domingo, 5 de março de 2023

SERIAL KILLER: MORRE PEDRINHO MATADOR




Pedrinho Matador nasceu em 1954. Começou a matar cedo. Primeiro matou, com 14 anos de idade, o vice-prefeito da cidade de Santa Rita do Sapucaí (MG), onde nascera por ter despedido o pai, então vigia. Depois, já preso, matou o pai na cadeia quando soube que este havia matado sua mãe. Pedrinho tirou o coração do corpo de seu pai e o comeu.

Ainda jovem se relacionou com uma traficante da capital de São Paulo, e quando esta foi morta pela bandidagem, Pedrinho assumiu o comando do tráfico.


Passou a maior parte da vida em cadeia, onde aprendeu a viver sob a lei do cão, passando a matar estupradores e assassinos. Era temido por todos os marginais de sua época. Acredita-se que tenha matado mais de 100 marginais.

Pedrinho gostava de matar na faca, nunca preferiu arma de fogo; se orgulhava de dizer que nunca matou um inocente na vida, só matou aqueles que mereciam morrer.

Seu último desejo era matar o Maníaco do Parque. Pedrinho morreu sem realizar seu sonho.

Pedrinho Matador foi morto hoje, às 10 da manhã, em Mogi das Cruzes (SP), onde estava morando em liberdade após ter cumprido pena. Foi alvejado por tiros desferidos por ocupantes de um carro, que o mataram na rua.

quarta-feira, 1 de março de 2023

A EVOLUÇÃO DOS ZUMBIS: Do Primeiro Filme de Zumbi ao The Last of Us


A EVOLUÇÃO DOS ZUMBIS: Do Primeiro Filme de Zumbi ao The Last of Us

Já tivemos a era dos vampiros, com centenas de filmes abordando o tema das mais diferentes maneiras, marcando época e gerações. Porém, agora, podemos dizer que vivemos a era dos zumbis, dessas criaturas que, ao mesmo tempo causa repulsa, medo, mas, acima de tudo, atração e fascínio. E nenhuma outra criatura de filmes de terror tem se beneficiado tanto do momento atual de enorme proliferação dos meios de comunicação, quanto os zumbis. Constatando isso, nada melhor do que uma breve amostra da evolução destes seres pútridos e fascinantes, desde as telonas do cinema aos streamings e demais formas de mídias.

 

Zumbi: A Origem

A palavra zumbi é oriunda de crenças religiosas vindas do Haiti. Era dado a pessoas que, por meio de feitiços feitos por um feiticeiro, supostamente, após morrerem, voltavam à vida para servirem ao feiticeiro que, por meio de seus poderes sobrenaturais, tornava-se senhor de seus corpos, que já não possuía mais vontade própria e obedeciam cegamente as ordens de seu senhor.


Curiosidade

Por incrível que pareça, na década de 70, cientistas norte-americanos confirmaram que tal crença era em parte verdadeira. Eles descobriram que pessoas que haviam supostamente falecido, não haviam falecido verdadeiramente, mas sido dopadas por substâncias preparadas por supostos feiticeiros, que fazia com que entrassem em um estado físico semelhante a morte, com pouquíssimos sinais vitais; e após terem sido enterradas, depois dos efeitos da substância ter passado, o suposto feiticeiro ia até a cova e retirava a vítima, e convencia ela de que havia verdadeiramente morrido, e que seu corpo já pertencia a ele; e assim escravizava-os.  


O primeiro Filme de Zumbis

Diferentemente da realidade, a saga dos zumbis na telona dos cinemas teve início com o filme White Zombie (1932), estrelado pelo famoso ator romeno Béla Lugosi, este foi o primeiro filme de zumbi da história, e se baseava na concepção de zumbi clássica, de morto-vivo reanimado por meio de poderes sobrenaturais, como os pertencentes às crenças religiosas do Haiti.


A Noite dos Mortos Vivos


Agora, se você gosta de zumbis devoradores de suculentos pedaços de carne humana (uma característica que, definitivamente, estará presente em futuras concepções de zumbis), dê graças ao diretor George Romero e ao seu filme A Noite dos Mortos Vivos (The Night of The Living Dead), de 1968, que modernizou a ideia de zumbi, tornando-os canibais.



