Mostrando postagens com marcador SERIAL KILLER. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador SERIAL KILLER. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

SERIAL KILLERS, CYBERPUNK, FETICHES E DARK WEB - ENTREVISTA COM BOSCO CHANCEN SOBRE NOVO LIVRO





SERIAL KILLERS, CYBERPUNK, FETICHES E DARK WEB - ENTREVISTA COM BOSCO CHANCEN SOBRE NOVO LIVRO


Em “Fetiche Um Thriller Policial Sobre o Criminoso Mundo da Dark Web”, é narrada a busca por um predador sexual que se utiliza de um perigoso fetiche para matar suas vítimas, descartando seus corpos em rios próximos à cidade de Belém/PA. 


O leitor acompanha a investigação em busca do assassino, que o conduz ao curioso mundo dos fetiches, dos clubes de swing e das histórias sombrias da dark web, revelando o lado sombrio da pornografia.


A história se passa no futuro, em uma Amazônia distópica, marcada pela chuva ácida, coberta de fuligem das queimadas e assolada por um calor insuportável, que obriga a cidade a adotar uma vida noturna. Tudo efeito da devastação ambiental e da chegada dos data centers, que consomem toda a água dos rios e despejando calor na atmosfera. 


Nesse futuro distópico, a cidade de Belém tornou-se dominada pela prostituição e centro mundial do turismo sexual, atraindo os mais perversos predadores sexuais.


O lançamento do romance será na 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro, no dia 5 de setembro no Hangar, no estande Amazônia Fantástica.




O Bornal convidou o autor Bosco Chancen para um bate-papo sobre seu novo romance.


Bornal: A primeira coisa que chama atenção no romance “Fetiche Um Thriller Policial Sobre o Criminoso Mundo da Dark Web” é a ambientação: a história se passa quase que totalmente em um clube de swing, o que é uma grande novidade às histórias de serial killers, mas que pode afastar leitores mais conservadores; você não acha?


Bosco Chancen: Sim, mas também poderá atrair pessoas curiosas com estes ambientes, que não estão lá somente pra chamar atenção, são importantes para a trama do livro, já que por meio deles busca-se entender a mente do predador sexual e seu fetiche assassino. Por isso tornou-se necessário a descrição das atividades e regras de um clube de swing, o simbolismo por trás das práticas sexuais, além de conceitos fundamentais da sexologia, como o de parafilia. Contudo, evitei cenas muito descritivas ou desnecessárias, pois o romance é um thriller policial não uma história pornográfica.


Ilustração de Robson Marone para o Livro Fetiche


Bornal: Como foi a pesquisa para a criação dos ambientes e das cenas de fetiche?


Bosco Chancen: Tomei como modelo clubes de swing franceses e praias de nudismo de Cap d’Agde, na França, lugares dedicados ao sexo livre. Acompanhei entrevistas com criadoras brasileiras de conteúdo sexual sobre o funcionamento das mais famosas casas de swing brasileiras, sobre seus ambientes e suas regras. A internet foi uma grande fonte de pesquisa sobre os fetiches atuais. De modo que, tudo que está no livro é real, mesmo as coisas mais absurdas ligadas ao sexo e às mutilações corporais descritas. Aliás, gosto muito de apresentar fatos reais que, por serem tão absurdos, apareçam irreais. 


Bornal: Como surgiu a ideia do romance?


Bosco Chancen: Surgiu das minhas leituras dos livros do Marquês de Sade e também das histórias sobre serial killers reais, em que constatei que a grande maioria deles eram motivados por alguma forma de fetiche ou parafilia. Ted Bundy, por exemplo, tinha predileção em assassinar mulheres de cabelos lisos e escuros e flertava com a necrofilia: ele voltava ao corpo, dias depois, para manter relações sexuais com os cadáveres; o assassino Dennis Rader, que resumiu seus fetiches ao se autonomear de BTK (iniciais inglesas para os atos de “amarrar, torturar, matar”), tinha fetiche por bondage, vestir roupas femininas de suas vítimas e ser sádico. 


