domingo, 19 de abril de 2026

JEFFREY EPSTEIN E AS ACUSAÇÕES DE CANIBALISMO





JEFFREY EPSTEIN E AS ACUSAÇÕES DE CANIBALISMO


Com a liberação dos arquivos do bilionário americano Jeffrey Epstein, condenado por tráfico sexual e abuso de meninas menores de idade, uma série de acusações têm sido atribuídas a ele, desde as já comprovadas até as mais macabras. Uma delas é a acusação de rituais satânicos envolvendo canibalismo. Mas será que são verdadeiras? 


Canibalismo

A ideia de que a mais alta elite mundial, se reúne para praticar rituais satânicos e canibalismo não é nova, e veio à tona novamente com um documento envolvendo acusação de tortura e morte de bebês por parte de Jeffrey Epstein e um grupo de poderosos. O documento relata o que uma suposta testemunha teria visto quando tinha 8 anos de idade, durante uma viagem de iate.

 

Documento Contendo a Suposta Acusação de Canibalismo 


Ele relata que: “Foi estuprado (sodomizado) por Jeffrey Epstein, bem como pelo ex-presidente dos Estados Unidos, William J. Clinton, enquanto estava sob forte efeito de drogas. Também afirmou que as solas de seus pés e suas costas foram cortadas. Afirmou ainda que, durante a referida viagem de iate, vários homens negros desconhecidos praticaram atos sexuais com mulheres brancas desconhecidas, que tiveram as costas cortadas e estavam sangrando. Descreveu também o assassinato de vários bebês e a remoção de seus intestinos, bem como outros atos de canibalismo. Afirmou ainda que o ex-presidente dos Estados Unidos, George H. W. Bush (envolvido em um ato sexual com um homem negro desconhecido), o ex-secretário de Estado dos Estados Uniudos, Henry Kissinger, e o empresário George Soros estavam presentes no mesmo iate enquanto todos os atos de violência mencionados estavam ocorrendo”.


Este relato tem feito a alegria dos teóricos da conspiração que, por meio dele demonstram que a elite rica do mundo se alimenta de carne humana e presta obediência a satã. Porém o que eles não contam é que, embora este relato faça parte do chamado “Arquivo de Epstein”, é apenas uma denúncia feita por e-mail a órgãos federais americanos que qualquer pessoa poderia fazer, sem qualquer evidência a favor de sua veracidade nem testemunhas que apoiassem o ocorrido.


Mas, na ausência de provas que confirme, definitivamente, a acusação de canibalismo, alguns acontecimentos e testemunhos, não comprovados e de origem desconhecida, são usados para insinuar a confirmação da existência de canibalismo. Dois destes casos têm sido bastante divulgado nas redes sociais.  


O Caso da Modelo Mexicana

Com a acusação de canibalismo no Caso Jeffrey Epstein, um vídeo de 2009, de uma suposta modelo mexicana transtornada, em frente a um hotel, chamada de Gabriela Rico Jiménez, em que ela relata ter presenciado um banquete de carne humana, voltou a viralizar na internet. O vídeo ainda é postado com o aviso: “Ela tentou nos avisar”.




Porém, pesquisas sobre o hotel mexicano CHN Hotel Monterrey, onde teria sido presenciado o jantar canibal feito pela elite, se revelou como um hotel simples, para um nível social bem abaixo dos suntuosos hotéis frequentados por pessoas ricas. E a pesquisa feita através do nome da modelo Gabriela Rico Jiménez não revelou nada que comprovasse que ela era, de fato, modelo.


Como sempre acontece com vídeos para ganhar views, o vídeo de Gabriela Rico Jiménez está intencionalmente incompleto, retiraram a parte em que ela comenta sobre suas internações em clínicas psiquiátricas e as frases totalmente sem sentido que ela emite.


Gabriela Rico Jiménez não apenas não era modelo, mas também não estava dentro do hotel, teve um surto psiquiátrico na rua, e voltou novamente a ser internada.


FONTE: Fábrica de Noobs (Canal do Youtube);


O Cozinheiro Canibal do Bronx

Outro caso de canibalismo associado a Jeffrey Epstein e divulgado pelas redes sociais, é o relato do chef de cozinha Oscar Rosas.




