quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

O HOMEM QUE TEMIA VAGINAS* (de Marquês de Sade)



Um homem gordo de uns quarenta e cinco anos, baixo, parrudo, mas sadio e vigoroso. Como ainda não tinha visto um homem com gostos parecidos, meu primeiro reflexo, assim que fiquei com ele, foi o de levantar minhas saias até o umbigo. Um cão ao qual se mostra um bastão não faria cara mais feia: "Ei! Ventre de Deus, menina, virai essa boceta para lá, por favor". Enquanto isso, rebaixou minhas saias com mais pressa do que quando as levantara. “Essas putinhas”, continuou mau-humorado, “só tem boceta para nos mostrar! Por vossa causa, talvez eu não consiga esporrar esta noite... antes de conseguir tirar essa boceta infame da cabeça”. E, dizendo isto, virou-me e levantou metodicamente meu saiote por trás. Nessa postura, conduziu-me, sempre segurando minhas saias levantadas; e para ver os movimentos de minha bunda enquanto eu andava, mandou que me aproximasse da cama, sobre a qual me deitou de bruços. Examinou então meu traseiro com a mais escrupulosa atenção, sempre tapando com uma mão a vista de minha boceta que ele parecia temer mais que o fogo.


Finalmente, após me advertir para dissimular o quanto pudesse essa parte indigne (como disse), mexeu com as duas mãos por muito tempo e com lubricidade no meu traseiro. Ele o abria, o fechava, às vezes levava nele sua boca, e eu a senti até, uma vez ou duas, diretamente encostada no buraco; mas ele ainda não se tocava, nada indicava isso. Sentindo-se, no entanto, aparentemente pressionado, preparou-se para o desfecho de sua operação. “Deitai-vos no chão”, me disse, jogando nele algumas almofadas, “aqui, sim, assim... Com as pernas bem abertas, a bunda ligeiramente levantada e o buraco o mais aberto possível. Assim, ótimo!”, continuou vendo minha docilidade. E então, pegando um banquinho, ele o colocou entre minhas pernas e veio sentar em cima, de modo que seu pau, que agora sacara dos calções e sacudia, ficasse por assim dizer na altura do buraco que venerava. Então seus movimentos tornaram-se mais rápidos. Com uma mão ele se masturbava, com a outra, abria minhas nádegas, e alguns elogios temperados com muitos xingamentos compunham seu discurso: “Ah! santo Deus; que belas nádegas”, exclamava, “que buraco lindo, ah... como vou inundá-lo!” E cumpriu sua promessa. Senti-me encharcada; o libertino parecia aniquilado por seu êxtase. Como é verdade que o culto oferecido a esse templo sempre tem mas ardor do que aqueles que arde sobre o outro!

* História tirada dos Cento e Vinte Dias de Sodoma, com título meu.

A BONDADE DE DEUS E O PODER DOS VERMES (de Bosco Silva)



Uma das conseqüências para aqueles que acreditam em determinada forma de Deus é a crença de que todas as coisas (animais, plantas, minerais, etc.), incluindo o próprio universo, existem unicamente para nos servir.

Contrariando esta forma de pensar, alguns parasitas estão à milhões de anos infestando e sobrevivendo a custa desta “obra prima de Deus”: o homem. O que não apenas contraria o que é dito acima, como a própria forma de pensar religiosa, como veremos, pois a incompatibilidade entre parasitas e religiões é de longa data:

Foi a causa dos essênios (monges judeus) que seguiam restritamente os rituais da TORAH (livro religioso judeu, conhecido também pela cristandade como velho testamento), com relação a purificação após a defecação. Sendo, assim, após defecarem, se banhavam na mesma água parada, pois “os rituais de ‘purificação’ que envolviam imersão total (olhos, boca, etc.) em piscinas de água parada - um excelente caldo para ténias, lombrigas e restantes parasitas - garantiam infectar toda a comunidade!”1. Fato que foi a causa da grande maioria dos essênios não chegarem aos quarenta anos de idade (seis por cento apenas para ser mais exato, ao cansavam os 40 anos).

“Como nota Zias, os essênios [OU MELHOR, NÃO SERIAM OS PARASITAS?] ‘mostram o que acontece quando se leva as coisas bíblicas demasiado fundamentalista ou literalmente, como fazem em muitas partes do mundo, e quais são as consequências últimas [desse fundamentalismo]’”2.

