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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

SERIAL KILLERS, CYBERPUNK, FETICHES E DARK WEB - ENTREVISTA COM BOSCO CHANCEN SOBRE NOVO LIVRO





SERIAL KILLERS, CYBERPUNK, FETICHES E DARK WEB - ENTREVISTA COM BOSCO CHANCEN SOBRE NOVO LIVRO


Em “Fetiche Um Thriller Policial Sobre o Criminoso Mundo da Dark Web”, é narrada a busca por um predador sexual que se utiliza de um perigoso fetiche para matar suas vítimas, descartando seus corpos em rios próximos à cidade de Belém/PA. 


O leitor acompanha a investigação em busca do assassino, que o conduz ao curioso mundo dos fetiches, dos clubes de swing e das histórias sombrias da dark web, revelando o lado sombrio da pornografia.


A história se passa no futuro, em uma Amazônia distópica, marcada pela chuva ácida, coberta de fuligem das queimadas e assolada por um calor insuportável, que obriga a cidade a adotar uma vida noturna. Tudo efeito da devastação ambiental e da chegada dos data centers, que consomem toda a água dos rios e despejando calor na atmosfera. 


Nesse futuro distópico, a cidade de Belém tornou-se dominada pela prostituição e centro mundial do turismo sexual, atraindo os mais perversos predadores sexuais.


O lançamento do romance será na 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro, no dia 5 de setembro no Hangar, no estande Amazônia Fantástica.




O Bornal convidou o autor Bosco Chancen para um bate-papo sobre seu novo romance.


Bornal: A primeira coisa que chama atenção no romance “Fetiche Um Thriller Policial Sobre o Criminoso Mundo da Dark Web” é a ambientação: a história se passa quase que totalmente em um clube de swing, o que é uma grande novidade às histórias de serial killers, mas que pode afastar leitores mais conservadores; você não acha?


Bosco Chancen: Sim, mas também poderá atrair pessoas curiosas com estes ambientes, que não estão lá somente pra chamar atenção, são importantes para a trama do livro, já que por meio deles busca-se entender a mente do predador sexual e seu fetiche assassino. Por isso tornou-se necessário a descrição das atividades e regras de um clube de swing, o simbolismo por trás das práticas sexuais, além de conceitos fundamentais da sexologia, como o de parafilia. Contudo, evitei cenas muito descritivas ou desnecessárias, pois o romance é um thriller policial não uma história pornográfica.


Ilustração de Robson Marone para o Livro Fetiche


Bornal: Como foi a pesquisa para a criação dos ambientes e das cenas de fetiche?


Bosco Chancen: Tomei como modelo clubes de swing franceses e praias de nudismo de Cap d’Agde, na França, lugares dedicados ao sexo livre. Acompanhei entrevistas com criadoras brasileiras de conteúdo sexual sobre o funcionamento das mais famosas casas de swing brasileiras, sobre seus ambientes e suas regras. A internet foi uma grande fonte de pesquisa sobre os fetiches atuais. De modo que, tudo que está no livro é real, mesmo as coisas mais absurdas ligadas ao sexo e às mutilações corporais descritas. Aliás, gosto muito de apresentar fatos reais que, por serem tão absurdos, apareçam irreais. 


Bornal: Como surgiu a ideia do romance?


Bosco Chancen: Surgiu das minhas leituras dos livros do Marquês de Sade e também das histórias sobre serial killers reais, em que constatei que a grande maioria deles eram motivados por alguma forma de fetiche ou parafilia. Ted Bundy, por exemplo, tinha predileção em assassinar mulheres de cabelos lisos e escuros e flertava com a necrofilia: ele voltava ao corpo, dias depois, para manter relações sexuais com os cadáveres; o assassino Dennis Rader, que resumiu seus fetiches ao se autonomear de BTK (iniciais inglesas para os atos de “amarrar, torturar, matar”), tinha fetiche por bondage, vestir roupas femininas de suas vítimas e ser sádico. 


