O JESUS POLÊMICO OCULTO NA BÍBLIA: “NÃO VIM
TRAZER A PAZ, MAS A ESPADA”
Nenhum personagem influenciou tanto a humanidade quanto Jesus Cristo. Sua doutrina
fundamentou poderes de reis, criou cidades, justificou guerras, promoveu
bondade e amor ao próximo. E, embora Jesus Cristo seja a mais popular
personagem do mundo, existe um Jesus pouco conhecido, que transparece em
algumas passagens bíblicas, bem diferente do Jesus que conhecemos, que em vez
de paz e amor, se mostra violento, amaldiçoa, mostra-se um filho insensível, se
irrita; um Jesus Cristo bem mais humano do que o ser divino e perfeito que nos
ensinaram a crer e, por isso mesmo, mais próximo da realidade. Veremos, a
seguir, algumas dessas passagens, e explicações sobre elas.
Há
na bíblia uma passagem em que Jesus Cristo exorciza um homem possuído, tirando
os demônios deste e transferindo-os para porcos, e estes, em seguida, caem de
um precipício e morrem:
“E Jesus logo lho permitiu. E, saindo aqueles espíritos imundos, entraram nos porcos; e a manada se precipitou por um despenhadeiro no mar (eram quase dois mil), e afogaram-se no mar” — Marcos 5:13.
Certamente
essa passagem bíblica, em tempos antigos, não despertou nenhum sentimento de
estranheza, pois era uma época em que o ser humano não possuía nenhuma
consciência ecológica ou compaixão pelos animais. Porém, hoje, quando o ser
humano toma cada vez mais consciência do grande valor da natureza e dos
animais, com cada vez mais pessoas se indignando com maus tratos a animais, e
até pondo suas vidas em perigos para salvá-los, não deixa de soar estranho que
Jesus não tenha tido qualquer consideração com os porcos, demonstrando nenhum
amor por aquelas formas de vida. Como escreveu o filósofo Bertrand Russell:
“Deveis lembrar-vos de que Ele era onipotente e teria podido simplesmente fazer com que os demônios fossem embora. Mas Ele prefere fazer com que entrem nos porcos”.
O
tratamento de Jesus em relação aos porcos pode, em parte, ser explicado.
Devemos lembrar que porcos não era visto como um bom alimento pelos judeus;
eram vistos como animais de carne impura, e proibidos de serem comidos; eram
também usados como alimentos por povos que os judeus julgavam inferiores por
possuírem outros deuses. Assim, não tendo os porcos nenhum valor para os
judeus, as centenas de porcos mortos por Jesus não incomodou nenhum judeu da
época, que deviam julgar o valor das coisas apenas pela utilidade que poderiam
ter para eles.
Nesse
requisito, Jesus estaria abaixo da bondade de um Buda, ou de deuses hindus,
mais antigos que ele, para os quais toda forma de vida seria sagrada. Séculos
depois, São Francisco de Assis, ensinaria os homens a amar também os animais
como criaturas de Deus.
Estamos
acostumados com a imagem de um Jesus Cristo pacifista, que ensina a suportar as
injustiças da vida com calma e serenidade, nunca recorrendo à força, mesmo
quando alguém lhe é violento — foi ele quem disse: “Se alguém te ferir em tua
face direita, dê também a outra face”. Por isso, é estranho o que nos é contado
em João 2, 14-16:
“No templo, Jesus encontrou os vendedores de bois, ovelhas e pombas, e os cambistas sentados. Então fez um chicote de cordas e expulsou-os a todos do Templo juntamente com as ovelhas e os bois; espalhou as moedas derrubou as mesas dos cambistas. E disse aos que vendiam pombas: ‘Tirai tudo isto daqui! Não transformeis a casa de meu Pai num mercado’”.
Em
vez de tentar convencer os trabalhadores a respeitar o lugar com diálogo e
gentileza, como era de se esperar, Jesus se irrita, perde as estribeiras, roda
a baiana, e expulsa todos dali na base da chicotada.
Porém,
longe de causar surpresa por Jesus demonstrar uma explosão de irritação e ato
de violência que não condizia com seus ensinamentos de serenidade e de não
violência, para devotos cristãos “nem sempre a irritação é uma coisa
censurável, pelo contrário: se o motivo for justo, este sentimento é expressão
de virtude”.
Contudo,
tal ato teria péssimas consequências para a humanidade ao longo dos anos, pois,
para a maioria, Cristo estava demonstrando que se pode, sim, usar a força, o
castigo, para defender o que é sagrado.
Poderosos,
incluindo autoridades da igreja, veriam nisso justificativas para o uso da
força como meio de lutar e proteger seus ideais religiosos.
A
vida de Jesus Cristo é tomada como modelo de vida virtuosa. Mas será que Cristo
foi um bom exemplo de filho?
Como
veremos, neste requisito, Jesus demonstrou uma parte de sua personalidade que
também tem gerado polêmica.
Ao
lermos os textos bíblicos onde aparecem os poucos encontros entre Maria e seu
filho, uma coisa chama bastante atenção: Jesus nunca a chama de mãe, nem mesmo
pelo nome, apenas pelo termo “mulher”, como chamaria qualquer outra mulher, não
sendo em nenhum momento agradável com sua mãe, como em:
“Tendo acabado o vinho, a mãe de Jesus disse-lhe: Eles não têm mais vinho”. Respondeu-lhe Jesus: Que tenho eu contigo, mulher? ainda não é chegada minha hora”. João 3,3:4.
