terça-feira, 14 de agosto de 2012

UMA ENTREVISTA COM O DIABO (de Bosco Silva)




CARTA AO LEITOR

Caro leitor, aqui, finalmente, está o que tenho guardado há alguns anos. São segredos que me foram revelados há poucos anos. E que não poderia deixá-los encobertos por puro egoísmo. Por isso, aqui venho, por meio desta, dividi-lo com você, pelo grande valor de seus conhecimentos.

Nela estão algumas revelações, que após anos de pesquisas, foram-me possíveis pelo contato com uma estranha entidade ancestral, que presidiu a própria criação do mundo.

Peço-lhe que julgue por si próprio a veracidade de tal história, sempre levando em conta o bom senso em tal investida. E mesmo que creia não ser verdadeira, atente para o conhecimento que nela está contido, pois são conhecimentos reveladores, que podem ser vistos como independentes de sua história.

O Autor.


ENTREVISTA COM O DIABO

“É doloroso, mas o mundo é do Diabo, assim como o Céu é dos tolos”
(Palavras de Satã, personagem da obra Macário de) Álvarez de Azevedo

Estávamos todos bêbados naquela noite, e, quando isso acontece, quase sempre alguém inventa a brincadeira do copo.

Para aqueles que não a conhece, ela chama-se assim por utilizarmos um copo como apoio para nossas mãos, e também como seta, que indicará letras, que formarão palavras por meio dos movimentos involuntários de nossas mãos sobre um tabuleiro, tendo todas as letras do alfabeto.

Esta é uma velha brincadeira, que não assusta mais, com sua ideia que um espírito ao redor da mesa irá responder todas as nossas perguntas, já que todos sabemos, como já foi dito, que se deve a movimentos involuntários, ou a vontade, bastante voluntária, de alguém engraçadamente intencionado.

Mas, não ligando para isso, e tendo apenas o intuito de diversão, nos entregamos a tal brincadeira.

Em um dado momento, as letras se conjugaram e formaram a palavra Belzebu, e logo em seguida a palavra telefone, seguida por meu nome.

As risadas imediatamente se alastraram pelo ar. Senti-me logo como o escolhido, para as próximas brincadeiras que dali surgiriam, naquela noite.

E, malgrado meus avisos que não iria me assustar com tal brincadeira, o telefone tocou imediatamente.

Era para mim. E aos risos fui atendê-lo.

Do outro lado, uma voz bastante grave me dizia:

- Aqui é Belzebu. Meu mestre, o Diabo, gostaria de contactá-lo.

Eu, admirado pela organização e rapidez da brincadeira, fiz questão em participar dela.

Disse-lhe, então:

- Qual o motivo de tão magnífico convite?
- Os dois artigos que escreveste sobre o Diabo.
- Ah!, sim, O Diabo e o Rock* e A Verdadeira História do Diabo**.
- Sim. Ele gostou muito. E após milhares de anos, Ele encontrou alguém a quem pudesse dar uma entrevista. Alguém que conhece os erros e as injustiças que lhe tem sido atribuído.
- Então, serei para Ele uma espécie de advogado, um advogado do Diabo?
- Sim.
- E o que receberei em troca?
- Conhecimento e paciência para suportar as idiotices dos religiosos.
- Bem, já é um bom começo, pena que em meu país o conhecimento vale tão pouco!
- Irei contactá-lo novamente. E darei o local e a data do encontro. Aguarde – disse-me.
- Ok. Dê lembranças ao Diabo. Diga que Ele tem bom gosto – e desliguei o telefone às gargalhadas.

Os dias passaram, e esqueci totalmente da brincadeira. Porém, um dia, enquanto estava enfrente à televisão, recebi um telefonema:

- Alô.
- Você ainda se recorda de nossa última conversa? – disse alguém do outro lado da linha.
- Que conversa?
- Do encontro programado.
- Que encontro?
- Do encontro com o Diabo.
- Ah, sim, desculpa.

