sexta-feira, 9 de novembro de 2012

O CÉU (de Haroldo Brandão)


          
O céu estrelado na cidade no meio do mundo
Calor e umidade nas almas (se existem) e nos corpos
O vírus está em gestação na troca de estação
Minha voz rouca balbucia uma perda conflito
No painel guernica que é a minha vida
Estilhaços de um eu fragmentado

Estou sem a principal arma que todos tem: a fé

Como a foto que não foi vista por ninguém
Assim o olhar triste e cansado de um cachorro nas ruas
Os maias e os hunos olhavam o céu estrelado tentando adivinhar não sei o quê

As costas de Deus estão pesadas e meu próprio peso é leve.


FANTASMAS (de Bosco Silva)



Bem... aqui eles não estão...
Hum... nunca gostei mesmo de lugares como esses.
Ronaldo Monteiro , Josefina Bernadeth ... deixa ver esse outro... ah, Carmem Oliveira... Apenas fotos, fotos, fotos...
Todos estão vazios! Onde estão eles? Bem, ali há um que chegou hoje... mas... não há ninguém nele.
Nunca gostei mesmo de cemitérios, são tão calmos e vazios...
Bem, já é meia-noite e, como não há ninguém por perto, quem irá me dizer:

AONDE OS FANTASMAS SE DIVERTEM?

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

POR QUE MORREU OSAMA BIN LADEN? (de Paulo Emmanuel)



Desde que soube que a princesa keith não a convidaria para o casório Real, Michelle Obama estava impaciente.
Andava de lá pra cá nervosa. Se acabou em comprar roupas de brechó. Tava que era um trapo de irritada.
Certo dia chegou pro Obama e disse: Isso não pode ficar assim.
Ãh?? respondeu Obama.
Assim como?
Assim, respondeu Michele.
Você viu que aquela plebeia amarelinha não nos convidou pro casório?
Você, o dono do império e eu a primeira dona?
Mas Michelle, eles não disseram que não iam convidar nenhum chefe de Estado??
-Uma ova! Uma ova!
É a primeira vez que um casamento real não tem nenhum chefe de Estado e logo com a gente?? Isso tá com cara de racismo.
Mas Michelle. Você já não falou sobre isso com a imprensa e disse que tinha compreendido?
_ Uma ova! Uma ova!
Vc. Vai ter que fazer alguma coisa. E já!
Mas, Michelle. Criar um problema diplomático mundial por causa de um convite?
É! Exatamente. Ou vc faz alguma coisa ou eu vou pensar que vc. se curva diante daqueles branquelos esnobes.
Tá, Michelle. Vou pensar. Boa noite.
Boa noite nada. Já pro sofá. E só volte aqui quando resolver isso.
Que porra de mulher. Pensou Obama.
De manhã ligou pro Pentágono.
-Alô. General Dureza...
_Sim, senhor Presidente. Respondeu o general batendo continência.
Estou com um probleminha em casa. Preciso de uma ajuda.
- É só pedir senhor Presidente
Não deixa o WikiLeaks ouvir isso. Mas a Michelle quer eu arrume um jeito de estragar o casamento real da princesa Keith e do príncipe viadinho, lá.
Hum... o sr. quer uma bomba?
- Não! Uma bomba não. Algo que seja importante, mas que não haja destruição em massa assim. Uma coisinha pequena que só estrague a cerimônia.
Hummm. Deixe me pensar.
Que tal matar o Osama Bin Laden?
Mas a gente não tava guardando isso pra outra ocasião??
Quando Obama pensou em Michelle, disse:
Tá. Mate o Osama no dia do casório.
Não sei. não é tão simples assim.
E qual o percentual de certeza que seja ele?
Uns 40%.
Hummm.
Faz seguinte: Mate assim mesmo, se não for ele a gente inventa uma mentira como sempre.
Ok. Sr. Presidente.
Pronto, Michelle. Problema resolvido.
Oh! Meu todo poderosinho da mamãe. Hoje vai ter nhém, nhém, nhém!
No dia do casamento Michelle Obama passou o dia inteiro com um sacão de pipoca em frente a TV de 2 km. O casamento indo às mil maravilhas e nada. 
Ligou pro Obama.
Barak???
Vc já viu a cerimônia???
Tô vendo querida.
EUUUU TAMBÉMM!!!
Vc. disse que ia acontecer algo que iria estragar a festa, mas até agora tá tudo uma MARAVILHHHAAAA.
Esperai..
Alô? Dureza. E o nosso plano?
Está correndo muito bem Sr. Mas uma tempestade atrapalhou a chegada de nossas forças e tivemos um pequeno atraso. Mas antes do amanhecer tudo estará resolvido.
Ok. Beleza.
Pela manhã Michelle vem com um sorriso maior do que o da Whoopi Goldberg gritando.
- Vc viu Obama. Depois da morte do terrorista ninguém mais fala na lua de mel da vaca de windsor.
Obrigado meu amor. Beijinho , beijinho. Beijinho e saiu toda serelepe gritando.
UH!UHHH! Atrapalhamos a trepada deles. Atrapalhamos a trepada deles!!
Obama ficou pensando.
Cara azarado esse Osama.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Bem dizer ( De ReNê Romana)