E isto não se prende apenas ao passado. Recentemente, graças a gripe suína, proibiu-se, dentro das igrejas católicas, o recebimento direto, na boca do devoto, da hóstia, dada por seus sacerdotes.

Quem diria que estes pequenos seres são capazes de destruírem crenças vindas do próprio “todo-poderoso Deus”!

OS PARASITAS

Parasitas “são organismos que vivem em associação com outros aos quais retiram os meios para a sua sobrevivência, normalmente prejudicando o organismo hospedeiro, um processo conhecido por parasitismo.”3

Somos, como todos sabem, também a morada de vermes e de outros milhares de parasitas, todos providos pela “SÁBIA” e “DIVINA” natureza de meios para que, tal qual nós, concorram de iguais à vida.

Contudo, sei que muitos dirão, mas Deus proveu o homem de razão, este poder de estender os limites do corpo, de melhorar o que nos parece inferior, de antever possíveis futuros, e de, claro, destruírem seus parasitas.

Embora esqueçam disso quando a razão, este dom de Deus, como dizem, entra em choque com suas crenças religiosas, a razão, de fato, é o que nos diferencia de outros animais.

Porém, até que ponto podemos ter este “dom de Deus”, a “razão”, comandada por seres diferentes de nós, não humanos? Como um PARASITA?

Graças a evolução, os parasitas são capazes de meios incríveis para transmitirem sua descendência.

São capazes, como a vespa Ampulex compressa, de após injetar determinada substância no hospedeiro de sua futura cria, a barata comum, levá-la docilmente, puxando pelas suas antenas, como um cachorrinho, para sua casa, para lá parasitá-la com seus ovos, que darão crias, e que mais tarde devorarão a barata.


A evolução lhes ensinara que em vez de forçar ou matar as baratas, com luta feroz, desnecessária, podia simplesmente comandá-las docilmente por meio de suas substâncias.

Já o crustáceo Sacculina carcini, é capaz de controlar o sexo de seu hospedeiro. Suas larvas fêmias são capazes de penetrar, através das brânquias dos caranguejos, e fixar-se dentro destes. Lá este crustáceo se desenvolverá e se alimentará dos tecidos do caranguejo.

“Quando a Sacculina fêmea atinge a maturidade sexual, atrai larvas macho que também vão entrar no caranguejo e dentro dele vão cruzar com ela. Depois de fecundada, a fêmea precisa produzir seus ovos e para cuidar deles ela usa o caranguejo hospedeiro. Ela põe seus ovos no compartimento de ovos da fêmea do caranguejo, e a fêmea cuida dos ovos como se fossem dela. [..].

Agora o ponto alto. Tudo bem, se o caranguejo hospedeiro é uma fêmea, ela normalmente cria os ovos em seu abdome. Mas o que fazer se a Sacculina infectar um macho? Simples, a Sacculina fecundada castra o macho, e feminiliza o comportamento dele. O macho muda o formato de seu abdome, também desenvolve a bolsa de ovos e toma todos os cuidados, protegendo e oxigenando os ovos. Até o comportamento de liberar as larvas recém-nascidas na água através da agitação da bolsa de ovos (a reboladinha com ginga no fim desse vídeo), como se fosse uma fêmea com seus próprios filhotes!”4


Agora o mais dramático e incrível. O verme Paragordius tricuspidatus que parasita os grilos, alimentando-se e desenvolvendo-se nestes, em sua fase adulta, necessita de um local que haja água para que possa encontrar um parceiro, e se reproduzir.

O verme não pode apenas contar com o acaso para que o grilo se dirija a um local com água em abundância, por isso, por qualquer meio, o verme começa a comandar o cérebro do grilo, de modo que faça com que este se suicide pulando na água. Em seguida o verme está pronto para deixar o hospedeiro, nadando em busca de um parceiro.

“Curiosamente, grilos não infectados são encontrados apenas na floresta, enquanto os infectados são encontrados em locais estranhos como estacionamentos e próximos de piscinas, além de apresentarem uma taxa 10 vezes maior de mortes por afogamento.

Observando o período em que os suicídios ocorrem, os pesquisadores franceses que conduziram os estudos perceberam que há uma maior proporção de grilos que se suicidam algum tempo após serem infectados. Há também uma diferença na fecundidade dos vermes dentro do grilo, ela atinge seu auge depois de cerca de uma semana que o grilo começa a se dirigir para locais estranhos”5, que contenham água em abundância.

