quinta-feira, 3 de novembro de 2022

GLÂNDULA PINEAL E AYAHUASCA



GLÂNDULA PINEAL E AYAHUASCA 

No fundo do cérebro humano há uma glândula tão pequena quanto um grão de milho, mas capaz de produzir o mais poderoso alucinógeno, conhecido pelo homem, o dimetiltriptamina (DMT), responsável por criar nossos sonhos e nos transportar para o mundo de Morfeu. 


Morfeu Deus Grego dos Sonhos
 e Mensageiro dos Deuses

A glândula pineal, sempre fora associada a crenças místicas. Povos antigos a consideravam como o “terceiro olho”, uma espécie de olho místico, capaz de nos fazer vislumbrar o que os olhos da carne não enxergam — é por meio dela que enxergamos as imagens de nossos sonhos. 

Glândula Pineal

Antigos hindus acreditavam que por meio de exercícios mentais seríamos capazes de estimulá-la, levando-nos, por um momento, a sermos capazes de olhar através do Véu de Maia — nome dado por eles aos obstáculos que oblitera nossos sentidos e fontes de ilusões —, nos fazendo ver a verdadeira realidade que se oculta por detrás dos nossos sentidos carnais. Era também o que os antigos egípcios chamavam de o “olho de hórus”, fonte de intuições e de conhecimentos intuitivos. 


Ayahuasca

E quando estamos próximos da morte, esta mesma glândula é estimulada a produzir uma maior quantidade possível de seu alucinógeno, produzindo os maravilhosos relatos daqueles que estiveram no limiar da morte, e que, por alguma razão, voltaram à vida descrevendo túneis de luzes, criaturas angelicais, um mundo paradisíaco e mágico. Incrivelmente, o chá do jagube e da chacrona — ayahuasca —, guardado em segredo pelos pajés da Amazônia há milhares de anos, teria a propriedade de elevar os vivos ao mundo dos espíritos da floresta.


Teria ela o poder de estimular a glândula pineal, criando sonhos lúcidos, semelhantes aos vivenciados por aqueles que estiveram no limiar da morte? Teria sido por isso que fora chamado pelos pajés de o Chá dos Mortos? 


terça-feira, 18 de outubro de 2022

A TRÁGICA HISTÓRIA DO PINTO BENJAMIN


 

A TRÁGICA HISTÓRIA DO PINTO BENJAMIN


Benjamin era um pinto como tantos outros, pequeno e desengonçado, que vivia saltitante pelo terreiro. Apenas uma coisa o diferenciava de outros pintos, e que o deixava triste: Benjamin havia nascido de chocadeira. E enquanto outros pintos compartilhavam a companhia de suas mães, Benjamin era solitário e, por isso mesmo, triste. Ficava a olhar os seus companheiros de galinheiro e as mães destes ciscando todos reunidos. Benjamin, então, tentava lembrar-se da sua, se concentrava ao máximo, porém tudo que lembrava era de um lugar quadrado, claro e quente.


Pinto Benjamin Experimentando suas Asas


Os únicos carinhos que recebia era quando dona Josefa se aproximava e jogava-lhe ração e milho. Benjamin aguardava ansioso, todos os dias, por este momento; gostava de ver aquela doce mulher de bochechas rosadas, fazendo trejeitos e gracejos com a boca chamando a todos para a comida. Benjamin adorava tudo aquilo. E lá ficava ele comendo, saboreando o que a doce velhinha lhe havia trazido.


Benjamin Fantasiado


O tempo passou e Benjamin se tornou um belo frango. Agora Benjamin tinha bastante companhia, era disputado por várias franguinhas que passavam lhe provocando, balançando seus rabichos, mas nenhuma companhia se comparava ainda aquela doce senhora que todos os dias continuava a trazer-lhe comida. Benjamin lhe aguardava batendo as asas de felicidade e alegria, e quando aquela velha mão se aproximava dele, ele a acariciava com suas penas, com sua bela plumagem.


Um belo dia, a doce senhora se aproximou para lhe dar comida, com o mesmo assobiar de todos os dias. Benjamin se aproximou daquela velha mão pronto para lhe devolver o carinho, quando a mão lhe atracou o pescoço e lhe torceu por inteiro. Era um dia de natal!




