sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

O COLECIONADOR (Resenha de Livros)

 O COLECIONADOR (Resenha de Livros)

Frederick Clegg é um jovem solitário, anti social, órfão, que vive apenas com a tia e sua prima deficiente; vive uma vida monótona, sofrendo bullying no trabalho, e tem um único prazer na vida: colecionar belas borboletas. Porém, um dia, ao olhar por sua janela do trabalho, vê a coisa mais bela que até então havia visto em sua vida, a jovem Miranda Grey.


O Stalker

Frederick é um stalker (perseguidor) clássico, não no sentido moderno que a internet passou a conferir ao termo, passando a perseguir Miranda pela cidade, por seus lugares preferidos e habituais --- bares, metrô, faculdade, biblioteca, etc. ---, e a descobrir tudo a seu respeito, desde sua comida preferida, a cores, músicas e tudo o mais de seu gosto. Sobre seus encontros anônimos com ela, Frederick descreve como se perseguisse uma rara borboleta: “Vê-la sempre me fez sentir como se capturasse um espécime raro, me aproximando bem silenciosamente, com o coração na mão, como dizem”. Ele sonha em possuí-la, embora saiba que uma mulher como Miranda jamais sequer o olharia.




Contudo, algo inusitado acontece que torna seu sonho possível. Ele ganha uma bolada na loteria. Então sai do emprego, compra viagens para a Austrália para sua tia e prima visitarem parentes e passa a se dedicar apenas a concretizar seu sonho. Para isso  compra um antigo chalé, longe da cidade, com um bom porão, ideal para tornar Miranda sua “convidada”, como costuma chamar, na esperança de que a convivência forçada com a moça a faça se apaixonar por ele.




O romance de John Fowles, lançado em 1963, surpreende o leitor ao trazer um sequestrador muito diferente de tudo que já se viu. Frederick é extremamente educado, atencioso, que não deseja nenhum contato íntimo ou sexual com sua vítima, dando a ela tudo que o dinheiro é capaz de dar, desejando apenas uma oportunidade para que Miranda o conheça melhor, e saiba o cara legal que ele é --- aqui, o autor mostra todo o seu poder de análise psicológica ao mostrar como pensa um psicopata, que põe toda a culpa de seus atos na vítima, distorcendo a realidade e os sentimentos humanos. Frederick não consegue compreender que Miranda não é um objeto, e que é tão diferente de suas borboletas, e que isso não lhe dá o direito de possuí-la como uma de suas belas borboletas mortas. Mas o que esperar de um psicopata colecionador de borboletas?


Versão Cinematográfica de O Colecionador

A premissa de O Colecionador é maravilhosa e surpreendente, ao narrar a obsessão de um psicopata colecionador de borboletas que compara a rara beleza de uma mulher com uma bela borboleta; e o autor soube muito bem extrair consequências surpreendentes de sua história.


Mas o livro não é só isso. O Colecionador discute o valor da arte (Miranda é uma estudante de arte que tenta sensibilizar seu sequestrador indicando para ele livros, músicas e quadros preferidos); discute também o valor da beleza, e principalmente as boas oportunidades que uma pessoa nascida bonita e de classe alta, como Miranda, obtém, ao contrário dos dotes insípidos e a vida humilhante e sem oportunidades de Frederick.


A Narrativa

O livro se divide, basicamente, entre a visão de Frederick sobre a convivência com sua “convidada”, e a visão de Miranda sobre o convívio com seu sequestrador, por meio dos relatos de seu diário. 


A repetição da mesma história pelos dois ângulos diferentes, pode cansar o leitor, assim como as reflexões de Miranda sobre arte e as memórias de seu relacionamento com certo pintor, quebra bastante o ritmo da história, mas recuperando o suspense de forma magistral em suas últimas páginas.