O Paragordius Tricuspidatus Fora de Seu Hospedeiro: o Grilo

Do mesmo modo, É POSSÍVEL QUE PARASITAS INFLUÊNCIE A MENTE HUMANA, JUNTO COM ESTE “DOM MARAVILHOSO QUE DEUS NOS DEU”: A RAZÃO. É o que especula Kentaro Mori. Por exemplo:

Os Toxoplasma gondii são os organismos unicelulares responsáveis pela doença conhecida por toxoplasmose.

A proliferação de tal doença se dá entre o rato e o gato, tendo como hospedeiro natural, o gato. Porém, neste processo é natural que o homem seja infectado. Tanto que no Brasil dois terços da população, são infectados por este micro organismo, embora grande parte não saiba disso.

No rato, tal organismo vai diretamente para o cérebro, e lá acontece algo interessante. Como seu principal hospedeiro é o gato, o micro organismo bola algo que faça com que o rato mantenha um maior contato com o gato, para que, por meio do rato, o gato possa ser infectado. Para tanto, o micro organismo faz com que, por meio da parte do cérebro chamada amígdala, responsável pelas emoções, o rato perca o medo instintivo de gatos, facilitando assim o contato, e sua posterior infecção felina, através de sua deglutição.


No homem acontece algo semelhante, “Ao nos infectar, ele se esconde em células do sistema imune chamadas células dendríticas, e as induz a circular mais no corpo. As células dendríticas têm acesso privilegiado no nosso corpo e são capazes de entrar no cérebro, levando consigo o toxoplasma, como um cavalo de Tróia. No nosso cérebro, ele se aloja em células da glia, auxiliares dos neurônios. Lá o toxoplasma se reproduz aos montes, e manipula o sistema imune para controlar sua população em ciclos de sobe e desce.”5

  “Sabendo disso, cientistas começaram a se perguntar o mesmo que você deve estar se perguntando agora. Mas o toxoplasma não se comporta do mesmo jeito no ser humano e no rato?

  Não que ele nos faça perder nosso medo de urina de gato, mas algumas relações intrigantes apareceram. Há uma grande correlação entre pessoas que sofrem de esquizofrenia e portadores de toxoplasma. Pior, remédios que tratam esquizofrenia, como haloperidol, matam o toxoplasma, deixando uma dúvida sobre quem o remédio trata.

  E isso vai além. Em uma outra pesquisa , mulheres com toxoplasmose foram identificadas como mais afetuosas, inseguras e persistentes. Já os homens, mais ciumentos e menos interessados por novidades.

   Agora aumente a escala disso. Imagine países tropicais, como os países latinos, onde o solo mais quente favorece a sobrevivência dos oócitos e têm altas taxas de toxoplasmose, em contraste com países do norte europeu, com índices baixíssimos da doença. Pense na imagem que as pessoas têm dos latinos, mulheres mais quentes e afetuosas, e homens mais ciumentos…

   Pense agora que metade das pessoas do mundo têm toxoplasmose e que nossa cultura é construída pela interação de todas as mentes…

   Será que esse parasita pode ser mais um dos milhares de fatores que influenciam nossa cultura??”6 E, consequentemente, de modo geral, a razão.

   Quem diria, mais uma vez os parasitas parecem nos ensinar a nos despojar de nosso orgulho, e nos ver como apenas mais um ser na natureza.

FONTES:
2. Idem


terça-feira, 18 de dezembro de 2012

A CAÇADA (de Bosco Silva)



Antes do conto, um vídeo a fim de entrarmos em seu clima tenso:



AGORA, O CONTO:

Rafael era um homem como tantos outros: achava-se com atributos capazes de seduzir a mulher mais exigente de todas: possuía um belo rosto, um físico atlético e um pênis que lhe causava imenso orgulho.
Reunia-se com amigos todas as noites de fim-de-semana. Chamavam essas reuniões de caçada, em que as presas eram belas mulheres que lhes possibilitassem os mais luxuriosos prazeres sexuais, que eram descritos todas as quartas-feiras, por eles, em reuniões em que se deleitavam ao contar suas aventuras sexuais dos fins-de-semana.
Naquela noite, eles haviam se reunido, como de costume, em um bar de esquina para, como sempre faziam, decidirem em qual das boates passariam as três horas mais importantes da “caçada”. Para eles de uma às quatro horas da manhã eram as horas mais importantes, pois até meia-noite as coisas ainda se mantinham calmas, com mulheres comportadas e tímidas; mas de uma hora adiante o álcool começava fazer efeito levando-as a liberarem seus instintos e a afrouxarem os laços e obrigações morais. Tornavam-se, assim, um alvo fácil para eles.