Os posts afirmam que, Óscar Rosas afirma ter sido sequestrado por uma organização criminosa e obrigado a cozinhar carne humana para banquetes de uma elite depravada, com preferência por carnes de crianças, jovens e bebês sacrificados em rituais satânicos.


“Se eu não fizesse isso, eles tiravam a minha vida” confessou Oscar Rosas. Segundo ainda a postagem, Oscar cozinhava para pessoas ricas, que pagavam milhões de dólares pelos pratos.


A postagem ainda dá o alerta: “Embora as autoridades mantenham sigilo sobre o caso, as revelações desse sobrevivente, expuseram uma ‘rede, real, oculta, satânica, global’ de ’canibalismo, real, satânico, abominável, mostruoso, moderno’ no Centro, no Coração de Nova York. EUA’.


A verdade é que, embora o relato de Óscar Rosas seja verdadeiro, o Bronx que ele se refere não é o famoso bairro de Nova York, Estados Unidos, mas uma região da cidade de Bogotá, capital da Colômbia, que foi bem aproveitado por teóricos da conspiração para confundir a mídia, insinuando se tratar do bairro americano e também, aproveitando o caso Jeffrey Epstein, o associando a rica elite de Nova York.




Segundo vários sites, o colombiano Óscar Rosas, durante seus estudos em Nova York, se viciou em heroína, perdendo emprego e voltando para Bogotá, onde, após perder tudo que possuia para o vício, passou a trabalhar para um perigoso grupo de traficantes colombianos, chamado “Los Sayayines”, em troca de droga. 


Óscar, após ser descoberto que era cozinheiro, passou a trabalhar para o grupo de traficantes, cozinhando nas festas do grupo. Mas logo foi forçado a cozinhar a carne dos inimigos do grupo. E quando se recusou, foi obrigado não apenas a cozinhar, mas a comer também.


Atividades de canibalismo praticado por grupos de traficantes não é novidade, já que é uma forma usada por estas facções para amendrontar grupos rivais e também, em muitos casos, como forma de rituais religiosos.


Óscar Rosa passou três anos mantido preso pelos traficantes em um local que fazia parte do esgoto da região conhecida como Bronx, que também servia de cozinha canibal para o grupo, até que, após uma tentativa de suicídio, foi deixado em um hospítal por um dos membros do grupo que teria se comovido com sua situação.


Em 28 de maio de 2016, a polícia e o exército colombianos desmantelaram a quadrilha, encontrando evidências e testemunhas que comprovaram o relato de Óscar Rosas, que hoje trabalha em um grupo que tenta recuperar viciados em drogas.


Em resumo, até o momento, não existem provas que confirmem a prática de rituais satânicos ou canibalismo ligado ao bilionário Jeffrey Epstein. O que existe são apenas especulação, documentos interpretados fora de contexto, relatos feitos a autoridades sem evidência alguma nem testemunhas capazes de confirmar tal ocorrência.

sexta-feira, 27 de março de 2026

JEFFREY EPSTEIN E A SOCIEDADE SECRETA DO FILME “DE OLHOS BEM FECHADOS”






JEFFREY EPSTEIN E A SOCIEDADE SECRETA

DO FILME “DE OLHOS BEM FECHADOS”

O escândalo provocado pelo caso do bilionário americano Jeffrey Epstein, acusado de traficar mulheres e comandar um grupo de bilionários, políticos e pessoas famosas, levaram teóricos da conspiração também a associá-lo a rituais satânicos e sacrifícios humanos, criando a afirmação absurda de que o famoso diretor americano Stanley Kubrick (1928 - 1999) teria tentado avisar ao mundo com seu filme “De Olhos Bem Fechados”. Eles até afirmam que Kubrick foi morto por causa de sua denúncia em seu filme. Poucos, porém, se dão conta de que o filme é uma adaptação bastante fiel da maravilhosa novela “Breve Romance de Sonho”, do escritor autríaco Arthur Schnitzler (1862 - 1931).


O livro de Arthur Schnitzler parte da confissão dos desejos e fantasias mais íntimas de um casal e envereda por uma aventura sombria, envolvendo uma festa secreta de mascarados, em que realidade e fantasia tornam-se inseparáveis.


A obra teve a ousadia de, em pleno 1927, revelar ao mundo que mulheres também sentem desejos e buscam satisfação sexual em um relacionamento amoroso, algo que, para os padrões da época, em que mulheres eram vistas apenas como mãe e dona de casa, era inconcebível.