MORAL DA HISTÓRIA: A mesma mão que lhe afaga o pescoço também pode torcê-lo!


sexta-feira, 7 de outubro de 2022

JEFF DAHMER E SUAS LENTES AMARELAS


 

JEFF DAHMER E SUAS LENTES AMARELAS

A Netflix tem causado frisson com sua nova série sobre o serial killer Jeff Dahmer por causar revolta nos parentes de suas vítimas, que reclamam de terem de reviver todo o sofrimento passado. Mas a verdade é que a série fez algo que filme algum sobre Dahmer, ou sobre o tema de assassinos em série, havia feito: ela deu espaço para contar a história das vítimas que sempre foram renegadas apenas a número; também pôs às claras o racismo da sociedade americana que contribuiu tanto para que Jeff Dahmer demorasse a ser pego, pois ele matou, na maioria, negros, provocando pouco caso nas autoridades policiais.


A série também chamou atenção para importantes fatos simbólicos, como o gosto despertado pelo pai de Dahmer no filho pela dissecação de corpos de animais atropelados para serem empalhados — momentos amorosos entre pai e filho que Jeff associou ao ato da dissecação. E que, sem dúvida, levou Jeff Dahmer a associar em sua mente doentia a dissecação dos corpos de suas vítimas como um ato de amor por elas.


Outro fato simbólico importante, é quando Jeff rouba um manequim de uma loja e o leva para seu quarto, e passa a se excitar e praticar atos sexuais com ele. Ato que já demostrava que Dahmer via suas vítimas, assim como o manequim, apenas como um objeto de prazer, e também sua predileção por praticar sexo com alguém imóvel e totalmente passivo, feito um manequim ou um cadáver: um vislumbre de sua necrofilia.




Há também as lentes de contato amarelas que Jeff Dahmer fazia questão de usar. Jeff era fã de vilões de filmes, principalmente de o Imperador Palpatine, do filme Star Wars: O Retorno de Jedi, e o Assassino dos Gêmeos, do filme O Exorcista III.




Esses personagens tinham algo em comum além da maldade, possuíam olhos amarelos quando estavam transformados pelo desejo de causar o mal, Jeff Dahmer imitava-os ao usar uma lente ocular amarela, se identificando com eles, quando o desejo de encontrar uma vítima se tornava insuportável. Porque ele sabia que existia no fundo de sua mente, uma força malévola, um lado escuro de sua alma, que lhe obrigava a matar, dissecar e fazer sexo com as entranhas de suas vítimas.




Teria Jeff Dahmer incorporado à sua personalidade características de seus vilões preferidos?


segunda-feira, 3 de outubro de 2022

JORGE NEGROMONTE: UM CANIBAL BRASILEIRO



Em 2012, na cidade de Garanhuns, distante à 230 Km de Recife, Pernambuco, a polícia encontrou os restos mortais de duas mulheres enterradas no quintal de uma residência habitada por um homem, Jorge Beltrão Negromonte da Silveira, e duas mulheres, Isabel Cristina Pires da Silveira e Bruna Cristina Oliveira da Silva.

quinta-feira, 29 de setembro de 2022

CIÊNCIA: CÉREBRO HUMANO CONTINUA VIVO ATÉ 30 MINUTOS APÓS A MORTE



CIÊNCIA: CÉREBRO HUMANO CONTINUA VIVO ATÉ 30 MINUTOS APÓS A MORTE


Durante a Revolução Francesa (1789), havia relatos de que as cabeças dos prisioneiros decepadas pela lâmina da guilhotina, mostravam expressões faciais de ódio, espanto, quando o carrasco levantava elas e mostrava ao público, com os olhos a se movimentar encarando o público.

sábado, 17 de setembro de 2022

O SILÊNCIO DA CASA FRIA (RESENHA)



O SILÊNCIO DA CASA FRIA (RESENHA)

Sinopse

Elsie Bainbridge, após a morte do marido, Rupert, em circunstâncias misteriosas, parte com Sarah, prima do falecido, para a velha casa de campo da família de Rupert, que estava há décadas sem a visita familiar, para enterrá-lo. Elsie encontra uma casa decadente e envolta em mistérios, com moradores da pequena cidade de Fayford que evitam a todo custo se aproximarem da casa e de seus moradores, devido às histórias sombrias sobre seus antigos moradores e mortes de antigos empregados. 

