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terça-feira, 23 de agosto de 2016

CONTO: A ESPOSA (de Jani Brito)


A ESPOSA
Thomas Lars queria esquecer o trauma que sofrera no passado, e agora sentia-se pronto para deixar tudo para trás, sendo assim, aceitou uma proposta de trabalho no estado da Louisiana - um jovem médico seria necessário por aquelas bandas -, mas assim que o jovem doutor começa sua rotina no hospital da pacata cidade de Lafayette, logo percebe que algo acontece aos habitantes daquela localidade: muitos chegam mutilados, aparentemente atacados por seus animais de estimação e não se sabe porque cometeram tamanha brutalidade; outros desaparecem no pântano; corpos são encontrados na floresta que fica no entorno do rio Atchafalaya, a histeria coletiva gera atos extremos, como pratica de vodu e sacrifícios de animais, pois muitos acreditam se tratar do espirito do “Rougarou”, o qual é descrito como metamorfo assumindo qualquer forma, causando pânico na comunidade, até Thomas é perseguido por sensações. No entanto havia apenas uma pessoa a qual nada ainda havia acontecido: Evelyn, sua esposa.


Janilce Silva, escritora paraense
Contatos: Facebook

terça-feira, 16 de agosto de 2016

A IMAGEM DE LÚCIFER NA MÚSICA PESADA (por G. S. S.)



A IMAGEM DE LÚCIFER NA MÚSICA PESADA
Um fato bastante comum entre os fãs de Heavy Metal e seus subgêneros — os chamados headbangers —, é serem muitas vezes vistos e taxados como um grupo formado por "cultuadores do diabo", isto é, pelos os olhos de ignorantes e religiosos monoteístas, em geral por católicos e evangélicos.


Ora, todas aquelas capas de discos assustadoras, diabólicas e medonhas, todas aquelas letras musicais contendo pequenos fragmentos do Ocultismo e do Satanismo — mesmo que superficiais — o que torna toda a sonoridade do Heavy Metal ainda mais pesado para os ouvidos da grande massa, na maioria das vezes tudo não passa nada além do que uma jogada de marketing principalmente para atrair a curiosidade do público desta subcultura, ou simplesmente uma forma artística de abordar o tema, e propositalmente ou não, essas capas de discos e suas músicas acabam sendo vistos como algo realmente chocante e assustador, principalmente numa sociedade como a nossa.

A COBAIA DO ALTÍSSIMO (de Jani Silva)


A cobaia do altíssimo
Ela não queria mais entender, compreender e muito menos aceitar, a situação estava ao seu extremo, ela cansou de tudo e de todos, uma vez que, seus olhos enxergaram além da mentira a qual somos embalados em uma frenética e alucinante canção de ninar, durante nossa breve estada neste mundo, jornada a qual erroneamente chamamos de “vida”... Mirna, no entanto parecia se a escolhida para comprovar uma teoria que muitos até pensam as vezes, mas poucos se atrevem a aceitar ou pelo menos questionar, mas ela não tinha mais medo, pois já conhecia bem vários tipos de sentimentos torturantes e apesar de sua pouca idade, estava apta a tudo que de fato os humanos não estavam preparados para aguentar... está certo que todos sofremos durante a vida, uns mais e outros menos, mas Mirna era o sofrimento em pele de ser humano, era como uma moça qualquer, comum a primeira vista, o que a diferenciava dos demais era a compreensão que está tinha sobre sua existência, ela sempre dizia que seu criador era também seu algoz, aquele que a maioria das pessoas adoram o maior pesadelo de Mirna, quem mais seria se não Deus, que aos olhos da jovem era um verdadeiro lobo em pele de cordeiro, a verdade e que todos temos um pouco de Mirna dentro de nós, procure e você a encontrará...
“ Em um tempo muito remoto, algo acontecia no meio do nada... e ao mesmo tempo no meio de tudo... uma essência nascia e ao mesmo tempo sucumbia, o bem e o mal ainda não identificados espreitavam, o entorno da criatura, que incrivelmente julgava-se.... humana. ”


Jani Silva possui livros publicado no site do Clube de Escritores. Contato: Facebook.

sexta-feira, 13 de setembro de 2013

AS HORAS TODAS DA CARNE (de Marlon Vilhena)




“— Você vai me matar?
— Se você quiser. Não sujo as mãos por nada.”