Bendito seja teu sexo;
Bendita tua boca que me diz coisas eróticas;
Bendito é esse teu corpo que tanto desejo;
Benditos sejam teus dedos, tantas vezes percorridos entre minhas entranhas;
Benditas mãos que deslizam pelo meu corpo e me fazem tremer por entre as pernas;
Bendita hora em que eu te verei.
...E de mim não restará nada além que meus sussurros roucos e loucos e meu pedido de quero mais!



FRESTAS INDISCRETAS Nº 04 (de Haroldo Brandão)

http://www.pedroozorio.com.br/espirita/Obsessao.htm

Ela enlouquecida no quarto
Ouvindo música:
Puro silêncio entre as notas

O LEÃO CRISTÃO (de Bosco Silva)



ENTÃO...



domingo, 4 de novembro de 2012

De bandeja pra você - (De ReNê Romana)


Preciso ser comida pelos seus olhos.
Digerida pelo seu coração.
Preciso alimentar o tronco.
Matar a fome de mim, em qualquer lugar de seu.
Onde eu caiba, encaixe e você goste e goze
Pode ser pela poesia.
Ou pela conversa.
Até por uma boa lembrança.
Contando que você goste...

(Você sabe, eu sou uma mulher que não sabe o que é frigidez,
 te ofereço orgasmos múltiplos de três)



quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Romântica??!! - (ReNê Romana)


Minhas palavras  e meus sentidos perdem o sentido, 
cruel paixão ou será minha falta de noção??
Quando vc diz que não me quer o que me resta é recorrer aos poetas...
Quintaneando por ti, padre M.Sávio L.!


DO AMOROSO ESQUECIMENTO

Eu, agora - que desfecho!
Já nem penso mais em ti...
Mas será que nunca deixo
De lembrar que te esqueci?

(Mario Quintana)

A MÁQUINA (de Paulo Emmanuel)

 
 
 
 

JANELAS DISCRETAS Nº 14 (de Marcos Salvatore)




Tenho tentado te denominar

Para melhor te conhecer

Melhor te controlar

terça-feira, 30 de outubro de 2012

JANELAS DISCRETAS Nº 13 (de Marcos Salvatore)


Renê enterrava bonecas,

tinha um cemitério e tudo pra elas,

matava e as enterrava depois

 

Marcos caçava vagalumes

Tinha uma rua inteira sem luz, pra isso

Caçava e os guardava depois, pra servir de lamparina orgânica

 

Celi procurava alguém mais cedo, que achasse Drummond quente

Tinha uma oportunidade inteira sacada pra isso

Procurava, mas não encontrou ninguém, bem que eu gostaria

 

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

(quando eu fui a menina dos teus olhos) (extraído do diário de ReNê Romana)



(apenas um texto,ou uma pretensa poesia encontrado na gaveta dos poeminhas esquecidos)


Gosto das palavras ditas e benditas por tua boca;
gosto do som da tua voz confundindo o meu gemido;
gosto de minha voz rouca no teu ouvido;
gosto de ter você entre quatro paredes;
gosto de estar entre  tuas mãos,
           entre teus dedos,
                        entre tua boca;
Te gosto entre minhas pernas.
Gosto quando exalamos paixão.
Gosto quando juntos emitimos 
               gemidos e sussurros;
Gosto de tua boca na minha.
Gosto do teu sussurro que me leva ao gozo...

             ((gosto de dizer que te gosto!))





Anseios (Extraído do diário secreto de ReNê Romana)

by Chrissie White

Seu nome virou poesia no meu papel;
Seu nome virou palavras rabiscadas nas linhas de minhas mãos;
Te fiz versos, me transformei na poetisa dos muros da cidade, 
só pra tentar dizer o porque desse meu querer, desse meu desejo.
Quis ser teu alfabeto, desejei ser letras pra você desenhar de "A a Z " seu tesão pelo meu corpo, em palavras promiscuas, em sensações insanas.
Quis ser agarrada pela sua força de expressão,
Quis matar sua sede e quis ser objeto de suas mãos curiosas a tatear meu corpo.
Desejei mais que tudo que tu chegasses e não falasses nem uma palavra sequer...
Assim... te imagino, e tu virás silencioso e te aconchegarás entre minhas pernas, 
serás o meu par nessa dança dos corpos sedentos, 
minhas ancas vibram nesse vai e vem, minha boca a te devorar, 
todos meus poros a espera dessa invasão, 
seremos fulminados numa explosão de gozos.