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

O MISTÉRIO DE MARILYN MONROE — IMAGENS INÉDITAS



O MISTÉRIO DE MARILYN MONROE IMAGENS INÉDITAS

Em 4 de agosto de 1962, morria Marilyn Monroe, a mulher mais estonteante que já viveu neste planeta. 



quinta-feira, 18 de agosto de 2022

A MORTE DE DANIELA PEREZ E O SUPOSTO RITUAL SATÂNICO

A MORTE DE DANIELA PEREZ E O SUPOSTO RITUAL SATÂNICO

Sempre que alguém é assassinado com extrema violência, com mutilações, faltando partes específicas do corpo mãos, coração, olhos e órgãos genitais , e que há algum suposto simbolismo envolvido, como números que possua alguma importância religiosa, o público é levado imediatamente a interpretar tais significados como a evidência de que tais assassinatos foram obras de rituais satânicos. Na maior parte das vezes, a mídia é a primeira a tirar esta conclusão. Primeiro porque crimes envolvendo supostos rituais satânicos chamam muita atenção do público, e consequentemente, dá muito lucro aos meios de comunicação, que exploram o ocorrido ao máximo.

domingo, 10 de julho de 2022

O VERDADEIRO CLUBE DO FOGO DO INFERNO



 O VERDADEIRO CLUBE DO FOGO DO INFERNO

Na Inglaterra, durante o século XVIII, em meio a tantas sociedades secretas, como a Sociedade para a Supressão da Virtude e a Sociedade para Promoção do Vício, uma tornou-se famosa, o Hell’s Fire Club, o Clube do Fogo do Inferno, uma sociedade liderada por um excêntrico e importante aristocrata inglês, membro do parlamento, Sir Francis Dashwood. Seus integrantes, entre nobres e importantes políticos, reuniam-se semanalmente para orgias sexuais sob uma igreja, exatamente a cem metros abaixo desta, que o próprio Dashwood mandou construir. Era uma igreja dedicada a São Lourenço, o santo católico padroeiro das prostitutas, que fora construída na cidade de West Wycombe, a aproximadamente 55 quilômetros de Londres, em que seus membros se trajavam de monges, enquanto prostitutas contratadas vestiam-se de freiras.

quinta-feira, 7 de julho de 2022

O MISTÉRIO DO PALACETE BOLONHA II


O MISTÉRIO DO PALACETE BOLONHA II

Criado com o que de melhor e mais belo o dinheiro podia comprar na época, com materiais vindos diretamente da Europa, o Palacete Bolonha, ao contrário de sua grande beleza, fora construído em um local feio e fétido; um terreno sombrio, pantanoso, de vegetação rasteira, tomado pela lama, em que nenhuma árvore frutífera parecia nascer ou dar bons frutos, onde, outrora, eram despejados corpos de escravos, que a lama, como um animal faminto, se encarregava rapidamente de devorá-los por meio de sua água pútrida. O local, por possuir má fama, levou o famoso engenheiro Francisco Bolonha a acreditar que poderia comprá-lo por um bom preço e transformá-lo em um ótimo negócio. E assim foi, com ele comprando o terreno do intendente Antônio Lemos; e após drená-lo e aterrá-lo, em 1905, Bolonha construiu nele uma vila de casas para aluguel, que passou a ser chamada de Vila Bolonha. 

sábado, 11 de junho de 2022

CATALEPSIA: MULHER É SEPULTADA VIVA



CATALEPSIA: MULHER É SEPULTADA VIVA

O maior medo do ser humano sempre foi a morte. Porém, para desespero de nós pobres mortais, esse medo pode sempre ser agravado ainda mais; uma dessas formas que tem perturbado o homem há milênios, é o medo de ser enterrado vivo.


O escritor de terror, Edgar Allan Poe dedicou algumas páginas de seu O Enterro Prematuro a descrever esse terrível medo: “Ser enterrado vivo é, fora de qualquer dúvida, o mais terrível dos extremos que já couberam a sorte de um mortal. Que isso haja acontecido frequentemente, e bem frequentemente, não pode ser negado. Os limites que separam a vida da morte são, quando muito, sombrios e vagos. Quem poderá dizer onde uma acaba e a outra começa? Sabemos que há doença em que ocorre total cessação de todas as aparentes funções de vitalidade”.


CATALEPSIA



Edgar Allan Poe estava se referindo a misteriosa catalepsia, uma rara doença em que os membros se tornam rígidos, se confundindo com o rigor mortis, enrijecimento natural em cadáveres, sem contrações, embora os músculos se apresentem mais ou menos rijos, e a pessoa é capaz de ficar por um longo período consciente, porém imóvel. O que, no passado, originava a ideia de que pessoas supostamente mortas quando revivida, era visto como milagre ou fruto de magia.


