segunda-feira, 1 de junho de 2026

LIVRO USA HISTÓRIA DE SERIAL KILLER PARA EXPLICAR POR QUE GOSTAMOS DE HISTÓRIAS VIOLENTAS






LIVRO USA HISTÓRIA DE SERIAL KILLER PARA EXPLICAR POR QUE GOSTAMOS DE HISTÓRIAS VIOLENTAS


Há relatos de que, no século XVIII, na França, durante a Revolução Francesa, casais se excitavam e transavam na janela enquanto assistiam a prisioneiros serem decapitados pela guilhotina nas praças de Paris.




Nessa mesma época, na prisão, um nobre francês preso por suas extravagâncias sexuais, escandalizava Paris escrevendo histórias sobre sexo e violência, com seu livro “Os  120 Dias de Sodoma”, em que quatro nobres, cada um representando uma instituição da sociedade --- duque (nobreza), bispo (religião), juiz (leis) e banqueiro (riqueza) --- vão para um castelo para praticarem 600 formas de perversão sexual, com 46 pessoas raptadas, jovens e velhos, mulheres e homens, onde o máximo do prazer consiste em assassinar o parceiro/parceira.


Marquês de Sade 

Esse nobre se chamava Marquês de Sade (1740 – 1814), cujo nome deu origem à palavra “sadismo”, que é o prazer obtido pelo sofrimento dos outros.


Em seus escritos, Sade pôs às claras o sadismo presente, em maior ou menor grau, em todos os seres humanos, em todas as épocas da humanidade, o que inclui a nossa, e que explica nossa curiosidade por casos criminais, sobretudo quando envolve sexo e violência:


Suzane von Richthoven, que ajudou o namorado e o irmão dele a matar seus pais a pauladas, era lembrada pela imprensa como a garota rica que, após o crime, foi com o namorado a um motel para uma noite de sexo. Elize Matsunaga, a ex-garota de programa que havia se casado com um milionário, o esquartejou após descobrir que havia sido trocada por outra garota de programa; o caso atraia ainda mais a atenção do público quando era mencionado que o marido tinha fetiche por garotas de programa e costumava propor desafios sexuais a elas, como forçá-las a praticarem sexo anal ameaçando-as com uma arma apontada para suas cabeças. 


Os casos de Suzane e Elize, cheio de sexo e violência, geraram no público um verdadeiro fetiche por elas, transformando-as em musas do crime e rendendo livros, documentários, filmes, séries, entrevistas, milhares de fãs e muito, mas muito dinheiro.

 

Marquês de Sade Retratado
Por Robson Marone, Ilustrador da Presente Obra

Pareceu-me, então, não apenas conveniente, mas sobretudo esclarecedor trazer o Marquês de Sade para a nossa época, marcada pelo acesso ilimitado à pornografia e à violência, por meio de uma distopia policial que narra a busca por um assassino que utiliza um perigoso fetiche para aniquilar suas vítimas, obrigando os protagonistas a mergulhar no submundo do sadomasoquismo e a praticar os mais bizarros fetiches para desvendar os assassinatos.

 


A obra não teve a intenção de ser pornográfica, embora sua história se desenvolva quase inteiramente em um clube de swing, obedecendo ao princípio de que, na busca por um predador sexual, é necessário, antes de tudo, conhecer os ambientes e as fantasias sexuais aos quais a mente do criminoso se conecta. Aborda também conceitos importantes da sexualidade humana, como o sadismo e outras parafilias.

 


Isso acabou transformando a obra em um registro involuntário dos fetiches e das práticas sexuais de nosso tempo, sobretudo daquelas surgidas com a internet.  

 

Para sua ambientação, serviram de inspiração clubes de swing franceses e o polêmico romance Os 120 Dias de Sodoma, do Marquês de Sade, que foi fundamental para traçar o perfil psicológico do predador sexual retratado na presente obra. Afinal, nada mais coerente do que reconhecer um sádico recorrendo aos escritos daquele cujas ideias e comportamento deram origem ao termo “sadismo”.


 

Tais referências deram vida a este romance policial, com elementos de cyberpunk e solarpunk, cuja trama é ambientada na Amazônia, região em que o descaso e a pobreza contribuem para o tráfico humano e a prostituição.

 

Aos que já conhecem a obra do Marquês de Sade, sabem o que encontrarão em um romance inspirado nele; já aos que não o conhecem, aconselho cautela com o conteúdo aqui apresentado, que poderá chocá-los, embora tenham sido evitados detalhes excessivamente gráficos e desnecessários, havendo também bastante alívio cômico. No mais, espero que gostem. Boa leitura.


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