A brincadeira passada ainda fazia-se render. E eu ainda continuava a mantê-la viva. Disse-lhe, então:

- Continuo aguardando.
- Finalmente, hoje nos encontraremos. Aguarde um táxi em frente de sua casa, às três horas em ponto da madrugada. Ele lhe trará até nós.
- Sim, vou aguardar.

Um táxi preto, com vidro fumê, parou enfrente ao meu prédio, como o combinado, ás três horas da madrugada. A placa, curiosamente, ostentava o número 666.

A noite e a brincadeira bem produzida, prometiam – então, pensei.

Ao entrar no carro, eu não conseguia ver o motorista, pois um vidro escuro nos separava. O táxi rumou, então, para o centro da cidade. E logo estávamos enfrente a principal igreja da cidade: Basílica de Nazaré.

Ao lado dela um sujeito de preto me aguardava.

Era um sujeito alto, bem apessoado, que tirando os óculos escuros, nada de diferente aparentava.

Disse-me, com voz extremamente grave: - Seja bem-vindo. Meu nome é Belzebu.

E em seguida entramos por uma portinhola que havia ao lado da igreja.

Comentei a ele que jamais tinha visto tal portinhola, mesmo passando por ali quase todos os dias. O qual me respondeu de imediato: - O Diabo tem seus segredos!

A pequena porta nos conduziu a um longo corredor iluminado por tochas em todos seus lados. Ao fundo do corredor uma imensa sala, iluminada por luz de velas negras, tendo no centro uma grande mesa, em que se encontrava um sujeito, sentado, trajando um longo hábito, com capuz. E sem levantar a cabeça, saldou-me ao entrar:

- Seja bem-vindo ao meu último exílio. SOU AQUELE QUE TODOS TEMEM SEM CONHECER. Sou a luz e a treva. O Grande Todo. Aquele que a própria morte teme.
- Eu, sou apenas aquele que escreve: um simples escriba.

Olhava discretamente para todos os lados, para ver as pessoas que deveriam estar escondidas a nos observar. Mas, por mais que olhasse atentamente, nada via. A brincadeira parecia, mesmo, ser muito bem feita, tanto que não via a hora de perguntar pela aquela produção cenográfica. Por seus detalhes muito bem feitos.

Ficava a pensar de quem era a obra, quem a teria organizado, quem a teria planejado. Pensei por um momento que poderia ser uma festa surpresa. Mas não era um dia especial em minha vida, como aniversário. O que então seria?!

O que melhor poderia fazer era segui-la e ver em que daria.

Disse-lhe, então:

- Observei que a placa do carro é 666, então estava errado, este é mesmo o número do Diabo?
- É o que dizem, mas para mim não tem o menor sentido. Uso-o apenas para identificar-me, mas poderia ser qualquer outra coisa. Embora você esteja correto em seu texto.
- A tradição o associa ao sol, e figurativamente aos seres iluminados, pois 666 é a soma dos números de 1 a 36, dos números do quadrado mágico, que representa o sol. Representa, portanto, também Lúcifer, palavra que em sua origem, latim, significa aquele que traz a luz. Nada há nisso de mal, pois é um belo título, que tem sua origem no nome da estrela da manhã, o planeta Vênus, que antecede sempre ao amanhecer e pôr do sol.

Cristo também o usou, a se referir como estrela da manhã, como aquele que traz a luz, como o iluminado, enfim, como Lúcifer: “Eu, Jesus,... Eu sou a raiz e o descendente de Davi, sou a ESTRELA RADIOSA DA MANHÃ.” (Apocalipse 22:16). Mas para Você, certamente, é apenas mais uma velha história.

Nesse momento, notando que seguia a cena à sério de mais, enveredei para um tom mais jocoso, pois aquilo era para se divertir, e eu deveria me divertir mais. Então, perguntei:

- É verdade que és a criatura mais velha que existe, até bem mais que minha avó?