Curiosidade


No início da década de 1980, os serial killers Leonard Lake e Charles Ng, por meio de um anúncio sobre jogos de guerra em uma revista, se encontraram e viram que possuíam muitas coisas em comum. Os dois construíram um bunker em uma fazenda, e passaram a sequestrar mulheres e mantê-las presas no bunker. O livro de cabeceira de Leonard Lake era O Colecionador. Porém, bem diferente de Frederick Clegg, os dois estupravam e torturavam suas vítimas, que eram atraídas com promessas de emprego; as torturas eram gravadas por eles em vídeo. Suas vítimas eram mortas e enterradas na fazenda de Leonard Lake.


Em 1985, Charles Ng foi pego após a assaltar um supermercado, junto com Leonard Lake, que foi preso pelo porte ilegal de arma e identidade falsa. No banheiro da delegacia Leonard se matou tomando uma cápsula de cianeto que sempre levava consigo. Após uma série de fuga, Charles Ng foi preso pelos assassinatos da dupla. Hoje ele ainda cumpre sua prisão perpétua.




Na fazenda de Leonard, foram encontrados 12 corpos e 45 quilos de fragmentos de ossos, levando a polícia a afirmar que fizeram mais vítimas. 


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

OBJETOS NÃO IDENTIFICADOS ABATIDOS, ERAM BALÕES COMERCIAIS



OBJETOS NÃO IDENTIFICADOS ABATIDOS, ERAM BALÕES COMERCIAIS

Então os “objetos não identificados” derrubados pelos Estados Unidos, em seu território e na fronteira com o Canadá, nada mais eram do que balões comerciais, ou seja, balões de propagandas, como este.

 



O governo dos Estados Unidos declarou que após a derrubada do balão chinês ocorrido no céu do Alaska, no dia 4 de fevereiro, os radares foram calibrados para detectar objetos de menor porte, o que ocasionou a detecção de tais objetos. 


Lembrando que no princípio, os objetos foram descritos como tendo o formato cilíndrico e octogonal, coisa bem diferente da forma tão comum dos balões conhecidos.


Regiões dos Aparecimentos dos Objetos com suas Respectivas Datas de Derrubada



É surpreendente que o país com os melhores aviões com a melhor tecnologia de defesa e identificação de aeronaves não consiga diferenciar um simples balão de propaganda? O que nos leva a pensar: Terá mesmo as temidas forças armadas americanas uma grande eficiência militar? Pois um simples balão comercial foi capaz de causar um perigoso problema diplomático. 


O erro foi tão grosseiro que nos enche de perguntas: Foi realmente a explicação correta? Teriam, de fato, derrubado tais objetos? Ou tudo foi apenas uma cortina de fumaça para desviar a opinião pública de problemas mais urgentes? 


domingo, 12 de fevereiro de 2023

UFO’s: ESTADOS UNIDOS DERRUBAM 3 OBJETOS NÃO-IDENTIFICADOS EM SEU TERRITÓRIO



UFO’s: ESTADOS UNIDOS DERRUBAM 3 OBJETOS NÃO-IDENTIFICADOS EM SEU TERRITÓRIO


Uma série de avistamento de objetos não-identificados, e aparentemente diferente de tudo que se tem conhecimento, tem chamado atenção do mundo ultimamente, com casos em que autoridades norte americanas afirmaram terem derrubados três destes objetos: o primeiro foi derrubado quando sobrevoava o céu do Alaska, o segundo, quando sobrevoava a fronteira entre o Canadá e os Estados, e o terceiro, derrubado neste domingo,12 de fevereiro, quando sobrevoava o estado de Michigan, nos Estados Unidos.


Acima, Destroços do Balão Chinês




Os fatos recentes aconteceram após os Estados Unidos terem derrubado um balão chinês, no dia 4 de fevereiro,  que sobrevoava território norte americano. Especialistas se perguntam se os três objetos não-identificados possuem relação com o balão chinês derrubado. Porém, o que chama atenção nos três eventos recentes, é que autoridades foram claras em afirmar que os objetos, ao contrário do primeiro evento, não eram balões, nem possuíam formas de propulsão conhecidas, o que é descartado também a possibilidade de drone.


Nas últimas horas, China e Uruguai afirmaram que objetos semelhantes também sobrevoaram seus territórios.