Sade foi o primeiro autor a fazer dos assassinos e de seus fetiches os protagonistas de suas histórias e também o primeiro a mostrar o lado violento e sádico da sexualidade humana, que aparece de forma extrema nos serial killers. Não é à toa que seu nome foi usado para criar o termo sadismo, que é o prazer em provocar dor e sofrimento aos outros. Então, pensei que seria uma boa ideia usar a obra dele para criar uma história sobre um assassino sexual que utiliza de um fetiche para matar suas vítimas; também aproveitei sua obra para criar os perfis psicológicos dos criminosos, pois nada mais coerente do que utilizar a obra daquele que inspirou o termo sadismo para definir uma mente sádica. 


Bornal: Quais os fetiches mais assustadores que você encontrou durante a pesquisa?


Ilustração de Robson Marone para o Romance Fetiche


Bosco Chancen: Antes de mais nada, é preciso dizer que fetiches e fantasias sexuais fazem parte da sexualidade humana normal, embora alguns possam se tornar perigosos, principalmente quando relacionados à mentes perturbadas. A hibristofilia é um desses casos, embora seja uma parafilia, que consiste em se ter atração por pessoas que cometeram crimes graves e que, por isso, pode levar pessoas a se relacionar amorosamente com pessoas perigosas e ser um risco de vida para elas. É o que vemos muito em notícias de jornais, de jovens mortas por se relacionar com traficantes e ser mortas por facções rivais ou pelo próprio namorado. 


Wade Wilson


O Maníaco do Parque, que matou 9 mulheres, ainda hoje recebe centenas de pedidos de namoro e casamento de mulheres. O americano Wade Wilson, que explorava mulheres e as espancavam, matou duas, covardemente, recebe inúmeras cartas de admiradoras, inclusive houve um abaixo assinado de mulheres para que ele tivesse a pena reduzida. É muito louco alguém se sentir atraído por uma pessoa que não perderia a primeira chance de explorá-la, espancá-la e matá-la. O tesão está, em parte, na atração pelo perigo, pela possibilidade de morte. 


A atração pela morte também está presente em outro fetiche perigoso, que é o bareback, que consiste em participar de orgias sexuais, sem proteção, contendo entre seus participantes pessoas contaminadas com a Aids. Esse fetiche é uma verdadeira roleta russa.


É claro que existem atividades sexuais ainda mais perigosas e absurdas, ligadas ao sadismo. Uma das mais doentias e perigosas é a que é praticada pelo assassino do meu livro. Mas, para saber, tem que ler o livro.


Bornal: E quanto a dark web?


Bosco Chancen: O livro discorre sobre suas lendas urbanas, como os snuff videos, que são vídeos com cenas de mortes de pessoas encomendadas pelo pagante. Em 2001, um trio de ucranianos que tinham assassinado 21 pessoas e filmado.as mortes, foi pego pela polícia e confessou que os vídeos seriam vendidos na internet. Então, essas lendas não são tão lendas assim. A formação de grupos de criminosos sexuais tornou-se mais fácil com a internet, já que não importa mais a distância entre eles. Hoje, por exemplo, pedófilos do mundo todo podem se reunir por meio de sites da dark web, enquanto indivíduos sádicos que gostam de assistir a pessoas sendo torturadas não precisam sequer acessar a dark web, eles se reúnem através de aplicativos comuns, como o Discord, nos quais adolescentes se juntam em “panelas”, como são chamadas grupos de adolescentes que chantageiam e obrigam meninas a se mutilarem, matar seus animais de estimação e até tirarem a própria vida, tudo assistido ao vivo por eles. Essas atividades sádicas proporcionadas pela internet e os novos fetiches que surgiram com ela também são explorados pelo livro, que, mais uma vez, encontra em Sade uma origem.    


Bornal: Já que o Marquês de Sade foi tão importante para o projeto do romance e está presente no livro, apresenta ele para os que não o conhecem.