Marlon Vilhena não se prende a só um tipo de construção. Ele traça os contrastantes perfis de seus personagens, acentuando em seus diálogos uma noção de uns tantos valores na procura pela essência humana.

Nesta coletânea, cada narrativa tem identidade própria e alicia o leitor para um mergulho sobre a existência, o estímulo, o abandono, a perda de Deus, sexo, amor, vida, morte, entre outros elementos.

O estilo irreverente e anticonvencional nos chama a atenção pela urbanidade trágica, pela aparente (e perturbadora) insensibilidade e por um áspero humor de influências agridoces quase imperceptíveis (“É de pequenas vicissitudes que a gente vive”), o que torna ao mesmo tempo sua prosa derivada e original.

Uma ironia quase urgente, de estética própria e inusitada, encontra-se com o sarcasmo para significar objetos e ambientes em panos de fundo que, em geral, podem passar despercebidos. Como em Dissertação sobre a inércia, com seus cortes cinematográficos em um doloroso fluxo de consciência. Ou em Nome para um desatino: “é essa necessidade infame de cuspir em cima de uma maravilha e perceber que isso é igualmente bom.”

Seu texto às vezes seco, quase perverso, às vezes de uma sutileza quase intimista (“Dona Joana explicou o mundo inteiro ao preparar o café da manhã e esquentar o pão com manteiga espetado no garfo”), dá espaço a uma desconcertante liberdade e flexibilidade moral a quem o ler, para que defina (ou subverta) seus próprios cenários com riqueza de detalhes, “enquanto aquele velho trem descarrila na passagem do fim do mundo”.

Marcos Salvatore

terça-feira, 14 de maio de 2013

CRÔNICAS III (de Matias Gibbamone Lemos)

by Joel Peter Wtkin


A LEPRA QUE SAI DO PENSAMENTO DO DESGRAÇADO
AÇOITADO PELO SISTEMA INCONSEQUENTEMENTE
FRÁGIL PARA UMA BARRA
DE TITÂNIO REVESTIDA EM AÇO NOBRE
POBRE FRÁGIL LEPROSO
COM SEUS PENSAMENTOS DE UM DIA VER
ANTES DE MORRER
UMA SOCIEDADE MAIS JUSTA
HAHAHA!
QUE MULTIPLIQUE AS FERIDAS DESSES LEPROSOS SONHADORES!


sexta-feira, 10 de maio de 2013

FEIRA DO ÁLCOOL E MAIS ALGUMAS DOSES (de Haroldo Brandão)

by Cara Thayer e Louie Van Patten


Feira do álcool e mais algumas doses
     às 3 da madrugada 
  
      O sopro da morte
      e alguns tiros
      na falta do ânimo
      mimo o copo de wisk
      vapor
      barato
    
      sai
     dos lábios.

terça-feira, 7 de maio de 2013

O problema é o ISMO (de Haroldo Brandão)

by Grzegorz Kmin



                      Nazismo
                      Fascismo
                      Nazifascismo
                      Liberalismo
                      Capitalismo
                      Iluminismo
                      Conservadorismo
                      Vanguardismo
                      Anarquismo
                     

                      Marxismo
                      Socialismo
                      Centralismo
                      Mercantilismo
                      Conformismo
                      Consumismo
                      Budismo
                      Judaismo
                      Orientalismo
                      Cristianismo
                      Evangelismo
                      Machismo
                      Maneirismo
                      ...
                      ...
                    
                     O avesso do avesso!


FRESTAS INDISCRETAS Nº 6 (de Haroldo Brandão)

by Spencer Tunick


                            NAU DOS INSENSATOS:

                            A loucura me fascina

                            É o animal que assombra meus pensamentos
                        
                            e pesadelos.

CRÔNICAS II (de Matias Gibbamone Lemos)




Foi a vida que fez, eu querer saber mais

e você tão longe de tudo
otário não existe,

é bom se fazer para ter um pouco de diversão
depende do ângulo que se enxerga,

se não for cego
agora você começa a entender a alma boa,

ou a boa arma
sem ter o que dizer,

fala mais enquanto vou mijar
e aí Brother tudo bem?