O mistério continua.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

SEITAS SATÂNICAS: UMA CRIAÇÃO DA LITERATURA E FILMES DE TERROR

SEITAS SATÂNICAS: UMA CRIAÇÃO DA LITERATURA E FILMES DE TERROR

Quando um cadáver é encontrado mutilado --- faltando olhos, coração, mãos, órgãos sexuais, ou outra parte com forte simbolismo religioso ---, logo surgem opiniões que trata o ocorrido como fruto de um ritual satânico, promovido por alguma seita satânica --- os casos divulgados pela imprensa são fartos, e geralmente, ao longo da investigação, descobre-se não haver nada de satânico neles.


Caso Evandro, de Guaratuba, Onde Pessoas Foram Erroneamente
Presas por Supostamente Ter Matado Criança em "Ritual Satânico".


Em geral, a hipótese diabólica é bastante explorada pela imprensa, que lucra muito com tal assunto, já que histórias relacionadas ao satanismo tendem a chamar muita atenção do público.


Leia Também: Delegado, Por Preconceito Religioso, Acusa de Assassinato Membro de Seita "Satânica".


O Primeiro Pacto Satânico 



O interesse do público por histórias satânicas não é de hoje. Na Alemanha, no séc. XVI, se criou toda uma literatura voltada para histórias de pessoas que, supostamente, estavam sob a influência do Diabo. Essas histórias tinham por base a religião protestante, e serviam para expor comportamentos condenáveis pela igreja. Assim, para mostrar que o comportamento de cobiçar a mulher do vizinho, era condenável, criava-se uma história envolvendo o pacto entre o Diabo e o homem que desejaria adquirir o poder de seduzir mulheres, em troca, ele entregaria sua alma ao Cramulhão. Porém, como era de se esperar, sempre tais histórias terminavam ruim para o personagem que se desviou dos “bons” mandamentos da igreja, e se entregou a desejos diabólicos. Assim a igreja conseguia propagar suas regras por meio de um modo bastante eficiente: o medo do Diabo.



E foi nesse período que surgiu a primeira história de um pacto com o Diabo. 


Com o tempo, as histórias de pessoas que estavam sob a influência do Diabo, foram adaptadas em um só personagem, certo Doutor Fausto, um homem sábio que teria vivido entre 1480 a 1540, na Alemanha, e que teria vendido a alma ao Diabo por meio de um pacto diabólico para obter mais conhecimento, além do que era permitido a um homem de sua época conhecer.

 


A existência de certo Doutor Fausto não possui nenhuma evidência precisa, e está tão misturada a lendas e possui tantas versões diferentes, que muitos pesquisadores afirmam que ele sequer existiu, que foi apenas um personagem inventado. Porém, é provável que algum Doutor Fausto, que se dedicava a medicina, alquimia e astrologia, tenha existido, pois era comum que, na antiguidade, pessoas com talento excepcional, fosse visto como tendo obtido seu talento por meio do Diabo.


É muito provável também que o suposto pacto com o Diabo, feito pelo Doutor Fausto, nunca tenha ocorrido, que tenha sido mera criação lendária ou tenha sido criada por algum escritor anônimo. Seja como for, tal lenda foi bastante divulgada pela literatura, com centenas de escritores escrevendo, ao longo dos séculos, sua própria versão da história, tornando-a tão popular que, certamente, houve aqueles que acabaram por acreditar tanto nela que passaram a afirmar já terem feito alguma forma de pacto com o próprio. 


O começo da grande popularidade da lenda tem um início bem conhecido, data de 1587, quando o livreiro alemão Johann Spies reuniu várias histórias sobre o Doutor Fausto em um único livro, chamado História do Doutor Johann Fausto. Livro que ajudou muito a propagar a lenda do Doutor Fausto para além da Alemanha, gerando inúmeras versões.


É evidente que a lenda do Doutor Fausto foi criada, ou pelo menos melhor elaborada por escritores que tinham a intenção de fortalecer o poder da igreja sobre a ciência, pregando por meio de sua lenda, que o homem deve buscar conhecer apenas o que é permitido a ele conhecer por meio de Deus e da religião.