Curiosamente, em entrevista, Romero declarou que nunca pensou em suas criaturas como zumbis, já que para ele zumbi se referia às criaturas de filmes mais antigos, aos zumbis clássicos, mas os concebia como ghouls, criaturas oriundas de crenças árabes pré-islâmicas que frequentam cemitérios e se alimentam de carne humana.


O Retorno dos Mortos-Vivos


Se A Noite dos Mortos Vivos trazia zumbis bem diferentes dos zumbis clássicos, haitianos, contudo eles ainda eram inspirados em forças sobrenaturais. Porém, talvez por influência do conto Reanimator, do escritor norte-americano H.P. Lovecraft --- em que um médico cria uma substância capaz de trazer mortos à vida ---, filmes da década de 80 passaram a conceber causas não sobrenaturais para o surgimento dos zumbis.



Como em O Retorno dos Mortos-Vivos (The Return of Living Dead), de 1985, em que, por acidente, um desconhecido gás vaza, e a chuva o traz para a superfície de um cemitério, fazendo com que os mortos ganhem vida. Também aqui os zumbis são canibais mas possuem preferência, única e exclusivamente, por cérebros humanos.


The Walking Dead



A série de The Walking Dead, de 2010 --- que começou primeiro como história de quadrinho ---, popularizou definitivamente o conceito de Apocalipse Zumbi, em que um vírus seria capaz de tornar grande parte da humanidade zumbi.



Esta ideia já estava presente no romance Eu Sou a Lenda, de 1954, do escritor estadunidense Richard Matheson, que conta que um surto de vírus transformou quase que a totalidade das pessoas do mundo, não em zumbis, mas em vampiros, que temem a luz do sol, momento em que o protagonista do livro aproveita para sair de seu esconderijo. Portanto, o Apocalipse Zumbi tinha, originalmente, uma roupagem vampírica.


The Last of Us



A série, que primeiro surgiu como um jogo de vídeo game, The Last of Us, de 2023, trouxe mudanças fundamentais para a concepção de zumbis. Primeiro, devido a causa do fenômeno não ser de origem sobrenatural, nem contágio de vírus, mas por um fungo que teria evoluído de um fungo comum que na natureza ataca insetos, tirando deles a autonomia, e os transformando em alimento vivo e instrumentos de locomoção para o fungo, em busca de um melhor lugar para sua proliferação. Portanto, tecnicamente, tais criaturas não seriam zumbis, já que não estariam mortos e retornados à vida --- razão pela qual na série eles são chamados de “infectados” e nunca de zumbis ---; as criaturas também não atacam as pessoas saudáveis com o desejo de se alimentar de carne humana, pelo menos não na forma tradicional, mas teriam o objetivo de infectar as pessoas saudáveis com o fungo.




Mas a concepção de zumbi passou por tantas mudanças, tornando-se a cada passo tão diferente da sua forma original, que creio que não há nenhum problema em incluir as criaturas de The Last of Us no grupo dos zumbis, até porque muito antes do surgimento da série e mesmo do jogo, o termo zumbi já era usado para descrever as cenas assustadoras de carcaças de insetos se arrastando na natureza contaminados pelo fungo cordyceps, que deu origem a mutação do fungo da série referida. Além disso, o termo já era usado para se referir a pessoas que, por alguma razão, incluindo o uso de drogas, perderam a autonomia de seus corpos e vida, uma característica presente em todas as concepções de zumbis.




The Last of Us inovou ao mostrar diferentes tipos de zumbis (infectados), de acordo com o tempo de evolução do fungo em seus corpos. Destaque para o chamado Rei dos Ratos, uma criatura formada por um amontoado de humanos  infectados que se transformaram em um só indivíduo. 




Tal concepção também foi inspirada em outro fenômeno real, chamado de Rei dos Ratos, em que ratos se embolam por meio de suas caudas, fraturando-as e calcificando os ossos, de forma a mantê-los presos pelo resto de suas vidas, e fazendo-os a aprender a agir como se fossem um só indivíduo. Já foi relatado Rei dos Ratos contendo mais de trinta indivíduos.


sexta-feira, 24 de fevereiro de 2023

O COLECIONADOR (Resenha de Livros)

 O COLECIONADOR (Resenha de Livros)

Frederick Clegg é um jovem solitário, anti social, órfão, que vive apenas com a tia e sua prima deficiente; vive uma vida monótona, sofrendo bullying no trabalho, e tem um único prazer na vida: colecionar belas borboletas. Porém, um dia, ao olhar por sua janela do trabalho, vê a coisa mais bela que até então havia visto em sua vida, a jovem Miranda Grey.


