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domingo, 21 de dezembro de 2025

A “VAMPIRA DE BELÉM”: RESPONDENDO AOS HISTORIADORES: THIAGO GOMIDE E MICHEL PINHO







A “VAMPIRA DE BELÉM”: RESPONDENDO AOS HISTORIADORES: THIAGO GOMIDE e MICHEL PINHO

Os historiadores Thiago Gomide e Michel Pinho, em vídeo gravado no antigo Cemitério da Soledade, em Belém, afirmam que a “vampira de Belém” é pura "fake news".




Bem, com base no significado da expressão "fake news", cuja definição é: "informação falsa intencionalmente divulgada com o objetivo de obter alguma vantagem", pode-se questionar que a história da "vampira de Belém" seja uma fake news, já que a história se popularizou de forma espontânea por populares, tornando-a independente do livro de que é personagem, como se o público a tivesse despertado, lhe tivesse dado vida e a libertado das páginas do livro.

 

O livro "Após a Chuva da Tarde - A Lenda de Camille Monfort, a Vampira da Amazônia" é um romance histórico que tem como pano de fundo fatos históricos da cidade de Belém --- do Ciclo da Borracha até a sua decadência, na era Vargas: (1878 - 1934) --- tomando personalidades reais da época como personagens, indivíduos que se tornaram lendas em nossa cidade.


CAMILLE MONFORT, "A VAMPIRA DE BELÉM", FOI INSPIRADA EM UMA PESSOA REAL, embora seu nome seja fictício. O título de "vampira" se origina de um costume, de fim de século XIX, dado de forma maldosa, às cantoras e atrizes que possuíam grande poder de sedução, e se valiam disso para "sugar" a riqueza e energia de homens ricos até levá-lo à ruína. A origem de tal apelido se deu com o quadro pintado por Philip Burne-Jones (1861 - 1936), chamado de "The Vampire", que retratava uma mulher sobre o corpo morto ou adormecido de um homem na cama. A pintura inspirou o poema, de mesmo nome, do poeta Rudyard kipling (1865 - 1926), retratando um homem "tolo" por amar uma mulher que queria apenas "drenar" seus bens e vitalidade (uma "vampira"). 


Quadro "The Vampire" de Philip Burne-Jones
Acompanhado do Poema de mesmo Título, de Rudyard Kipling


No livro "Após a Chuva da Tarde" não apenas o termo "vampira" é visto pelo viés do preconceito à mulheres que se tornavam independentes economicamente e socialmente --- algo inconcebível para a época ---, mas também pelo viés dos preconceitos religiosos à cultos espiritualistas que começavam a chegar à Belém em fins do século XIX, através de músicos estrangeiros que se apresentavam no Theatro da Paz, com poderes tidos como sobrenaturais e "demoníacos" pela população local, que viam com um misto de fascinação e medo.

Maestro Etorre Bosio

O maestro italiano Ettore Bosio (1862 - 1936), que em 1891 veio da Europa para dirigir o Conservatório Carlos Gomes, é um bom exemplo. Bosio trouxe métodos de pesquisa de fenômenos paranormais, já usados pioneiramente pelo instituto londrino Society for Psychical Research, fundada em 1882, fotografando espectros por meio da médium paraense Ana Prado, em sessões espíritas em sua casa. Bosio guardada estas atividades em segredo, tanto que ficaram em segundo plano em sua biografia, apenas divulgada no meio espírita.

 



Quanto ao túmulo referido no vídeo, o livro especula que, devido ao roubo das sementes de seringueiras em 1876, pelo inglês Henry Wickham, que arruinou a economia de Belém, estrangeiros passaram a ser mal vistos, então, ricas famílias belenenses, teriam cedido, anonimamente, mausoléus para o sepultamento de estrangeiros. No livro, teria sido também cedido à Camille Monfort.


A história da vampira de Belém tem ajudado a divulgar a cultura paraense e estimulado as novas gerações se interessarem pela história de Belém, que é um dos objetivos do livro.



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domingo, 9 de março de 2025

RUÍNAS DE UM CASTELO EM PLENA CIDADE DE BELÉM?