Amanhã, quem sabe?( Extraído do diário de ReNê Romana)



Hoje não quero poesia. 
Hoje eu acordei desejando verdades lascivas, fábulas corrosivas, realidade crua e mal temperada.

Hoje, não quero músicas que me façam lembrar você,  nem vem, que hoje não vou cantarolar. 
Soneto eu não quero.
Escolho os olhos de ressaca, oblíquos e dissimulados das mocinhas de romances açucarados, aos ímpetos dramáticos dessas Julietas... Tão apaixonadas. Tão desesperadas. Tão óbvias.
Ando impaciente com a carência alheia. (e com a minha propriamente dita.)
Hoje eu quero ligar minha "radiola" e ouvir em alto e bom som as músicas de Wander Wildner, ou qualquer uma de Lou Reed, Joy Division, Mutantes e mais nada... Apenas eu e aquela garrafa de vinho que comprei pra te esperar.
Não quero nada que me faça "viajar" até você.
Hoje eu não quero te amar... 
Solta minha mão e nem adianta me olhar com esses olhos de quem quer me comer.
Hoje eu não quero te dar, passa amanhã!!!





sexta-feira, 26 de outubro de 2012

FRESTAS INDISCRETAS Nº 3 (de Haroldo Brandão)

by Grzegorz kmin

Noite do cão
Pela terceira vez
O Homem vai ao banheiro
Recompor o seu nariz com superbond

quinta-feira, 25 de outubro de 2012

CLUBE PRA QUEM QUER FICAR SOZINHO (de Paulo Emmanuel)

by Paulo Emmanuel



Ontem eu abri o jornal e Li: Clube pra quem quer ficar sozinho. Fiquei curioso. Interessante!
Acho que estou precisando ficar sozinho. Vou ligar pra lá , pra saber como é. Pensei!
_ Alô? É do Clube pra quem quer ficar sozinho?
-E sim, senhor.
Quero saber mais sobre o clube. Pode me informar, por favor?
Claro! É muito simples. O Sr. se inscreve, paga uma taxa e vem pro clube e fica absolutamente sozinho. Temos folders, banners e outdoors com imagens sobre o clube. Acesse a página www.queroficarso.com.br lá o sr. Terá mais informações.
Ok. Obrigado. Fui na internet digitei a URL e lá estava:
Fotos do clube :
Uma linda praia paradisíaca e uma pessoa sentada na areia...sozinha.
Uma grande piscina com trampolim de três andares e uma pessoa dentro...sozinha.
Um lindo restaurante muito luxuoso e uma pessoa sentada à mesa...sozinha.
Um lindo bosque com muitas árvores e outra pessoa apreciando a natureza...sozinha.
Peguei o carro e fui para lá.
A inscrição nada de contato humano, tudo online. Pagando com cartão de crédito e tudo mais.
Rigoroso o clube do sozinho. Depois que você se inscreve, vc não pode mais falar, ficar ou estar perto de alguém. Eles são muito rigorosos com as regras.
Quando cheguei, um portão eletrônico me indicou um local com uns 20 chalés. Cada um afastado do outro.  Entrei e esperei.
A regra er a a seguinte: Eu era o 20º cliente que queria ficar sozinho e só podia entrar um por vez no clube e eu teria que esperar a minha vez. Aí,  entendi do por quê das fotos só com uma pessoa no clube.
Todos os outros clientes esperavam na fila dentro dos chalés

....sozinhos, óbvio.


terça-feira, 23 de outubro de 2012

LITERATURA E PINTURA (de Bosco Silva)



Uma das supremas qualidades da literatura para mim é, sem dúvida, o poder de criar situações ou personagens que nunca existiram, mas que pelo fato de obedecer a leis físicas pode existir no presente, no passado ou no futuro; e mesmo que ela não obedeça a tais leis, poderá ser interpretada de forma simbólica, metafórica, podendo novamente se adequar a realidade. Por isso podemos ver em muitos escritores, antecipadores de realidades futuras. Esta característica é também compartilhada com a arte da pintura: o artista põe na tela impressões que em seu conjunto não existem, mas que passa a existir como possibilidade; sua arte lhe torna um criador, como um deus que passa dar existência a algo que então não existia. E podemos ver esta ideia estampada nas obras de artistas maravilhosos, em que a ideia se confunde com o real, tanto que se torna, à primeira vista, extremamente difícil de diferenciá-las.
Abaixo, alguns bons exemplos disso.
O forte de Steve Hanks é a representação da luz em suas telas, muitas vezes presente através do reflexo da água.