E uma vez presentes na boate escolhida, ficavam a observar aquelas que seriam as escolhidas; a caçada então se iniciava com toda sorte de flertes.

Naquela noite, uma bela mulher solitária, sentada ao balcão, chamou-lhe especial atenção. Era alguém que aparentava ter 25 anos, mas o comportamento denunciava ser alguém bem mais experiente; ela possuía olhos e cabelos negros, lisos, acima dos ombros, que contrastavam com a pele branca; e um detalhe que lhe deixava extremamente excitante: uma pequena fenda entre os dentes da frente, que lhe conferia ar de adolescente.  O que foi bastante para que Rafael visse nela a presa da noite. Então, como de costume, juntou-se ao balcão e perguntou-lhe se poderia lhe oferecer uma bebida. Ela aceitou e juntos puseram a conversar. Disse chamar-se Anita. E embora seus gostos não combinassem, Rafael usava de todos seus atributos físicos para conquistá-la. Até que, após alguns minutos, um longo beijo molhado, parecia ser o sinal que, finalmente, ela havia mordido a isca, sendo seduzida por aquele que se achava o maior de todos os amantes. Mas algo lhe pareceu imprevisto naquela noite de lua cheia: Anita, diferente de outras mulheres, convidou-o para ir a sua casa. Ele, imediatamente, aceitou o convite. E ao se despedir dos amigos, disse-lhes levantando a camisa e apontando para a barriga, “tem que ter tanquinho”.

E, ao sair do recinto, Rafael ainda olhou os amigos, desacompanhados, com um leve sorriso de superioridade e triunfo nos lábios.
* * *
Durante o mais fervoroso sexo oral, Anita, por algum momento, para o ato para observar aquele enorme membro que estava em sua frente:
- Nossa!, como é grande e grosso, Rafael. Se eu fosse um homem iria invejá-lo tanto! – disse Anita com leves sorrisos.
Rafael sorriu contente e orgulhoso do elogio ao seu pênis, proferido por aquela mulher que acabara de conhecer, comentando, em seguida:.
- Iria desejar então ter um como o meu?
- Sim, claro; seria tudo que me faltaria.
- Mas ele é seu, querida; não é amiguinho?, pelo menos por essa noite – disse Rafael, orgulhoso, olhando em direção ao seu pênis, com a voz ofegante, enquanto Anita esboçava um leve sorriso e retomava o que fazia.
Por fim, após o mais extenuante sexo, Rafael adormeceu.
* * *
Rafael acordou e verificou que havia dormido alguns minutos após o término do ato sexual; olhou então ao redor e não viu aquela que tinha lhe dado tanto prazer naquela noite.
A casa estava em silêncio, exceto pelo barulho do velho ventilador que estava sobre uma escrivaninha.
Rafael sentiu sede e pôs-se a chamar aquela mulher que lhe havia incendiado de prazer minutos atrás. E após não ter obtido êxito em sua tentativa decidiu levantar-se e procurá-la pela casa. Vestiu-se então e penetrou em um pequeno corredor. Verificou que a porta de dois quartos estavam fechadas, e seguiu enfrente. Chegou ao que lhe pareceu ser a cozinha.


E ao ver a geladeira, seguiu em sua direção a fim de tomar água. Ao abri-la, verificou que havia apenas garrafas de bebidas e vários vidros grandes de maionese embalados em papel e nenhuma garrafa com água. Decidiu então olhar de perto aqueles grandes vidros que lhe chamaram atenção. Pegou um e verificou que havia líquido dentro, pensou então em comer alguns picles que pareciam estar guardados em tais vidros. E ao apanhar um e destampá-lo verificou, assustado, que havia um pênis em tal vidro. Apanhou outro e mais outro, verificando, por fim, que em todos havia pênis em lugar de picles. Foi quando Anita apareceu à porta da cozinha, dizendo-lhe:
- Vejo que já conheces minha pequena coleção.
- Que brincadeira é essa, querida?
- Não é uma brincadeira é apenas uma coleção, e em que falta o seu, querido – disse Anita com uma faca na mão, antes de apagar a luz.
- Não, não, nããããããââo.
O grito ecoou pela casa inteira. E minutos depois...
- “Mas ele é seu, querida; não é amiguinho?, pelo menos por essa noite” – repetiu Anita a frase que, minutos atrás, Rafael havia proferido, imitando sua voz com trejeitos engraçados e com a voz feminina.
 – Sim, você é meu, amiguinho, e não apenas por uma noite, mas definitivo – disse ela, desta vez com uma voz masculina, botando um novo vidro na geladeira.