Nada a dizer porque eu voltei, eu tenho!




quinta-feira, 2 de maio de 2013

JANELAS DISCRETAS Nº 20 (de Marcos Salvatore)


Acheropita muda de religião como quem troca uma calcinha suada (estampa de frutas vermelhas). Católica, evangélica. Gostei da fase budista pelos cânticos e da Krishna pelos altos rangos suculentos. Me chama sempre de Sumano e acaba de ligar dizendo "estar" hindu com ênfase em vestibular para faquir.

terça-feira, 30 de abril de 2013

2014, A COPA QUE O BRASIL JÁ PERDEU (de Haroldo Brandão)

by Arthur Fellig Weegee

O Brasil será o grande derrotado na Copa do Mundo de 2014. Esqueçam esquemas táticos, análises técnicas, convocações, gols ou arbitragem. A derrota não virá numa zebra nas oitavas de final contra a Bélgica, num duelo épico de quartas contra a Itália, numa semifinal angustiante contra a Espanha ou num Maracanazzo reloaded contra a Argentina.


A derrota já veio. O Brasil perdeu a Copa de 2014. 



Marin, Ronaldo e Valcke: trio está na cabeça da 'operação Copa do Mundo'



O Brasil perdeu, leiam bem. O que vai acontecer com a seleção brasileira é outra história. Uma história que muda pouco o que realmente importa. O Brasil perdeu a Copa de 2014. 



Um evento como a Copa é a chance de um país mudar, se redescobrir, sanar problemas e construir soluções, mesmo que seja sob a fajutíssima desculpa de "o que o mundo vai pensar da gente se não estiver tudo dando certo?". Que seja, dane-se a pequenez da desculpa, desde que sejam construídas estradas, linhas de metrô, corredores de ônibus, elevadores, hotéis, e, vá lá, até um ou outro estádio.



Vipcomm



O resultado do time de Felipão pouco importa: o Brasil já perdeu

A Copa do Mundo é, para os tempos de hoje, o que foram as tais "Exposições Mundiais" no século 19. Era preciso se arrumar para receber visitas em casa. 



Mas o Brasil hoje corre para retocar a maquiagem, empurra a vassouradas a sujeira para debaixo do tapete, tranca os cachorros pulguentos na despensa e manda a criançada dormir mais cedo, porque sabe como é criança quando chega visita, desanda a falar cada coisa...



Faltam pouco menos de dois meses para a Copa das Confederações, e o estádio da final não está pronto. Aquele estádio na Zona Norte do Rio, que foi erguido no lugar do Maracanã ao preço mirabolante de 1 bilhão de reais; e que terá de ser reformado para a Olimpíada. 



(Aqui, um parêntese: todas as reportagens sobre estádios da Copa têm a obrigação de falar quanto custou e quem financiou a obra; isso é utilidade pública, antes de mais nada).



Faltam menos de dois meses para a Copa das Confederações e nenhum aeroporto teve reformas significativas concluídas. Pouco mais de um ano para a Copa do Mundo e os taxistas que falam inglês continuam a ser uma raridade, as placas de trânsito seguem indecifráveis para estrangeiros, os hotéis e vias públicas não vão dar conta do recado, obras de mobilidade urbana de Manaus, Brasília e São Paulo não ficarão prontas - umas foram canceladas, outras postergadas, todas custaram irreversíveis milhões e não é difícil adivinhar quem pagou a conta.



O 'novo Maracanã': para 2016, mais reformas

A um ano e dois meses do começo da Copa, o presidente do Comitê Organizador Local está cercado por denúncias, e não é para menos. José Maria Marin, o homem que gere a operação Copa do Mundo no Brasil, passou seus mandatos de deputado bajulando delegados ligados às torturas da ditadura, superfaturou a sede da CBF, negociou apoio na aprovação de contas da confederação dando cheques a seus eleitores. 



Enquanto isso, o secretário-geral da Fifa, Jerome Valcke, diz que a organização da Copa do Mundo no Brasil seria mais fácil se o país fosse menos democrático e tivesse menos esferas de governo, legal é a Rússia, que tem um poder centralizado e menos palpiteiros. 