Hoje, com a obrigatoriedade de necropsia e embalsamento funerário, que levaria o doente de catalepsia à morte certa, a ocorrência de enterros com pessoas ainda vivas, diminuiu muito, mas não o suficiente para evitar que, vez ou outra, raros casos venha à público.


Um desses casos aconteceu em fevereiro de 2018, na cidade de Riachão das Neves, no nordeste do Brasil.



A senhora Rosangela Almeida dos Santos, de 37 anos, estava uma semana no Hospital Oeste de Barreiras quando, após duas paradas cardíacas, foi declarada morta por “choque séptico”. O enterro se deu no dia seguinte no cemitério de sua cidade natal.


Nove ou onze dias após seu enterro, no dia 28 de janeiro de 2018, vizinhos próximos ao cemitério alertaram a sua família de que estavam ouvindo ruídos e gritos vindo de sua sepultura.


A família com ajuda de populares, quebraram a pequena construção de tijolos e retiraram seu caixão.


Seu corpo estava virado e quente, os tufos de algodão em suas orelhas e nariz foram removidos, e ela mostrou feridas nas mãos e na testa, que foram supostamente causados tentando escapar da sua agonia no caixão. As travas nos lados do caixão em que ela se encontrava foram movidas para cima e, de acordo com o que foi divulgado pela mídia, havia marcas de sangue por todo o local. Uma visão horrível de que todos ainda estão se recuperando.


"Quando cheguei na frente do túmulo, ouvi um suspiro vindo de dentro. Eu pensei que as crianças que brincam lá estavam brincando comigo. Então eu ouvi seus gritos duas vezes, e pouco depois parou", explicou um vizinho que investigou a área.




A mãe de Rosangela, Germana de Almeida, de 66 anos, disse que quando abriram o caixão encontraram feridas em seu corpo que não estavam antes do funeral. "Ela tentou abrir a tampa, até as unhas cairam de tanto arranharem a madeira. Suas mãos estavam machucadas, como se ela tivesse tentado escapar", relatou sua mãe. Ana Francisco Dias, que vive perto do cemitério, disse aos meios de comunicação: "Havia mais de 500 pessoas que vieram ver, muitos tocaram seus pés e todos disseram que não estava frio".


A família acredita que Rosangela foi declarada falecida por engano, e eles relataram o incidente à polícia. 


"Nós não queremos acusar nenhum médico, não queremos causar problemas, mas testemunhamos essa situação e não há outra maneira de alguém ser enterrado e depois de 11 dias ficar quente novamente", disse a irmã de Rosangela, Isamara Almeida. 


O comissário de polícia Arnaldo Monte, que está conduzindo a investigação, disse: "Começamos hoje a tomar declarações de seus entes queridos e outras pessoas." 


"Se necessário, vamos exumar os restos mortais de Rosangela para chegar ao fundo do que realmente aconteceu", concluiu Arnaldo. Um porta-voz do Hospital do Oeste, que declarou sua morte, disse que fornecerá as informações necessárias para a família e as autoridades. "O tempo indicará se alguém deve se responsabilizar por esse evento horrível.” Infelizmente, foi tarde demais para a pobre Rosangela, que agonizou dentro do caixão e não conseguiu ser salva a tempo e em vida.


Texto Adaptado link: paraoscuriosos.com


domingo, 29 de maio de 2022

RELATO DO LEITOR: Uma Noite no Hospital Ophir Loyola (por Ana Cláudia)



RELATO DO LEITOR: Uma Noite no Hospital Ophir Loyola (por Ana Cláudia) 

Uma noite, durante o plantão da madrugada no Hospital Ophir Loyola, em um silêncio total, soou, de repente, o barulho do elevador chegando no andar onde eu estava, então saí da enfermaria e fui verificar quem estava chegando. Vi que era uma moça toda enrolada em um capote, como se estivesse em uma camisa de força. Veio andando no corredor como um robô com o olhar fixo. Passou por mim, chegou no final do corredor e retornou sem falar nada, com o olhar ainda fixo para a frente. Saí do corredor com minha paciente e entramos na enfermaria. Quando voltei a procurar, não a encontrei. Fui para o descanso e relatei pra um colega o acontecido.

 

Corredor de Onde Teria Acontecido o Fato
 (Foto Tirada Pela Própria Autora do Relato) 

Passado mais de um mês, voltei a comentar o fato, e uma enfermeira que me ouvia, me perguntou sobre a imagem da mulher que eu havia visto. Então, ela disse que era semelhante a uma funcionária que gostava de andar embrulhada em um capote pelos corredores, no frio da madrugada. Sabendo agora o nome dela, fui verificar a página do facebook da funcionária que ela tinha me dito. E, ao ver as fotos dela no facebook, pude reconhecer que era a mesma mulher que eu havia visto. E ficamos todos surpresas quando descobrimos que ela já havia falecido. 