RUÍNAS DE UM CASTELO EM PLENA CIDADE DE BELÉM?


Quando se é criança, qualquer história se torna viva. Na escola, havia o “buraco da bruxa”, uma passagem no muro do colégio que levava a um terreno baldio, misterioso, que provocava medo e que se contava histórias medonhas sobre ele. O local tornou-se um desafio àqueles que queriam testar sua coragem, desafiando-o ao invadir seus domínios.





E quem diria que, em plena Belém, um pedaço da floresta Amazônica guarda, com todo o seu mistério e civilizações perdidas, as ruínas de um misterioso castelo que o espera para envolvê-lo em seu clima de mistério. Para alguns é a “casa da bruxa” ou da matinta perera, personagem das lendas amazônicas. 





Mas a construção, feita aos moldes do romantismo europeu do século XIX, foi feita para ser isso mesmo: ruínas de um castelo invadido pela floresta amazônica. 







O lugar é extremamente propício à imaginação de adultos e crianças.




O Bosque Rodrigo Alves já embalou a imaginação de milhares de crianças e ainda continua com seus 141 anos de existência, localizado no centro urbano da cidade de Belém. Foi construído em 1884, no auge da comercialização da borracha amazônica, contendo áreas temáticas, em meio a inúmeras espécies da flora e da fauna amazônica. 



sexta-feira, 12 de maio de 2023

A POLÊMICA CLEÓPATRA NEGRA DA NETFLIX



A POLÊMICA CLEÓPATRA NEGRA DA NETFLIX

Com a série Vikings: Valhalla, da Netflix, vimos uma rainha negra comandar vikings na luta pelo poder da Escandinávia, na alta idade média. Por meio da série Bridgerton, vimos nobres ingleses negros dominarem a corte inglesa no início do século XIX, ignorando totalmente a escravidão negra e o extremo racismo desse século.

 



OK, não há nenhum problema nisso, já que tanto a série Vikings: Valhalla quanto Bridgerton são séries ficcionais, ou seja, fantasiosas, em que é tão possível conceber uma rainha viking negra e uma Inglaterra do século XIX sem escravidão e racismo quanto imaginar uma estória com dragões, fadas e zumbis.


Cena de Bridgerton

Porém, quando se quer fazer um documentário sobre uma personalidade histórica, a ficção e a fantasia devem ser deixadas de lado, e se prender apenas aos fatos históricos. E parece que isso não se aplica ao novo documentário da Netflix sobre a rainha Cleópatra, que a concebe como tendo sido uma mulher negra.


Bem, uma coisa é ter total liberdade para criar uma personagem ficcional, que nunca existiu, como a rainha negra da série Vikings: Valhalla, outra é fazer um documentário e abordar uma personagem histórica, de carne e osso, e ignorar sua história em prol de um ideal político.


Cleópatra, que nasceu e morreu em Alexandria, no Egito, cidade criada pelo Imperador Alexandre o Grande e dominada pela cultura grega, pertencia a dinastia que teve início com Ptolomeu, general do imperador Alexandre, cujo vasto império ia de Portugal até parte da Índia e norte da África, e que após sua morte, foi dividido entre seus generais, cabendo a Ptolomeu I tornar-se rei do Egito.


Imagem Romana, Pintada no Tempo de Cleópatra,
Mostrando uma Mulher Branca e Ruiva


Cleópatra era descendente direta de Ptolomeu I, homem macedônico, grego, branco europeu, e que pertencia a um povo que, embora buscasse impor sua cultura helênica a outros povos, e permitisse a mistura de culturas, não permitia a mistura de sua linhagem, praticando o casamento entre irmãos como forma de manter a mesma linhagem familiar, regra mantida até recentemente por monarquias europeias, que estimulava o casamento entre parentes, e que era muito comum o casamento entre primos e sobrinhas e tios; a própria Cleópatra se casou com um irmão, Ptolomeu XIII.

 



Portanto, há inúmeras evidências históricas, incluindo esculturas da própria Cleópatra, para acreditar que ela era uma mulher branca. A crítica aqui não se trata de racismo ou outra forma de preconceito, mas de precisão histórica, já que a Netflix propõe retratar Cleópatra por meio de um documentário. Contudo, a famosa plataforma não apenas concebe a personagem principal uma mulher negra, como também todos seus irmãos e mesmo seu pai, Ptolomeu XII.