A organização da Copa do Mundo seria mais fácil, monsieur Valcke, se ela estivesse nas mãos de gente diferente. 



De gente que não estivesse interessada apenas em sugar dinheiro do país com o benefício de isenção de impostos. A organização da Copa do Mundo seria mais fácil se ela fosse feita para, de fato, deixar o país com algumas pequenas vitórias em áreas que vão muito além do campo de jogo. 



O Brasil de Felipão, de Neymar, de Ronaldinho ou Kaká, o Brasil pentacampeão, seja com volantes classudos ou brucutus, pode ganhar ou perder a Copa de 2014. 



O Brasil de 200 milhões de pessoas, aquele que acordará no dia 14 de julho de 2014 para trabalhar, este sairá da Copa derrotado. Qualquer que seja o resultado da final.


sexta-feira, 26 de abril de 2013

CRÔNICAS (de Matias Gibbamone Lemos)

by Jan Saudek
Trilha Sonora: Gibbamones


Quanto mais quebra
Quanto mais berra
Quanto mais diz
Que o sol é infeliz

Brilhando no universo

de uma terra aprendiz
quanto mais diz
quanto mais berra
quanto mais quebra

O PESADO CONSEGUIA VOAR (de Haroldo Brandão)



Febrilmente! Bela palavra. Tinha 14 e emprestei ao Roosevelt, que ainda não era o Bala do Stress (e mais recente do Zona Rural), um LP do Proco Harum e ele me emprestou o vinil Led II, havia uma tarefa doméstica que executaria tipo limpeza do quarto, pois bem a fiz ao som de Living loving, Heartbreack, Whole Lotta Love, Ramble on,...enfim o baixo pesado e dançante do John Paul, a batera mais pesada ouvida até então, os solos de Page. Chapado com tanto som, saí dali para conhecer tudo do Led, era 1975, sem dúvida o pesado conseguia voar. É uma das minhas bandas prediletas, caro Elias, sem discussão, foram tempos muito bons em termos de produção rockeira. Quanto ao Gênesis prefiro "Selling England by the pound" de 1972 com Peter Gabriel no comando, pq? A Trick of the tail ainda tem ecos da enorme influência e domínio arístico de Peter, Collins foi retirado da bateria e assumiu os vocais mas para quem conhece a obra do Gênesis sabe o que são os 4 primeiros discos da banda com Gabriel e a dificuldade da banda em seguir criativamente sem mudar o rumo traçado pelo antigo líder, tanto que o som enveredou pelo pop e em carreira solo Phil flertou com a disco music e vendeu milhões de vinis. Depois de A trick.. nada brilhante foi feito.

Meu amigo até os tijolos vermelhos de Londres sabem o impacto que os 4 anos de reinado absoluto de Jimi Hendrix exerceram sobre Jeff Beck, Eric Clapton, Pete Townshend e Jimi Page para ficarmos nestes 4 guitas britânicos, me desculpe mas é exagero seu afirmar que dos 2 Jimis, Page é o melhor, os 2 estão no alto da Pirâmide, são explêndidos, geniais guitarristas mas, Hendrix é o cume, por toda a contribuição que deu a guitarra, a dominando totalmente redirecionando-a, desconstruindo canções de outros compositores como Lennon e Dylan e a reconstruindo ao seu modo. Os fabricantes de guitarra e engenheiros faziam questão de tentar traduzir tecnicamnete o manancial de idéias sonoras que estavam na mente do papa dos guitarristas, na sonoridade, os adereços como pedal wha wha, ninguém tocou como Jimi, ouça o solo na composição de Dylan "All along the watchtower" ou em "Gipsy Eyes! Enfim Hendrix é o Pelé da guitarra, Page é o Maradona.

quinta-feira, 25 de abril de 2013

JANELAS DISCRETAS Nº 19 (de Marcos Salvatore)



Me equilibro sobre as guias
Procurando não pensar
Ah, um cigarro, agora

Já cruzei toda esta cela
Estou preso, estamos
Por insuficiência de provas de amor (?)