É maravilhoso imaginar uma paisagem que alguém jamais havia visto, e torná-la visível para outros!




Já Robin Eley explora o contraste com a luz por meio da representação de plásticos em suas pinturas extremamente realistas.




Nossa, como essas pinturas são reais! São tão realistas quanto fotos!





Robin Eley (acima) deve se sentir como um deus após o sétimo dia de criação, contemplando sua obra.
Outro artista maravilhosos é Lee Price, que possui um tema incomum, gosta de retratar pessoas vistas de um ângulo acima delas, dedicando-se a prazerosos momentos da gula.






SAFÁRI URBANO (de Bosco Silva)



Já havia alguns anos que o turismo nas favelas do Rio de Janeiro era, não apenas real, como um negócio extremamente rentável. Milhares de turistas, com suas câmeras à tira-colo, vinham ver como um povo sobrevive apesar de toda miséria.

A idéia era extremamente boa, e decidido a adaptá-la com alguns retoques em nossa cidade, criamos o que chamamos de safári urbano. A idéia era simples, proporcionar aos clientes diversão e adrenalina, e ao mesmo tempo limpar as ruas de indivíduos nocivos à sociedade.

Os clientes chegavam aos montes, loucos para sentirem a força e o poder de seus corpos, bem como seus instintos, que a sociedade lhes tolhia em nome de uma paz covarde e limitada. Queriam soltar o tigre que existiam em cada um, amordaçado e preso em uma jaula denominada de “bons costumes”.

Todos aguardavam ansiosos pela primeira noite, afinal seriam posto em prática tudo que tinham aprendido durante os dois meses que antecederam esta noite.

Ao chegarem os instrutores, partimos para a primeira caçada. As armas eram as melhores: calibres pesados em uma estrutura tão leve quanto o alumínio e forte como o aço.

Equipamentos verificados, coletes aprova de balas vestidos, chegamos ao lugar escolhido.

O lugar é um bairro afastado do centro da cidade, um bairro extremamente violento que ostentava a cada noite o recorde de estupros e homicídios. A marginália espreitava em cada poste, em cada entrada de beco, em cada luminária intencionalmente apagada. E para atraí-los, nada como uma bela mulher, com uma bela bunda, tendo em suas mãos um reluzente celular. Assim, poderíamos atrair tanto estupradores quanto ladrões.

A isca ia à frente, a uns cem metros de distância, monitorada por meio de rádios e linguagem em código. O plano era deixar o primeiro ladrão ou o primeiro estuprador atacá-la, morder a isca, para em seguida intercedermos, fazer a justiça com as próprias mãos, ou melhor, com uma automática 765, que lhe explodiria os miolos.

A isca avisa:

- Alguém está se aproximando, parece ser um homem, à minha esquerda... é um homem.

O sujeito aproxima-se, chama-a de gostosa, aperta sua bunda com a mão e encosta uma faca em seu pescoço.

- Passa a grana, vamos, não tenho tempo... nesse bolso... neste outro... vamos, vamos, se não quer levar uma furada na cara. Vamos, porra!, caralho!, já disse não tenho tempo, se não lhe fodaria aqui mesmo, sua filha-da-puta! Saberia o que é uma verdadeira pica nessa bunda!

O sujeito corre levando a bolsa e o celular nas mãos.

A rapidez era necessária, pois um rato como aquele conhece todos os esconderijos possíveis. Porém, tínhamos para ele uma adorável surpresa: o celular explode com uma simples chamada, levando junto sua mão com todos os dedos. O sangue e o cheiro de carne queimada são suficientes para denunciar seu paradeiro. Paradeiro imediatamente encontrado, o ladrão se esvaía em sangue. Sangue ainda suficiente para provocar os primeiros tiros da noite. A caçada estava apenas começando!...

JANELAS DISCRETAS Nº 12 (de Marcos Salvatore)


A cidade ontem esteve desbotada e mega-exposta às mesmas impressões.

Tiros, fogos de artifício, barras de ferro, bombas caseiras. Quem apostou em pelo menos uma morte ganhou.

A pregação vazia e interesseira rondou bairros em busca de sexo e gado, eleitores inscritos.

Voltei pra casa com um puta sono, prévia da insônia, depois, sonhei com luzes de da Vinci, um baita som de fudê das frenéticas no rádio, e cheiro de alguém ao lado.

Agora, bom dia... eu acho.

FRESTAS INDISCRETAS Nº 2 (de Haroldo Brandão)




Uma nódoa de esperma

                  Na batina do Padre