Isso
acontece mesmo quando Jesus é apenas um garoto de 12 anos, como é demonstrado
na passagem de Lucas 2:49, em que Jesus, se perde dos pais, e após três dias de
preocupação, Maria o encontra em um templo discutindo com sábios judeus. Maria,
ao encontrar o filho, como faria qualquer outra mãe, diz:
“Meu filho, por que agiste assim conosco? Teu pai e eu, aflitos, te procurávamos.”Jesus, em vez de lamentar o ocorrido, como faria um bom filho, pedindo desculpas e dizendo que não irá cometer o mesmo erro, repreende a mãe, dizendo:
“Por que me procuráveis? Não sabieis que eu devia estar na casa de meu Pai?”
OK.
Não deveríamos esperar de Jesus menino o comportamento de uma criança comum,
afinal, ele é Deus em forma de homem, ou melhor, nesse caso, de menino, que tem
gerado controvérsias de como seria o comportamento de Jesus quando criança. Mas
mesmo Jesus não sendo uma criança comum, isso não justifica seu tratamento
grosseiro com a mãe.
Especialistas
acreditam que a frieza de Jesus com a mãe se deve a forma como os relatos sobre
sua vida foram escritos. Para estes especialistas, o tratamento rude de Jesus
foi um meio que autores dos evangelhos encontraram para que Jesus aparentasse
não dar importância aos seus familiares, fazendo com que Jesus não
reconhecessem sua importância como líderes religiosos, e assim evitassem que parentes
de Jesus obtivessem maior autoridade sobre a nova religião — o evangelho de
Marcos afirma que Jesus tinha quatro irmãos: Tiago, José, Judas, Simão, e
algumas irmãs — Marcos 6:3.
Se
isto for verdade, fica a pergunta: Até que ponto os relatos bíblicos sobre a
vida de Jesus podem ser considerados confiáveis?
Em
várias passagens bíblicas, vemos Jesus ameaçar mandar para o inferno aqueles
que não se tornarem seus seguidores, como em: “Serpentes, raça de víboras! Como
escapareis da condenação ao inferno?” — Mateus 23:33. Ou em: “O Filho do homem
enviará os seus anjos, e tirarão do seu reino todos os escândalos e os que
praticam a iniquidade. E lançá-los-ão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger
de dentes” — Mateus 13:24-58.
Isso
não condiz com a ideia tão propagada de que “Jesus te ama”, principalmente
quando ele faz questão de afirmar que o sofrimento no inferno é eterno.
Devemos
lembrar que Jesus é a encarnação de Deus, e Deus é o Criador de tudo o que
existe; então se existe o inferno é porque Deus o permite.
A
crença de Jesus no inferno acaba nos revelando um lado vingativo, intolerante
de Jesus Cristo que contradiz, mais uma vez, com sua imagem de paz, amor e não
violência de que estamos acostumados. E também contradiz com a ideia que nos é
ensinado de que o arrependimento nos traz a salvação da alma.
Eis
uma das mensagens de Jesus mais controversas da bíblia:
“Não penseis que vim trazer paz à terra; não vim trazer paz, mas espada. Pois vim causar divisão entre o filho e seu pai, entre a filha e sua mãe e entre a nora e sua sogra, assim os inimigos do homem serão os da sua própria casa. Quem ama seu pai ou sua mãe mais do que a mim, não é digno de mim; quem ama seu filho ou sua filha mais do que a mim, não é digno de mim.” Mateus 10:34-39.
Nela,
surpreendentemente, vemos Jesus afirmar que além de não ter vindo à terra para
trazer paz, mas sim conflito nas famílias, opondo entre si filho e pai, filha e
mãe, nora e sogra, vemos também que Cristo exige que todos o ame
incondicionalmente, mais que tudo na vida, mas que os pais e filhos.
Esta
frase de Cristo já foi interpretada de várias formas, uma delas, defendidas por
cristãos que não aceitam que Jesus possa defender a violência, concebem ela
como um aviso de que as ideias de Cristo iriam gerar conflitos de ideias e de
comportamento entre pessoas com crenças religiosas diferente, mesmo nas
relações familiares; assim, embora Jesus não queira discórdia “as provoca
necessariamente em virtude das escolhas que exige”.
Contudo,
esta polêmica passagem é lembrada principalmente como evidência de que Jesus,
ao falar de espada, se referia a possibilidade do uso da força para impor sua
doutrina ao mundo. O que mais uma vez, deu base para que muitos a interpretasse
como possibilidade do uso de violência na defesa e propagação da religião
cristã a outros povos.
Esta
frase de Jesus teria enorme influência durante a idade média, na criação das
cruzadas que por meio da “espada”, cavaleiros cristãos destruíram cidades e
mataram devotos muçulmanos, durante a retomada da cidade de Jerusalém.
a biblia nao é literal. Seu texto esta sem embasamento simbolico. Sugiro estudar simbolismo para conseguir interpretar as palavras usadas no texto. A espada simboliza o corte energetico com pessoas e coisas externas para se conectar com um Self, um eu maior
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