sábado, 31 de janeiro de 2026

30 ANOS DO ET DE VARGINHA - SERÁ QUE TUDO FOI PURO ENGANO?





30 ANOS DO ET DE VARGINHA - SERÁ QUE TUDO FOI PURO ENGANO?

Nos 30 anos do mais famoso caso ufológico do Brasil, o documentário O Mistério de Varginha, da Globo, mete o pé na jaca e dá a entender que o ET de Varginha não passou de apenas má interpretação e um rentável meio de arrecadar dinheiro.




Em 20 de janeiro de 1996, três garotas ao cortar caminho por um terreno baldio avistaram uma estranha criatura agachada a um muro. O ser foi descrito por elas como tendo um corpo humanóide, marrom, exalava forte cheiro desagradável, com nariz e boca quase imperceptíveis, grandes olhos vermelhos e três protuberâncias na cabeça, que foi descrito como chifres.


Ubirajara Rodrigues

No princípio, as jovens descreveram a coisa como “um grande coração de boi”, devido ao formato, cor e “veias”, por uma delas, e, por outra como, “um demônio” — certamente, motivado por crenças cristãs. Portanto, inicialmente, elas nada sabiam a respeito de extraterrestres. E passaram a ligar a coisa à ETs por influência dos ufólogos Ubirajara Rodrigues e Vitório Pacaccini, que foram os primeiros a abordá-las quando a notícia se espalhou pela região.


Vitor Paciccini

Homens de Preto

Em entrevista para o programa Comando da Madrugada, ainda em 1996, a mãe de duas das moças afirmou ter sido abordada em sua casa, alguns meses após o ocorrido, por quatro homens vestidos de terno preto, que a interrogaram e lhes ofereceram dinheiro para que as meninas negassem ser real o que haviam visto.




Certamente, hoje, muitos, ao ouvir este detalhe, teriam logo o pensamento: “Ela copiou isso do filme MIB - Homens de Preto, em que dois agentes, sempre vestidos de paletó negro, de uma misteriosa agência, tem a tarefa de abafar os vestígios dos contatos de humanos com extraterrestres, para que tudo permaneça em total segredo. Contudo, o filme foi lançado em 1997, ou seja, mais de um ano da entrevista da mãe das meninas para o programa Comando da Madrugada. Porém, o filme MIB se inspirou em relatos de pessoas reais, que contavam que, após terem avistado naves ou criaturas extraterrestres, os homens de preto apareciam em suas casas para questioná-las e abafar seus testemunhos com ameaças ou por outros meios. Esses testemunhos já eram bastante conhecidos no meio ufológico muito antes do caso de Varginha. 


Então, uma explicação para isso, é que pessoas do próprio meio ufológico tenham se aproveitado da ocasião para trollar a família, ou, quem sabe, quisessem obter alguma vantagem em cima do já famoso caso, ou, mesmo, dar mais consistência ao caso.


Supostas Provas da Existência do ET de Varginha

Com a chegada dos ufólogos Ubirajara Rodrigues e Vitório Pacaccini ao caso, novos testemunhos foram colhidos por eles pela região, que se relacionavam com a criatura vista pelas três moças. 


A Nave Vista por Caseiros

Só para citar alguns, foi o caso do casal de caseiros, que relataram ter visto, antes do encontro das menina com a criatura, uma nave avariada, em forma de “submarino”, expelindo “fumaça”, sobrevoar baixo o sítio onde moravam, indo em direção a cidade de Varginha. 


Alguns críticos dirão mais tarde que isso poderia ser um balão, ou outra coisa parecida, já que era de noite.

 

A Nave que Sobrevoou a Estrada

Outro relato, colhido meses mais tarde, foi de alguém que viu algo semelhante a um “micro ônibus”, danificado, sobrevoando uma pista e pousar próximo de onde estava, e a pessoa ter sido repreendido por soldado do exército ao se aproximar da suposta nave e coletar material que tinha o poder de voltar à forma original quando amassado.


