 mais assistidas em mais de 50 países, também permitiu uma espécie de volta às origens de nosso folclore, que em grande parte, por muitos anos, teve apenas a interpretação infantil do Monteiro Lobato e de seu Sítio do Pica-Pau Amarelo como a interpretação dominante, que o infantilizou muito, retirando do nosso folclore sua dimensão de horror e suavizando-o ao extremo, o que tem causado surpresa ao público ao perceber, por meio de tal série, o quanto nosso folclore é capaz de gerar histórias surpreendentes e misteriosas. Curiosamente, o mesmo aconteceu com os contos de fadas, suavizados e infantilizados pelos desenhos da Disney, causando espanto ainda hoje àqueles que leem os contos originais, ao perceberem o quanto são tenebrosos e cruéis. 




E após inúmeras críticas ao fato de Cidade Invisível abordar entidades do folclore brasileiro distante de sua região de origem, inserindo-as, estranhamente, em um meio urbano, na cidade do Rio de Janeiro, precisamente no bairro boêmio da Lapa, tão distante da floresta, a série, em sua segunda temporada, cede às críticas e concebe sua nova trama em meio a região amazônica, próximo à cidade de Belém, dando maior atenção para a cultura indígena e aos problemas ecológicos que ameaça tornar o mundo um ambiente menos propício à vida. Aqui, é importante chamar a atenção para personagens indígenas interpretados por atores de ascendência indígena, tão esquecidos na dramaturgia brasileira.



Em meio a várias entidades, a série traz algumas bastante conhecidas:

Lobisomem (na série, representado na figura de um menino), uma entidade universal que, segundo algumas vertentes de crença, acomete o sétimo filho homem, de uma família de 6 irmãs precedentes, e filho de um pai que também é sétimo filho;

 

Mula sem Cabeça, entidade do folclore do sul do Brasil, originária da relação proibida entre uma mulher e um padre; 


Matinta Perera, entidade extremamente conhecida no estado do Pará, tratando-se de uma pessoa acometida por uma maldição, que lhe dá o poder de se transformar em diversos animais.


A série com seu tema abordando a destruição da floresta causado pelo garimpo e a busca desenfreada por ouro, que envenena rios tão necessários a alimentação de populações indígenas e ribeirinhas, chega em um momento bastante propício, após as notícias de descaso do governo com a tribo ianomâmi e a contaminação e invasão de suas terras por garimpeiros.


Gostaria de terminar este texto abordando a questão: Por que devemos valorizar os mitos e o folclore brasileiro que, para muitos, não passa de crendices absurdas?




Três boas razões:

  1. Muitos mitos, principalmente os de origem indígenas, como os do curupira e da mãe d’água (entidades protetoras da natureza), ensinam a valorizar e respeitar a natureza e o ambiente em que vivemos, mostrando o quanto são importantes para nós; nossos verdadeiros tesouros;

  2. Nosso folclore é o resultado da mistura de vários povos que deram origem ao que nós somos, a nossa identidade brasileira, ajudando a união de nosso povo e o respeito a outras culturas; 

  3. Povos que valorizam suas origens, são menos propensos a serem influenciados por culturas estrangeiras; e quem valoriza suas origens não se sente inferior a outros povos e culturas, não sente a famosa Síndrome de Vira-lata.



quarta-feira, 1 de março de 2023

A EVOLUÇÃO DOS ZUMBIS: Do Primeiro Filme de Zumbi ao The Last of Us


A EVOLUÇÃO DOS ZUMBIS: Do Primeiro Filme de Zumbi ao The Last of Us

Já tivemos a era dos vampiros, com centenas de filmes abordando o tema das mais diferentes maneiras, marcando época e gerações. Porém, agora, podemos dizer que vivemos a era dos zumbis, dessas criaturas que, ao mesmo tempo causa repulsa, medo, mas, acima de tudo, atração e fascínio. E nenhuma outra criatura de filmes de terror tem se beneficiado tanto do momento atual de enorme proliferação dos meios de comunicação, quanto os zumbis. Constatando isso, nada melhor do que uma breve amostra da evolução destes seres pútridos e fascinantes, desde as telonas do cinema aos streamings e demais formas de mídias.

 

Zumbi: A Origem

A palavra zumbi é oriunda de crenças religiosas vindas do Haiti. Era dado a pessoas que, por meio de feitiços feitos por um feiticeiro, supostamente, após morrerem, voltavam à vida para servirem ao feiticeiro que, por meio de seus poderes sobrenaturais, tornava-se senhor de seus corpos, que já não possuía mais vontade própria e obedeciam cegamente as ordens de seu senhor.


Curiosidade

Por incrível que pareça, na década de 70, cientistas norte-americanos confirmaram que tal crença era em parte verdadeira. Eles descobriram que pessoas que haviam supostamente falecido, não haviam falecido verdadeiramente, mas sido dopadas por substâncias preparadas por supostos feiticeiros, que fazia com que entrassem em um estado físico semelhante a morte, com pouquíssimos sinais vitais; e após terem sido enterradas, depois dos efeitos da substância ter passado, o suposto feiticeiro ia até a cova e retirava a vítima, e convencia ela de que havia verdadeiramente morrido, e que seu corpo já pertencia a ele; e assim escravizava-os.  