Naquela noite, Rafael, então, descobriu, do pior modo possível, que ele tinha sido a caça, não o caçador na noite.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

21 DE DEZEMBRO DE 2012 (de Bosco Silva)


Chegando mas um final de ano e com ele um dos maiores medos do homem: a ideia de um fim de mundo. Desta vez o pivô é um dos calendários maia; isso mesmo, havia mais de um. E com o término dele, em 21 de dezembro de 2012, toda sorte de teorias apocalípticas surgem associadas a ele. E, como sempre, acontece, como é natural no homem, há também interesses econômicos envolvidos.

E aí, estão prontos para o fim do mundo? Sim? Não? Então preparem seus bolsos: o final do mundo sempre sai caro...

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

DIÁLOGOS DE UMA VAGINA FUMANTE (de Bosco Silva)



Após o quarto ecstasy, Paula foi ao banheiro da boate. Arriou as calças e sentou-se no vaso sanitário; acendeu um cigarro e ficou a olhar as paredes cobertas de frases obscenas. Uma lhe causou risos incontidos:

Para curar um amor platônico, só mesmo uma foda homérica.”

  Tragou mas uma vez o cigarro enquanto ouvia o cair de sua urina na privada, embalada pelo som enervante da música eletrônica que vinha da pista de dança.


De repente, enquanto soltava mais uma baforada de fumaça, ouviu uma voz feminina, “hei, hei, você ai”. Paula olhou para os lados, e não viu nenhuma janela e muito menos alguém por perto. Por um momento, pensou que seus sentidos tinham-lhe enganado; e assim voltou a tragar o cigarro novamente enquanto examinava o esmalte das unhas. Mas a voz novamente fez-se ouvir, “hei, você ai”. Paula olhou em direção a porta do banheiro e, com a voz firme, disse: “O que é? Não está vendo? Está ocupado. Aguarde sua vez”. A voz então lhe respondeu: “Eu não estou à porta. Estou aqui, aqui embaixo”. Paula olhou então para o piso do banheiro, imaginando a existência de esgoto ou de algo parecido em que pudesse caber alguém. Até que um assovio fez-se ouvir do fundo da latrina, acompanhado de um “hei, estou aqui embaixo de você”. Ela então olhou dessa vez para o fundo do vaso sanitário, e não acreditou no que via: sua vagina se movia como uma boca que expelia frases sonoras. Paula levantou-se assustada deixando suas calças descerem até seus pés.
- Um trago, desejo um trago – disse sua vagina.
- O que está acontecendo comigo? – disse Paula consigo mesma, passando as mãos sobre o rosto e olhando, atordoada, sua genitália.
- Vamos, rápido – continuou a vagina.
- O que você quer?
- Já disse: um trago – respondeu a vagina impaciente.
- Não acredito que estou conversando com minha própria vagina!

E com a insistência da mesma, Paula acendeu um cigarro e levou até sua vagina. E esta tragou com voracidade.

- Sabe, nunca gostei do termo vagina, prefiro xoxota – disse a própria, tragando o cigarro, e soltando a fumaça, como as vaginas daquelas praticantes de pompoarismo da Tailândia. – É bem mais carinhoso. E, além disso, você sabe, nenhum namorado seu me chamou, naquelas horas, de vagina; sempre foi "deixa eu ver, meu amor, essa buceta... essa perseguida... essa xoxota". Lembro que um me chamava de moqueca.
- O Marcos.
- Que Marcos? O Salvatore?
- Sim. Ele era tão carinhoso e engraçado.
- Mas havia aquele outro, aquele engraçadinho que me chamava de pata de camelo.
- Ah, o Teco.
- Mas pior que ser chamada de vagina, era quando aquele outro sujeito me chamava de vulva, que nome feio.
- Ah, esse era o Haroldo, o Brandão. Ele era tão metódico; mas o que esperar de um psicólogo, né?
- Pois é, então porque me chamar de vagina. Vagina é dito quando alguém não quer ter intimidade, como um ginecologista, mas eu sou íntima de você, por isso me chame de xoxota, meu bem.
- Mas eu sei como você ficou na minha última visita ao ginecologista, sua danadinha.
- Também pudera com aquele homem lindo. Fiquei toda molhadinha!
- E se fosse uma fantasia – argumentou Paula, sentada novamente, com as calças arriadas na latrina, dividindo o cigarro com sua vagina -, digamos que alguém me pedisse para irmos às vias de fato, fantasiando ser um ginecologista?
- Bem, toda regra tem exceções, minha querida.
- Ahã!, te peguei agora sua safadinha – disse Paula dando leves palmadas em sua vagina.
- Tudo bem, tudo bem, eu me rendo, mas não faça como aquela vez em que encontraste outra xana pra se esfregar.