Sade foi o primeiro autor a fazer dos assassinos e de seus fetiches os protagonistas de suas histórias e também o primeiro a mostrar o lado violento e sádico da sexualidade humana, que aparece de forma extrema nos serial killers. Não é à toa que seu nome foi usado para criar o termo sadismo, que é o prazer em provocar dor e sofrimento aos outros. Então, pensei que seria uma boa ideia usar a obra dele para criar uma história sobre um assassino sexual que utiliza de um fetiche para matar suas vítimas; também aproveitei sua obra para criar os perfis psicológicos dos criminosos, pois nada mais coerente do que utilizar a obra daquele que inspirou o termo sadismo para definir uma mente sádica. 


Bornal: Quais os fetiches mais assustadores que você encontrou durante a pesquisa?


Ilustração de Robson Marone para o Romance Fetiche


Bosco Chancen: Antes de mais nada, é preciso dizer que fetiches e fantasias sexuais fazem parte da sexualidade humana normal, embora alguns possam se tornar perigosos, principalmente quando relacionados à mentes perturbadas. A hibristofilia é um desses casos, embora seja uma parafilia, que consiste em se ter atração por pessoas que cometeram crimes graves e que, por isso, pode levar pessoas a se relacionar amorosamente com pessoas perigosas e ser um risco de vida para elas. É o que vemos muito em notícias de jornais, de jovens mortas por se relacionar com traficantes e ser mortas por facções rivais ou pelo próprio namorado. 


Wade Wilson


O Maníaco do Parque, que matou 9 mulheres, ainda hoje recebe centenas de pedidos de namoro e casamento de mulheres. O americano Wade Wilson, que explorava mulheres e as espancavam, matou duas, covardemente, recebe inúmeras cartas de admiradoras, inclusive houve um abaixo assinado de mulheres para que ele tivesse a pena reduzida. É muito louco alguém se sentir atraído por uma pessoa que não perderia a primeira chance de explorá-la, espancá-la e matá-la. O tesão está, em parte, na atração pelo perigo, pela possibilidade de morte. 


A atração pela morte também está presente em outro fetiche perigoso, que é o bareback, que consiste em participar de orgias sexuais, sem proteção, contendo entre seus participantes pessoas contaminadas com a Aids. Esse fetiche é uma verdadeira roleta russa.


É claro que existem atividades sexuais ainda mais perigosas e absurdas, ligadas ao sadismo. Uma das mais doentias e perigosas é a que é praticada pelo assassino do meu livro. Mas, para saber, tem que ler o livro.


Bornal: E quanto a dark web?


Bosco Chancen: O livro discorre sobre suas lendas urbanas, como os snuff videos, que são vídeos com cenas de mortes de pessoas encomendadas pelo pagante. Em 2001, um trio de ucranianos que tinham assassinado 21 pessoas e filmado.as mortes, foi pego pela polícia e confessou que os vídeos seriam vendidos na internet. Então, essas lendas não são tão lendas assim. A formação de grupos de criminosos sexuais tornou-se mais fácil com a internet, já que não importa mais a distância entre eles. Hoje, por exemplo, pedófilos do mundo todo podem se reunir por meio de sites da dark web, enquanto indivíduos sádicos que gostam de assistir a pessoas sendo torturadas não precisam sequer acessar a dark web, eles se reúnem através de aplicativos comuns, como o Discord, nos quais adolescentes se juntam em “panelas”, como são chamadas grupos de adolescentes que chantageiam e obrigam meninas a se mutilarem, matar seus animais de estimação e até tirarem a própria vida, tudo assistido ao vivo por eles. Essas atividades sádicas proporcionadas pela internet e os novos fetiches que surgiram com ela também são explorados pelo livro, que, mais uma vez, encontra em Sade uma origem.    


Bornal: Já que o Marquês de Sade foi tão importante para o projeto do romance e está presente no livro, apresenta ele para os que não o conhecem.


Marquês de Sade por Robson Marone,
Ilustração para o Livro Fetiche


Bosco Chancen: O Marquês de Sade, que alguns já ouviram falar por meio do filme Contos Proibidos do Marquês de Sade, foi um nobre francês que viveu de 1740 a 1814. Teve uma vida cheias de aventuras sexuais, que incluía o prazer de receber e ofertar chicotadas durante os atos sexuais. É famosa a passagem em que ele levou a prostituta Rose Keller para seu castelo, amarrou-a à cama, chicoteou-a e a feriu com pequenos cortes que estancou com pingos de cera quente de uma vela. Durante a primeira de suas prisões, motivada por sua sogra, devido ele ter fugido com sua cunhada, ele escreveu seu primeiro livro, Os 120 Dias de Sodoma, em que conta a história de quatro homens ricos que, junto de suas filhas, vão para um castelo para praticarem 600 formas de perversões sexuais, com 46 pessoas (homens, mulheres, jovens e velhos) levadas à força. Suas histórias mistura sexo e crueldade. Com suas histórias ele queria demonstrar, ao contrário de Rousseau, que afirmava que os homens nascem bons e a sociedade que os corrompe, que na verdade os homens nascem maus, sádicos e a sociedade os torna hipócritas.