O documentário é composto por cenas encenadas por atores e dividido por comentários feitos por meio de entrevistas a algumas pessoas --- algumas delas não especialistas no assunto, com opiniões bem pessoais, sem nenhuma base histórica, mas motivadas por lembranças emotivas sobre a famosa rainha.


A falta de precisão histórica do documentário da Netflix sobre Cleópatra, reforçou em mim a desconfiança sobre o fundo político e ideológico que um documentário pode conter ao ponto de distorcer os fatos.


E não ligando para a controvérsia que mobilizou o Egito e sua população que acusa a Netflix de distorcer sua história, e a ameaça do governo egípcio de banir a empresa de seu território, o documentário da Netflix estreou nesta quarta-feira, 10 de maio.


terça-feira, 24 de novembro de 2020

CONHEÇA OS CARTÕES-POSTAIS DOS LINCHAMENTOS DA KU KLUX KLAN



CONHEÇA OS CARTÕES-POSTAIS DOS LINCHAMENTOS DA KU KLUX KLAN

O racismo nos Estados Unidos provocou histórias assombrosas e cruéis. Há relatos, por exemplo, de que bebês negros eram usados como isca para pegar crocodilos em algumas cidades dos Estados Unidos, no início do século XX. 



Havia também, nas décadas de 1950/60, em algumas cidades americanas, toque de recolher para negros, e negros que estivessem nas ruas à noite, corriam risco de vida, podendo ser linchado a qualquer momento. Foi nessa época que surgiu o curioso guia escrito por negros para negros viajantes, chamado Green Book, que trazia mapas das estradas, e dos estabelecimentos em que eram permitidos negros pernoitarem, comprarem comida, ou onde podiam comprar combustível para continuarem a viajem sem correrem o perigo de serem linchados. Além de todos esses extremos, havia uma rígida política de separação entre brancos e negros, em que se proibia que os mesmos serviços oferecidos a brancos fossem compartilhado com negros. Assim havia escolas, faculdade, música, lanchonete, restaurante, cinemas, etc., somente para brancos, e serviços, como ônibus, em que os melhores lugares eram reservados aos brancos.


Uma horrível lembrança dessa época chegou aos nossos dias, mostrando com todo o realismo das fotos, o extremo racismo que, não raro, levava ao linchamento de negros, ou por não ter demonstrado submissão a um branco, ou por ter sido apontado como suspeito de um crime, simplesmente, por ser negro, e não poder se defender, ou por ter mantido relacionamento amoroso com alguma mulher branca, e por demais motivos injustos. Tais fatos ficaram registrados em cartões-postais da época que mostravam corpos negros enforcados em árvores. O que indigna é notar o clima de festa estampado nos rostos daqueles que participavam de tais atrocidades, ao ponto de usarem tais registro como cartões de lembrança, sendo ofertados a parentes e amigos.


O linchamento de Thomas Shipp e Abram Smith. Este foi um grande encontro de linchadores acontecido no dia 7 de agosto de 1930, em Marion, Indiana. Inscrito a lápis na moldura: "Bo aponta para seu niga". Fora da moldura está escrito: "Klan 4° Joplin, Mo. 33." Achatadas entre o vidro e o papel há cabelos da vítima." 



Imagens do linchamento de Frank Embree, Fayette, Missouri, 1899.

O linchamento de Leo Frank. 17 de agosto de 1915, Marietta, Georgia. Sobreposta à imagem: "O fim de Leo Frank, enforcado por uma turba em Marietta. Agosto 17, 1915."

Bennie Simmons, ainda vivo, embebido em óleo de carvão antes de ser incendiado. 13 de junho de 1913. Anadarko, Oklahoma.

Este é o cadáver carbonizado de Jesse Washington suspenso em um poste. O verso diz: "Este é o churrasco que fizemos ontem à noite, minha foto está à esquerda com uma cruz sobre seu filho Joe." 16 de maio de 1916, Robson, Texas.