Contando, ninguém acredita. E até hoje me lembro daquele rosto estranho.


quinta-feira, 26 de maio de 2022

A FLORESTA DAS ÁRVORES RETORCIDAS (RESENHA)



 A FLORESTA DAS ÁRVORES RETORCIDAS (RESENHA)

O romance de terror A Floresta das Árvores Retorcidas, de Alexandre Callari, lançado em 2020, foi um dos primeiros lançamentos dedicados a autores nacionais da editora Pipoca & Nanquim, que tem como um dos sócios, o próprio autor do livro. 


Alexandre Callari, além de ter participado de coletâneas de contos, é autor de uma trilogia sobre zumbi, Apocalipse Zumbi


O romance, em questão, conta a história de Adam, recém divorciado, que busca encontrar no sossego de uma pequena cidade do interior brasileiro --- não é especificado sua localidade --- refúgio para momentos de reflexão sobre sua vida. Mas o que Adam menos encontra é sossego, com aparições fantasmagóricas em seu quarto e uma cidade dominada pelo medo. Ao mergulhar no cotidiano da cidade, descobre a existência de um bizarro ritual que se repete há décadas, todo fim de outubro, em que 13 crianças somem de suas famílias, sem que, estranhamente, seus pais denunciem a ausência às autoridades, ou busquem por elas. A investigação sobre as origens do ritual, dá início a inúmeros confrontos com forças sobrenaturais, fantasmas e zumbis. 




A Floresta das Árvores Retorcidas é um grande apanhado de clichês de filmes da década de 80, e também de livros famosos de terror, fato dito abertamente pelo próprio autor em entrevistas, por se tratar de uma homenagem a toda a cultura pop que o autor vem consumindo desde sua adolescência, especialmente a obra do escritor estadunidense H.P. Lovecraft, autor que Alexandre Callari dedica um posfácio a descrever a obra deste famoso autor, mostrando a enorme influência dele em seu romance.


Mas vamos ao romance. Este, logo nos primeiros capítulos, traz uma das mais arrepiantes e nojentas cenas já lidas por mim, em que o protagonista transa com um corpo de mulher em decomposição, com todos os detalhes descritos como em um filme de terror gore. Aliás, na história a sexualidade está sempre presente, o que faz a obra se aproximar de uma espécie de porno-terror.




O romance é construído, em grande parte, por diálogos. E aqui, noto um erro bastante comum em obras literárias, que se repete também no referido livro. Alexandre Callari põe um garoto de 8 anos para falar como se fosse adulto, usando termos não usuais para uma criança. Não sei se a intenção foi intencional, emulando roteiros de filmes b, que pouco se importam com coerência. O que sei é que isto torna-se anticlimático, gerou em mim certa estranheza, atrapalhando a suspensão de descrença.


Outro elemento que atrapalha a suspensão de descrença, e também bastante usual em histórias de terror, e presente no livro, são as circunstâncias dispostas pelo autor para facilitar que personagens possam vencer obstáculos impostos pela história, deixando sempre aquela sensação de “ah, mas assim!”; destaque aqui o momento em que o protagonista, munido apenas de uma espingarda calibre 22 e um revólver .38, enfrenta um o vilão, com poderes de comandar mortos e a mente dos vivos, mas que, por um momento, sente o poderio de um revólver .38 e uma espingarda velha calibre 22.

Também não poderia faltar o deus ex machine, artifício tão comum e usado à exaustão em filmes de super heróis, em que um personagem surge repentinamente somente para salvar os outros personagens de um enrascada aparentemente sem solução; o próprio autor para um momento para comentar sobre esse recurso em seu romance, contando sobre seu desenvolvimento na literatura; mas aqui há um agravante. O autor cria uma ótima história sobre o passado da personagem usada apenas como solução para o obstáculo narrativo que, até então, não havia aparecido, para logo em seguida matá-la após ela ter servido aos seus propósitos; mas uma vez o leitor fica com a pergunta: “Para que desenvolver um passado complexo para um personagem que, uma página depois, sairá de cena?”. Ficamos com a sensação de que a história do personagem foi um grande desperdício de tempo e criatividade do autor.


quarta-feira, 25 de maio de 2022

PONTE GOLDEN GATE: O LUGAR COM O MAIOR NÚMERO DE SUICÍDIOS DO MUNDO



PONTE GOLDEN GATE: O LUGAR COM O MAIOR NÚMERO DE SUICÍDIOS DO MUNDO

A ponte Golden Gate, localizada na cidade de São Francisco, nos Estados Unidos, é o lugar com maior número de suicídios do mundo.