As Mais Famosas Obras Envolvendo a História do Doutor Fausto: 

A Trágica História do Doutor Fausto, de 1589 - 1592, peça de teatro do escritor inglês Christopher Marlowe;

Fausto, uma Tragédia, de 1808, do alemão Goethe;

Doutor Fausto, de 1947, do alemão Thomas Mann.     


A lenda se popularizou tanto, que todos já devem ter ouvido algum boato afirmando que determinado artista fez um pacto com o tinhoso --- casos famosos sobre o violinista Niccolò Paganini e do músico de blues Robert Johnson.

 

Seitas Satânicas, uma Criação Também da Literatura de Terror?

Se o primeiro pacto com o Diabo foi uma criação da literatura, também foi ela que criou a ideia moderna de seita satânica, sendo divulgado massivamente pelo cinema por meio dos romances de terror adaptados ao formato de filme. Pois se antes, durante a idade média, já se falava dos Sabás, as reuniões de bruxas em meio a floresta para cultuar o Demônio, na verdade, tais reuniões não possuíam nada de satânico, uma vez que se tratava de pessoas que se reuniam escondidas para cultuar deuses pagãos, que não são demônios, mas que foram demonizados pela igreja e erroneamente identificados como demônios. 


E mesmo aquele que foi considerado o mais famoso satanista do passado, Aleister Crowley, não era um satanista convicto, mas, sim, alguém que estudava e praticava as mais diversas práticas religiosas, do Tantra indiano, passando pela Teosofia, aos cultos da religião egípcia e etc.




E mesmo o famoso Baphomet, a criatura com cabeça de bode, seios e pernas de bode, encontrado hoje em todo altar de indivíduos considerados “satanista” pela imprensa, foi uma criação do ocultista francês Elyphas Levi (1810 - 1875) para um de seus livros de magia, e nunca tendo sido considerado a imagem de Satã por seu criador.


Em Meio a Entidades Religiosas Brasileira,
Vê-se a Imagem do Baphomet


E o que dizer da Igreja Satânica criada, em abril de 1967, por Anton LaVey?




Seu conceito de Satã, como uma força presente na natureza, junto com sua benéfica ética satanista, está muito longe da concepção cristã de Satanás, como uma entidade em que o próprio mal se materializa e que exige sacrifícios humanos em sua honra.


Por isso pode-se dizer que nunca houve uma seita, pelo menos conhecida, que tenha cultuado, claramente, o Demônio na pura concepção cristã, sendo o culto à Satã uma criação recente, que nasceu, primeiro, por meio de livros e filmes de terror, com personagens fictícios adoradores do Demônio. 




No romance O Bebê de Rosemary, do escritor Ira Levin, publicado em 1967, e que ganhou versão para o cinema, em 1968, um jovem casal ao se mudar para um famoso e antigo prédio, em Nova York, se envolve com um simpático e aparentemente inofensivo casal de velhinhos, que são membros de uma seita satânica, que envolve o casal pretendendo fazer com que a jovem recém casada gere o filho do Demônio. O sucesso do livro deu origem a uma demanda por livros com a mesma temática, o que levou seu autor a dizer: "Me sinto culpado que O Bebê de Rosemary tenha levado ao O Exorcista e A Profecia. Toda uma geração foi exposta e crê no Diabo. Eu não acredito no Diabo. E sinto que o forte fundamentalismo que temos não seria tão forte se não tivesse tanto desses livros (...). Claro, não devolvi nenhum cheque de royalties."




O livro foi seguido por outros dois romances de terror que têm na influência do Diabo seu foco, juntos formam a mais famosa tríade de histórias de terror, são: O Exorcista, de William Peter Blatty, publicado em 1971, e A Profecia, de David Seltzer, publicado em 1976, que traz também o tema do nascimento do filho de Satã, estes dois livros também tiveram suas versões para o cinema.