O filme “De Olhos Bem Fechados” possui pouquíssimas mudanças do livro, de modo que, por uma questão de coerência, deveria-se dizer que quem queria denunciar tais sociedades secretas seria o escritor não o diretor, o que também não faria sentido, já que o livro foi escrito em 1927, muito antes de Jeffrey Epstein existir. 










sábado, 28 de fevereiro de 2026

A SAGA DE CAMILLE MONFORT: DA INGLATERRA A BELÉM




A SAGA DE CAMILLE MONFORT: DA INGLATERRA A BELÉM

Em 2023, uma postagem em uma famosa rede social para a divulgação do romance “Após a Chuva da Tarde - A Lenda de Camille Monfort, a Vampira da Amazônia”, do escritor paraense Bosco Chancen, conseguiu um feito impressionante para um livro independente e em um país com poucos leitores: o texto viralizou, foi compartilhado milhares e milhares de vezes, e ganhou o mundo, sendo reproduzido em diferentes línguas.


A postagem trazia um resumo da história da cantora lírica Camille Monfort em sua estadia na Amazônia, personagem inspirada em uma misteriosa mulher da nobreza inglêsa que teria sido aluna do compositor Jeremiah Clark e que o teria levado ao suicídio por tê-lo rejeitado. Assim diz a wikipedia:



O suicídio de Jeremiah Clark, levanta dúvidas e, claro, mistérios, pois como se sabe sepultamentos de suicídas eram proibidos em cemitério e em igrejas, naquela época na Inglaterra. Isso é exposto até mesmo em um famoso livro, O Morro dos Ventos Uivantes (1848), cuja a autora, Emily Brontë, põe na fala de seu personagem Heathcliff frases que dá a entender que outro personagem havia tirado a própria vida, pois expõe o costume da época quanto ao sepultamento de suicidas:


— O certo — observou — seria enterrar o corpo desse idiota numa encruzilhada, sem qualquer tipo de cerimônia…


“Enterrar o corpo numa encruzilhada, sem qualquer tipo de cerimônia”. Sim, suicidas eram enterrados em encruzilhadas, não em cemitérios, como confirma esta nota da edição brasileira de O Morro dos Ventos Uivantes:



No entanto, Jeremiah Clark havia sido sepultado no cemitério da igreja de Saint Paul, em Londres.


Fascinado por tal acontecimento, que mistura amor, mistérios e música (e vampirismo?), e encontrando conexões com o rico período do ciclo da borracha na Amazônia, o autor do romance “Após a Chuva da Tarde - A Lenda de Camille Monfort”, tenta preencher as lacunas nas circunstâncias que precederam o suicídio do músico inglês, ora recorrendo a ficção e o sobrenatural, ora recorrendo a explicações históricas.




Camille Monfort, a “Vampira de Belém”, como uma vampira psíquica, uma entidade que se alimenta da energia e da emoção do público, se popularizou de forma espontânea, tornando-se independente do livro de que é personagem, como se o público a tivesse despertado, tivesse lhe dado vida e a libertado das páginas do livro.


A “Vampira de Belém” gerou fascínio, difundiu a cultura da Amazônia para o mundo, provocando saborosas discussões entre historiadores e inspirando artistas a compor obras tendo ela como tema.


Abaixo, Algumas Obras Inspiradas na Personagem Camille Monfort. 


Música:




Camilla Monfort está presente na capa do álbum Better Days Ahead, da cantora e compositora canadense Lisa Lachapelle, em que ela transporta seu rosto para o rosto da personagem.




O álbum pode ser ouvido pelo link:  




A personagem também foi inspiração para Wander Ganjar, com o título do romance “Após a Chuva da Tarde” dando título ao seu álbum "The Afternoon Rain".




O álbum pode ser ouvido pelo link:  


Vídeo:



Pintura:



A pintora argentina Natu Dumrauf se inspirou em Camille Monfort.




Camille também foi inspiração para ilustradora infantil grega Marianna Fragouli, que comentou em seu Instagram:  “Eu não a conhecia, ela era uma cantora de ópera francesa, uma personalidade misteriosa com muitos hábitos estranhos. Ela é um grande mistério para muitas gerações. Um dia vi essa foto dela e resolvi ilustrá-la sem saber quem ela é, seu olhar e a energia dela me prendeu à primeira vista e então resolvi conhecer mais sobre ela.”