Este relato recebeu críticas de alguns ufólogos por aparentar ser uma cópia do relato ligado ao caso Roswell, acontecido nos Estados Unidos.


O Falecimento de Marcos Chereze

A dupla de ufólogos também abordaram a irmã do soldado da PM, Marco Chereze, cuja morte é sempre associada à captura do ET de Varginha.


Marcos Chereze

Marcos Chereze teria sido o soldado que capturou um dos ETs com as próprias mãos, sem proteção alguma, e por isso teria se contaminado, levando-o à morte por misteriosa infecção, imediatamente após seu contato com a criatura.


Críticos afirmam que, segundo a própria irmã em entrevista, Chereze teria ido no dia 7 de fevereiro de 1996 para o hospital extrair um cisto na axila, que provavelmente já existia antes do suposto encontro com o ET. 


No dia 11 de fevereiro, em decorrência da cirurgia, ele voltou a sentir dor, foi para o pronto socorro e, no mesmo dia, uma hérnia de disco foi identificada. O médico, percebendo a gravidade, indicou sua internação no Hospital Municipal Bom Pastor, onde faleceu, dia 15 de fevereiro, com infecção generalizada. 


O que demonstra que seu falecimento não foi consequência imediata do suposto contato com o ET, como afirmam os críticos, mas um mês depois. Além disso, a crença de que seu corpo foi enterrado em um caixão de chumbo, dando a entender que seu corpo teria sido contaminado por radiação, não é verdade, o caixão foi apenas lacrado, procedimento comum em caso de morte por infecção.




Em entrevista a irmã, Marta Chereze afirmou que passou a acreditar que a morte do irmão teve a ver com a suposta captura do ET por meio do contato com os ufólogos Ubirajara Rodrigues e Vitor Pacaccini. 


A Estranha Criatura no Zoológico

No dia 21 de abril, portanto, quase três meses depois do encontro com o ET, Dona Teresinha teria visto uma estranha criatura, à noite, no zoológico, em que ela descreveu que possuía grandes olhos vermelhos, com uma espécie de capacete dourado na cabeça, de corpo marrom, brilhoso. A criatura vista por Dona Teresinha foi imediatamente associada à mesma criatura descrita pelas meninas do ET.


Embora o relato de Dona Teresinha não faça parte do documentário da Globo, é bastante associado à aparição do ET de Varginha.


Críticos, contudo, argumentam que, devido o acontecimento ter ocorrido em local escuro e Dona Teresinha ser idosa e usar óculos, sua descrição poderia não ser precisa. Foi apontado a grande possibilidade dela ter visto um animal (embora ela discordasse disso), como uma coruja de grandes olhos vermelhos.


Curiosamente, semanas anteriores à visão da estranha criatura por Dona Teresinha, biólogos do zoológico da cidade notaram a morte de quatro animais: segunda-feira foi encontrado um veado morto, na terça, uma jaguatirica, na outra segunda, outro veado, no domingo houve a morte de uma anta. Tal fato foi posteriormente associado à criatura vista pela Dona Teresinha, principalmente porque o laudo indicava causa da morte desconhecida.


Críticos apontam que o fato do laudo ter indicado causa da morte desconhecida não significa que não tenha uma causa conhecida, mas apenas que não foram realizados exames mais precisos nos animais; além disso, a associação das mortes ao ET parece forçada demais. 

 

Os Testemunhos de Militares 

De todas as testemunhas, os relatos de três militares que, sem se identificar, confirmaram terem participado da captura das criaturas; testemunhos que foram apresentados no programa Fantástico, da Rede Globo, o que deu maior consistência à história do ET de Varginha, tornando-o definitivamente popular em âmbito nacional e até internacional. 


E foi aqui que o documentário da Globo dividiu a ufologia brasileira e ameaçou pôr um ponto final no Caso do ET de Varginha. 