Os cadáveres de cinco homens afro-americanos, Nease Gillepsie, John Gillepsie, "Jack" Dillinghan, Henry Lee e George Irwin com espectadores. 6 de agosto de 1906. Salisbury, Carolina do Norte.

O Linchamento de Elias Clayton (19 anos), de Elmer Jackson (19) e de Isaac McGhie (20). 15 de junho de 1920, Duluth, Minnesota.

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

CONHEÇA AS ESCRAVAS ISAURAS DA VIDA REAL


CONHEÇA AS ESCRAVAS ISAURAS DA VIDA REAL
A novela A Escrava Isaura, novela brasileira de sucesso mundial, conta a história de Isaura, uma escrava branca, filha de um pai branco com uma escrava negra que, criada como filha por sua senhora, se vê em maus lençóis com a morte da senhora e do assédio do filho de sua dona, que passa a lhe tratar como propriedade sua após a morte da mãe. O que poucos sabem é que a história de Isaura não está tão longe da realidade do que acontecia no tempo da escravidão no Brasil.


Os escravos brancos eram relativamente comum. Em um censo de 1860, nos Estados Unidos se verificou que aproximadamente 5% dos escravos nascidos no sul do país fossem filhos de pais brancos. No Brasil não deveria ser tão diferente. Estes escravos brancos eram frutos de estupros cometidos pelos senhores brancos e pelos filhos destes, que geravam filhos brancos em suas escravas, que jamais eram reconhecidos como filhos, e continuavam sendo escravos.


O mais trágico nisso tudo, é que enquanto os escravos de pele escura eram mantidos presos, espancados, chicotados nos mercados à venda, durante os leilões, não despertavam a menor indignação na maioria das pessoas, porém bastava apenas que um escravo de pele branca, e com traços europeu, estivesse exposto à venda para despertar a indignação de todos. Era como se as pessoas de pele escura não fossem vistas como humanos, e por isso seu sofrimento ignorado. É o que podemos apreender sobre os relatos da época.


Em São Paulo no ano de 1865 foi posta à venda uma escrava com 8 filhos, sendo que entre os mais novos existia uma criança de “cor branca”. De acordo com a matéria “a comoção foi tanta que logo se criou um grupo para arrematar o lote”. Situação idêntica passou Maria Machado, que branca e com um filho de colo, também branco foi posta em leilão.


Um outro caso foi de uma “moça branca” no porto do Rio de Janeiro, que vista pelos trabalhadores chorando muito, foi indagada de seu sofrimento, e relatou para os mesmos que era escrava e estava sendo embarcada para seu novo proprietário. O choque de todos foi grande, ao se verificar que a moça era mais branca que o seu senhor, que provavelmente descendia de “escravos africanos libertos”.


No ano de 1875 foi aberto um leilão na cidade de São Paulo onde, entre os escravos, encontrava se a jovem Felicidade de 15 para 16 anos de idade. De acordo com o jornal da época “todos ficaram surpreendidos e repassados de dor encontrando uma menina perfeitamente branca, e de bela aparência, esperando que alguém lhe dissesse: segue-me escrava!”. O impacto da situação fez com que os presentes fizessem uma vaquinha e comprassem a liberdade da jovem.


O choque provocado por crianças escravas, de pele branca e com traços europeus, juntas com demais escravos, foi aproveitado nos Estados Unidos em fotos (publicadas aqui) para arrecadar fundos a favor da causa abolicionista e conscientizar pessoas da época que, apesar da diferença da cor da pele, somos todos humanos, com sentimentos e direitos iguais.

FONTE: Adaptado da comunidade Consultoria Mnesis.




sexta-feira, 27 de março de 2020

MADAME SATÃ: NEGRO, "BICHA", BANDIDO E BOM DE BRIGA


MADAME SATÃ: NEGRO, "BICHA", BANDIDO E BOM DE BRIGA
Ele foi um dos primeiros transformista, que encantava o Carnaval carioca com suas fantasias. Foi o bandido violento que matava com um único soco. O homossexual assumido que “caçava veados” na Lapa, segundo suas próprias palavras. Foi também o herói que não admitia violência contra os mais fracos e, como capoeirista, enfrentava desarmado a polícia. Ele foi o Madame Satã, um homossexual delicado, mas bom de briga!

