JEFFREY EPSTEIN E AS ACUSAÇÕES DE CANIBALISMO
Com a liberação dos arquivos do bilionário americano Jeffrey Epstein, condenado por tráfico sexual e abuso de meninas menores de idade, uma série de acusações têm sido atribuídas a ele, desde as já comprovadas até as mais macabras. Uma delas é a acusação de rituais satânicos envolvendo canibalismo. Mas será que são verdadeiras?
Canibalismo
A ideia de que a mais alta elite mundial, se reúne para praticar rituais satânicos e canibalismo não é nova, e veio à tona novamente com um documento envolvendo acusação de tortura e morte de bebês por parte de Jeffrey Epstein e um grupo de poderosos. O documento relata o que uma suposta testemunha teria visto quando tinha 8 anos de idade, durante uma viagem de iate.
| Documento Contendo a Suposta Acusação de Canibalismo |
Ele relata que: “Foi estuprado (sodomizado) por Jeffrey Epstein, bem como pelo ex-presidente dos Estados Unidos, William J. Clinton, enquanto estava sob forte efeito de drogas. Também afirmou que as solas de seus pés e suas costas foram cortadas. Afirmou ainda que, durante a referida viagem de iate, vários homens negros desconhecidos praticaram atos sexuais com mulheres brancas desconhecidas, que tiveram as costas cortadas e estavam sangrando. Descreveu também o assassinato de vários bebês e a remoção de seus intestinos, bem como outros atos de canibalismo. Afirmou ainda que o ex-presidente dos Estados Unidos, George H. W. Bush (envolvido em um ato sexual com um homem negro desconhecido), o ex-secretário de Estado dos Estados Uniudos, Henry Kissinger, e o empresário George Soros estavam presentes no mesmo iate enquanto todos os atos de violência mencionados estavam ocorrendo”.
Este relato tem feito a alegria dos teóricos da conspiração que, por meio dele demonstram que a elite rica do mundo se alimenta de carne humana e presta obediência a satã. Porém o que eles não contam é que, embora este relato faça parte do chamado “Arquivo de Epstein”, é apenas uma denúncia feita por e-mail a órgãos federais americanos que qualquer pessoa poderia fazer, sem qualquer evidência a favor de sua veracidade nem testemunhas que apoiassem o ocorrido.
Mas, na ausência de provas que confirme, definitivamente, a acusação de canibalismo, alguns acontecimentos e testemunhos, não comprovados e de origem desconhecida, são usados para insinuar a confirmação da existência de canibalismo. Dois destes casos têm sido bastante divulgado nas redes sociais.
O Caso da Modelo Mexicana
Com a acusação de canibalismo no Caso Jeffrey Epstein, um vídeo de 2009, de uma suposta modelo mexicana transtornada, em frente a um hotel, chamada de Gabriela Rico Jiménez, em que ela relata ter presenciado um banquete de carne humana, voltou a viralizar na internet. O vídeo ainda é postado com o aviso: “Ela tentou nos avisar”.
Porém, pesquisas sobre o hotel mexicano CHN Hotel Monterrey, onde teria sido presenciado o jantar canibal feito pela elite, se revelou como um hotel simples, para um nível social bem abaixo dos suntuosos hotéis frequentados por pessoas ricas. E a pesquisa feita através do nome da modelo Gabriela Rico Jiménez não revelou nada que comprovasse que ela era, de fato, modelo.
Como sempre acontece com vídeos para ganhar views, o vídeo de Gabriela Rico Jiménez está intencionalmente incompleto, retiraram a parte em que ela comenta sobre suas internações em clínicas psiquiátricas e as frases totalmente sem sentido que ela emite.
Gabriela Rico Jiménez não apenas não era modelo, mas também não estava dentro do hotel, teve um surto psiquiátrico na rua, e voltou novamente a ser internada.
FONTE: Fábrica de Noobs (Canal do Youtube);
O Cozinheiro Canibal do Bronx
Outro caso de canibalismo associado a Jeffrey Epstein e divulgado pelas redes sociais, é o relato do chef de cozinha Oscar Rosas.
Os posts afirmam que, Óscar Rosas afirma ter sido sequestrado por uma organização criminosa e obrigado a cozinhar carne humana para banquetes de uma elite depravada, com preferência por carnes de crianças, jovens e bebês sacrificados em rituais satânicos.
“Se eu não fizesse isso, eles tiravam a minha vida” confessou Oscar Rosas. Segundo ainda a postagem, Oscar cozinhava para pessoas ricas, que pagavam milhões de dólares pelos pratos.
A postagem ainda dá o alerta: “Embora as autoridades mantenham sigilo sobre o caso, as revelações desse sobrevivente, expuseram uma ‘rede, real, oculta, satânica, global’ de ’canibalismo, real, satânico, abominável, mostruoso, moderno’ no Centro, no Coração de Nova York. EUA’.
A verdade é que, embora o relato de Óscar Rosas seja verdadeiro, o Bronx que ele se refere não é o famoso bairro de Nova York, Estados Unidos, mas uma região da cidade de Bogotá, capital da Colômbia, que foi bem aproveitado por teóricos da conspiração para confundir a mídia, insinuando se tratar do bairro americano e também, aproveitando o caso Jeffrey Epstein, o associando a rica elite de Nova York.
Segundo vários sites, o colombiano Óscar Rosas, durante seus estudos em Nova York, se viciou em heroína, perdendo emprego e voltando para Bogotá, onde, após perder tudo que possuia para o vício, passou a trabalhar para um perigoso grupo de traficantes colombianos, chamado “Los Sayayines”, em troca de droga.
Óscar, após ser descoberto que era cozinheiro, passou a trabalhar para o grupo de traficantes, cozinhando nas festas do grupo. Mas logo foi forçado a cozinhar a carne dos inimigos do grupo. E quando se recusou, foi obrigado não apenas a cozinhar, mas a comer também.
Atividades de canibalismo praticado por grupos de traficantes não é novidade, já que é uma forma usada por estas facções para amendrontar grupos rivais e também, em muitos casos, como forma de rituais religiosos.
Óscar Rosa passou três anos mantido preso pelos traficantes em um local que fazia parte do esgoto da região conhecida como Bronx, que também servia de cozinha canibal para o grupo, até que, após uma tentativa de suicídio, foi deixado em um hospítal por um dos membros do grupo que teria se comovido com sua situação.
Em 28 de maio de 2016, a polícia e o exército colombianos desmantelaram a quadrilha, encontrando evidências e testemunhas que comprovaram o relato de Óscar Rosas, que hoje trabalha em um grupo que tenta recuperar viciados em drogas.
Em resumo, até o momento, não existem provas que confirmem a prática de rituais satânicos ou canibalismo ligado ao bilionário Jeffrey Epstein. O que existe são apenas especulação, documentos interpretados fora de contexto, relatos feitos a autoridades sem evidência alguma nem testemunhas capazes de confirmar tal ocorrência.