Suborno e Falso Testemunho

Dos três militares que afirmaram ter tido contato com as criaturas — o bombeiro já tinha falecido —, os dois soldados do exército foram novamente consultados pelo documentário. Um deles afirmou que seu testemunho foi totalmente falso, criado pelo próprio ufólogo Vitório Pacaccini e que teria sido repetido por ele mediante a promessa de pagamento; já o outro soldado, continuou alegando ter visto a criatura, mas houve testemunhas que se identificaram que afirmaram que mesmo este teria recebido dinheiro para seu falso testemunho. O documentário chegou a apresentar um ex-soldado citado por essa testemunha como tendo também participado, que negou o ocorrido, e sem a necessidade de esconder sua identidade.


A denúncia de suborno e falso testemunho pôs abaixo toda a credibilidade atribuída à investigação feita pelo ufólogo Vitório Pacaccini, principalmente os relatos que confirmavam que a criatura vista pelas meninas era um extraterrestre, que teria sido levado pelo exército brasileiro para hospitais da região e posteriormente para a Universidade de Campinas, onde teria sido examinado pelo famoso legista Badan Palhares, como afirmaram os ufólogos Ubirajara Rodrigues e Vitório Pacaccini.


Testemunho dos Médicos

Dr. Badan Palhares



E não é que o documentário da Globo trouxe uma surpresa: a afirmação feita pelo próprio legista Badan Palhares, que na época era legista da Universidade de Campinas (SP), e que sempre negou o caso, de que ele recebeu um telefonema dizendo para não se ausentar do laboratório, pois uma equipe do exército brasileiro estaria levado para lá um material vindo de Varginha, de que era importante o trabalho de exumação completo. Contudo, segundo ele, esse material não chegou até hoje.


Bem, esse telefonema também não prova nada, já que poderia ter sido feito por qualquer pessoa que soubesse o contato telefônico da universidade, e que poderia ter ligado somente para dar uma falsa consistência ao caso.


Dr. Ítalo Venturelli



Com a abordagem de pesquisadores estrangeiros ao Caso do ET de Varginha, surgiu o depoimento do médico neurologista Ítalo Venturelli que, na época do avistamento do ET, trabalhava no hospital em que uma das criaturas teria sido levada; seu depoimento não tem nenhuma relação com os ufólogos Ubirajara Rodrigues nem com Vitor Pacaccini.


Após um período de saúde frágil que o levou à UTI e que lhe pôs em risco de vida, o médico resolveu não levar o segredo para o túmulo, confirmando que teria presenciado a criatura.


Avisado por um colega de profissão, que teria feito intervenção médica na criatura e a filmado, viu a criatura deitada em uma das salas do hospital, sob proteção do exército brasileiro. 


Ele descreveu a criatura como sendo branca, sem mal cheiro, de porte pequeno, grandes olhos lilases que, segundo ele, era como um “anjo”, que chegou a se comunicar com ele apenas por meio do pensamento.


Muitos têm apontado que a descrição feita pelo médico não combina com a relatada pelas três meninas, sendo isso uma prova de que a criatura seria pura invenção. Mas isso não é suficiente para negar os testemunhos, já que poderiam ser espécies de seres diferentes ou que, por estar moribunda, assumiu aspecto físico diferente. O certo é que, se fossem extraterrestres mesmo, seriam biologicamente e fisiologicamente diferentes de tudo que conhecemos, nos impedindo de compreender estas diferenças. 


Outros argumentam que o médico quer apenas obter popularidade e projeção com seu depoimento. Mas Ítalo Venturelli tem um forte argumento a seu favor.


Dr. Ítalo assume que preferiu não comentar nada a respeito de sua experiência com a criatura — embora anos atrás tivesse se limitado a comentar que teria visto um vídeo da criatura —, por ter um importante cargo médico, que necessitava de total confiança de seus pacientes. 


Sua vontade de revelar o que vira, parece ter sido bastante forte, ao ponto dele ter composto, nos anos em que não se permitiu comentar, um conto de aspecto enigmático, em que ele descreve e tem conversa com uma criatura semelhante à que foi vista por ele no hospital.