O Stalker

Frederick é um stalker (perseguidor) clássico, não no sentido moderno que a internet passou a conferir ao termo, passando a perseguir Miranda pela cidade, por seus lugares preferidos e habituais --- bares, metrô, faculdade, biblioteca, etc. ---, e a descobrir tudo a seu respeito, desde sua comida preferida, a cores, músicas e tudo o mais de seu gosto. Sobre seus encontros anônimos com ela, Frederick descreve como se perseguisse uma rara borboleta: “Vê-la sempre me fez sentir como se capturasse um espécime raro, me aproximando bem silenciosamente, com o coração na mão, como dizem”. Ele sonha em possuí-la, embora saiba que uma mulher como Miranda jamais sequer o olharia.




Contudo, algo inusitado acontece que torna seu sonho possível. Ele ganha uma bolada na loteria. Então sai do emprego, compra viagens para a Austrália para sua tia e prima visitarem parentes e passa a se dedicar apenas a concretizar seu sonho. Para isso  compra um antigo chalé, longe da cidade, com um bom porão, ideal para tornar Miranda sua “convidada”, como costuma chamar, na esperança de que a convivência forçada com a moça a faça se apaixonar por ele.




O romance de John Fowles, lançado em 1963, surpreende o leitor ao trazer um sequestrador muito diferente de tudo que já se viu. Frederick é extremamente educado, atencioso, que não deseja nenhum contato íntimo ou sexual com sua vítima, dando a ela tudo que o dinheiro é capaz de dar, desejando apenas uma oportunidade para que Miranda o conheça melhor, e saiba o cara legal que ele é --- aqui, o autor mostra todo o seu poder de análise psicológica ao mostrar como pensa um psicopata, que põe toda a culpa de seus atos na vítima, distorcendo a realidade e os sentimentos humanos. Frederick não consegue compreender que Miranda não é um objeto, e que é tão diferente de suas borboletas, e que isso não lhe dá o direito de possuí-la como uma de suas belas borboletas mortas. Mas o que esperar de um psicopata colecionador de borboletas?


Versão Cinematográfica de O Colecionador

A premissa de O Colecionador é maravilhosa e surpreendente, ao narrar a obsessão de um psicopata colecionador de borboletas que compara a rara beleza de uma mulher com uma bela borboleta; e o autor soube muito bem extrair consequências surpreendentes de sua história.


Mas o livro não é só isso. O Colecionador discute o valor da arte (Miranda é uma estudante de arte que tenta sensibilizar seu sequestrador indicando para ele livros, músicas e quadros preferidos); discute também o valor da beleza, e principalmente as boas oportunidades que uma pessoa nascida bonita e de classe alta, como Miranda, obtém, ao contrário dos dotes insípidos e a vida humilhante e sem oportunidades de Frederick.


A Narrativa

O livro se divide, basicamente, entre a visão de Frederick sobre a convivência com sua “convidada”, e a visão de Miranda sobre o convívio com seu sequestrador, por meio dos relatos de seu diário. 


A repetição da mesma história pelos dois ângulos diferentes, pode cansar o leitor, assim como as reflexões de Miranda sobre arte e as memórias de seu relacionamento com certo pintor, quebra bastante o ritmo da história, mas recuperando o suspense de forma magistral em suas últimas páginas.


Curiosidade


No início da década de 1980, os serial killers Leonard Lake e Charles Ng, por meio de um anúncio sobre jogos de guerra em uma revista, se encontraram e viram que possuíam muitas coisas em comum. Os dois construíram um bunker em uma fazenda, e passaram a sequestrar mulheres e mantê-las presas no bunker. O livro de cabeceira de Leonard Lake era O Colecionador. Porém, bem diferente de Frederick Clegg, os dois estupravam e torturavam suas vítimas, que eram atraídas com promessas de emprego; as torturas eram gravadas por eles em vídeo. Suas vítimas eram mortas e enterradas na fazenda de Leonard Lake.


Em 1985, Charles Ng foi pego após a assaltar um supermercado, junto com Leonard Lake, que foi preso pelo porte ilegal de arma e identidade falsa. No banheiro da delegacia Leonard se matou tomando uma cápsula de cianeto que sempre levava consigo. Após uma série de fuga, Charles Ng foi preso pelos assassinatos da dupla. Hoje ele ainda cumpre sua prisão perpétua.