Arrogância e cabecismo não se harmonizam facilmente
É o poste mijando no cachorro

Nem mesmo a vaidade da música climática
Que faz o esfregar dos meus pentelhos
Roçando no seu cu já me convence

A dirigir meus espantos mágicos
Em sua direção

sexta-feira, 12 de abril de 2013

A IDADE DA FEBRE (de Haroldo Brandão)



PAREI PARA ASSISTIR NOITE DESSAS a primeira hora, os primeiros 60 minutos da obra glauberiana "A idade da Terra", junto com "Deus e o diabo na terra do sol" e "Terra em transe" formam o melhor de Glauber Rocha, um sujeito, um intelectual dos mais polêmicos, pensador febril do terceiro mundo, do Brasil, do canto que nos coube. Longe de ser fácil, digerível, por isto mesmo é o tipo de filme que se ama ou odeia, uma trip, sim a primeira parte em que são apresentados os 4 cristos (Tarcísio Meira, Jece valadão, Antônio Pitanga e Geraldo Del Rey) são quase 40 minutos de sonoplastia através de uma trilha sonora (percussão, samba, folclore, nordeste) com a cara dele Glauber, sons de muitos Brasis, câmera nervosa inquieta e imagens delirantes, o sol se pondo no planalto central do país, o nascimento de um povo, o desejo de contemplar, a ânsia de dar conta de um todo com a limitação dp plano da tela, imagens e música, imagens e música, de uma forma quase alucinante, como um imenso clipe alucinado, Glauber era um angustiado para entender, captar e dar conta de toda a realidade sócio-antropológica que tem como resultado o Homem brasileiro, o sujeito humano que povoaria o novo mundo, a América do Sul com seus caudilhos, com seus milhões de índios mortos, o grande quintal estadunidense. Glauber era místico e profético. Terra em Transe e Deus e o Diabo tem uma certa linearidade, não espere isso da Idade. 

O primeiro diálogo após 40 minutos de imagens delirantes traz um anti-ator, na verdade, o analista político Carlos Castelo Branco tomando wisk com A.Pitanga, e falando da contra-revolução em 1964, interessante ele não usar o têrmo golpe militar, chegando até a tentativa de golpe dentro do golpe liderada pelo General Silvio Frota, "o povo vai mal", impressionante a atualidade de problemas que há 40 anos não mudam, ontem a coluna de Elias Ribeiro Pinto, foi um soco no estômago em alguns manos regionais, uma catarse, um grito dizendo estou de saco cheio, é Elias nossa geração está passando e a bandeira ou a cruz alguém que se habilite a segurar, queria a tranquilidade de uma tarde na beira de um rio, na curva enquanto a chuva cai: tempo Glauber.
Voltarei a comentar mas fica aqui um petisco e um convite a que todos que possam revejam esta obra prima, ainda estou extasiado com a primeira parte, Glauber foi único enquanto cineasta, respeitado por gente como o escritor Alberto Moravia e o cineasta Antonioni, discordou, deu a cara a tapa, ironizou o status quo, xingou e foi xingado e, segundo alguns foi um gênio da raça, é o meu colírio Glauberiano, em meio a tanta banalidade.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

MORTE NO BAR DO MATIAS (de Haroldo Brandão)