Marquês de Sade por Robson Marone,
Ilustração para o Livro Fetiche


Bosco Chancen: O Marquês de Sade, que alguns já ouviram falar por meio do filme Contos Proibidos do Marquês de Sade, foi um nobre francês que viveu de 1740 a 1814. Teve uma vida cheias de aventuras sexuais, que incluía o prazer de receber e ofertar chicotadas durante os atos sexuais. É famosa a passagem em que ele levou a prostituta Rose Keller para seu castelo, amarrou-a à cama, chicoteou-a e a feriu com pequenos cortes que estancou com pingos de cera quente de uma vela. Durante a primeira de suas prisões, motivada por sua sogra, devido ele ter fugido com sua cunhada, ele escreveu seu primeiro livro, Os 120 Dias de Sodoma, em que conta a história de quatro homens ricos que, junto de suas filhas, vão para um castelo para praticarem 600 formas de perversões sexuais, com 46 pessoas (homens, mulheres, jovens e velhos) levadas à força. Suas histórias mistura sexo e crueldade. Com suas histórias ele queria demonstrar, ao contrário de Rousseau, que afirmava que os homens nascem bons e a sociedade que os corrompe, que na verdade os homens nascem maus, sádicos e a sociedade os torna hipócritas.




Bornal: A trama do livro acontece em um futuro próximo, numa Amazônia devastada, com o calor insuportável e dominada pela prostituição. Isso é uma previsão?


Bosco Chancen: O romance é uma distopia, e toda distopia foca no futuro para criticar o presente e prever as consequências dos problemas atuais. As pesquisas recentes sobre a devastação da floresta amazônica prevê o aumento do calor em Belém, que a tornará uma das cidades mais quentes do mundo nos próximos anos, se não houver nenhum projeto para amenizar isso, como a arborização da cidade. Os moradores já percebem que já está mais quente do que no passado. No livro, o calor é agravado não apenas pelas mudanças climáticas, mas também pela vinda dos gigantescos data centers de IA, que consomem bilhões de litros de água de nossos rios, encarecem o preço da energia elétrica, causam poluição sonora e expelem ainda mais calor na atmosfera. E há um projeto atual dos políticos brasileiros para convidar empresas estrangeiras para instalar data centers em nosso país, não se importando com os prejuízos que trará para a população. 


Bornal: E a referência à dominancia da prostituição, também se baseia na realidade atual?




Bosco Chancen: No livro, a prostituição e o tráfico de drogas são umas das poucas atividades humanas que ainda não foram totalmente dominadas pelas inteligências artificiais, embora, na trama, já exista concorrência com robôs sexuais. Contudo, ao contrário da glamourização atual dada às pessoas que se dedicam a produzir conteúdo sexual via internet, que sempre está associado à prostituição, o livro se volta para o lado ruim da pornografia e da prostituição, quanto à exploração e o perigo de vida, que torna garotas de programas alvos de predadores sexuais. 


Bornal: Por isso a escolha de um cenário cyberpunk para o romance?


Bosco Chancen: Sim, os data centers, as grandes corporações tecnológicas comandando a política mundial e nossas vidas, as inteligências artificiais acabando com empregos e com as atividades que eram exclusivamente humanas, como compor música e produzir artes em geral, não são mais coisas de ficção científica, já vivemos isso, o mundo atual é cada vez mais cyberpunk.


Belém Cyberpunk Feita por IA


Bornal: Mas o romance não foca apenas na visão pessimista do cyberpunk, quase que a metade do livro tem como cenário a estética do solarpunk, que aponta para um futuro otimista, sustentável, de harmonia com a natureza e com a vida humana; comente um pouco sobre essa oposição.


Belém Solarpunk Feita por IA


Bosco Chancen: Tanto o cyberpunk quanto o solarpunk são duas formas de ver o futuro da humanidade, e no livro elas funcionam como uma oposição entre distopia e utopia, que o leitor sente a diferença sem ser algo panfletário. O solarpunk mostra que é possível criar projetos que tornem a humanidade mais harmoniosa com a natureza e principalmente com sua própria natureza interior. Mas se engana quem acha que o solarpunk é um mar de rosas, se fosse assim ele não teria a palavra ”punk” em seu conceito, possui seus desafios e sua rebeldia contra todo um sistema que explora o mundo de forma catastrófica.


Bornal: Alguma informação para fechar a matéria?