Estampa de Camisa:



Na Colômbia Camille Monfort virou estampa de camisa.



Para Adquirir o Livro “Após a Chuva da Tarde - A Lenda de Camille Monfort, A Vampira da Amazônia, Click AQUI.


sábado, 31 de janeiro de 2026

30 ANOS DO ET DE VARGINHA - SERÁ QUE TUDO FOI PURO ENGANO?





30 ANOS DO ET DE VARGINHA - SERÁ QUE TUDO FOI PURO ENGANO?

Nos 30 anos do mais famoso caso ufológico do Brasil, o documentário O Mistério de Varginha, da Globo, mete o pé na jaca e dá a entender que o ET de Varginha não passou de apenas má interpretação e um rentável meio de arrecadar dinheiro.




Em 20 de janeiro de 1996, três garotas ao cortar caminho por um terreno baldio avistaram uma estranha criatura agachada a um muro. O ser foi descrito por elas como tendo um corpo humanóide, marrom, exalava forte cheiro desagradável, com nariz e boca quase imperceptíveis, grandes olhos vermelhos e três protuberâncias na cabeça, que foi descrito como chifres.


Ubirajara Rodrigues

No princípio, as jovens descreveram a coisa como “um grande coração de boi”, devido ao formato, cor e “veias”, por uma delas, e, por outra como, “um demônio” — certamente, motivado por crenças cristãs. Portanto, inicialmente, elas nada sabiam a respeito de extraterrestres. E passaram a ligar a coisa à ETs por influência dos ufólogos Ubirajara Rodrigues e Vitório Pacaccini, que foram os primeiros a abordá-las quando a notícia se espalhou pela região.


Vitor Paciccini

Homens de Preto

Em entrevista para o programa Comando da Madrugada, ainda em 1996, a mãe de duas das moças afirmou ter sido abordada em sua casa, alguns meses após o ocorrido, por quatro homens vestidos de terno preto, que a interrogaram e lhes ofereceram dinheiro para que as meninas negassem ser real o que haviam visto.




Certamente, hoje, muitos, ao ouvir este detalhe, teriam logo o pensamento: “Ela copiou isso do filme MIB - Homens de Preto, em que dois agentes, sempre vestidos de paletó negro, de uma misteriosa agência, tem a tarefa de abafar os vestígios dos contatos de humanos com extraterrestres, para que tudo permaneça em total segredo. Contudo, o filme foi lançado em 1997, ou seja, mais de um ano da entrevista da mãe das meninas para o programa Comando da Madrugada. Porém, o filme MIB se inspirou em relatos de pessoas reais, que contavam que, após terem avistado naves ou criaturas extraterrestres, os homens de preto apareciam em suas casas para questioná-las e abafar seus testemunhos com ameaças ou por outros meios. Esses testemunhos já eram bastante conhecidos no meio ufológico muito antes do caso de Varginha. 


Então, uma explicação para isso, é que pessoas do próprio meio ufológico tenham se aproveitado da ocasião para trollar a família, ou, quem sabe, quisessem obter alguma vantagem em cima do já famoso caso, ou, mesmo, dar mais consistência ao caso.


Supostas Provas da Existência do ET de Varginha

Com a chegada dos ufólogos Ubirajara Rodrigues e Vitório Pacaccini ao caso, novos testemunhos foram colhidos por eles pela região, que se relacionavam com a criatura vista pelas três moças. 


A Nave Vista por Caseiros

Só para citar alguns, foi o caso do casal de caseiros, que relataram ter visto, antes do encontro das menina com a criatura, uma nave avariada, em forma de “submarino”, expelindo “fumaça”, sobrevoar baixo o sítio onde moravam, indo em direção a cidade de Varginha. 


Alguns críticos dirão mais tarde que isso poderia ser um balão, ou outra coisa parecida, já que era de noite.

 

A Nave que Sobrevoou a Estrada

Outro relato, colhido meses mais tarde, foi de alguém que viu algo semelhante a um “micro ônibus”, danificado, sobrevoando uma pista e pousar próximo de onde estava, e a pessoa ter sido repreendido por soldado do exército ao se aproximar da suposta nave e coletar material que tinha o poder de voltar à forma original quando amassado.