Relatos de contatos com extraterrestres expõem pessoas ao ridículo e a gozação pública, principalmente daqueles que nada têm a ganhar economicamente com o fato, capaz de acabar com a mais sólida carreira, e com o Dr. Ítalo Venturelli não seria diferente, correndo o risco de perder a confiança de seus paciente que comentariam: “Tá louco que vou me operar com um médico que acredita que viu um ET”.


Recentemente, o Dr. Ítalo Venturelli foi ridicularizado, junto das demais testemunhas envolvidas no Caso do ET de Varginha, por uma conhecida youtuber, que tentou explicar o que o motivou a fazer seu relato, afirmando: “Já o médico que viu [o ser] no hospital, senti que foi uma coisa assim, ó: ele disse: ‘ah, eu passei internado na CTI, achei que eu ia morrer, eu decidi falar’. Sabe o que eu senti, uma coisa assim: ‘eu não quero morrer esquecido, eu acho que sou um médico bom, eu acho que eu fiz coisas boas, e eu não quero que esqueçam de mim, então vou falar que tava lá naquele dia e vou dizer que eu vi uma coisa’”.


Será que o Dr. Ítalo Venturelli não quer morrer sem antes chamar para si o máximo da atenção das pessoas, como se quisesse um tipo de imortalidade, tornando-se uma figura memorável por meio de uma mentira, mesmo que seja ridicularizado e jogue no lixo a admiração e respeito conquistado por sua carreira médica? 


Considerações Finais

O Caso do ET de Varginha não tem a seu favor nenhuma foto, nenhum objeto físico ou outra evidência qualquer a seu favor — cadê o tal vídeo com a imagem do ET que provaria de vez a verdade do incidente em Varginha? Parece que tornou-se uma lenda à parte —, o caso se baseia apenas em relatos que, em geral, são naturalmente dúbios, incoerentes, com múltiplas interpretações, mesmo o depoimento importante do Dr. Ítalo Venturelli. 


Por outro lado, os argumentos daqueles que criticam o caso, também não são tão diferentes. Pode-se até explicar a grande atividade de carros militares no dia 20 de janeiro, como fruto de coincidências: o aumento do atendimento devido ao forte temporal que caiu no dia, que derrubou árvores e casas e o auxílio dado a um casal de anões durante o parto da esposa, embora seja difícil de aceitar. Mas afirmar, como fez o exército, que o que as meninas viram no terreno baldio foi um deficiente, conhecido por Mudinho, que era bastante conhecido na região, inclusive das meninas, é difícil de aceitar, mesmo que se recorra a sofisticados conceitos psicológicos sobre percepção e memória que os críticos utilizam, explicando que elas já andavam com medo pelo boato de que um homem desconhecido estaria atacando mulheres por aquela região, e que ao ver o Mudinho o medo foi capaz de distorcer a imagem dele, permanecendo em suas mentes indefinidamente sua imagem distorcida, não deixando-as até hoje perceberem que se tratava de uma pessoa conhecida.




Certamente, o maior motivo para apontar o Mudinho como sendo a criatura que assustou as meninas, com toda certeza, foi a posição em que o suposto ET é descrito, semelhante a de Mudinho em uma de suas fotos. Mas, convenhamos, que tal posição seria a que uma criatura assumiria ao tentar se esconder e se proteger.


Museu do ET de Varginha

É inegável também que o Caso do ET de Varginha tem dado bastante lucro a cidade de Varginha, que deixou de ser conhecida como a cidade do café para se tornar “a cidade do ET”, estimulando o turismo, a venda de lembranças com a imagem do ET, museu, encontros ufológicos, tanto que o ET já é considerado pela prefeitura da cidade monumento imaterial, e até mesmo é cobrado ingresso para verem o terreno baldio onde tudo começou que, surpreendentemente, mesmo após 30 anos, ainda se mantém do jeito que era, como se fosse um lugar sagrado. O caso também tem dado bastante lucro a ufólogos, por meio de vendas de livros, palestras, cursos, participações em programas, produção de documentários, etc., etc., etc. 