Na fazenda de Leonard, foram encontrados 12 corpos e 45 quilos de fragmentos de ossos, levando a polícia a afirmar que fizeram mais vítimas. 


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2023

OBJETOS NÃO IDENTIFICADOS ABATIDOS, ERAM BALÕES COMERCIAIS



OBJETOS NÃO IDENTIFICADOS ABATIDOS, ERAM BALÕES COMERCIAIS

Então os “objetos não identificados” derrubados pelos Estados Unidos, em seu território e na fronteira com o Canadá, nada mais eram do que balões comerciais, ou seja, balões de propagandas, como este.

 



O governo dos Estados Unidos declarou que após a derrubada do balão chinês ocorrido no céu do Alaska, no dia 4 de fevereiro, os radares foram calibrados para detectar objetos de menor porte, o que ocasionou a detecção de tais objetos. 


Lembrando que no princípio, os objetos foram descritos como tendo o formato cilíndrico e octogonal, coisa bem diferente da forma tão comum dos balões conhecidos.


Regiões dos Aparecimentos dos Objetos com suas Respectivas Datas de Derrubada



É surpreendente que o país com os melhores aviões com a melhor tecnologia de defesa e identificação de aeronaves não consiga diferenciar um simples balão de propaganda? O que nos leva a pensar: Terá mesmo as temidas forças armadas americanas uma grande eficiência militar? Pois um simples balão comercial foi capaz de causar um perigoso problema diplomático. 


O erro foi tão grosseiro que nos enche de perguntas: Foi realmente a explicação correta? Teriam, de fato, derrubado tais objetos? Ou tudo foi apenas uma cortina de fumaça para desviar a opinião pública de problemas mais urgentes? 


domingo, 12 de fevereiro de 2023

UFO’s: ESTADOS UNIDOS DERRUBAM 3 OBJETOS NÃO-IDENTIFICADOS EM SEU TERRITÓRIO



UFO’s: ESTADOS UNIDOS DERRUBAM 3 OBJETOS NÃO-IDENTIFICADOS EM SEU TERRITÓRIO


Uma série de avistamento de objetos não-identificados, e aparentemente diferente de tudo que se tem conhecimento, tem chamado atenção do mundo ultimamente, com casos em que autoridades norte americanas afirmaram terem derrubados três destes objetos: o primeiro foi derrubado quando sobrevoava o céu do Alaska, o segundo, quando sobrevoava a fronteira entre o Canadá e os Estados, e o terceiro, derrubado neste domingo,12 de fevereiro, quando sobrevoava o estado de Michigan, nos Estados Unidos.


Acima, Destroços do Balão Chinês




Os fatos recentes aconteceram após os Estados Unidos terem derrubado um balão chinês, no dia 4 de fevereiro,  que sobrevoava território norte americano. Especialistas se perguntam se os três objetos não-identificados possuem relação com o balão chinês derrubado. Porém, o que chama atenção nos três eventos recentes, é que autoridades foram claras em afirmar que os objetos, ao contrário do primeiro evento, não eram balões, nem possuíam formas de propulsão conhecidas, o que é descartado também a possibilidade de drone.


Nas últimas horas, China e Uruguai afirmaram que objetos semelhantes também sobrevoaram seus territórios.


O mistério continua.


quarta-feira, 25 de janeiro de 2023

SEITAS SATÂNICAS: UMA CRIAÇÃO DA LITERATURA E FILMES DE TERROR

SEITAS SATÂNICAS: UMA CRIAÇÃO DA LITERATURA E FILMES DE TERROR

Quando um cadáver é encontrado mutilado --- faltando olhos, coração, mãos, órgãos sexuais, ou outra parte com forte simbolismo religioso ---, logo surgem opiniões que trata o ocorrido como fruto de um ritual satânico, promovido por alguma seita satânica --- os casos divulgados pela imprensa são fartos, e geralmente, ao longo da investigação, descobre-se não haver nada de satânico neles.


Caso Evandro, de Guaratuba, Onde Pessoas Foram Erroneamente
Presas por Supostamente Ter Matado Criança em "Ritual Satânico".


Em geral, a hipótese diabólica é bastante explorada pela imprensa, que lucra muito com tal assunto, já que histórias relacionadas ao satanismo tendem a chamar muita atenção do público.