Bornal: A trama do livro acontece em um futuro próximo, numa Amazônia devastada, com o calor insuportável e dominada pela prostituição. Isso é uma previsão?


Bosco Chancen: O romance é uma distopia, e toda distopia foca no futuro para criticar o presente e prever as consequências dos problemas atuais. As pesquisas recentes sobre a devastação da floresta amazônica prevê o aumento do calor em Belém, que a tornará uma das cidades mais quentes do mundo nos próximos anos, se não houver nenhum projeto para amenizar isso, como a arborização da cidade. Os moradores já percebem que já está mais quente do que no passado. No livro, o calor é agravado não apenas pelas mudanças climáticas, mas também pela vinda dos gigantescos data centers de IA, que consomem bilhões de litros de água de nossos rios, encarecem o preço da energia elétrica, causam poluição sonora e expelem ainda mais calor na atmosfera. E há um projeto atual dos políticos brasileiros para convidar empresas estrangeiras para instalar data centers em nosso país, não se importando com os prejuízos que trará para a população. 


Bornal: E a referência à dominancia da prostituição, também se baseia na realidade atual?




Bosco Chancen: No livro, a prostituição e o tráfico de drogas são umas das poucas atividades humanas que ainda não foram totalmente dominadas pelas inteligências artificiais, embora, na trama, já exista concorrência com robôs sexuais. Contudo, ao contrário da glamourização atual dada às pessoas que se dedicam a produzir conteúdo sexual via internet, que sempre está associado à prostituição, o livro se volta para o lado ruim da pornografia e da prostituição, quanto à exploração e o perigo de vida, que torna garotas de programas alvos de predadores sexuais. 


Bornal: Por isso a escolha de um cenário cyberpunk para o romance?


Bosco Chancen: Sim, os data centers, as grandes corporações tecnológicas comandando a política mundial e nossas vidas, as inteligências artificiais acabando com empregos e com as atividades que eram exclusivamente humanas, como compor música e produzir artes em geral, não são mais coisas de ficção científica, já vivemos isso, o mundo atual é cada vez mais cyberpunk.


Belém Cyberpunk Feita por IA


Bornal: Mas o romance não foca apenas na visão pessimista do cyberpunk, quase que a metade do livro tem como cenário a estética do solarpunk, que aponta para um futuro otimista, sustentável, de harmonia com a natureza e com a vida humana; comente um pouco sobre essa oposição.


Belém Solarpunk Feita por IA


Bosco Chancen: Tanto o cyberpunk quanto o solarpunk são duas formas de ver o futuro da humanidade, e no livro elas funcionam como uma oposição entre distopia e utopia, que o leitor sente a diferença sem ser algo panfletário. O solarpunk mostra que é possível criar projetos que tornem a humanidade mais harmoniosa com a natureza e principalmente com sua própria natureza interior. Mas se engana quem acha que o solarpunk é um mar de rosas, se fosse assim ele não teria a palavra ”punk” em seu conceito, possui seus desafios e sua rebeldia contra todo um sistema que explora o mundo de forma catastrófica.


Bornal: Alguma informação para fechar a matéria?


Bosco Chancen: O livro foi ilustrado pelo desenhista Robson Marone e estará presente no estande Amazônia Fantástica, na 29ª Feira Pan-Amazônica do Livro, de 29 de agosto a 6 de setembro, no Hangar. Quem tiver interessado, o livro pode ser comprado pelo link da editora, clicando AQUI.   


domingo, 5 de março de 2023

SERIAL KILLER: MORRE PEDRINHO MATADOR




Pedrinho Matador nasceu em 1954. Começou a matar cedo. Primeiro matou, com 14 anos de idade, o vice-prefeito da cidade de Santa Rita do Sapucaí (MG), onde nascera por ter despedido o pai, então vigia. Depois, já preso, matou o pai na cadeia quando soube que este havia matado sua mãe. Pedrinho tirou o coração do corpo de seu pai e o comeu.