A Profecia, tanto o livro quanto o filme, fizeram tanto sucesso no ano de 1976, e causaram tanto pânico no público, que milhares de Bíblias foram vendidas nos Estados Unidos naquele ano, fazendo com que o público voltasse a se interessar pelo livro sagrado, principalmente pelo livro do Apocalipse --- olha aí o medo do Diabo fazendo com que, assim como nos textos antigos sobre o Doutor Fausto, o público retomasse suas crenças religiosas. 


Estes livros são verdadeiramente herdeiros diretos das histórias sobre o Doutor Fausto e de seu pacto diabólico, que se repete em suas histórias, seja na conivência diabólica do marido de Rosemary, em O Bebê de Rosemary, seja na possessão da protagonista de O Exorcista, e também nos personagens que amparam e ajudam a criança, que é a nova encarnação do Diabo na história de A Profecia. 


Os três livros, principalmente O Bebê de Rosemary e A Profecia, criaram a ideia moderna de seita satânica, como as que eram concebidas pela igreja no passado, dedicadas exclusivamente a cultuar o Demônio, porém adaptadas aos tempos de hoje. E foi após a popularidade dos três livros que começaram a surgir grupos autênticos de adoradores do Diabo no mundo real, tomando as seitas destes livros e seus rituais como modelo.

 

Richard Ramirez Assassino Satanista


Adoradores que, na maioria das vezes, são jovens influenciados por bandas de Rock, do estilo Death Metal e Black Metal, bandas que, por sua vez, foram influenciados pelos mesmos três livros de terror citados; muitos influenciados por forte sadismo. 


Em alguns casos, devotos que chegaram realmente a cometerem assassinatos, como oferendas ao Diabo.


terça-feira, 27 de dezembro de 2022

A IMORTALIDADE DA ALMA E OS PENDRIVES



Muito se comenta sobre a possibilidade de uma vida após a morte, isto é, sobre a continuidade da essência humana após a morte do corpo físico. Contudo, a grande maioria das afirmações a esse respeito se baseia apenas em crenças religiosas que, para muitos, não apresenta nenhuma validade. Então resolvi demonstrar tal possibilidade, recorrendo a leis físicas que possibilitaram a criação de tecnologias como as do pendrive.


A IMORTALIDADE DA ALMA E OS PENDRIVES



Até a década de 50, a coisa mais complexa que o ser humano havia inventado tinha sido o sistema de telefonia, com suas milhares de conexões, fios, unindo milhões e milhões de pessoas em grande parte do mundo. Devido a sua complexidade, era comum cientistas usarem o modelo de telefonia para exemplificar o funcionamento do cérebro humano. Porém, hoje, a grande rede de computadores mundial, com seus bilhões e bilhões de bancos de dados, não apenas superou em milhares de vezes a complexidade do sistema de telefonia, como parece ter abarcado todo o conhecimento humano produzido até hoje. Esta nova complexidade originada com a criação dos computadores, se tornou o melhor modelo de explicação de como funciona a memória e a mente humana.


Mas como é Possível que os Modernos Computadores Possam Servir de Modelo de Explicação para o Funcionamento do Cérebro Humano? 

Uma das Salas com Computadores que
Armazenam Milhões de Informação de um Servidor de Internet

Assim como a criação da máquina fotográfica, com suas lentes, câmara escura, etc. ajudaram a entendermos melhor o funcionamento do olho humano --- podendo até mesmo ser reproduzido por meio de suas lentes as causas da miopia, do estrabismo, astigmatismo --- devido ao fato de que, as mesmas leis ópticas que fazem com que o olho humano funcione, são as mesmas que fazem a máquina de fotografia funcionar também. O mesmo pode-se dizer do computador, que funciona por meio de uma lógica semelhante a usada por nós e alimentada por pulsos elétricos, assim como o cérebro, também semelhante na forma de armazenar memória.


As Leis de Transferência de Dados já Existiam Antes dos Computadores e Pendrives, e etc.