Bosco Chancen: O livro foi ilustrado pelo desenhista Robson Marone e estará presente no estande Amazônia Fantástica, na 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro, de 29 de agosto a 6 de setembro, no Hangar. Quem tiver interessado, o livro pode ser comprado pelo link da editora, clicando AQUI.   


terça-feira, 23 de junho de 2026

ROMANCE PARAENSE CONCEBE UMA AMAZÔNIA CYBERPUNK, DOMINADA PELO TURISMO SEXUAL





ROMANCE PARAENSE CONCEBE UMA AMAZÔNIA CYBERPUNK, DOMINADA PELO TURISMO SEXUAL


Em uma Amazônia futurista, devastada por mineradoras e pelos gigantescos conglomerados de data centers das inteligências artificiais e dominada pelo turismo sexual, praticantes de um perigoso fetiche são encontrados mortos. A investigação leva um policial a mergulhar no submundo internacional do sadomasoquismo e a praticar os mais bizarros fetiches para desvendar os assassinatos.


A trama se passa em Belém do Pará, que, no romance, é chamada de “BelHell” --- palavra criada pela juventude da cidade, sendo uma contração das palavras “Belém” com “hell”, inferno em inglês.




No romance, a cidade de Belém sofre com os efeitos das mudanças climáticas, agravados pela chegada de grandes corporações de data centers, que consomem os rios, exalando ainda mais calor na atmosfera, elevando a temperatura a 50 graus, tornando-a quase inabitável. BelHell também sofre com os efeitos da prostituição, estimulada pela falta de oportunidades de emprego, já ocupadas pelas IAs, transformando a cidade no principal centro mundial do turismo sexual, a ponto de políticos verem nisso mais um motivo para lucrar com um novo imposto: a Taxa de Insalubridade Afetiva. 


O policial contemplava a cidade, com seus gigantescos painéis digitais de propagandas, que exibiam mulheres de micro biquíni e longas botas pretas girando em barras de pole dance, em algum ambiente de entretenimento adulto. Ele observava pela janela do carro, que desviava do lixo acumulado na avenida, tomada por uma fina penumbra de poeira tóxica da extração de minério e pela fuligem das queimadas, que ardiam noite e dia, ofuscando as luzes das ruas, obrigando moradores a usar máscaras de gás e conferindo a BelHell um ar predominantemente noturno, com seu céu sem estrelas e cinza-claro.

Nas esquinas, traficantes e prostitutas seminuas, de corpos magros e doentios, cobertas por suas cooling fan-jacket transparentes, aproveitavam o clima ameno da noite para oferecer seus serviços. Nas travessas, prostíbulos e bares com entretenimento adulto, tolerados pelo governo mediante o pagamento da “Taxa de Insalubridade Afetiva”, que permitia oferecer garotas e rapazes aos clientes em grandes vitrines, como objetos à venda. Sem isso, prostitutas e cafetões eram perseguidos, presos e obrigados a pagar o imposto individualmente, prostituindo-se nas cadeias para o governo.  

Tudo era tolerado, exceto a sonegação de impostos, que bancava o luxo e os gigantescos condomínios fechados dos políticos.

Moreira via os gigantescos condomínios fechados, formados por luxuosos edifícios que contornavam a Baía do Guajará, interligados por passarelas, contendo tudo de que seus moradores precisavam para viver sem a necessidade de descer ao solo e adentrar a vasta área dos desvalidos, que correspondia a 97% da cidade, composta por vielas insalubres e malcheirosas.

Os condomínios formavam um mundo à parte, com seus shoppings centers, suas estufas que produziam alimentos, suas impressoras de carne cultivadas artificialmente em laboratórios e seu poderoso sistema de resfriamento, exaustores e filtros que retinham a fuligem das queimadas.


Nesse cenário distópico, corpos aparecem boiando nos rios da região, sempre com os mesmos ferimentos, sugerindo que foram mortos devido à prática de um perigoso fetiche. Com a ajuda de um escritor que pesquisa novos fetiches surgidos com a internet para um livro sobre o escritor francês Marquês de Sade, cujo nome deu origem à palavra “sadismo”, definida como prazer na dor e sofrimentos alheios, os dois mergulham no submundo do sadomasoquismo e nas sangrentas lendas urbanas da dark web.


