domingo, 29 de maio de 2022

RELATO DO LEITOR: Uma Noite no Hospital Ophir Loyola (por Ana Cláudia)



RELATO DO LEITOR: Uma Noite no Hospital Ophir Loyola (por Ana Cláudia) 

Uma noite, durante o plantão da madrugada no Hospital Ophir Loyola, em um silêncio total, soou, de repente, o barulho do elevador chegando no andar onde eu estava, então saí da enfermaria e fui verificar quem estava chegando. Vi que era uma moça toda enrolada em um capote, como se estivesse em uma camisa de força. Veio andando no corredor como um robô com o olhar fixo. Passou por mim, chegou no final do corredor e retornou sem falar nada, com o olhar ainda fixo para a frente. Saí do corredor com minha paciente e entramos na enfermaria. Quando voltei a procurar, não a encontrei. Fui para o descanso e relatei pra um colega o acontecido.

 

Corredor de Onde Teria Acontecido o Fato
 (Foto Tirada Pela Própria Autora do Relato) 

Passado mais de um mês, voltei a comentar o fato, e uma enfermeira que me ouvia, me perguntou sobre a imagem da mulher que eu havia visto. Então, ela disse que era semelhante a uma funcionária que gostava de andar embrulhada em um capote pelos corredores, no frio da madrugada. Sabendo agora o nome dela, fui verificar a página do facebook da funcionária que ela tinha me dito. E, ao ver as fotos dela no facebook, pude reconhecer que era a mesma mulher que eu havia visto. E ficamos todos surpresas quando descobrimos que ela já havia falecido. 


Contando, ninguém acredita. E até hoje me lembro daquele rosto estranho.


quinta-feira, 26 de maio de 2022

A FLORESTA DAS ÁRVORES RETORCIDAS (RESENHA)



 A FLORESTA DAS ÁRVORES RETORCIDAS (RESENHA)

O romance de terror A Floresta das Árvores Retorcidas, de Alexandre Callari, lançado em 2020, foi um dos primeiros lançamentos dedicados a autores nacionais da editora Pipoca & Nanquim, que tem como um dos sócios, o próprio autor do livro. 


Alexandre Callari, além de ter participado de coletâneas de contos, é autor de uma trilogia sobre zumbi, Apocalipse Zumbi


O romance, em questão, conta a história de Adam, recém divorciado, que busca encontrar no sossego de uma pequena cidade do interior brasileiro --- não é especificado sua localidade --- refúgio para momentos de reflexão sobre sua vida. Mas o que Adam menos encontra é sossego, com aparições fantasmagóricas em seu quarto e uma cidade dominada pelo medo. Ao mergulhar no cotidiano da cidade, descobre a existência de um bizarro ritual que se repete há décadas, todo fim de outubro, em que 13 crianças somem de suas famílias, sem que, estranhamente, seus pais denunciem a ausência às autoridades, ou busquem por elas. A investigação sobre as origens do ritual, dá início a inúmeros confrontos com forças sobrenaturais, fantasmas e zumbis. 




A Floresta das Árvores Retorcidas é um grande apanhado de clichês de filmes da década de 80, e também de livros famosos de terror, fato dito abertamente pelo próprio autor em entrevistas, por se tratar de uma homenagem a toda a cultura pop que o autor vem consumindo desde sua adolescência, especialmente a obra do escritor estadunidense H.P. Lovecraft, autor que Alexandre Callari dedica um posfácio a descrever a obra deste famoso autor, mostrando a enorme influência dele em seu romance.


Mas vamos ao romance. Este, logo nos primeiros capítulos, traz uma das mais arrepiantes e nojentas cenas já lidas por mim, em que o protagonista transa com um corpo de mulher em decomposição, com todos os detalhes descritos como em um filme de terror gore. Aliás, na história a sexualidade está sempre presente, o que faz a obra se aproximar de uma espécie de porno-terror.




O romance é construído, em grande parte, por diálogos. E aqui, noto um erro bastante comum em obras literárias, que se repete também no referido livro. Alexandre Callari põe um garoto de 8 anos para falar como se fosse adulto, usando termos não usuais para uma criança. Não sei se a intenção foi intencional, emulando roteiros de filmes b, que pouco se importam com coerência. O que sei é que isto torna-se anticlimático, gerou em mim certa estranheza, atrapalhando a suspensão de descrença.


Outro elemento que atrapalha a suspensão de descrença, e também bastante usual em histórias de terror, e presente no livro, são as circunstâncias dispostas pelo autor para facilitar que personagens possam vencer obstáculos impostos pela história, deixando sempre aquela sensação de “ah, mas assim!”; destaque aqui o momento em que o protagonista, munido apenas de uma espingarda calibre 22 e um revólver .38, enfrenta um o vilão, com poderes de comandar mortos e a mente dos vivos, mas que, por um momento, sente o poderio de um revólver .38 e uma espingarda velha calibre 22.