As cabeças de segunda-feira são pesadas, pessimistas, arrependidas e ressacadas ainda mais quando teu trabalho não te satisfaz: é melhor amanhecer doente nas terríveis segundas. Ruim é ter que adoecer, gripar, pegar uma virose, uma caganeira na quinta feira, véspera da melhor noite da semana: a noite de sexta-feira. O carro desliza tranquilo no início da noite na Av. Generalissimo, a primeira dose no Zolt e em seguida já pelas 10, o agito cultural no Café Imaginário na alameda do Santa Maria, pub moderno, gente madura (?), multicultural e intelectual, com o charme de apenas um banheiro para homem e mulher, revistas de arte espalhadas, jazz nas caixas, Take five, Chet Baker, Arrigo e Patif Band, eu e Sérgio levamos um King Crimson, a fossa de Betânia, a gerência sem direção do anti-empresário Simões e o fiel (nem sempre) escudeiro Paulo Lezeira, todos os viúvos do 3 X 4 e do Bar da Mamá, o nostálgico Nativo, se redescobrindo 15 anos mais velhos: maravilha. Eram 00:15 h quando saí, subi a alameda na velha máquina e dobrei na Gentil Bittencourt, entrei na 14 de abril e novamente dobrei na Av.Gov. José Malcher parando no bar do Matias ou Bactéria’s Bar ou Putrefato’s Bar, aquele em que ao ir ao imundo banheiro cujo único vaso era um bidê, receava-se que um germe pulasse no pinto do sujeito, mulheres que prezavam sua saúde não sentavam ali, enfim ia-se pelo atendimento personalizado da gerente Jô, que dava porrada em maus pagadores (por causa de R$0,10), ia-se por conta da já citada falta de higiene, também nos copos, pelo tira gosto (pipoca Pantera) e pelos 300 ou mais CD’s de rock de todas as décadas,discotecados pelo ex dj da Boate Maloca (aquela da Praça Kennedy atual African) e no meu caso, pelo wisk mais vagabundo, enfim, caminho de casa, parada obrigatória.
Várias versões houveram ( a dos jornais foi a mais mentirosa) sobre o que vou lhes relatar, eu estava lá, não estavam Teko, nem Charles, nem Marco, nem Tânia, nem vários outros que se arvoraram a inventar uma estória. A história foi a seguinte: cheguei e me dirigi direto ao balcão, já instalado bebendo cerveja, um médico rockeiro, plantonista do PSM e um baixinho falando alto (todo baixinho é assim, voz alta pra compensar o tamanho). Ao encostar aquele bafo horrível no meu ouvido gritou: “tu és metido, pensas que é o tal..” fiz que não ouvi (como?),  olhei o relógio: eram zero e vinte e cinco. E o baixinho continuou: “tô armado e a fim de dar uns tiros..”. Eu não duvidei e senti o clima pesado. Do outro lado do balcão Matias me olha e com a sombracelha transmite sua preocupação, no salão apenas uma mesa ocupada, lá fora um casal na calçada tomando cerveja:  tensão no ar, o baixinho estava com a macaca. Passa para a calçada e chuta as garrafas vazias do casal. Frequentador de confiança no bar Matias pede: “Haroldo olha o caixa que eu vou lá acalmar esse doido”. Eu e o médico ficamos. Surdo aos apelos diplomáticos de Matias continua provocando o casal, rápido quando vimos Matias já estava enroscado no baixinho e o imobilizou, todo mundo em volta, Matias pede para o medico chamar a polícia pelo celular. Então eu disse “Matias o cara está dominado, afrouxa”. A galera: “nada, tá se fazendo de desmaiado”. O médico falou: “nada, continua apertando”. Em menos de 5 minutos chegou a polícia. Matias soltou e o cara nem se mexeu, não havia revolver: gorozado morreu asfixiado. A polícia chegou para prender um desordeiro e levou preso um pai de família. Olhei o relógio, eram zero e cincoenta. É estranho para mim até hoje ter presenciado uma morte nestas condições. A vida é assim: era um estranho, minutos antes seu bafo e sua voz ecoavam no meu ouvido, estava vivo, agora...