“Fetiche – Um Thriller Policial Sobre o Criminoso Mundo da Dark Web” traz uma novidade às histórias de serial killers: sua trama se passa em um clube de swing.

 

Afinal, na busca por um predador sexual, é necessário, antes de tudo, conhecer os ambientes e as fantasias às quais a mente do criminoso se conecta.


CYBERPUNK



A estética cyberpunk usada no referido romance, não é atoa. Desde a década de 80, em que foi criada, esse subgênero da ficção científica, projeta no futuro questões que dizem respeito ao nosso presente, como forma de crítica e reflexão. 


O cyberpunk denuncia a possibilidade de um futuro em que o ganho em tecnologia não trouxe melhoria de vida para a humanidade. Ao contrário, a fez perder sua humanidade, em que humanos ao se adaptar às novas tecnologias, acabam por perder sua identidade confundindo-se com a máquina. Nada tão distante dos tempos de hoje, em que a inteligência artificial ameaça substituir humanos em muitas áreas de atividade, então consideradas essencialmente humanas. 


SOLARPUNK



Mas o romance não foca apenas no pessimismo, aponta caminhos para a conscientização da preservação ecológica e da cooperação mútua entre as pessoas. Para isso, recorre a outra importante estética da ficção científica atual: o solarpunk, que surgiu como uma forma de evitar um futuro distópico preconizado pelo cyberpunk, apostando em uma visão de mundo em que a evolução tecnológica se harmoniza com a natureza e com a procura por fontes de limpa de energias e não degradante, freando o consumismo e o desperdício dos recursos naturais de nosso planeta.


Ilustrado por Robson Marone


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segunda-feira, 1 de junho de 2026

LIVRO USA HISTÓRIA DE SERIAL KILLER PARA EXPLICAR POR QUE GOSTAMOS DE HISTÓRIAS VIOLENTAS






LIVRO USA HISTÓRIA DE SERIAL KILLER PARA EXPLICAR POR QUE GOSTAMOS DE HISTÓRIAS VIOLENTAS


Há relatos de que, no século XVIII, na França, durante a Revolução Francesa, casais se excitavam e transavam na janela enquanto assistiam a prisioneiros serem decapitados pela guilhotina nas praças de Paris.




Nessa mesma época, na prisão, um nobre francês preso por suas extravagâncias sexuais, escandalizava Paris escrevendo histórias sobre sexo e violência, com seu livro “Os  120 Dias de Sodoma”, em que quatro nobres, cada um representando uma instituição da sociedade --- duque (nobreza), bispo (religião), juiz (leis) e banqueiro (riqueza) --- vão para um castelo para praticarem 600 formas de perversão sexual, com 46 pessoas raptadas, jovens e velhos, mulheres e homens, onde o máximo do prazer consiste em assassinar o parceiro/parceira.


Marquês de Sade 

Esse nobre se chamava Marquês de Sade (1740 – 1814), cujo nome deu origem à palavra “sadismo”, que é o prazer obtido pelo sofrimento dos outros.


Em seus escritos, Sade pôs às claras o sadismo presente, em maior ou menor grau, em todos os seres humanos, em todas as épocas da humanidade, o que inclui a nossa, e que explica nossa curiosidade por casos criminais, sobretudo quando envolve sexo e violência:


Suzane von Richthoven, a jovem rica que ajudou o namorado e o irmão dele a matar seus pais a pauladas, tinha sua história contada pela imprensa como a garota que, após o crime, foi pro motel com o namorado para uma noite de sexo. Elize Matsunaga, a ex-garota de programa que havia se casado com um milionário, o esquartejou após descobrir que havia sido trocada por outra garota de programa. O caso atraía ainda mais a atenção do público quando era mencionado que o marido tinha fetiche por garotas de programa e costumava propor desafios sexuais a elas, como forçá-las a praticarem sexo anal sob a ameaça de uma arma apontada para suas cabeças. 