Negro, pobre e homossexual, Madame Satã foi um personagem controverso que lutou contra o preconceito durante os anos de 1920, em um Brasil extremamente racista e homofóbico.


João Francisco dos Santos, seu nome de batismo, nasceu, em 1900, no interior de Pernambuco, foi, na infância, trocado por uma égua, motivo encontrado por seus pais, ex escravos, para poder sustentar os dezessete filhos que ficaram. O homem que o adquiriu, embora tivesse prometido que iria lhe dar casa e estudo, fez dele um escravo em sua fazenda. Em 1908, João Francisco então fugiu com Dona Felicidade, que lhe ofereceu emprego, para o Rio de Janeiro, onde também passou a trabalhar como um escravo na pensão desta. O que o levou a fugir e morar nas ruas do bairro boêmio da Lapa.

Foi na Lapa, que passou a conviver em meio a marginalidade e os malandros da época, virando menino de rua, se envolvendo em pequenos crimes. E também na rua que descobriu sua homossexualidade: “eu fui homem algumas vezes e fui bicha algumas vezes. Eu gostei mais de ser bicha”  disse ele.

Em meio aos malandros aprendeu a lutar capoeira, se tornando hábil lutador, causando medo em malandros e até mesmo em policiais.


Mas as ruas da Lapa, não lhe trouxe apenas a marginalidade, pois foi no intenso clima artístico do bairro, entre prostitutas e dançarinas, que Madame Satã se apaixonou pela arte da dança e das performances artísticas dos palcos, imitando as coreografias de dançarinas famosas da época. 


E motivado por uma jovem dançarina com quem fez amizade, em 1928, esta lhe arrumou a oportunidade de se exibir no palco em uma casa de show. Seu espetáculo foi um sucesso, e lhe proporcionou fama imediata no bairro. Contudo, foi nesse mesmo ano que um incidente lhe levaria a assassinar um guarda, que o havia provocado. O fato aconteceu quando um guarda-civíl, o chamou repetidas vezes de “veado”; passando também a provocá-lo com empurrões e tapas. Madame Satã tentou não dar importância ao fato, mesmo com pessoas terem visto a humilhação. Voltou então para seu quarto. Porém no quarto sua raiva subiu ao nível do insuportável, ao relembrar as cenas novamente. Então, de posse de um revólver, voltou ao local, e matou seu agressor com tiros.

Madame Satã foi condenado a prisão pelo homicídio. Porém, passou apenas dois anos na prisão, após ter sido apontado como crime de legítima defesa. Após este fato, João Francisco passou a receber bastante convites de emprego de segurança, trabalhando em bordéis, protegendo prostitutas, outros malandros. Contudo, policiais não engoliriam tão facilmente a morte de companheiro de trabalho, o que fez que Madame Satã se torna-se sempre alvo das investidas de policiais, o que se agravava ainda mais com o fato de que ele não suportava ver policiais agredindo a população mais fraca, intervindo sempre que podia, espancando policiais.

Um dia, um sargento disparou seis tiros nele e, ao verificar que não foi atingido, correu atrás do policial desferindo-o navalhadas, inclusive em sua nádega. Desse momento adiante Madame Satã ficou conhecido como aquele que tinha dado uma navalhada na bunda de um policial.

Outras ousadias suas contra a polícia se tornaram bastante popular, como a vez que após, centenas de vezes, ser revistado, foi marchando sozinho até a delegacia de polícia, entrou e espancou o delegado. O que lhe acarretou mais um tempo de prisão: ao todo foram 27 anos, de idas e vindas dos presídios.

Lázaro Ramos como Madame Satã no Filme Homônimo de 2008


Em 1938, João Francisco ganhou o prêmio carnavalesco de melhor fantasia, em que João retratava uma espécie de morcego originário de sua cidade natal. Alguns dias depois, durante mais uma detenção, junto de outros homossexuais, um dos policiais, ao vê-lo, perguntou: “Não foi você quem ganhou o prêmio de melhor fantasia?”. Então com base na fantasia, e com a semelhança com um dos personagens de um filme do diretor Cecil B. de Mille, passou a chamá-lo de Madame Satã, título também do filme do referido diretor. Pronto. O apelido pegou, e eclipsaria seu nome de batismo, dando nome a um dos mais famosos personagens marginais da cidade do Rio de Janeiro.