- Foi mais uma experiência. E que tal? Você não gostou?
- Bem, sabe quando você quer calabresa mas lhe dão salsicha?
- Ahã.
- Foi assim que eu me senti: não me contentei com dedos, querida. Falando nisso, não estamos esquecendo de algo?
- Maurício! – exclamou Paula levantando-se e vestindo rapidamente as calças.
- Ele parece ser tão bem dotado! – comentou a vagina satisfeita.
- Não me admira que não se contenha com salsichas, larga como estás, sobra espaço – comentou uma voz grave.
- Quem disse isso? – inqueriu Paula, assustada, antes de abrir a porta do banheiro.
- É ele – respondeu a vagina.
- Ele quem?
- O seu cu.
- Ele também fala?!
- Bem, ouço mais do que falo, mas dou meus palpites também, querida – disse o cu de Paula.
- Vamos, vamos, meu bem, não ligue para as opiniões de alguém que nunca lhe encarará de frente – comentou a vagina enquanto Paula abria a porta e seguia enfrente.
- O que você sente é inveja, já que no final eles sempre acabam procurando por mim - retrucou o cu a vagina, enquanto esta lhe mostrava a língua, ou algo parecido.
- Ah é? Eu juro que irei atrapalhar da melhor forma possível: merda – disse o cu irritado, enquanto Paula seguia para mais um encontro amoroso, sendo imediatamente interrompida, e retornando ao banheiro, mas desta vez por outros motivos.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

O SEGREDO DE DOMINIC (de Bosco Silva)



Dominic era uma mulher como poucas, com seus longos cachos dourados que brilhavam como pés de trigo ao sol, quando ela se punha a caminhar sobre os verdejantes prados de então; seu corpo cheio de curvas voluptuosas era capaz de levar qualquer um à beira do precipício do êxtase sem fim. Mas em meio a tantos atrativos, Dominic guardava um mistério que com o tempo me a costumei a ele: Dominic possuía um avantajado clitóris, que se entumecia e se estendia como um pequeno pênis que se destacava de sua delicada vagina.

Lembro-me, quando a possui pela primeira vez, dela me repelir e me manter distante de seu sexo, de seu segredo inimaginável. Mas vencida pela força da natureza, cedeu, enfim, ao mais puro desejo. 

Com o tempo seu clitóris aumentara de tamanho; e a cada relação cometida, ficava a examiná-lo, reparando que se aproximava cada vez mais do tamanho de um pênis. E a cada noite lá estava ele entumecido e rígido como se estivesse a fitar-me, a desafiar-me. Por fim, descobri que Dominic possuía um lado feminino e outro masculino; e o mistério maior transformou-se em saber qual dos dois aprecio mais.

Agora um pequeno teste tirado do excelente site Sweetlicious (sweetlicious.net). Você conseguiria diferenciar em pouco tempo uma mulher de 27 travestis? Lembre-se: há apenas uma mulher.

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quarta-feira, 5 de dezembro de 2012

É TODO SEU! (de Bosco Silva)



- Venha cá criança, chegue mais perto, minha pequena... Quero-lhe mostrar algo que você irá gostar; venha, não tema. Olhe.
- Tio é tão grande!
- E é todo seu. Vamos, pegue, pegue logo.
- Mas tio está tão melado! 
- Vamos, pegue logo antes que amoleça... Devagar, com cuidado, antes que sua tia nos veja. Vamos, ponha na boca agora.
- Tio é tão grande para minha pequena boca!
- Então não morda, apenas lamba. Isso, do começo ao fim. Assim... assim... assim...
- Veja tio, tia Lúcia está vindo.
- Rápido, esconda, esconda...
- Não acredito, João, que estás dando novamente sorvete para esta menina gripada!!!