Na caixa tocava A day in the life.A morte no bar do Matias: As cabeças de segunda-feira são pesadas, pessimistas, arrependidas e ressacadas ainda mais quando teu trabalho não te satisfaz: é melhor amanhecer doente nas terríveis segundas. Ruim é ter que adoecer, gripar, pegar uma virose, uma caganeira na quinta feira, véspera da melhor noite da semana: a noite de sexta-feira. O carro desliza tranquilo no início da noite na Av. Generalissimo, a primeira dose no Zolt e em seguida já pelas 10, o agito cultural no Café Imaginário na alameda do Santa Maria, pub moderno, gente madura (?), multicultural e intelectual, com o charme de apenas um banheiro para homem e mulher, revistas de arte espalhadas, jazz nas caixas, Take five, Chet Baker, Arrigo e Patif Band, eu e Sérgio levamos um King Crimson, a fossa de Betânia, a gerência sem direção do anti-empresário Simões e o fiel (nem sempre) escudeiro Paulo Lezeira, todos os viúvos do 3 X 4 e do Bar da Mamá, o nostálgico Nativo, se redescobrindo 15 anos mais velhos: maravilha. Eram 00:15 h quando saí, subi a alameda na velha máquina e dobrei na Gentil Bittencourt, entrei na 14 de abril e novamente dobrei na Av.Gov. José Malcher parando no bar do Matias ou Bactéria’s Bar ou Putrefato’s Bar, aquele em que ao ir ao imundo banheiro cujo único vaso era um bidê, receava-se que um germe pulasse no pinto do sujeito, mulheres que prezavam sua saúde não sentavam ali, enfim ia-se pelo atendimento personalizado da gerente Jô, que dava porrada em maus pagadores (por causa de R$0,10), ia-se por conta da já citada falta de higiene, também nos copos, pelo tira gosto (pipoca Pantera) e pelos 300 ou mais CD’s de rock de todas as décadas,discotecados pelo ex dj da Boate Maloca (aquela da Praça Kennedy atual African) e no meu caso, pelo wisk mais vagabundo, enfim, caminho de casa, parada obrigatória.
Várias versões houveram ( a dos jornais foi a mais mentirosa) sobre o que vou lhes relatar, eu estava lá, não estavam Teko, nem Charles, nem Marco, nem Tânia, nem vários outros que se arvoraram a inventar uma estória. A história foi a seguinte: cheguei e me dirigi direto ao balcão, já instalado bebendo cerveja, um médico rockeiro, plantonista do PSM e um baixinho falando alto (todo baixinho é assim, voz alta pra compensar o tamanho). Ao encostar aquele bafo horrível no meu ouvido gritou: “tu és metido, pensas que é o tal..” fiz que não ouvi (como?),  olhei o relógio: eram zero e vinte e cinco. E o baixinho continuou: “tô armado e a fim de dar uns tiros..”. Eu não duvidei e senti o clima pesado. Do outro lado do balcão Matias me olha e com a sombracelha transmite sua preocupação, no salão apenas uma mesa ocupada, lá fora um casal na calçada tomando cerveja:  tensão no ar, o baixinho estava com a macaca. Passa para a calçada e chuta as garrafas vazias do casal. Frequentador de confiança no bar Matias pede: “Haroldo olha o caixa que eu vou lá acalmar esse doido”. Eu e o médico ficamos. Surdo aos apelos diplomáticos de Matias continua provocando o casal, rápido quando vimos Matias já estava enroscado no baixinho e o imobilizou, todo mundo em volta, Matias pede para o medico chamar a polícia pelo celular. Então eu disse “Matias o cara está dominado, afrouxa”. A galera: “nada, tá se fazendo de desmaiado”. O médico falou: “nada, continua apertando”. Em menos de 5 minutos chegou a polícia. Matias soltou e o cara nem se mexeu, não havia revolver: gorozado morreu asfixiado. A polícia chegou para prender um desordeiro e levou preso um pai de família. Olhei o relógio, eram zero e cincoenta. É estranho para mim até hoje ter presenciado uma morte nestas condições. A vida é assim: era um estranho, minutos antes seu bafo e sua voz ecoavam no meu ouvido, estava vivo, agora...
Na caixa tocava A day in the life.