O primeiro Filme de Zumbis

Diferentemente da realidade, a saga dos zumbis na telona dos cinemas teve início com o filme White Zombie (1932), estrelado pelo famoso ator romeno Béla Lugosi, este foi o primeiro filme de zumbi da história, e se baseava na concepção de zumbi clássica, de morto-vivo reanimado por meio de poderes sobrenaturais, como os pertencentes às crenças religiosas do Haiti.


A Noite dos Mortos Vivos


Agora, se você gosta de zumbis devoradores de suculentos pedaços de carne humana (uma característica que, definitivamente, estará presente em futuras concepções de zumbis), dê graças ao diretor George Romero e ao seu filme A Noite dos Mortos Vivos (The Night of The Living Dead), de 1968, que modernizou a ideia de zumbi, tornando-os canibais.



Curiosamente, em entrevista, Romero declarou que nunca pensou em suas criaturas como zumbis, já que para ele zumbi se referia às criaturas de filmes mais antigos, aos zumbis clássicos, mas os concebia como ghouls, criaturas oriundas de crenças árabes pré-islâmicas que frequentam cemitérios e se alimentam de carne humana.


O Retorno dos Mortos-Vivos


Se A Noite dos Mortos Vivos trazia zumbis bem diferentes dos zumbis clássicos, haitianos, contudo eles ainda eram inspirados em forças sobrenaturais. Porém, talvez por influência do conto Reanimator, do escritor norte-americano H.P. Lovecraft --- em que um médico cria uma substância capaz de trazer mortos à vida ---, filmes da década de 80 passaram a conceber causas não sobrenaturais para o surgimento dos zumbis.



Como em O Retorno dos Mortos-Vivos (The Return of Living Dead), de 1985, em que, por acidente, um desconhecido gás vaza, e a chuva o traz para a superfície de um cemitério, fazendo com que os mortos ganhem vida. Também aqui os zumbis são canibais mas possuem preferência, única e exclusivamente, por cérebros humanos.


The Walking Dead



A série de The Walking Dead, de 2010 --- que começou primeiro como história de quadrinho ---, popularizou definitivamente o conceito de Apocalipse Zumbi, em que um vírus seria capaz de tornar grande parte da humanidade zumbi.



Esta ideia já estava presente no romance Eu Sou a Lenda, de 1954, do escritor estadunidense Richard Matheson, que conta que um surto de vírus transformou quase que a totalidade das pessoas do mundo, não em zumbis, mas em vampiros, que temem a luz do sol, momento em que o protagonista do livro aproveita para sair de seu esconderijo. Portanto, o Apocalipse Zumbi tinha, originalmente, uma roupagem vampírica.


The Last of Us



A série, que primeiro surgiu como um jogo de vídeo game, The Last of Us, de 2023, trouxe mudanças fundamentais para a concepção de zumbis. Primeiro, devido a causa do fenômeno não ser de origem sobrenatural, nem contágio de vírus, mas por um fungo que teria evoluído de um fungo comum que na natureza ataca insetos, tirando deles a autonomia, e os transformando em alimento vivo e instrumentos de locomoção para o fungo, em busca de um melhor lugar para sua proliferação. Portanto, tecnicamente, tais criaturas não seriam zumbis, já que não estariam mortos e retornados à vida --- razão pela qual na série eles são chamados de “infectados” e nunca de zumbis ---; as criaturas também não atacam as pessoas saudáveis com o desejo de se alimentar de carne humana, pelo menos não na forma tradicional, mas teriam o objetivo de infectar as pessoas saudáveis com o fungo.




Mas a concepção de zumbi passou por tantas mudanças, tornando-se a cada passo tão diferente da sua forma original, que creio que não há nenhum problema em incluir as criaturas de The Last of Us no grupo dos zumbis, até porque muito antes do surgimento da série e mesmo do jogo, o termo zumbi já era usado para descrever as cenas assustadoras de carcaças de insetos se arrastando na natureza contaminados pelo fungo cordyceps, que deu origem a mutação do fungo da série referida. Além disso, o termo já era usado para se referir a pessoas que, por alguma razão, incluindo o uso de drogas, perderam a autonomia de seus corpos e vida, uma característica presente em todas as concepções de zumbis.




The Last of Us inovou ao mostrar diferentes tipos de zumbis (infectados), de acordo com o tempo de evolução do fungo em seus corpos. Destaque para o chamado Rei dos Ratos, uma criatura formada por um amontoado de humanos  infectados que se transformaram em um só indivíduo. 




Tal concepção também foi inspirada em outro fenômeno real, chamado de Rei dos Ratos, em que ratos se embolam por meio de suas caudas, fraturando-as e calcificando os ossos, de forma a mantê-los presos pelo resto de suas vidas, e fazendo-os a aprender a agir como se fossem um só indivíduo. Já foi relatado Rei dos Ratos contendo mais de trinta indivíduos.