Na década de 80, a novela televisiva ROQUE
SANTEIRO, de Dias Gomes e Aguinaldo Silva, tinha como tema, uma
história bastante moderna para os padrões da época, e que ainda continua mesmo para
a época atual, tanto que nada tão ousado repetiu-se na teledramaturgia
brasileira desde então. O tema versava sobre Roque, um personagem que ao ser
tido como morto passa a ser cultuado por suas façanhas como santo, porém, anos
depois, descobre-se que o herói não morreu, e, mais que isso, que o culto religioso
que se formou em torno de sua história não condiz nem um pouco com o verdadeiro
personagem, tanto que todos aqueles que de alguma forma passaram a lucrar com
seu mito temem que tudo seja desmentido, e percam com isso seus privilégios,
levando muitos mesmo a tentarem matá-lo.
Este tema, embora seja de uma ousadia
jamais vista na televisão brasileira, não era um tema novo, como explica o
escritor Bráulio Tavares, já havia sido explorado por alguns escritores, como o
escritor Ronaldo Correia de Brito, em seu LIVRO DOS HOMENS, cujo livro conta a
história que ao “encontrarem no rio o cadáver de um homem, bem vestido, morto a
facadas. Pessoas piedosas o sepultam, começam a rezar junto à cova do morto
desconhecido. Isso se torna um hábito local, e daí a alguns anos aquela
sepultura recebe enormes romarias de peregrinos. Um dia, alguém chega ali e
descobre que a pessoa que está sendo adorada é um homem que cometeu um crime e
que foi morto por vingança”. E mesmo na ficção científica, o tema do personagem
tido erroneamente como herói, foi bastante explorado, como nos livros UM
CÂNTICO PARA LEIBOWITZ (1960) de Walter M. Miller Jr., e LIMBO
(1952) de Bernard Wolfe.
É simplesmente impossível para alguém
sensato, ao ver a trama contida tanto na novela ROQUE SANTEIRO, quanto no LIVRO
DOS HOMENS, não associar o tema com a religião cristã; aliás, foi seguramente
isto que retirou do ar a novela em sua primeira versão em plena ditadura
militar, na década de 70. E se substituirmos Roque por Cristo entenderemos toda
a ousadia de que falamos, pois assim como em tais livros, conhecendo bem a história
cristã com todo seu poder e manipulação sobre as obras históricas e literárias
do passado - fato que qualquer historiador sensato de hoje seria incapaz de
negar – não podemos deixar de pensar que tal possibilidade possa ter acontecido
com a maior religião do mundo. Sim, talvez estejamos cultuando um Cristo que
nada, ou pouca coisa, tenha haver com o verdadeiro Cristo.
E digo mais: embora a maioria diga se
tratar de mera hipótese artística, é bem possível que a ideia para a feitura
destas obras artísticas tenha sido criadas a partir do momento em que seus
autores meditaram sobre tal possibilidade: seria a arte imitando a vida, e não
o contrário. E se pensarmos bem também veremos que, assim como em ROQUE
SANTEIRO, há muitos que perderiam bastante se tal hipótese fosse tida como
verdadeira, e não falo apenas daqueles que de alguma forma passaram a lucrar muito
com a religião cristã, mas também dos devotos que construíram toda suas vidas
sobre tal crença. Lembro que quando o filme baseado no livro CÓDIGO
DA VINCE, de Dan Brown, foi lançado muitos comentavam que jamais iriam
assistir o filme, já que contrariava sua visão do Cristianismo; lembrando que o
livro argumentava que Cristo teria sido um simples líder religioso, que casara
com Maria Madalena e que teria tido filho com ela. E o interessante é que tal
afirmação era feita mesmo que estes desconhecessem totalmente os argumentos
usados no filme.
Não é difícil entender tal ato, sei
que muitos ao constatarem a fragilidade de suas crenças se lançariam ao
desespero; seu mundo viraria de ponta-cabeça; muitos certamente se suicidariam;
outros se tornariam extremamente egoístas e a maioria, com toda certeza,
simplesmente, não querendo acreditar em tal possibilidade, a negaria
veementemente mesmo que a mais absoluta prova lhes fosse mostrada.
Quando ouço alguém justificando a
falta de provas sobre a existência de discos voadores, argumentando que as
autoridades não permitem sua viabilização, por acreditarem que toda a ordem
ética e moral mundial mudaria para um caos inominável, caso esta possibilidade
fosse permitida, gosto mais de imaginar tal possibilidade relacionada à figura
de Cristo.