O Café ET de Varginha é um dos 
Inúmeros Produtos que Aproveitam a Fama do Caso

A própria imagem divulgada no documentário da Globo, do ufólogo Vitório Pacaccini pilotando um Porsche — símbolo de status financeiro — para divulgar aos estrangeiros o seu livro “Incident in Varginha”, é um bom exemplo do nível de lucro que pode ser obtido com a divulgação do caso. De modo que, existe inúmeras pessoas que têm interesse financeiro de que o caso se mantenha e que procure atrapalhar todo aqueles que tentam explicar e desmistificar o mito criado em torno do Caso do ET de Varginha. Contudo, é importante notar que, as pessoas que têm menos lucrado com o evento são as próprias meninas que viram o ET, que hoje são senhoras.




As irmãs Valquíria e Liliane trabalham, respectivamente, com a venda de pão de queijo e aula de reforço; Kátia dá palestra e é cuidadora de idosos.


sábado, 27 de dezembro de 2025

AS TORRES DO SILÊNCIO, ONDE CADÁVERES HUMANOS TORNAM-SE COMIDA PARA ANIMAIS





AS TORRES DO SILÊNCIO, ONDE CADÁVERES HUMANOS TORNAM-SE COMIDA PARA ANIMAIS


No mundo moderno ainda existem crenças religiosas antiquíssimas que se mantêm vivas.


Uma dessas é o Zoroastrismo, embora com um número pequeno de devotos, em torno de 150 mil devotos, em grande parte na Índia. Porém, com um número que a cada ano diminui mais, embora se esforcem para manter suas crenças vivas em meio a grande difusão das ciências e tecnologia moderna de nossos dias.


Zoroastro


O Zoroastrismo floresceu na Pérsia, e teve seu auge, aproximadamente, entre os anos 600 antes Cristo e 650 depois de Cristo. O Zoroastrismo influenciou bastante o Cristianismo.


Tendo como fundador Zoroastro, ou Zaratustra, esta crença concebe uma luta ferrenha entre o reino do bem, comandado pela divindade Ahura-Mazda, e o reino do mal, comandado, por sua vez, por Ahriman. E assim, como o universo é dividido por estes dois princípios, o ser humano também: sua alma pertenceria ao reino de Ahura-Mazda, enquanto seu corpo pertenceria ao mundo de Ahriman.




Durante a morte, seria o momento em que os dois princípios que compõem o ser humano se separariam, com a alma seguindo o caminho ao reino do bem, de Ahura-Mazda, e o corpo, obedecendo a sua natureza corruptível e degradante, se decomporia contaminando a terra. 



Para evitar que a terra fosse contaminada pelos corpos impuros, foi concebido as Torres do Silêncio, onde os cadáveres humanos não seriam enterrados, mas ficariam expostos para serem devorados por abutres bem longe do solo. 

domingo, 21 de dezembro de 2025

A “VAMPIRA DE BELÉM”: RESPONDENDO AOS HISTORIADORES: THIAGO GOMIDE E MICHEL PINHO







A “VAMPIRA DE BELÉM”: RESPONDENDO AOS HISTORIADORES: THIAGO GOMIDE e MICHEL PINHO

Os historiadores Thiago Gomide e Michel Pinho, em vídeo gravado no antigo Cemitério da Soledade, em Belém, afirmam que a “vampira de Belém” é pura "fake news".




Bem, com base no significado da expressão "fake news", cuja definição é: "informação falsa intencionalmente divulgada com o objetivo de obter alguma vantagem", pode-se questionar que a história da "vampira de Belém" seja uma fake news, já que a história se popularizou de forma espontânea por populares, tornando-a independente do livro de que é personagem, como se o público a tivesse despertado, lhe tivesse dado vida e a libertado das páginas do livro.

 

O livro "Após a Chuva da Tarde - A Lenda de Camille Monfort, a Vampira da Amazônia" é um romance histórico que tem como pano de fundo fatos históricos da cidade de Belém --- do Ciclo da Borracha até a sua decadência, na era Vargas: (1878 - 1934) --- tomando personalidades reais da época como personagens, indivíduos que se tornaram lendas em nossa cidade.