Hoje, podemos copiar um documento através de um scanner de computador ou tirar uma foto dele por meio da câmera fotográfica de um aparelho celular, e passar para um aparelho de armazenamento de dados, como um pendrive. Estas informações, ao ser transferidas, passam de uma forma material (papel) para uma forma imaterial (digital), através de pulsos elétricos, conservando sua imagem e informações contidas nele, podendo ser reconstituídas quando decodificadas por uma máquina para que assuma novamente sua imagem (forma) original, por meio de uma impressora ou tela de computador. 


A mudança da forma material do documento para a forma imaterial (digital), feito pela moderna tecnologia, só foi possível graças às leis da natureza. E assim como as leis ópticas já existiam antes da câmera de fotografia ser inventada, ou que o olho humano fosse criado, as leis de transferência de informação já existiam quando ainda não haviam computadores, pendrives ou outro dispositivo moderno de armazenamento de dados.

 

DNA Armazena Informação dos Gens dos Pais para Criar seus Filhos

Mas não vá pensando que só por não existir instrumentos de armazenamento de dados, elas ainda não agiam, pois eram usadas das mais diferentes formas pelo cérebro humano, que captava as informações vistas pelos olhos, e as transformavam em pulsos elétricos cerebrais, transformando-as em memória, e armazenando-as em partes específicas do cérebro. E muito antes de existir o cérebro humano, e mesmo o cérebro dos animais, elas já agiam no mecanismo de DNA, que nada mais é do que um suporte de armazenamento de informações biológicas, sobre um ser e sua ascendência.


A Possibilidade da Imortalidade da Alma Exemplificada pela Tecnologia de Transferência de Informação



As modernas tecnologias de transferência de informação --- wifi, bluetooth, etc. --- são exemplos práticos da existência da passagem de algo do estado material para um estado não-material, mantendo sua essência e identidade por tempo indeterminado, em um estado imaterial independente da matéria, tendo por base leis físicas de transferência de informação que sempre estiveram ativas desde a criação do mundo.


Essas leis poderiam, sim --- já que agem independente do ser humano --- possibilitar que a essência e identidade de um ser material, como a de um ser humano --- tal qual a de um documento, música, estrutura de objetos por impressoras 3D, etc. --- pudesse se tornar independente de sua estrutura material e ser transferida para outro ambiente e permanecer, por tempo indeterminado, independente de uma base material (corpo), e existir mesmo após a destruição do corpo. (Possibilitaria também a existência da reencarnação).

  

Hoje, o Passado e o Futuro

Até pouco tempo, não possuíamos nenhum conhecimento sobre a possibilidade de transferência de informação, do material por meio do imaterial, pois ainda não tínhamos criado a informática e seus mecanismos, nem sabíamos sequer que elas existiam; e nem conhecíamos ainda sobre o funcionamento do mais complexo dispositivo de transmissão de informação biológico conhecido, o DNA. 


É possível que no futuro possamos conhecer mais sobre as leis naturais e mecanismos de transferência de dados, e se torne cada vez mais provável a ideia de que a essência e identidade de um ser humano possa sobreviver à morte de seu corpo físico.


Hoje, usando informações e exemplos vindos das novas descobertas tecnológicas, dizer que é possível que a essência humana sobreviva à morte do corpo, não mais  pode ser visto como um total absurdo, mesmo pelo mais cético.


terça-feira, 13 de dezembro de 2022

O GÓTICO TROPICAL DE GÓTICO MEXICANO



O GÓTICO TROPICAL DE GÓTICO MEXICANO

Nascida em 1764, com o Castelo de Otranto, de Horace Walpole, a Literatura Gótica sempre se nutriu da atmosfera sombria das paisagens inglesas --- tendo em sua primeira fase os sombrios castelos medievais como ambientação, e em finais do século XIX, as sombrias mansões vitorianas e as lúgubres e enevoadas ruas de Londres como cenários, que tornaram-se parte essencial desta literatura.


Mesmo com a propagação da Literatura Gótica para outros países europeus, ou até mesmo para os Estados Unidos, a mudança de ambientação não foi tão grande, já que mantinha-se o mesmo clima frio, com cultura e arquiteturas semelhantes. O que gera a inevitável pergunta: Seria possível fazer Literatura Gótica ambientada em um país não-europeu e com clima tropical?