Este relato recebeu críticas de alguns ufólogos por aparentar ser uma cópia do relato ligado ao caso Roswell, acontecido nos Estados Unidos.


O Falecimento de Marcos Chereze

A dupla de ufólogos também abordaram a irmã do soldado da PM, Marco Chereze, cuja morte é sempre associada à captura do ET de Varginha.


Marcos Chereze

Marcos Chereze teria sido o soldado que capturou um dos ETs com as próprias mãos, sem proteção alguma, e por isso teria se contaminado, levando-o à morte por misteriosa infecção, imediatamente após seu contato com a criatura.


Críticos afirmam que, segundo a própria irmã em entrevista, Chereze teria ido no dia 7 de fevereiro de 1996 para o hospital extrair um cisto na axila, que provavelmente já existia antes do suposto encontro com o ET. 


No dia 11 de fevereiro, em decorrência da cirurgia, ele voltou a sentir dor, foi para o pronto socorro e, no mesmo dia, uma hérnia de disco foi identificada. O médico, percebendo a gravidade, indicou sua internação no Hospital Municipal Bom Pastor, onde faleceu, dia 15 de fevereiro, com infecção generalizada. 


O que demonstra que seu falecimento não foi consequência imediata do suposto contato com o ET, como afirmam os críticos, mas um mês depois. Além disso, a crença de que seu corpo foi enterrado em um caixão de chumbo, dando a entender que seu corpo teria sido contaminado por radiação, não é verdade, o caixão foi apenas lacrado, procedimento comum em caso de morte por infecção.




Em entrevista a irmã, Marta Chereze afirmou que passou a acreditar que a morte do irmão teve a ver com a suposta captura do ET por meio do contato com os ufólogos Ubirajara Rodrigues e Vitor Pacaccini. 


A Estranha Criatura no Zoológico

No dia 21 de abril, portanto, quase três meses depois do encontro com o ET, Dona Teresinha teria visto uma estranha criatura, à noite, no zoológico, em que ela descreveu que possuía grandes olhos vermelhos, com uma espécie de capacete dourado na cabeça, de corpo marrom, brilhoso. A criatura vista por Dona Teresinha foi imediatamente associada à mesma criatura descrita pelas meninas do ET.


Embora o relato de Dona Teresinha não faça parte do documentário da Globo, é bastante associado à aparição do ET de Varginha.


Críticos, contudo, argumentam que, devido o acontecimento ter ocorrido em local escuro e Dona Teresinha ser idosa e usar óculos, sua descrição poderia não ser precisa. Foi apontado a grande possibilidade dela ter visto um animal (embora ela discordasse disso), como uma coruja de grandes olhos vermelhos.


Curiosamente, semanas anteriores à visão da estranha criatura por Dona Teresinha, biólogos do zoológico da cidade notaram a morte de quatro animais: segunda-feira foi encontrado um veado morto, na terça, uma jaguatirica, na outra segunda, outro veado, no domingo houve a morte de uma anta. Tal fato foi posteriormente associado à criatura vista pela Dona Teresinha, principalmente porque o laudo indicava causa da morte desconhecida.


Críticos apontam que o fato do laudo ter indicado causa da morte desconhecida não significa que não tenha uma causa conhecida, mas apenas que não foram realizados exames mais precisos nos animais; além disso, a associação das mortes ao ET parece forçada demais. 

 

Os Testemunhos de Militares 

De todas as testemunhas, os relatos de três militares que, sem se identificar, confirmaram terem participado da captura das criaturas; testemunhos que foram apresentados no programa Fantástico, da Rede Globo, o que deu maior consistência à história do ET de Varginha, tornando-o definitivamente popular em âmbito nacional e até internacional. 


E foi aqui que o documentário da Globo dividiu a ufologia brasileira e ameaçou pôr um ponto final no Caso do ET de Varginha. 


Suborno e Falso Testemunho

Dos três militares que afirmaram ter tido contato com as criaturas — o bombeiro já tinha falecido —, os dois soldados do exército foram novamente consultados pelo documentário. Um deles afirmou que seu testemunho foi totalmente falso, criado pelo próprio ufólogo Vitório Pacaccini e que teria sido repetido por ele mediante a promessa de pagamento; já o outro soldado, continuou alegando ter visto a criatura, mas houve testemunhas que se identificaram que afirmaram que mesmo este teria recebido dinheiro para seu falso testemunho. O documentário chegou a apresentar um ex-soldado citado por essa testemunha como tendo também participado, que negou o ocorrido, e sem a necessidade de esconder sua identidade.