CAMILLE MONFORT, "A VAMPIRA DE BELÉM", FOI INSPIRADA EM UMA PESSOA REAL, embora seu nome seja fictício. O título de "vampira" se origina de um costume, de fim de século XIX, dado de forma maldosa, às cantoras e atrizes que possuíam grande poder de sedução, e se valiam disso para "sugar" a riqueza e energia de homens ricos até levá-lo à ruína. A origem de tal apelido se deu com o quadro pintado por Philip Burne-Jones (1861 - 1936), chamado de "The Vampire", que retratava uma mulher sobre o corpo morto ou adormecido de um homem na cama. A pintura inspirou o poema, de mesmo nome, do poeta Rudyard kipling (1865 - 1926), retratando um homem "tolo" por amar uma mulher que queria apenas "drenar" seus bens e vitalidade (uma "vampira"). 


Quadro "The Vampire" de Philip Burne-Jones
Acompanhado do Poema de mesmo Título, de Rudyard Kipling


No livro "Após a Chuva da Tarde" não apenas o termo "vampira" é visto pelo viés do preconceito à mulheres que se tornavam independentes economicamente e socialmente --- algo inconcebível para a época ---, mas também pelo viés dos preconceitos religiosos à cultos espiritualistas que começavam a chegar à Belém em fins do século XIX, através de músicos estrangeiros que se apresentavam no Theatro da Paz, com poderes tidos como sobrenaturais e "demoníacos" pela população local, que viam com um misto de fascinação e medo.

Maestro Etorre Bosio

O maestro italiano Ettore Bosio (1862 - 1936), que em 1891 veio da Europa para dirigir o Conservatório Carlos Gomes, é um bom exemplo. Bosio trouxe métodos de pesquisa de fenômenos paranormais, já usados pioneiramente pelo instituto londrino Society for Psychical Research, fundada em 1882, fotografando espectros por meio da médium paraense Ana Prado, em sessões espíritas em sua casa. Bosio guardada estas atividades em segredo, tanto que ficaram em segundo plano em sua biografia, apenas divulgada no meio espírita.

 



Quanto ao túmulo referido no vídeo, o livro especula que, devido ao roubo das sementes de seringueiras em 1876, pelo inglês Henry Wickham, que arruinou a economia de Belém, estrangeiros passaram a ser mal vistos, então, ricas famílias belenenses, teriam cedido, anonimamente, mausoléus para o sepultamento de estrangeiros. No livro, teria sido também cedido à Camille Monfort.


A história da vampira de Belém tem ajudado a divulgar a cultura paraense e estimulado as novas gerações se interessarem pela história de Belém, que é um dos objetivos do livro.



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sábado, 13 de dezembro de 2025

ATRIZES, CANTORAS… E VAMPIRAS




ATRIZES, CANTORAS… E VAMPIRAS

Em fins do século XIX, cantoras e atrizes que se destacavam por seu espírito independente, talento, beleza e poder de sedução, eram chamadas de “vampiras”.


Quadro "The Vampire" de Philip Burne-Jones


Tudo começou com um quadro pintado por Philip Burne-Jones (1861 - 1926) que retratava uma mulher diante de um homem deitado sobre a cama, aparentemente morto ou em sono profundo. A obra recebeu o nome de “The Vampire”.


Poema de Rudyard Kipling acompanhado do Quadro "The Vampire"


O quadro inspirou o poeta Rudyard Kipling (1865 - 1936) que fez um poema em que retratava um homem “tolo” por amar uma mulher que não o amava, mas apenas queria sugar sua energia e seus bens, depois deixá-lo na ruína.


O poema se popularizou tanto que passou a inspirar peças de teatro e filmes, que ajudaram a consolidar ainda mais a imagem da “vampira” como uma mulher sedutora, talentosa e com grande poder de sedução capaz de levar homens à ruína física e econômica.