quarta-feira, 27 de março de 2013

PERDÃO, AMIGO (de Thiago de Moraes)

George Brassaï

Miguel recebe uma carta de um amigo (Batista) do passado marcando um encontro em um bar, se despede de sua esposa Iolanda que está dormindo na cama e segue para o encontro.
No bar, Batista está fumando um cigarro sentado em uma mesa com uma garrafa de cerveja e dois copos sendo um vazio.  Uma maleta preta está no chão ao lado da cadeira e um casal está conversando em uma mesa próxima.
Miguel entra no bar e segue em direção ao velho amigo. Batista esboça um leve sorriso, levanta. Os dois ficam frente a frente e num gesto rápido Batista abraça Miguel e diz: Obrigado por vir amigo.
Os dois sentam, Batista enche o copo mas deixa o de Miguel vazio, este percebe a falha mas não comenta, apenas olha para o copo.
Batista olha triste para Miguel: Perdão, amigo.
Batista baixa a cabeça para não olhar Miguel nos olhos.
Miguel: Perdão por quê?
Batista: Carrego comigo o que antes era uma grande alegria e hoje em dia é um imenso pesar.
Miguel: Faz muito tempo que não nos falamos, o que aconteceu com você?
Batista: Como disse, fui vítima de uma grande alegria. Conheci uma mulher.
Miguel: Vítima? Porque vítima?  
Batista: Não me interrompa!
Batista bate com as mãos fechadas na mesa.
O casal próximo se espanta.
Miguel também se espanta,  mas não diz nada.
Batista bebe toda a cerveja do copo e enche novamente e o copo de Miguel continua vazio.
Batista: Perdão, amigo.
Miguel apenas observa.
Batista com um leve sorriso: Ela é linda, a mulher mais linda que já vi na vida. Um rosto perfeito com traços delicados, uma boca desenhada, perfeita, sabe, e olhos...ah os olhos...me perdi no infinito daqueles olhos.
Miguel acende um cigarro.
Miguel diz apagando o fósforo: Ela deve ser linda mesmo.
Batista: Como o mais belo dos anjos jamais será. Me perdi amigo, me perdi naquela mulher...por isso que sou vítima dessa alegria, antes de conhecê-la não existia razão nenhuma em minha vida. Como uma sombra vagando sem corpo, porque isso nos acontece? Talvez seja por isso que existimos, somos meros bobos da corte onde um rei barbudo e gordo se entope de vinho despejando em nós todo tipo  de desgraça para seu divertimento. Fica ali, em seu trono, apático, esperando...e a o chegar o ápice da ópera...ele...ri.
Batista levanta o copo e olha em seu interior e depois para Miguel.
Batista: É justo meu amigo?
Miguel  em tom irônico: Você me chamou para me falar de uma mulher que te faz sofrer? Não é a primeira vez e nem a última que isso acontecerá com um homem.
Batista se irrita e grita: NÃO ZOMBE DE MIM MIGUEL!!!
Copo da mesa do casal próximo cai no chão e quebra.
Casal próximo olha assustado para a mesa de Batista.
Batista: Desculpe...desculpe.    
Miguel: O que aconteceu depois?
Batista: O que aconteceu? Ela se casou meu amigo. E não tive a coragem para lhe dizer o que sentia, ou melhor, para que ela pelo menos soubesse que existo. Sou um fantasma para a mulher que amo...um fantasma...Não sou nem isso...
Miguel: Por que me chamou aqui?
Batista: Para lhe pedir perdão...perdão.
Batista arrasta a maleta na direção de Miguel.
Miguel impaciente: Perdão pelo que? Me diga logo homem.
Batista: Perdão pelo que irei fazer,  pois não agüento mais o pesar de amar a esposa de meu amigo.
Miguel fica espantado.
Miguel: Como? Mas que história é essa?
Batista: No seu casamento amigo, não tive coragem de entrar na igreja pois ao chegar vi aquela mulher,  Iolanda. Ela sorriu para mim...e foi como...como se um raio tivesse me atravessado naquele momento. Fiquei sem ar, sem pulso, sem nada, então corri...corri para longe daquele lugar. Mas aquela visão continuou a me atormentar e me assombra até hoje. Chamei você aqui porque tomei uma decisão...a mais difícil de minha vida.
Batista se levanta e saca uma arma e aponta para Miguel.
Batista: Perdão, amigo.
Miguel se levanta espantado: Batista Nã...
O tiro.
Miguel está paralisado e coberto de sangue.
Batista está sentado na cadeira com um tiro na cabeça.
As pessoas correm assustadas.
O Barmam se aproxima.
A imagem de Iolanda deitada na cama vem à mente de Miguel.
Miguel se levanta e esbarra na maleta.
Está perplexo e não entende o que aconteceu.
Miguel pega a maleta e sai do bar seguido por uma mulher aos prantos.
Miguel entra no carro, limpa o sangue do rosto e olha a maleta no banco do carona.
Miguel abre a maleta. Existe um papel dentro escrito: Perdão, amigo.
Três bip´s, a bomba explode.
Iolanda deitada na cama abre os olhos.