Segundo os dados registrados até 2006, mais de 1200 pessoas perderam a vida, saltando da ponte.




Pular de tal ponte é sofrer uma  queda de 227 metros de altura, que dura pouco mais de quatro segundos e os saltadores se chocam com a água com um impacto de 120 km/h, o mesmo que uma bola de beiseibol atingir sua cabeça, e geralmente morrem pela causa do impacto. Somente 26 pessoas sobreviveram à queda, e acabaram com os ossos fraturados e lesões internas.



O DOCUMENTÁRIO “THE BRIDGE”

Em 2004, o diretor Eric Steel, com a desculpa de gravar um documentário sobre a estrutura da ponte, passou um ano registrando os suicídios que aconteceram naquele ano, registrando em vídeo 19 dos 36 suicídio que aconteceram naquele ano.


O documentário possui também entrevista com familiares de suicidas que estão no documentário. E  não faltou polêmica. Público e crítica questionaram os métodos de filmagem de Eric Steel. Indagaram se é ético filmar uma pessoa que está prestes a se matar e não avisar as autoridades responsáveis que cuidam da segurança da ponte. Se a equipe de Eric tivesse feito isso, muitos suicídios teriam sido impedidos, ao menos naquele momento. É uma boa discussão, um dilema moral que poderia ter sido abordado também no documentário, com depoimentos dos envolvidos na filmagem. O que sentiram os cinegrafistas ao filmar seres humanos tirando a própria vida? Mais uma pergunta que A Ponte deixa sem resposta.


domingo, 22 de maio de 2022

POR QUE O SHOPPING BOULEVARD É O PREFERIDO DOS SUICIDAS?

 

POR QUE O SHOPPING BOULEVARD É O PREFERIDO DOS SUICIDAS?

ATUALIZAÇÃO: Infelizmente, mais um suicídio na tarde desta quarta-feira (24/05/2023) em famoso shopping em Belém, torna esta matéria novamente atual e levanta mais uma vez a questão: Por que o Shopping Boulevard é o Preferido dos Suicidas?

A cidade de Belém possui atualmente 5 shoppings, porém, apenas um tem se tornado, nos últimos anos, o preferido daqueles que desejam pôr fim à própria vida. O que nos leva a pergunta: O que há nesse shopping que atrai tantos suicidas?

Edifício Manoel Pinto da Silva


Para responder a essa pergunta é fundamental compará-lo com o caso de outro prédio que na década de 1970/80 amargou também a fama de ser o preferido dos suicidas em Belém: o edifício Manoel Pinto da Silva.

Leia Também: Edifício Manoel Pinto da Silva, um Trampolim para a Morte.


CINCO FATORES Estimulavam Suicídios no Edifício Manoel Pinto da Silva:

1º: O fácil acesso ao seu interior, facilitado pelo fato do edifício não ser apenas um prédio de moradias particulares, mas também por ser um edifício comercial, com escritórios, lojas, facilitando a entrada de pessoas estranhas.

2º: Por ser considerado, na época, o edifício mais alto de Belém, o que era visto como um estímulo àqueles que desejavam tirar a própria vida saltando dele, e obter total efetividade no ato.

3º: O edifício Manoel Pinto da Silva possuía/possui muitos espaços internos de livre acesso, que possibilitavam se lançar em queda livre.

4º: Ausência de tela de proteção, que, na época, não havia o uso difundido.

5º: A divulgação de casos de suicídios anteriores, tornava o Edifício Manoel Pinto da Silva um referencial e um estímulo para novos suicídios no local.

Estas 5 condições estão também presentes no Shopping Boulevard, incluindo o fato de ser o shopping mais alto da cidade, e sendo o andar mais alto o mais deserto, possibilita, por isso, menor risco ao suicida de ser impedido em seu ato, daí a escolha. Por isso não sendo à toa o andar escolhido pela maioria dos suicidas.

Redes de Proteção em Shopping de Rio Preto

Devido ao crescente números de suicídios, torna-se necessário e urgente campanhas de conscientização da prevenção do suicídio, e principalmente a instalação de redes de proteção. 

Casos esses requisitos não sejam efetivados, infelizmente, novos casos de suicídios irão acontecer.