Leia Também: Delegado, Por Preconceito Religioso, Acusa de Assassinato Membro de Seita "Satânica".


O Primeiro Pacto Satânico 



O interesse do público por histórias satânicas não é de hoje. Na Alemanha, no séc. XVI, se criou toda uma literatura voltada para histórias de pessoas que, supostamente, estavam sob a influência do Diabo. Essas histórias tinham por base a religião protestante, e serviam para expor comportamentos condenáveis pela igreja. Assim, para mostrar que o comportamento de cobiçar a mulher do vizinho, era condenável, criava-se uma história envolvendo o pacto entre o Diabo e o homem que desejaria adquirir o poder de seduzir mulheres, em troca, ele entregaria sua alma ao Cramulhão. Porém, como era de se esperar, sempre tais histórias terminavam ruim para o personagem que se desviou dos “bons” mandamentos da igreja, e se entregou a desejos diabólicos. Assim a igreja conseguia propagar suas regras por meio de um modo bastante eficiente: o medo do Diabo.



E foi nesse período que surgiu a primeira história de um pacto com o Diabo. 


Com o tempo, as histórias de pessoas que estavam sob a influência do Diabo, foram adaptadas em um só personagem, certo Doutor Fausto, um homem sábio que teria vivido entre 1480 a 1540, na Alemanha, e que teria vendido a alma ao Diabo por meio de um pacto diabólico para obter mais conhecimento, além do que era permitido a um homem de sua época conhecer.

 


A existência de certo Doutor Fausto não possui nenhuma evidência precisa, e está tão misturada a lendas e possui tantas versões diferentes, que muitos pesquisadores afirmam que ele sequer existiu, que foi apenas um personagem inventado. Porém, é provável que algum Doutor Fausto, que se dedicava a medicina, alquimia e astrologia, tenha existido, pois era comum que, na antiguidade, pessoas com talento excepcional, fosse visto como tendo obtido seu talento por meio do Diabo.


É muito provável também que o suposto pacto com o Diabo, feito pelo Doutor Fausto, nunca tenha ocorrido, que tenha sido mera criação lendária ou tenha sido criada por algum escritor anônimo. Seja como for, tal lenda foi bastante divulgada pela literatura, com centenas de escritores escrevendo, ao longo dos séculos, sua própria versão da história, tornando-a tão popular que, certamente, houve aqueles que acabaram por acreditar tanto nela que passaram a afirmar já terem feito alguma forma de pacto com o próprio. 


O começo da grande popularidade da lenda tem um início bem conhecido, data de 1587, quando o livreiro alemão Johann Spies reuniu várias histórias sobre o Doutor Fausto em um único livro, chamado História do Doutor Johann Fausto. Livro que ajudou muito a propagar a lenda do Doutor Fausto para além da Alemanha, gerando inúmeras versões.


É evidente que a lenda do Doutor Fausto foi criada, ou pelo menos melhor elaborada por escritores que tinham a intenção de fortalecer o poder da igreja sobre a ciência, pregando por meio de sua lenda, que o homem deve buscar conhecer apenas o que é permitido a ele conhecer por meio de Deus e da religião.


As Mais Famosas Obras Envolvendo a História do Doutor Fausto: 

A Trágica História do Doutor Fausto, de 1589 - 1592, peça de teatro do escritor inglês Christopher Marlowe;

Fausto, uma Tragédia, de 1808, do alemão Goethe;

Doutor Fausto, de 1947, do alemão Thomas Mann.     


A lenda se popularizou tanto, que todos já devem ter ouvido algum boato afirmando que determinado artista fez um pacto com o tinhoso --- casos famosos sobre o violinista Niccolò Paganini e do músico de blues Robert Johnson.

 

Seitas Satânicas, uma Criação Também da Literatura de Terror?

Se o primeiro pacto com o Diabo foi uma criação da literatura, também foi ela que criou a ideia moderna de seita satânica, sendo divulgado massivamente pelo cinema por meio dos romances de terror adaptados ao formato de filme. Pois se antes, durante a idade média, já se falava dos Sabás, as reuniões de bruxas em meio a floresta para cultuar o Demônio, na verdade, tais reuniões não possuíam nada de satânico, uma vez que se tratava de pessoas que se reuniam escondidas para cultuar deuses pagãos, que não são demônios, mas que foram demonizados pela igreja e erroneamente identificados como demônios. 