Ainda jovem se relacionou com uma traficante da capital de São Paulo, e quando esta foi morta pela bandidagem, Pedrinho assumiu o comando do tráfico.


Passou a maior parte da vida em cadeia, onde aprendeu a viver sob a lei do cão, passando a matar estupradores e assassinos. Era temido por todos os marginais de sua época. Acredita-se que tenha matado mais de 100 marginais.

Pedrinho gostava de matar na faca, nunca preferiu arma de fogo; se orgulhava de dizer que nunca matou um inocente na vida, só matou aqueles que mereciam morrer.

Seu último desejo era matar o Maníaco do Parque. Pedrinho morreu sem realizar seu sonho.

Pedrinho Matador foi morto hoje, às 10 da manhã, em Mogi das Cruzes (SP), onde estava morando em liberdade após ter cumprido pena. Foi alvejado por tiros desferidos por ocupantes de um carro, que o mataram na rua.

sexta-feira, 7 de outubro de 2022

JEFF DAHMER E SUAS LENTES AMARELAS


 

JEFF DAHMER E SUAS LENTES AMARELAS

A Netflix tem causado frisson com sua nova série sobre o serial killer Jeff Dahmer por causar revolta nos parentes de suas vítimas, que reclamam de terem de reviver todo o sofrimento passado. Mas a verdade é que a série fez algo que filme algum sobre Dahmer, ou sobre o tema de assassinos em série, havia feito: ela deu espaço para contar a história das vítimas que sempre foram renegadas apenas a número; também pôs às claras o racismo da sociedade americana que contribuiu tanto para que Jeff Dahmer demorasse a ser pego, pois ele matou, na maioria, negros, provocando pouco caso nas autoridades policiais.


A série também chamou atenção para importantes fatos simbólicos, como o gosto despertado pelo pai de Dahmer no filho pela dissecação de corpos de animais atropelados para serem empalhados — momentos amorosos entre pai e filho que Jeff associou ao ato da dissecação. E que, sem dúvida, levou Jeff Dahmer a associar em sua mente doentia a dissecação dos corpos de suas vítimas como um ato de amor por elas.


Outro fato simbólico importante, é quando Jeff rouba um manequim de uma loja e o leva para seu quarto, e passa a se excitar e praticar atos sexuais com ele. Ato que já demostrava que Dahmer via suas vítimas, assim como o manequim, apenas como um objeto de prazer, e também sua predileção por praticar sexo com alguém imóvel e totalmente passivo, feito um manequim ou um cadáver: um vislumbre de sua necrofilia.




Há também as lentes de contato amarelas que Jeff Dahmer fazia questão de usar. Jeff era fã de vilões de filmes, principalmente de o Imperador Palpatine, do filme Star Wars: O Retorno de Jedi, e o Assassino dos Gêmeos, do filme O Exorcista III.




Esses personagens tinham algo em comum além da maldade, possuíam olhos amarelos quando estavam transformados pelo desejo de causar o mal, Jeff Dahmer imitava-os ao usar uma lente ocular amarela, se identificando com eles, quando o desejo de encontrar uma vítima se tornava insuportável. Porque ele sabia que existia no fundo de sua mente, uma força malévola, um lado escuro de sua alma, que lhe obrigava a matar, dissecar e fazer sexo com as entranhas de suas vítimas.




Teria Jeff Dahmer incorporado à sua personalidade características de seus vilões preferidos?


sábado, 26 de junho de 2021

LÁZARO BARBOSA E O SENSACIONALISMO QUE LIGA SUA FUGA AO LIVRO DE SÃO CIPRIANO

LÁZARO BARBOSA E O SENSACIONALISMO QUE LIGA SUA FUGA AO LIVRO DE SÃO CIPRIANO

O assassino Lázaro Barbosa de Sousa está há 18 dias em fuga, sendo procurado por um grande contingente policial (aproximadamente 300 policiais), composto por diferentes organizações militares, que têm efetuado cercos e barreiras rodoviárias em busca do criminoso em torno da região da pequena cidade de Cocalzinho de Goiás, localizada próxima à capital de Brasília.

O que tem chamado a atenção em sua fuga, além da dificuldade em pegá-lo, claro, é que muitos têm recorrido a supostos poderes de magia negra do criminoso para explicar as dificuldades que a polícia tem tido para prendê-lo.