Os casos de Suzane e Elize, cheio de sexo e violência, geraram no público um verdadeiro fetiche por elas, transformando-as em musas do crime e rendendo livros, documentários, filmes, séries, entrevistas, milhares de fãs e muito, mas muito dinheiro.

 

Marquês de Sade Retratado
Por Robson Marone, Ilustrador da Presente Obra

Pareceu-me, então, não apenas conveniente, mas sobretudo esclarecedor trazer o Marquês de Sade para a nossa época, marcada pelo acesso ilimitado à pornografia e à violência, por meio de uma distopia policial que narra a busca por um assassino que utiliza um perigoso fetiche para aniquilar suas vítimas, obrigando os protagonistas a mergulhar no submundo do sadomasoquismo e a praticar os mais bizarros fetiches para desvendar os assassinatos.

 


A obra não teve a intenção de ser pornográfica, embora sua história se desenvolva quase inteiramente em um clube de swing, obedecendo ao princípio de que, na busca por um predador sexual, é necessário, antes de tudo, conhecer os ambientes e as fantasias sexuais aos quais a mente do criminoso se conecta. Aborda também conceitos importantes da sexualidade humana, como o sadismo e outras parafilias.

 


Isso acabou transformando a obra em um registro involuntário dos fetiches e das práticas sexuais de nosso tempo, sobretudo daquelas surgidas com a internet.  

 

Para sua ambientação, serviram de inspiração clubes de swing franceses e o polêmico romance Os 120 Dias de Sodoma, do Marquês de Sade, que foi fundamental para traçar o perfil psicológico do predador sexual retratado na presente obra. Afinal, nada mais coerente do que reconhecer um sádico recorrendo aos escritos daquele cujas ideias e comportamento deram origem ao termo “sadismo”.


 

Tais referências deram vida a este romance policial, com elementos de cyberpunk e solarpunk, cuja trama é ambientada na Amazônia, região em que o descaso e a pobreza contribuem para o tráfico humano e a prostituição.

 

Aos que já conhecem a obra do Marquês de Sade, sabem o que encontrarão em um romance inspirado nele; já aos que não o conhecem, aconselho cautela com o conteúdo aqui apresentado, que poderá chocá-los, embora tenham sido evitados detalhes excessivamente gráficos e desnecessários, havendo também bastante alívio cômico. No mais, espero que gostem. Boa leitura.


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sexta-feira, 27 de março de 2026

JEFFREY EPSTEIN E AS SOCIEDADES SECRETAS DO SEXO






JEFFREY EPSTEIN E AS SOCIEDADES SECRETAS

DO SEXO

O escândalo provocado pelo caso do bilionário americano Jeffrey Epstein, acusado de traficar mulheres e comandar um grupo de bilionários, políticos e pessoas famosas, levaram teóricos da conspiração também a associá-lo a rituais satânicos e sacrifícios humanos, criando a afirmação absurda de que o famoso diretor americano Stanley Kubrick (1928 - 1999) teria tentado avisar ao mundo com seu filme “De Olhos Bem Fechados”. Eles até afirmam que Kubrick foi morto por causa de sua denúncia em seu filme. Poucos, porém, se dão conta de que o filme é uma adaptação bastante fiel da maravilhosa novela “Breve Romance de Sonho”, do escritor autríaco Arthur Schnitzler (1862 - 1931).


O livro de Arthur Schnitzler parte da confissão dos desejos e fantasias mais íntimas de um casal e envereda por uma aventura sombria, envolvendo uma festa secreta de mascarados, em que realidade e fantasia tornam-se inseparáveis.


A obra teve a ousadia de, em pleno 1927, revelar ao mundo que mulheres também sentem desejos e buscam satisfação sexual em um relacionamento amoroso, algo que, para os padrões da época, em que mulheres eram vistas apenas como mãe e dona de casa, era inconcebível.