A denúncia de suborno e falso testemunho pôs abaixo toda a credibilidade atribuída à investigação feita pelo ufólogo Vitório Pacaccini, principalmente os relatos que confirmavam que a criatura vista pelas meninas era um extraterrestre, que teria sido levado pelo exército brasileiro para hospitais da região e posteriormente para a Universidade de Campinas, onde teria sido examinado pelo famoso legista Badan Palhares, como afirmaram os ufólogos Ubirajara Rodrigues e Vitório Pacaccini.


Testemunho dos Médicos

Dr. Badan Palhares



E não é que o documentário da Globo trouxe uma surpresa: a afirmação feita pelo próprio legista Badan Palhares, que na época era legista da Universidade de Campinas (SP), e que sempre negou o caso, de que ele recebeu um telefonema dizendo para não se ausentar do laboratório, pois uma equipe do exército brasileiro estaria levado para lá um material vindo de Varginha, de que era importante o trabalho de exumação completo. Contudo, segundo ele, esse material não chegou até hoje.


Bem, esse telefonema também não prova nada, já que poderia ter sido feito por qualquer pessoa que soubesse o contato telefônico da universidade, e que poderia ter ligado somente para dar uma falsa consistência ao caso.


Dr. Ítalo Venturelli



Com a abordagem de pesquisadores estrangeiros ao Caso do ET de Varginha, surgiu o depoimento do médico neurologista Ítalo Venturelli que, na época do avistamento do ET, trabalhava no hospital em que uma das criaturas teria sido levada; seu depoimento não tem nenhuma relação com os ufólogos Ubirajara Rodrigues nem com Vitor Pacaccini.


Após um período de saúde frágil que o levou à UTI e que lhe pôs em risco de vida, o médico resolveu não levar o segredo para o túmulo, confirmando que teria presenciado a criatura.


Avisado por um colega de profissão, que teria feito intervenção médica na criatura e a filmado, viu a criatura deitada em uma das salas do hospital, sob proteção do exército brasileiro. 


Ele descreveu a criatura como sendo branca, sem mal cheiro, de porte pequeno, grandes olhos lilases que, segundo ele, era como um “anjo”, que chegou a se comunicar com ele apenas por meio do pensamento.


Muitos têm apontado que a descrição feita pelo médico não combina com a relatada pelas três meninas, sendo isso uma prova de que a criatura seria pura invenção. Mas isso não é suficiente para negar os testemunhos, já que poderiam ser espécies de seres diferentes ou que, por estar moribunda, assumiu aspecto físico diferente. O certo é que, se fossem extraterrestres mesmo, seriam biologicamente e fisiologicamente diferentes de tudo que conhecemos, nos impedindo de compreender estas diferenças. 


Outros argumentam que o médico quer apenas obter popularidade e projeção com seu depoimento. Mas Ítalo Venturelli tem um forte argumento a seu favor.


Dr. Ítalo assume que preferiu não comentar nada a respeito de sua experiência com a criatura — embora anos atrás tivesse se limitado a comentar que teria visto um vídeo da criatura —, por ter um importante cargo médico, que necessitava de total confiança de seus pacientes. 


Sua vontade de revelar o que vira, parece ter sido bastante forte, ao ponto dele ter composto, nos anos em que não se permitiu comentar, um conto de aspecto enigmático, em que ele descreve e tem conversa com uma criatura semelhante à que foi vista por ele no hospital.


Relatos de contatos com extraterrestres expõem pessoas ao ridículo e a gozação pública, principalmente daqueles que nada têm a ganhar economicamente com o fato, capaz de acabar com a mais sólida carreira, e com o Dr. Ítalo Venturelli não seria diferente, correndo o risco de perder a confiança de seus paciente que comentariam: “Tá louco que vou me operar com um médico que acredita que viu um ET”.