No Youtube não falta canais ligados a assuntos sensacionalistas e misteriosos que afirmam que Lázaro adquiriu supor poderes de fuga e de camuflagem devido ao pacto com o diabo e também por carregar consigo o Livro Negro de São Cipriano. 

Leia: O Temido Livro Negro de São Cipriano.

O Livro Negro de São Cipriano, livro amaldiçoado por todo religioso fervoroso, é um grimório, ou seja, um livro composto de feitiços, atribuido ao famoso bruxo que teria se arrependido e se convertido ao cristianismo, e que supostamente teria nascido em 250  depois de Cristo, em Antioquia, região entre a Síria e a Arábia. 

Acontece que não há evidências que tal pessoa teria existido, que ainda se confunde com um outro São Cipriano (esse, sim, existiu), nascido em Cartago, no ano de 249 depois de Cristo.

E como seu suposto autor, tudo indica que os famosos Livros de São Cipriano, sejam um verdadeiro balaio de gato de feitiços de vários autores anônimos, que vêm sendo acrescentados ao longo do tempo (há até coletâneas de feitiços compostos em nosso próprio país, que leva o nome do famoso bruxo, que ficou mais famoso como suposto bruxo do que santo, entre os religiosos).

Há um canal de um pastor evangélico no youtube que afirma, com total convicção, que Lázaro, graças a prática da magia negra contida no livro de São Cipriano, adquiriu o poder de se tornar invisível, ou de se transformar em árvore, pedra ou cupinzeiro despistando assim os policiais à sua procura. O canal, até o presente momento que foi escrito esse texto, possuía a assombrosa marca de 1.551.430 visualizações, 163 mil curtidas e 6.228 comentários de fiéis agradecendo ao pastor por seus profundos esclarecimentos e advertências das artimanhas do coisa ruim e de seus asseclas. 

Objetos Religiosos Falsamente Atribuídos a Lázaro Barbosa



Outro erro comum que vemos em tais canais, é o preconceito de ligar o que eles chamam de “satanismo” a cultos de religiões de origens africanas, sem terem a mínima noção de que o diabo é uma entidade que não pertence a tais religiões, sendo por isso indevido chamar de “satânico” tais cultos ligadas a entidades afro-brasileiras.

É interessante notar que o número de canais que recorrem a explicações sensacionalistas e descabidas, supera e muito aqueles que recorrem a explicações lógicas e de bom senso ao esclarecer as dificuldades da prisão prisão de Lázaro, como os simples fatos do criminoso conhecer muito bem a região, ser um caçador experiente, o que o faz ter bastante conhecimento de como driblar os cães farejadores da polícia e, acima de tudo, o fato de Lázaro pertencer a uma organização criminosa denominada de Bonde do Cão (mais um motivo para associações satânicas), que atua na região e que cujos membros devem ter dado esconderijo e mantimentos para ele se manter por tanto tempo. 

Acima, o Fazendeiro Elmir Caetano, Acusado de Acobertar Lázaro




Fato que tem sido corroborado pelos roubos efetuados por ele de celulares, demonstrando que ele tem se comunicado com outras pessoas, e não com o diabo. O que levou, recentemente, à prisão de um fazendeiro e um caseiro por ter ajudado o criminoso em sua fuga lhe dando alimento e abrigo.

Leia Também: Lázaro Barbosa: Sensacionalismo, Preconceito e Falso Satanismo Divulgado pela Mídia.  

terça-feira, 22 de junho de 2021

UMBANDA: SENSACIONALISMO, PRECONCEITO E FALSO SATANISMO DIVULGADO PELA MÍDIA



UMBANDA: SENSACIONALISMO, PRECONCEITO E FALSO SATANISMO DIVULGADO PELA MÍDIA

Se tornou um fato recorrente no jornalismo brasileiro a imprensa associar crimes violentos a supostos rituais satânicos, sem se dar ao trabalho de verificar se existe realmente ligação, visando com isso a imediata visualização de suas matérias, já que crimes associados a satanismo chamam bastante atenção do público, e acabam sendo bastante explorados.

Ataques Preconceituosos a Devotos de Religiões Afro-Brasileiras
 são Comuns, Assim como a Associação ao Satanismo



Muitas vezes tais ligações se baseiam única e exclusivamente no preconceito religioso, que leva associarem tais crimes a rituais de religiões de origens afro-brasileiras, embora, incansavelmente, se diga que diabo, satã, demônio, são entidades que não pertencem a religiões africanas.