Recentemente, vi um documentário da
Nacional Geografic sobre a descoberta de um túmulo nas cercanias de Jerusalém
durante a construção de um condomínio no começo da década de 80. O túmulo
pertencia a uma família que vivera no séc. I, depois de Cristo. Pesquisadores
foram chamados para verificar o achado antes que o túmulo fosse fechado e
soterrado sob a nova construção. E após os ossos terem sido enterrados em um
local santo como manda a religião judaica, os dez ossuários foram guardados e
esquecidos durante décadas, em meio a centenas de outros ossuários antigos, até
que algo novo aconteceu, pesquisadores posteriores, descobriram ao traduzirem
os dizeres escritos em tais urnas que elas pertenciam a Maria, Mateus e Jesus,
filho de José. Que correspondiam, curiosamente, a mãe e ao irmão de Jesus,
citados nos evangelhos. O mais curioso de tudo é que fora encontrado também uma
urna que pertencera a uma mulher que se chamava “Mariamne”. O nome inculcou os
pesquisadores que nunca haviam encontrado, mesmo com centenas de urnas fúnebres
achadas, um nome parecido. Analisando melhor tal nome descobriram que se
tratava de duas palavras, uma era um termo de tratamento, mestra, e o outro,
Maria. Lembraram-se, então, que em um evangelho apócrifo, isto é, não aceito pela
igreja, Maria Madalena é chamada de mestra por ensinar aos seus discípulos a
doutrina de Cristo. Mas independente de ser Madalena, porque ela estaria alí? Seria
irmã do tal Jesus?, perguntavam-se os estudiosos.
A solução foi tentar comprovar o fato
com técnicas modernas de D.N.A. E o resultado surpreendentemente deu negativo,
Mariamne não era parente de nenhum daqueles membros. Então só poderia ser
esposa. E pela proximidade a urna do tal Jesus, só poderia ser sua esposa. Mais
o fato mais surpreendente é que havia também a urna de uma criança, chamada de
Judá. E embora muitos estudiosos tenham afirmado que tudo não era mais que
simples coincidência, já que estes nomes eram comuns à época, outros
argumentaram que não em seu conjunto. Sei que imediatamente virá à mente de
qualquer devoto cristão se tratar de mera falsificação, porém as evidências são
incrivelmente fortes a favor de ser a família de Cristo. Até mesmo uma urna
achada antes pertencente a um certo Tiago, quando comparada os matérias
acumulados à anos de tal urna com o material das outras urnas achadas no túmulo
familiar, o resultado foi que todas possuem a mesma quantidade e o mesmo
material acumulado à anos em sua superfície, levando os pesquisadores a afirmar
que a urna do tal Tiago havia sido extraviado do túmulo familiar de que falamos,
combinando com o Tiago irmão de Jesus, citado nos evangelhos.
Teria sido Jesus um homem comum?
Teria mesmo casado com Maria Madalena? Teria ele tido filho como qualquer
mortal? Ou seria apenas uma outra família constituída com os mesmos nomes da
família do Jesus bíblico. As coincidências são incríveis! E o mais engraçado é
que a descoberta de tal túmulo não chamou nenhuma atenção das autoridades ou da
imprensa. vale ver no youtube o documentário: o sepulcro perdido de jesus.
Mas teríamos razão para acreditar na
possibilidade de um Jesus diferente daquele descrito nos escritos bíblicos? Eu,
de minha parte, penso que sim, basta apenas pensar que as religiões não apenas
são sistemas de crenças como também de poder políticos, e é simplesmente
impossível negar que elas nunca tenham sido usadas como instrumentos de poder. Me
parece, portanto, sensato pensar que Jesus ganhara de seus biógrafos uma nova
biografia. E pense comigo: se a intenção era tornar o personagem Jesus Cristo
universal (católico, em grego), a melhor forma seria que este possuísse
características de outros deuses, a fim de torná-lo familiar à outros povos. Não
é mesmo? Sendo assim, não apenas temos a afirmação que ele havia nascido de uma
virgem, o que parecia ser moda naqueles tempos já que muitos deuses, como
Dionísio, Krishna, Mitra e etc., possuem esta característica, bem como outras
características, por exemplo:
“O deus ÁTIS morreu pela salvação da
humanidade, crucificado em uma árvore, desceu ao submundo e ressuscitou no
terceiro dia. MITRA teve doze discípulos; pronunciou um Sermão da Montanha, foi
chamado de Bom Pastor, se sacrificou pela paz do mundo e ressuscitou aos três
dias. BUDA ensinou no templo aos 12 anos, curou enfermos, caminhou sobre a água
e alimentou quinhentos homens com uma cesta de biscoitos; seus seguidores
faziam votos de pobreza e renunciavam ao mundo; foi chamado de Senhor, Mestre,
a Luz do Mundo, Deus dos Deuses, Altíssimo… KRISHNA foi filho de um
carpinteiro, seu nascimento foi anunciado por uma estrela no oriente e esperado
por pastores que lhe presentearam com especiarias…”
Contudo, muitos, ainda hoje,
argumentam ser a Bíblia a maior prova da existência de Cristo. Estes argumentam
que Cristo cumpriu mais de trezentas profecias sobre sua vida; muitas delas com
centenas de anos anteriores a sua vinda à Terra. Calcula-se, por exemplo, que a
chance de apenas oito destas profecias fosse cumpridas casualmente seria de uma
em 1028 (isto é, uma em 10000000000000000000000000000). O que não se
argumenta, no entanto, é que, uma boa explicação para isso seria que, a
“história” de Cristo seria apenas uma criação também a partir de antigos textos
bíblicos e mesmo de profecias, como falsas concretizações destas. Como, por
exemplo, o detalhe da traição de Cristo por Judas, pelo valor de trinta moedas
de prata, recebidas das mãos do sumo sacerdote; e seu posterior arrependimento,
devolvendo-as aos pés do mesmo. Isto pode ser visto em um escrito bíblico
anterior ao suposto nascimento de Cristo, o Livro de Zacarias, em que Zacarias
fala do rompimento da fraternidade entre Judas e Israel: “Então o Senhor me
disse: atire isso ao oleiro, esse magnífico preço em que fui avaliado por eles.