O filme “De Olhos Bem Fechados” possui pouquíssimas mudanças do livro, de modo que, por uma questão de coerência, deveria-se dizer que quem queria denunciar tais sociedades secretas seria o escritor não o diretor, o que também não faria sentido, já que o livro foi escrito em 1927, muito antes de Jeffrey Epstein existir. 










sábado, 28 de fevereiro de 2026

A SAGA DE CAMILLE MONFORT: DA INGLATERRA A BELÉM




A SAGA DE CAMILLE MONFORT: DA INGLATERRA A BELÉM

Em 2023, uma postagem em uma famosa rede social para a divulgação do romance “Após a Chuva da Tarde - A Lenda de Camille Monfort, a Vampira da Amazônia”, do escritor paraense Bosco Chancen, conseguiu um feito impressionante para um livro independente e em um país com poucos leitores: o texto viralizou, foi compartilhado milhares e milhares de vezes, e ganhou o mundo, sendo reproduzido em diferentes línguas.


A postagem trazia um resumo da história da cantora lírica Camille Monfort em sua estadia na Amazônia, personagem inspirada em uma misteriosa mulher da nobreza inglêsa que teria sido aluna do compositor Jeremiah Clark e que o teria levado ao suicídio por tê-lo rejeitado. Assim diz a wikipedia:



O suicídio de Jeremiah Clark, levanta dúvidas e, claro, mistérios, pois como se sabe sepultamentos de suicídas eram proibidos em cemitério e em igrejas, naquela época na Inglaterra. Isso é exposto até mesmo em um famoso livro, O Morro dos Ventos Uivantes (1848), cuja a autora, Emily Brontë, põe na fala de seu personagem Heathcliff frases que dá a entender que outro personagem havia tirado a própria vida, pois expõe o costume da época quanto ao sepultamento de suicidas:


— O certo — observou — seria enterrar o corpo desse idiota numa encruzilhada, sem qualquer tipo de cerimônia…


“Enterrar o corpo numa encruzilhada, sem qualquer tipo de cerimônia”. Sim, suicidas eram enterrados em encruzilhadas, não em cemitérios, como confirma esta nota da edição brasileira de O Morro dos Ventos Uivantes:



No entanto, Jeremiah Clark havia sido sepultado no cemitério da igreja de Saint Paul, em Londres.


Fascinado por tal acontecimento, que mistura amor, mistérios e música (e vampirismo?), e encontrando conexões com o rico período do ciclo da borracha na Amazônia, o autor do romance “Após a Chuva da Tarde - A Lenda de Camille Monfort”, tenta preencher as lacunas nas circunstâncias que precederam o suicídio do músico inglês, ora recorrendo a ficção e o sobrenatural, ora recorrendo a explicações históricas.




Camille Monfort, a “Vampira de Belém”, como uma vampira psíquica, uma entidade que se alimenta da energia e da emoção do público, se popularizou de forma espontânea, tornando-se independente do livro de que é personagem, como se o público a tivesse despertado, tivesse lhe dado vida e a libertado das páginas do livro.


A “Vampira de Belém” gerou fascínio, difundiu a cultura da Amazônia para o mundo, provocando saborosas discussões entre historiadores e inspirando artistas a compor obras tendo ela como tema.


Abaixo, Algumas Obras Inspiradas na Personagem Camille Monfort. 


Música:




Camilla Monfort está presente na capa do álbum Better Days Ahead, da cantora e compositora canadense Lisa Lachapelle, em que ela transporta seu rosto para o rosto da personagem.




O álbum pode ser ouvido pelo link:  




A personagem também foi inspiração para Wander Ganjar, com o título do romance “Após a Chuva da Tarde” dando título ao seu álbum "The Afternoon Rain".




O álbum pode ser ouvido pelo link:  


Vídeo:



Pintura:



A pintora argentina Natu Dumrauf se inspirou em Camille Monfort.




Camille também foi inspiração para ilustradora infantil grega Marianna Fragouli, que comentou em seu Instagram:  “Eu não a conhecia, ela era uma cantora de ópera francesa, uma personalidade misteriosa com muitos hábitos estranhos. Ela é um grande mistério para muitas gerações. Um dia vi essa foto dela e resolvi ilustrá-la sem saber quem ela é, seu olhar e a energia dela me prendeu à primeira vista e então resolvi conhecer mais sobre ela.”


Estampa de Camisa:



Na Colômbia Camille Monfort virou estampa de camisa.



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