Assim foi no Caso Evandro, de 1992, que ficou conhecido como As Bruxas de Guaratuba.  Em que após o sumiço de duas crianças, incluindo o garoto Evandro, e o aparecimento do corpo mutilado de uma criança, que foi identificado como sendo o corpo de Evandro, sem que fosse feito exames de DNA, logo a suspeita recaiu sobre um pai de santo, e também sobre a mulher e a filha do prefeito da cidade, que supostamente haviam encomendado o sacrifício da criança em um ritual de religião de origem afro-brasileira, para que obtivessem prosperidade econômica. E como se provou mais tarde, os acusados tinham sido torturados pela polícia para confessarem o crime.

Silvio Fernandes Rodrigues



Um dos casos de grande repercussão, ocorreu em 2017, na cidade de Novo Hamburgo (RS), em que dois corpos desmembrados de crianças foram achados próximo a uma rua com pouco movimento. Logo as suspeitas recaiu sobre o líder de uma seita ocultista com influência de religiões de origens africanas, cujo templo se encontrava nas proximidades. O que levou a prisão do líder Silvio Fernandes Rodrigues e de outras pessoas ligadas à seita. Mais tarde se descobriu que a acusação infundada havia sido feita por uma pessoa que se aproveitou do ocorrido para prejudicar Silvio Fernandes, e que havia pago para que pessoas dessem falso testemunho.

Conheça Este Caso: Delegado, Por Preconceito Religioso, Acusa Membro de Seita "Satânica".

Matéria da Globo Associa Lázaro a Religiões Afro-Brasileiras.
Dias Depois a Globo Pediria Desculpa pelo Erro.

São vários os casos em que templos ou/e devotos de religiões de origens afro --- Umbanda, Candomblé, Tambor de Mina ---, são atacados, ofendidos ou associados a rituais satânicos por devotos cristãos ou mesmo pessoas pela imprensa sensacionalista de nosso país. A grande maioria desses ataques e associações acontecem por puro preconceito ou ignorância sobre tais cultos, em que acabam associando determinadas entidades ao diabo, sem que haja essa identidade, já que o diabo é uma entidade que pertence a mitologia cristã, não existindo um correlato idêntico em outras religiões.

Pai de Santo Mostra os Objetos de Terreiro que Foi Falsamente Atribuído a Lázaro 












Atualmente vemos esse mesmo preconceito acontecer quando a imprensa associa o assassino Lázaro Barbosa a cultos de religiões afro-brasileiras, sugerindo que suposto ritual feito pelo assassino, de deixar uma carta com uma vela dentro de um formigueiro, pertence a rituais afro-braisleiro, o que foi desmentido por sacerdotes destas mesmas religiões, e que também desmentiram que os objetos religiosos afirmados como encontrados na casa do assassino, com a escrita “satan” escrito na parede, não pertence a casa do mesmo mas a um tempo religioso da região, que foi invadido pela polícia, e que muito provavelmente o escrito “satan” tenha sido posto  com a intenção de associar de vez os objetos religiosos ao satanismo. É o que afirma líderes de tais seitas, que afirmaram: 

“As imagens dos alegados “rituais satânicos” que estão sendo divulgadas pela mídia foram produzidas pela própria polícia durante uma invasão e quebra das portas de umas de nossas casas.”

Para completar, muitas pessoas têm associado o assassino a pactos satânicos, a proteção de entidades maléficas, explicando por meio disto o sucesso de sua fuga e de não ter sido ainda pego pela polícia, atribuindo a ele poderes sobrenaturais, e preferindo não ver em sua experiência de caçador e profundo conhecedor da região, os verdadeiros motivos do sucesso de sua fuga; vale lembrar que já foi comprovado que Lázaro Barbosa tem se utilizado de ligações de celulares para comunicação, indicando que está tendo ajuda de pessoas. Provavelmente algum canal do youtube, em busca de público, argumentará que ele está se comunicando pelo celular com o próprio diabo.

