terça-feira, 24 de junho de 2014

TONI BENTLEY: “ENTRE PELA SAÍDA. O PARAÍSO ESTÁ ESPERANDO” (por Bosco Silva)



HÁ QUEM DIGA QUE UM BOM CAMINHO para se chegar a deus é contemplar a grande harmonia do mundo; já para outros a profunda beleza que se vê em algo aparentemente tão singelo quanto as asas de uma borboleta nos conduz a conceber um criador; mas para Toni Bentley o caminho para deus é literalmente mais embaixo. Toni é uma ex-bailarina atéia que descobriu deus por meio do mais vigoroso sexo anal. Isso mesmo que você leu: SEXO ANAL. E para quem não acredita em minhas palavras, crendo-me um mal interprete, exagerado e grosseiro, que tal as palavras da própria autora? Então prepare-se:
“Dar o cu me enche de esperança. O desespero não tem nenhuma chance quando o pau dele está no meu cu, abrindo espaço para Deus. Ele abriu minha bunda e com aquela primeira estocada partiu minha negação a Deus”.

Toni Bentley

Sei que para muitos a mensagem é chocante, inconcebível, e para quem acha que Bentley não está falando sério, ela tem uma boa resposta — mais chocante ainda que a anterior:
“Sou ateísta por herança. Conheci a experiência divina dando o cu — muitas e muitas e muitas vezes. Sou uma aprendiz lenta — e hedonista gulosa. Estou falando sério. Muito sério. E fiquei ainda mais surpresa do que você agora com esse despertar tão curiosamente grosseiro para um estado místico. Ali estava: a grande surpresa de Deus, Seu humor  e Sua presença potente manifestados no meu cu”.

Edição em inglês de A Entrega - Memórias Eróticas

Há anos (sem trocadilhos) que tenho o desejo de escrever sobre Toni Bentley, afinal sempre gostei de pessoas e personagens que por serem tão livres chegam a incomodar. E Toni incomodou bastante os mais recatados com o lançamento de seu livro A entrega - Memórias eróticas — lançado em 2004 —, em que descreve, de forma minuciosa, como encontrou sua verdadeira sexualidade, o amor e deus, por meio do sexo anal. Para tanto, Toni Bentley começa descrevendo sua profunda busca, desde a infância, por deus, passando pela descoberta de seu talento para o balé, a descoberta da sexualidade, as aventuras e desventuras no amor e, por fim, sua polêmica descoberta espiritual, em que Bentley recorre a uma espécie de diário sexual em que todas suas 298 relações anais, praticadas com o Homem-A, seu amante, foram anotadas em detalhes. 
Toni Bentley quando bailarina

E para quem acha que se trata apenas de pornografia saiba que o livro possui surpreendentes análises psicológicas, escrito em linguagem que mescla frases poéticas com a linguagem mais vulgar possível, como quando ela chama suas práticas de sexo anal de ter a “janta socada”. Mas isto não deve obliterar suas análises psicológicas: Toni Bentley é uma mulher que se conhece profundamente. E a linguagem usada torna o livro delicioso, divertido e também hilário; um misto de biografia, autoajuda e de dicas sexuais, como nas passagens em que a autora analisa os tipos de roupas íntimas e  dá dicas sobre a compra de lubrificantes.
“Conselho para quem dá o cu: use óculos escuros para comprar KY e não se vire na fila do caixa: estão todos olhando para sua bunda, sem acreditar”.
A autora também discorre sobre leis de estados americanos que proibiam e que ainda proíbem a prática do sexo anal. O que faz de A Entrega uma apologia a liberdade sexual e ao sexo anal, descrito pela autora com tal intensidade e poesia que supera tudo que já foi escrito na literatura a respeito.

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