Antes de adquirir seu famoso apelido, Madame Satã havia se casado com uma mulher, com quem criou seis filhos adotivos. Madame Satã se orgulhava de ter sido bom pai, e de ter transformado seus filhos em boas pessoas. Em uma entrevista, como exemplo, citou que uma filha havia se tornado musicista (professora de acordeão), um filho havia se tornado soldado e outro… delegado de polícia!

Madame Satã faleceu em 12 de abril de 1976. 

sexta-feira, 20 de março de 2020

CONHEÇA EPIDEMIAS QUE AMEAÇARAM IGREJAS E A FÉ EM DEUS


 CONHEÇA EPIDEMIAS QUE AMEAÇARAM IGREJAS E A FÉ EM DEUS
Ao longo da história do ser humano, vírus, germes e doenças das mais diversas têm desafiado a fé e as crenças religiosas mais populares do mundo. Abaixo, alguns casos em que vírus e vermes desafiaram os preceitos de Deus, e venceram.

Vermes


No século II antes de Cristo, um grupo de monges judeus, conhecidos por essênios,  seguiam à risca os rituais da TORAH (livro religioso judeu, conhecido também pela cristandade como velho testamento), que lhes ensinava a se banhar na mesma água parada dos templos, como forma de purificação do corpo, antes dos rituais religiosos no templo; esse ritual envolvia imersão total (olhos, boca, etc.) em piscinas de água parada, que criava um excelente ambiente para infestação de tênias, lombrigas e restantes parasitas. Ao longo do tempo, toda a comunidade foi contaminada por estes parasitas, o que fez com que a grande maioria dos essênios não chegassem aos quarenta anos de idade (6% apenas para ser mais exato, chegavam aos 40 anos).

Peste Negra


O que ficou conhecido como peste negra foi uma grande epidemia de leptospirose acontecida na Europa durante a idade média, doença transmitida pela pulga do rato, que transmitiria a doença a este e deste ao ser humano, por meio da contaminação de alimentos.



Devido a falta de higiene, grandes cidades se tornaram ambientes propício à infestação de ratos, que surgiam acompanhados de seu perigoso parasita. A doença matava milhares de pessoas todos os dias, que morriam com suas mãos e línguas negras, daí originando seu nome. Mais uma vez, ambiente religiosos como mosteiros, pela grande concentração de pessoas e pela extrema falta de higiene, facilitava a proliferação da doença.

Vírus
ocorrido acima, não se prende apenas ao passado. Em 2009, houve a pandemia da gripe suína, provocado pelo vírus h1-n1, que causou milhares de mortes pelo mundo. O ambiente fechado das igrejas, e o contato próximo entre os fiéis, se tornava um ambiente excelente para a transmissão da gripe. Proibiu-se, dentro das igrejas católicas, o recebimento direto, na boca do devoto, da hóstia, dada pelos padres, e o governo teve que desestimular a ida de fiéis às igrejas.

Coronavírus

Em 2020, temos mais uma pandemia, dessa vez de coronavírus, que põe à prova mais uma vez os rituais religiosos das mais populares crenças religiosas do mundo.

Com a possibilidade de milhares de mortes, governos do mundo inteiro decidem impedir grandes aglomerações de pessoas.  Aeroportos são fechados, campeonatos de futebol são decididos com ausência de público, grandes shows de música são cancelados, etc. E também, novamente, igrejas se tornam ambientes perfeitos para a proliferação da doença.

Religiões, Vermes e Vírus
A derrocada dos essênios para os vermes, nos “mostra o que acontece quando se leva as coisas bíblicas demasiado fundamentalista ou literalmente, como fazem em muitas partes do mundo, e quais são as consequências últimas desse fundamentalismo”.

Quem diria que estes pequenos seres, vírus e vermes, seriam capazes de destruírem crenças e rituais vindas do próprio “todo-poderoso, Deus”.