É uma pena que pouco espaço a imprensa tem dado aos devotos de religiões afro-brasileiras para se defenderem de seus ataques.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

CHICO PICADINHO E O FANTASMA DA BAILARINA ESQUARTEJADA EM SÃO PAULO


CHICO PICADINHO E O FANTASMA DA BAILARINA ESQUARTEJADA EM SÃO PAULO
Algumas histórias macabras se originam de algum acontecimento trágico. A história que vamos contar possui esse elemento e aconteceu nos anos 1960, com uma jovem bailarina austríaca que morreu e foi esquartejada em São Paulo. O mais curioso e perverso é que ela foi cortada em pedacinhos e teve sua carne distribuída em baldes e malas.

O crime lembra o famoso  Jack, o Estripador, assassino que nunca foi realmente identificado. Mas esse psicopata é brasileiro, e bem conhecido. Tem um nome e uma senha recebida depois do primeiro assassinato: Chico Picadinho.

Francisco da Costa Rocha nasceu em Vila Velha, no Espírito Santo, em 1942. Filho de uma prostituta, não teve uma vida fácil. Nasceu em um bordel, sofreu abusos sexuais e assistiu, lamentavelmente, aos maus tratos sofridos por sua mãe. Era comum ela sofrer agressões verbais e até, por outra vez, apanhar clientes. Na infância, Chico matava gatos para alimentação, mas com um certo prazer sádico e requerimentos de crueldades, cortava ou bichanos em pedacinhos.

Expulso de casa, depois de brigas com sua mãe, o menino Francisco cresceu em um ambiente hostil, comprando malandragem e inteligência para lidar e convencer pessoas, o que é muito comum na maioria das psicopatas. Na adolescência, Francisco disse ter sofrido com a mãe e com os abusos que sofria na infância, e começou a sentir coisas estranhas e graves. O que era considerado como “apenas um menino de fantasia que lia muito”, já que aos 13 anos já havia lido todos os livros do escritor russo Dostoiévski. Seu preferido era Crime e Castigo, que contêm um histórico de assassinatos em busca de redução e ressurreição espiritual.

Chico viveu uma juventude promíscua, tinha claramente compulsão sexual e, como era persuasivo, relacionava-se intimamente com muitas prostitutas, mas também com ditos “homens de bem”. Teve muitos parceiros, em noites regadas a bebidas e drogas. E tudo acontece em um pequeno apartamento na rua Aurora, na Boca do Lixo da boemia paulistana. Ele divide o local com um médico, que também usa o imóvel para encontros furtivos.


Até que, em 1966, Chico, com 24 anos, conheceu uma bailarina austríaca Margareth Suída, que vive no Brasil há pouco tempo ... e é o personagem fantasmagórico de nossa história. Encontro que despertou uma fúria macabra de Francisco e culminou numa explosão de ódio e loucura.

Um jovem bailarina e Francisco se conhecem em um dos bares da rua Aurora, em uma noite de garoa, típica da cidade de São Paulo. O rapaz charmoso e sedutor fez de tudo para conquistar uma moça que se mostrou tão envolvente, talvez pressionando algo. A jovem bebe como se fosse o último dia de sua vida, e era…

Por volta das três da manhã, o casal deixou a barra na direção do prédio e o futuro assassino de morava. Eles estavam totalmente embriagados. Riam e falavam alto, chamando a atenção das pessoas que restabelecem a rua que precisam de hora de madrugada. Dentro de um apartamento, que era para ser uma noite de amor, terminou em tragédia: Francisco, bastante entorpecido pela bebida, não conseguiu manter relações com a bailarina que, mais bêbada ainda, inicia um zombar dele, levantando dúvidas sobre a masculinidade do parceiro sexual . Naquele momento veio para a cabeça transtornada de Chico, como um pesadelo, tudo o que ocorreu com sua mãe, e os abusos sexuais foram cometidos quando era criança. Em um momento de fúria, ele é sufocado com as mãos, terminando de aplicar o cinto.


Ele diria depois de ter perdido a consciência durante o momento do assassinato. Depois, para se livrar do corpo, ocorreu o ato de mais bárbaro. Ele cortou uma mulher minuciosamente em picadinho e distribuiu os pedaços em baldes e malas, para se livrar do corpo. Demore 3 a 4 horas até lembrar a vítima e colocá-la dentro de uma sacola, pois sabia quem era o amigo com quem dividia o apartamento que estava para chegar.

O disfarce não foi suficiente e, denunciado pelo médico, teve que fugir. Com repercussão do caso nos jornais da época, Chico Picadinho é o logotipo encontrado na casa de outro conhecido, vai preso, e é condenado a 18 anos de prisão.