Silvia Moreno-Garcia

À essa pergunta a escritora mexicana Silvia Moreno-Garcia respondeu com seu romance Gótico Mexicano, de 2020, ambientado na Cidade do México. 


Gótico Mexicano (Sinopse)

Noemi Tabuada é uma jovem mexicana de uma rica família que divide a vida entre festas, namoros, e seu desejo de cursar o mestrado de antropologia --- algo que, em plena década de 1950, não é nada comum para uma mulher. Seu pai recebe uma carta confusa de sua prima Catalina, que afirma coisas estranhas sobre a família do marido, além de dizer que está sendo envenenada e diz ver fantasmas atravessarem as paredes da casa. O pai sugere que Noemi viaje em busca da prima e verifique seu estado de saúde.




Noemi ao chegar, se depara com uma mansão vitoriana decadente com grandes manchas de mofo, no alto de uma colina, próxima a um antigo cemitério tomado por cogumelos. Verifica também o estranho comportamento dos parentes do marido da prima, uma família inglesa, com regras rígidas de silêncio, que delimita seu pouco contato com a prima, e que, passados tantos anos no México, reluta em absorver costumes mexicanos, ou aprender a língua nativa, mas conserva todos os costumes ingleses, chegando ao ponto de terem aterrado o terreno da casa com areia inglesa trazida de barco para sua nova morada.


Com o passar do tempo Noemi percebe algo muito mais estranho naquela casa do que suas paredes tomadas pelo mofo, passando a se sentir tão desorientada quanto a prima, e descobre que um terrível segredo envolve aquela casa e seus membros, e luta para fugir com sua prima.


O Gótico Tropical



O romance de Silvia Moreno-Garcia não traz apenas a novidade de situar uma história gótica em terras tropicais, embora a autora escolha a forma mais fácil, transpondo os mesmos clichês das histórias góticas inglesas para o México --- a casa decadente vitoriana cercada por um antigo cemitério, no topo frio de uma colina, tomada por denso nevoeiro, que a autora afirma existir realmente em lugares montanhosos do México.




Mas a grande novidade de Gótico Mexicano é desfazer estereótipos que concebem personagens de países do terceiro mundo, apenas como serviçais e ignorantes, pois Noemi pertence a uma rica família mexicana, sendo uma mulher inteligente e bastante informada, que fala de igual com os esnobes membros da família inglesa do marido de sua prima, cujo patriarca é um arrogante racista que durante sua conversa com Noemi sempre põe em relevo a superioridade dos ingleses sobre os mexicanos, mesmo tendo em sua frente a bela representante de uma das principais etnia indígena que formaram a população mexicana.



É interessante ver em uma mesma história de terror, a autora desconstruir não apenas a ideia de que uma história gótica só pode ser concebida em um país europeu, de clima frio ou de cultura semelhante à europeia, como também expor críticas à ideia de que culturas não-europeias de países do terceiro mundo são inferiores àquelas, superioridade que fica claro quando a família inglesa, Doyle, se recusa a absorver qualquer manifestação cultural, incluindo a língua, do México, apesar de ter ido para lá há décadas com o intuito de explorar as minas de pratas da região. Ou seja, apenas de explorar sem dar nada em troca, um componente tão presente na política de colonização propagada pelo Império Britânico sobre suas antigas colônias, embora o México não tenha sido colônia britânica, mas que serviu muito bem o recado.




A incorporação de elementos da história e da cultura mexicana a um romance gótico, também foi fabuloso, saindo da prática de valorizar apenas a cultura de países ricos, e dando aos leitores mexicanos o prazer de verem sua cultura retratada em uma divertida história escrita ao modo inglês, e aos estrangeiros, a oportunidade de conhecer um pouco da cultura de um país que tem em sua cultura uma singular forma de culto aos mortos, em que festeja-se o dia destes com festas noturnas em cemitério.