Recentemente, o Dr. Ítalo Venturelli foi ridicularizado, junto das demais testemunhas envolvidas no Caso do ET de Varginha, por uma conhecida youtuber, que tentou explicar o que o motivou a fazer seu relato, afirmando: “Já o médico que viu [o ser] no hospital, senti que foi uma coisa assim, ó: ele disse: ‘ah, eu passei internado na CTI, achei que eu ia morrer, eu decidi falar’. Sabe o que eu senti, uma coisa assim: ‘eu não quero morrer esquecido, eu acho que sou um médico bom, eu acho que eu fiz coisas boas, e eu não quero que esqueçam de mim, então vou falar que tava lá naquele dia e vou dizer que eu vi uma coisa’”.


Será que o Dr. Ítalo Venturelli não quer morrer sem antes chamar para si o máximo da atenção das pessoas, como se quisesse um tipo de imortalidade, tornando-se uma figura memorável por meio de uma mentira, mesmo que seja ridicularizado e jogue no lixo a admiração e respeito conquistado por sua carreira médica? 


Considerações Finais

O Caso do ET de Varginha não tem a seu favor nenhuma foto, nenhum objeto físico ou outra evidência qualquer a seu favor — cadê o tal vídeo com a imagem do ET que provaria de vez a verdade do incidente em Varginha? Parece que tornou-se uma lenda à parte —, o caso se baseia apenas em relatos que, em geral, são naturalmente dúbios, incoerentes, com múltiplas interpretações, mesmo o depoimento importante do Dr. Ítalo Venturelli. 


Por outro lado, os argumentos daqueles que criticam o caso, também não são tão diferentes. Pode-se até explicar a grande atividade de carros militares no dia 20 de janeiro, como fruto de coincidências: o aumento do atendimento devido ao forte temporal que caiu no dia, que derrubou árvores e casas e o auxílio dado a um casal de anões durante o parto da esposa, embora seja difícil de aceitar. Mas afirmar, como fez o exército, que o que as meninas viram no terreno baldio foi um deficiente, conhecido por Mudinho, que era bastante conhecido na região, inclusive das meninas, é difícil de aceitar, mesmo que se recorra a sofisticados conceitos psicológicos sobre percepção e memória que os críticos utilizam, explicando que elas já andavam com medo pelo boato de que um homem desconhecido estaria atacando mulheres por aquela região, e que ao ver o Mudinho o medo foi capaz de distorcer a imagem dele, permanecendo em suas mentes indefinidamente sua imagem distorcida, não deixando-as até hoje perceberem que se tratava de uma pessoa conhecida.




Certamente, o maior motivo para apontar o Mudinho como sendo a criatura que assustou as meninas, com toda certeza, foi a posição em que o suposto ET é descrito, semelhante a de Mudinho em uma de suas fotos. Mas, convenhamos, que tal posição seria a que uma criatura assumiria ao tentar se esconder e se proteger.


Museu do ET de Varginha

É inegável também que o Caso do ET de Varginha tem dado bastante lucro a cidade de Varginha, que deixou de ser conhecida como a cidade do café para se tornar “a cidade do ET”, estimulando o turismo, a venda de lembranças com a imagem do ET, museu, encontros ufológicos, tanto que o ET já é considerado pela prefeitura da cidade monumento imaterial, e até mesmo é cobrado ingresso para verem o terreno baldio onde tudo começou que, surpreendentemente, mesmo após 30 anos, ainda se mantém do jeito que era, como se fosse um lugar sagrado. O caso também tem dado bastante lucro a ufólogos, por meio de vendas de livros, palestras, cursos, participações em programas, produção de documentários, etc., etc., etc. 


O Café ET de Varginha é um dos 
Inúmeros Produtos que Aproveitam a Fama do Caso

A própria imagem divulgada no documentário da Globo, do ufólogo Vitório Pacaccini pilotando um Porsche — símbolo de status financeiro — para divulgar aos estrangeiros o seu livro “Incident in Varginha”, é um bom exemplo do nível de lucro que pode ser obtido com a divulgação do caso. De modo que, existe inúmeras pessoas que têm interesse financeiro de que o caso se mantenha e que procure atrapalhar todo aqueles que tentam explicar e desmistificar o mito criado em torno do Caso do ET de Varginha. Contudo, é importante notar que, as pessoas que têm menos lucrado com o evento são as próprias meninas que viram o ET, que hoje são senhoras.




As irmãs Valquíria e Liliane trabalham, respectivamente, com a venda de pão de queijo e aula de reforço; Kátia dá palestra e é cuidadora de idosos.