Mesmo preso, se casa com uma amiga, tem uma filha e depois de 10 anos sai da prisão, liberado por bom comportamento. Então, troca de parceria, outro filho, e leva uma vida normal, trabalhando para sustentar a família. No entanto, pouco tempo após o segundo casamento, ele deseja a vida pacata e volta para a Boca do Lixo.


Agora a prostituta  Ângela Silva, conhecida como “moça da peruca”, que seria sua segunda vítima. Como as coisas acontecem exatamente como no primeiro assassinato, então, dessa vez, ele esquarteja a vítima com um cuidado muito maior e tenta jogar alguns pedaços no vaso sanitário. Em nova fuga, para o Rio de Janeiro, fica presa em uma praça enquanto lia um jornal que traz a manchete de seus crimes.


Em 1976, o Conselho de Sentença condenou Francisco a 30 anos de prisão por homicídio qualificado, principalmente devido a grande repercussão do caso na imprensa e na opinião pública, que ficou horrorizado com fotos de mulheres esquartejadas nos jornais.

Lá vai mais de 50 anos e a história trágica não é esquecida, principalmente porque diz que, nas noites de garoa, há quem vê o fantasma de Margareth Suída descendo a rua Aurora, andando levemente como se caminhasse em nuvens, com passos de bailarina . Aliás, muitas são as histórias que envolvem uma garota jovem, com forte sotaque, que conhece meninos, seduzem e levam até seu apartamento. Mas não os deixa subir.

Alegando motivos diversos, sempre pede que espere na frente do prédio enquanto ela se prepara. E, quando vai ver, uma mulher não volta, e nunca existe. Assim, o porteiro já está cansado de orientar esses homens: mostra o jornal que relata uma tragédia e a foto da morte, que é sempre a mesma que diz ter terminado de conhecer.

O zelador Roberval dos Santos, de 74 anos, relata: “Perdi a conta de quantos homens já passaram a noite na frente do prédio esperando pela mulher, e com quantas vezes as mesmas consideram sobre o caso macabro. Alguns não acreditam e vão embora me xingando.

Ali, vi tudo aqui, até o mar desmaiar na calçada. Eu já trabalhei no prédio quando aconteceu uma história do Chico Picadinho. Foi um caso muito barra pesada e os jornalistas vinham aqui ou depois de tirar fotos do prédio.

Teve muito mais morador que até mudar. Dizem que moça assassina ainda não está local em que morreu, mas eu nunca vi nada. O apartamento está fechado desde os anos 1980. Tentou alugar, mas ninguém fica, não. E dizem que muitas coisas estranhas acontecem lá dentro.

São ouvidos, choros, gemidos e, para alguns, uma moça morta aparece pelada no chão da sala, todos em picadinhos, pedindo ajuda… ninguém fica, não. Aí, com o tempo, paramos de alugar o imóvel e ele fica fechado. Trouxeram até padre, médiuns, pai de santo, e ninguém deu jeito. Falam que a mulher, no espírito, ainda procura ajuda, por isso traz os rapazes até a porta. ”


Chico Picadinho, hoje com 75 anos, ainda cumpre pena em um manicômio judiciário, na Casa de Custódia de Taubaté. Essa decisão foi tomada após o exame médico em que foi apontada como uma pessoa de personalidade sádica e psicopática. Na cadeia, mostra-se lúcido e passa os dias praticando pintura.

Ele diz não ter sentido culpa em algum momento, porque, como as mulheres que matam e retiram ou recuperam a memória da mãe, quem não perdoa por ter sido submetido, enquanto criança inocente, várias barbaridades. Fala ainda que não acredita nas aparições e listas que envolvem seus crimes e que, ao cometer-los, causam uma influência do romance Crime e Castigo, de Dostoiévski, quem chama Deus.


Publicado em 1866, pelo escritor e jornalista russo Fiódor Dostoiévski, ou pelo livro narra uma história de um crime cometido pelo estudante Ródion Raskólnikov, e suas conseqüências. Assim, para terminar essa história tenebrosa, vale ressaltar uma curiosidade sinistra: o primeiro crime aconteceu cem anos após Dostoiévski ter escrito o livro…

Texto: Dino Menezes (Todos os direitos reservados).
Para conhecer mais sobre o projeto “Quem Acredita em Fantasias” acesse: http://www.facebook.com/praquemacreditaemfantasmas