Também não poderia faltar o deus ex machine, artifício tão comum e usado à exaustão em filmes de super heróis, em que um personagem surge repentinamente somente para salvar os outros personagens de um enrascada aparentemente sem solução; o próprio autor para um momento para comentar sobre esse recurso em seu romance, contando sobre seu desenvolvimento na literatura; mas aqui há um agravante. O autor cria uma ótima história sobre o passado da personagem usada apenas como solução para o obstáculo narrativo que, até então, não havia aparecido, para logo em seguida matá-la após ela ter servido aos seus propósitos; mas uma vez o leitor fica com a pergunta: “Para que desenvolver um passado complexo para um personagem que, uma página depois, sairá de cena?”. Ficamos com a sensação de que a história do personagem foi um grande desperdício de tempo e criatividade do autor.


quarta-feira, 25 de maio de 2022

PONTE GOLDEN GATE: O LUGAR COM O MAIOR NÚMERO DE SUICÍDIOS DO MUNDO



PONTE GOLDEN GATE: O LUGAR COM O MAIOR NÚMERO DE SUICÍDIOS DO MUNDO

A ponte Golden Gate, localizada na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, é o lugar com maior número de suicídios do mundo.


Segundo os dados registrados até 2006, mais de 1200 pessoas perderam a vida, saltando da ponte.




Pular de tal ponte é sofrer uma  queda de 227 metros de altura, que dura pouco mais de quatro segundos e os saltadores se chocam com a água com um impacto de 120 km/h, o mesmo que uma bola de beiseibol atingir sua cabeça, e geralmente morrem pela causa do impacto. Somente 26 pessoas sobreviveram à queda, e acabaram com os ossos fraturados e lesões internas.



O DOCUMENTÁRIO “THE BRIDGE”

Em 2004, o diretor Eric Steel, com a desculpa de gravar um documentário sobre a estrutura da ponte, passou um ano registrando os suicídios que aconteceram naquele ano, registrando em vídeo 19 dos 36 suicídio que aconteceram naquele ano.


O documentário possui também entrevista com familiares de suicidas que estão no documentário. E  não faltou polêmica. Público e crítica questionaram os métodos de filmagem de Eric Steel. Indagaram se é ético filmar uma pessoa que está prestes a se matar e não avisar as autoridades responsáveis que cuidam da segurança da ponte. Se a equipe de Eric tivesse feito isso, muitos suicídios teriam sido impedidos, ao menos naquele momento. É uma boa discussão, um dilema moral que poderia ter sido abordado também no documentário, com depoimentos dos envolvidos na filmagem. O que sentiram os cinegrafistas ao filmar seres humanos tirando a própria vida? Mais uma pergunta que A Ponte deixa sem resposta.


domingo, 22 de maio de 2022

POR QUE O SHOPPING BOULEVARD É O PREFERIDO DOS SUICIDAS?

 

POR QUE O SHOPPING BOULEVARD É O PREFERIDO DOS SUICIDAS?

ATUALIZAÇÃO: Infelizmente, mais um suicídio na tarde desta quarta-feira (24/05/2023) em famoso shopping em Belém, torna esta matéria novamente atual e levanta mais uma vez a questão: Por que o Shopping Boulevard é o Preferido dos Suicidas?

A cidade de Belém possui atualmente 5 shoppings, porém, apenas um tem se tornado, nos últimos anos, o preferido daqueles que desejam pôr fim à própria vida. O que nos leva a pergunta: O que há nesse shopping que atrai tantos suicidas?

Edifício Manoel Pinto da Silva


Para responder a essa pergunta é fundamental compará-lo com o caso de outro prédio que na década de 1970/80 amargou também a fama de ser o preferido dos suicidas em Belém: o edifício Manoel Pinto da Silva.

Leia Também: Edifício Manoel Pinto da Silva, um Trampolim para a Morte.


CINCO FATORES Estimulavam Suicídios no Edifício Manoel Pinto da Silva:

1º: O fácil acesso ao seu interior, facilitado pelo fato do edifício não ser apenas um prédio de moradias particulares, mas também por ser um edifício comercial, com escritórios, lojas, facilitando a entrada de pessoas estranhas.

2º: Por ser considerado, na época, o edifício mais alto de Belém, o que era visto como um estímulo àqueles que desejavam tirar a própria vida saltando dele, e obter total efetividade no ato.

3º: O edifício Manoel Pinto da Silva possuía/possui muitos espaços internos de livre acesso, que possibilitavam se lançar em queda livre.

4º: Ausência de tela de proteção, que, na época, não havia o uso difundido.

5º: A divulgação de casos de suicídios anteriores, tornava o Edifício Manoel Pinto da Silva um referencial e um estímulo para novos suicídios no local.

Estas 5 condições estão também presentes no Shopping Boulevard, incluindo o fato de ser o shopping mais alto da cidade, e sendo o andar mais alto o mais deserto, possibilita, por isso, menor risco ao suicida de ser impedido em seu ato, daí a escolha. Por isso não sendo à toa o andar escolhido pela maioria dos suicidas.

Redes de Proteção em Shopping de Rio Preto

Devido ao crescente números de suicídios, torna-se necessário e urgente campanhas de conscientização da prevenção do suicídio, e principalmente a instalação de redes de proteção. 

Casos esses requisitos não sejam efetivados, infelizmente, novos casos de suicídios irão acontecer.