Sarah Bernhardt


Sarah Bernhardt (1844 - 1923), famosa atriz francesa que com seu talento excepcional parecia hipnotizar o público masculino, parece ter levado para a própria vida a imagem da vampira.


Sarah era vista em seus passeios por Paris usando chapéu que ostentava um morcego empalhado e possuía um caixão usado como leito de dormir.


A diva tinha o costume excêntrico de, após um dia atarefado e cansativo, descansar em um caixão que ela mantinha em seu quarto.


Sarah Bernhardt Dorme em seu Caixão


Uma revista da época, comentou assim seu peculiar costume:


“Quando Mme. Bernhardt está cansada do mundo, ela entra neste caixão --- uma peça macabra de mobília em seu quarto --- e, cobrindo-se com grinalda murchas e flores desbotadas, cruza as  mãos sobre o peito e, com os olhos fechados, despede-se temporariamente da vida. Uma vela acesa arde em um castiçal ao seu lado, e um crânio repousando no chão é adicionado à ilusão. É somente quando o jantar é anunciado que ela abre os olhos e mais uma vez demonstra um interesse lânguido pelas coisas materiais.”


domingo, 30 de novembro de 2025

SAFARI URBANO — PAGANDO PARA MATAR INOCENTES





SAFARI URBANO PAGANDO PARA MATAR INOCENTES

Em 2006, o filme de terror estadunidense O Albergue (2006) trazia uma assombrosa história. O filme contava a história de que, na Europa oriental, turistas eram sequestrados por uma organização para serem torturados e mortos por pessoas que pagavam para se divertir cometendo as mais terríveis atrocidades neles.





Após assistirmos o filme O Albergue ficamos aliviados ao saber que tudo é mera ficção, nada daquilo aconteceu na realidade. Mas a realidade sempre supera a ficção em matéria de ruindade, pois não é que recentemente veio à tona a ocorrência de algo semelhante ao filme, acontecido na Europa oriental.


Várias testemunhas confirmaram uma história chocante ocorrida durante a guerra entre Bósnia e Sérvia, de 1992 - 1996, em que indivíduos ricos da Rússia, Itália, Estados Unidos e Canadá, pagavam grande soma de dinheiro para viajar para a Bósnia em plena guerra para matar civis.




Era uma forma de caçada, em que a caça era seres humanos. Estes milionários já entediados por matar animais, desejavam por algo mais emocionante. Então munidos de seus instrumentos de caça, aproveitavam da quebra de leis e regras, que sempre ocasionam as guerras, para viajarem para a cidade de Sarajevo para atirar e matar pessoas que cruzavam ruas em busca de sobreviver.


Havia até uma tabela de preços, em que crianças eram os alvos mais caros a ser pagos quando alvejadas e mortas. Logo depois, vinham homens adultos, depois, mulheres; já idosos eram inteiramente grátis.




O pacote do safari humano custava entre 80 a 100 mil euros, e os “caçadores” ficavam posicionados pronto para matar à tiro qualquer pessoa que se arriscasse a passar na linha de fogo. Isso aconteceu durante o cerco à cidade de Sarajevo, capital da Bósnia. O cerco não permitia que comida e medicamentos entrassem na cidade, obrigando os sobreviventes a se arriscarem para conseguirem encontrar alimento e medicamentos.


Estima-se que dez mil pessoas tenham sido mortos por snipes sérvios --- em que se devem incluir, também, as mortes provocadas pelos turistas do safari urbano.


Safari de Sarajevo, Documentário de 2022,
que Ajudou a Denunciara sua Existência

Testemunhas afirmaram que era bastante fácil reconhecer os turistas assassinos que se vestiam com roupas diferentes do exército e também possuíam armas distintas, eram sempre vistos sendo auxiliados pelos verdadeiros soldados.


Acredita-se que o dinheiro arrecadado era usado para benefício próprio dos organizadores do macabro safari.


Atualmente, o governo da Itália busca encontrar e penalizar os cidadãos italianos que praticaram tão sinistra e desumana atividade.