E mesmo aquele que foi considerado o mais famoso satanista do passado, Aleister Crowley, não era um satanista convicto, mas, sim, alguém que estudava e praticava as mais diversas práticas religiosas, do Tantra indiano, passando pela Teosofia, aos cultos da religião egípcia e etc.




E mesmo o famoso Baphomet, a criatura com cabeça de bode, seios e pernas de bode, encontrado hoje em todo altar de indivíduos considerados “satanista” pela imprensa, foi uma criação do ocultista francês Elyphas Levi (1810 - 1875) para um de seus livros de magia, e nunca tendo sido considerado a imagem de Satã por seu criador.


Em Meio a Entidades Religiosas Brasileira,
Vê-se a Imagem do Baphomet


E o que dizer da Igreja Satânica criada, em abril de 1967, por Anton LaVey?




Seu conceito de Satã, como uma força presente na natureza, junto com sua benéfica ética satanista, está muito longe da concepção cristã de Satanás, como uma entidade em que o próprio mal se materializa e que exige sacrifícios humanos em sua honra.


Por isso pode-se dizer que nunca houve uma seita, pelo menos conhecida, que tenha cultuado, claramente, o Demônio na pura concepção cristã, sendo o culto à Satã uma criação recente, que nasceu, primeiro, por meio de livros e filmes de terror, com personagens fictícios adoradores do Demônio. 




No romance O Bebê de Rosemary, do escritor Ira Levin, publicado em 1967, e que ganhou versão para o cinema, em 1968, um jovem casal ao se mudar para um famoso e antigo prédio, em Nova York, se envolve com um simpático e aparentemente inofensivo casal de velhinhos, que são membros de uma seita satânica, que envolve o casal pretendendo fazer com que a jovem recém casada gere o filho do Demônio. O sucesso do livro deu origem a uma demanda por livros com a mesma temática, o que levou seu autor a dizer: "Me sinto culpado que O Bebê de Rosemary tenha levado ao O Exorcista e A Profecia. Toda uma geração foi exposta e crê no Diabo. Eu não acredito no Diabo. E sinto que o forte fundamentalismo que temos não seria tão forte se não tivesse tanto desses livros (...). Claro, não devolvi nenhum cheque de royalties."




O livro foi seguido por outros dois romances de terror que têm na influência do Diabo seu foco, juntos formam a mais famosa tríade de histórias de terror, são: O Exorcista, de William Peter Blatty, publicado em 1971, e A Profecia, de David Seltzer, publicado em 1976, que traz também o tema do nascimento do filho de Satã, estes dois livros também tiveram suas versões para o cinema.




A Profecia, tanto o livro quanto o filme, fizeram tanto sucesso no ano de 1976, e causaram tanto pânico no público, que milhares de Bíblias foram vendidas nos Estados Unidos naquele ano, fazendo com que o público voltasse a se interessar pelo livro sagrado, principalmente pelo livro do Apocalipse --- olha aí o medo do Diabo fazendo com que, assim como nos textos antigos sobre o Doutor Fausto, o público retomasse suas crenças religiosas. 


Estes livros são verdadeiramente herdeiros diretos das histórias sobre o Doutor Fausto e de seu pacto diabólico, que se repete em suas histórias, seja na conivência diabólica do marido de Rosemary, em O Bebê de Rosemary, seja na possessão da protagonista de O Exorcista, e também nos personagens que amparam e ajudam a criança, que é a nova encarnação do Diabo na história de A Profecia. 


Os três livros, principalmente O Bebê de Rosemary e A Profecia, criaram a ideia moderna de seita satânica, como as que eram concebidas pela igreja no passado, dedicadas exclusivamente a cultuar o Demônio, porém adaptadas aos tempos de hoje. E foi após a popularidade dos três livros que começaram a surgir grupos autênticos de adoradores do Diabo no mundo real, tomando as seitas destes livros e seus rituais como modelo.

 

Richard Ramirez Assassino Satanista


Adoradores que, na maioria das vezes, são jovens influenciados por bandas de Rock, do estilo Death Metal e Black Metal, bandas que, por sua vez, foram influenciados pelos mesmos três livros de terror citados; muitos influenciados por forte sadismo. 


Em alguns casos, devotos que chegaram realmente a cometerem assassinatos, como oferendas ao Diabo.