Tomei as trinta moedas de prata, e as atirei ao oleiro na casa do Senhor.”
(Zacarias, 11:13,14).
Algumas dessas adaptações da suposta
vida de Cristo às passagens de escritos bíblicos mais antigos, são tão forçadas
que chegam a contradizer as próprias crenças do personagem Jesus Cristo; como a
ocasião em que Cristo crucificado tem suas vestes disputadas por soldados
romanos, por meio de apostas com jogos de dados. Esta passagem foi copiada de
uma passagem do Salmo 22 (versículo 18), em que se lê: “Repartem entre si as
minhas vestes, sobre a minha túnica deitam sortes.” A contradição está no fato
que, se há disputa com relação às roupas de Cristo, significa que estas tinham certo
valor econômico. O que não condiz com a pobreza voluntária de Cristo.
Outra adaptação forçada é sobre a
ascendência de Jesus, que segundo uma profecia do Livro bíblico de Isaías, o
Messias nasceria da descendência do rei Davi. Então, faz-se pai de Jesus, José,
que é um descendente longínquo do rei Davi. Até aí, tudo bem. Porém, Cristo tem
que nascer de uma mulher virgem, também, para que seja isento de pecado.
Conclusão: a confusão tá formada. A solução é fazer de Cristo um filho adotivo
de José. Mas a profecia requeria que houvesse uma descendência carnal...
Há também a contradição com relação
ao nascimento de Cristo:
Como a profecia do Livro de Miquéias
(Miquéias 5, 2), afirmava que o Messias nasceria em Belém, então os escritores
do Novo Testamente tiveram que também adaptar a “história” do personagem Jesus a
essa profecia:
Mateus faz logo Jesus nascer em
Belém. Já Lucas faz os supostos pais de Jesus, José e Maria, irem para Belém,
devido a um censo que obrigaria José ir à cidade de seus antepassados, Belém.
Onde Cristo nasce. Surpreendentemente, João, não liga para essa profecia, e faz
Jesus nascer em outra cidade. Seu Evangelho demonstra claramente que seus
seguidores ficaram surpresos com isso, como podemos ver na passagem de seu
Evangelho: "Outros diziam: Ele é o Cristo; outros, porém, perguntavam:
Porventura, o Cristo virá da Galiléia? Não diz a Escritura que o Cristo vem da
descendência de Davi e da aldeia de Belém, donde era Davi?" Cada autor,
portanto, lida de modo diferente com tal adaptação da estória.
Assim, aprendemos que a adaptação de
um personagem, como Jesus, a todas essas condições proféticas, tão diferentes,
acarreta certo grau de incoerência à sua estória.
Em suma, a estória bíblica de Jesus é
tão verdadeira quanto a imagem atribuída hoje à ele. Uma imagem de um homem
branco, de cabelos castanho-claros e olhos azuis; embora seja extremamente
improvável, naquela época, a um homem de origem semita; refletindo muito mais
as características físicas dos pintores europeus que a criaram.
Mas penso que, por outro lado, ainda
podemos encontrar alguns detalhes verdadeiros do verdadeiro Cristo na bíblia:
um personagem tão esquecido, mas que ainda podemos ter uma leve visão de sua doutrina,
vista por alguém que verdadeiramente compartilhou sua companhia e ideia, e que
embora fosse contrária as ideias de um cristianismo institucionalizado, passou
despercebido por estes: Santo Estevão, disse: Deus não habita em casas feitas
por mãos humanas. Porém, como comprova a experiência: a história oficial é
sempre contada pelos vencedores. E o que esperar de uma instituição que sempre
dominou os meios de informação, filtrando apenas o que lhe era compatível?
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