De imediato aquele sujeito pareceu se inflamar de ódio, soltando um grito ensurdecedor, ao qual nada deu para ver seu rosto, mas apenas sua imensa boca, que fez tremer a mesa e a parede. E em seguida, pôs-se falar palavras incompreensíveis, que pareciam ser latim. Pensei comigo, ainda bem que não perguntei sobre seus chifres! E ri em silêncio.

Em seguida, me respondeu:

- SOMENTE AQUILO QUE MORRE POSSUI IDADE. PORÉM, EU SOU O PRÓPRIO TEMPO, A ETERNIDADE.

E após algum tempo em silêncio, em um momento mais calmo, tal brincadeira trouxe-me à memória uma velha lenda de minha cidade, que afirma que uma imensa cobra dorme à anos sob a velha igreja, e todas as vezes que esta levemente se acorda faz tremer a cidade. Perguntei-lhe, então:

- Qual o motivo de se encontrar em uma igreja católica, e não em outra, como em um templo evangélico?
- Pelo menos aqui não usam tanto meu nome para ganhar dinheiro. Além disso, há o vinho! Dois mil anos de Cristianismo, pelo menos valeram para criar o gosto por um bom vinho. E o vinho dos padres são os melhores!

E enquanto saboreava o vinho, tirando gosto com as hóstias, suspendeu a grande taça, brindando a mim. E como por um passo de mágica, soltou a taça deixando-a parada no ar, enquanto folheava o grande livro que havia na mesa. Disse-me, então:

- Sei que não acreditas em mim. Mas, veja, eis o livro da vida e da morte. Seu nome, como os de todos, está aqui. Bem como grande parte de sua vida.

E após falar isso, levantou-se em direção a mim. Pôs sua mão sobre minha cabeça, e com uma grande nitidez, pude ver toda a história do mundo, de seu princípio àquele momento que me encontrava ali. Em seguida, pôs-se a contar segredos da minha vida, que nem mesmo eu sabia. Bem como fantasmas de meus entes queridos, alguns que eu nem mesmo conhecia, puseram-se a contornar-me dizendo segredos aos meus ouvidos. E assim, pude ver, finalmente, de que se tratava. Tudo era absolutamente verdade. E caí de joelhos...

Ele em seguida, perguntou-me:

- Queres saber algum segredo?
- Sim, o maior de todos. Conte-me sobre a morte. Há vida após a morte?
- Nada posso dizer-lhe.
- Mas, Você não conhece tudo?
- Sim. Conheço. Mas pense na morte como num final de um grande livro: se eu contar-lhe o segredo, o final, estraga a história! Pois sou também o autor deste Grande Livro. E tudo que posso lhe dizer é: não se assuste, a morte é um grande alívio!
Mas, você pode descobrir por si próprio.
- Mas dizem que não é possível ter certeza, em tal assunto.
- Besteira – disse-me, Ele.
- Olhe.

Neste momento, o corpo de um homem apareceu entre nós.

- Quem é ele? – perguntei ao Diabo.
- Não importa. O que importa é que está morto.
- E o que diria este sobre a própria morte? Poderia este corpo nos relatar algo?
- Muitíssimo, meu caro.

E após isto, o corpo começou a apodrecer, em nossa frente, mudando de tonalidade, inchando, se liquidificando, sendo absorvido por bilhares de bactérias e vermes, tornando-se apenas ossos. E, finalmente, secando, até ao pó.

Em seguida, o Diabo, disse-me:

- Um cadáver conserva sua estrutura de organismo vivo por pura inércia de seu material. Pouco a pouco seu material é absorvido pelo todo. Pois, “o cadáver não é senão o conjunto dos materiais da vida: um pouco de água, de carvão, de azoto, de ferro”, como já foi bem dito.
A vida é “o que mantém, direta ou indiretamente, a própria forma do organismo”, em sua luta diária para não se entregar ao todo. A vida, pois, é o extremo da morte.
- Sim, mas nada há de novo nisso.
- Calma, meu amigo – disse-me, com a voz extremamente calma. E continuou:
- Por outro lado, há na natureza um ponto de equilíbrio, em que os extremos se assemelham e se completam, mantendo o universo, sua unidade (uni), apesar de sua infinita variedade (verso), fazendo com que este não se destrua, mantendo o equilíbrio de seus elementos e de seus excessos, e conservando em todas as coisas sua identidade.
Por isso, não é de estranhar semelhanças nas coisas e em seus excessos. O que faz com que a mais alta e a mais baixa temperatura, queimem; que a falta e o excesso, façam mal; que o imensamente grande e o pequeno, se assemelhem, como no átomo e em seu semelhante sistema solar; que a infância e a velhice tenham pontos em comuns, na diminuta quantidade de pêlos e dentes, na pele enrugada, etc; que o silêncio e o mais alto som sejam inaudíveis; que o grande e o pequeno, sejam extremamente mortais, como um elefante e um vírus; que a mais extrema fealdade e beleza chamem atenção; que o zero e o número infinito, não sejam divisores de nenhum outro número; que a falta e o excesso de água, façam mal, o primeiro causando desidratação, o outro afogamento; que a ausência e o excesso de luz, nos torne cegos; que o óbvio e o incomum, torne-se de difícil explicação; etc... e, finalmente, que a vida e a morte possua muito em comum.
Este é o caminho, meu caro, aplique este princípio e entenderás cada vez mais sobre a morte. Isto é tudo que desta posso lhe ensinar.
- E quanto a estas doutrinas que explicam sobre a morte?
- Tudo balela! Meras projeções inconscientes.
- Fico a pensar o que pensariam outras pessoas a ouvir o que dizes. Certamente, não acreditariam em nada que dizes, pois para elas o Diabo é o pai da mentira.
- Certamente. Mas foram seus líderes religiosos que mentiram. Se há um criador da mentira, esse criador é o homem, em sua busca desenfreada por poder.
Primeiro, para aumentar o poder de suas crenças, tentaram destruir os deuses pagãos, distorcendo seus significados para seus seguidores, tornando-os seres negativos, sem nenhum valor positivo. E assim impedindo seus seguidores de conhecerem e respeitarem outras crenças. Associando tais deuses a esta imagem falsa, criada simplesmente para amedrontar seus seguidores, do Diabo, como um ser puramente malévolo. Para tanto, juntaram símbolos, que para outras religiões eram, e são sagrados, criando assim tal imagem.

E enquanto falava isso, abaixou o capuz expondo seu rosto. Ao qual reagi com imenso susto! Pois mesmo conhecendo sua história, me espantou saber que o Diabo possui rosto humano.

Disse-me:

- Por acaso, esperavas pele vermelha, barbicha e chifres? Quanta ignorância! Agis como um homem qualquer!
- É que mesmo sabendo sua história, torna-se difícil livrar-me destas idéias preconceituosas.
- Sempre me surpreendeu que pintassem um quadro horrível de Mim. Imagine: Eu todo-poderoso, querendo capturar novas almas, iria lhes atrair com uma imagem horrível, cheirando a enxofre? Não seria melhor assim...

Neste momento transformou-se em uma linda mulher, como poucas que já vi na vida, com um corpo escultural, esplendoroso!

- Ou assim...

Transformando-se em um belíssimo carro, como aqueles que são intensamente desejados.

- Eu não possuo rosto, nem formas, porém, tomo a forma que quiser. E digo-lhe, jamais tomaria uma horrível forma. Esta foi criada para distorcer outros deuses.
Veja, por exemplo, os chifres, para antigas culturas, estes representavam símbolos de sabedoria, em seus deuses. Assim como outros, como o tridente. Mas que hoje representa esta imagem asquerosa do Diabo. DEPOIS EU QUE SOU O MENTIROSO!
Quanto a isso, esta falsa imagem minha está ligada ao imenso orgulho humano, pois estes crêem que são a coisa mais importante do universo, e que eu apenas teria um único pensamento: tentá-los para possuir suas mentes, e assim ofender a deus, com a idolatria de sua mais importante criatura, como se Eu não tivesse coisas mais importantes a fazer!
Veja estes filmes, em que possuo a mente de jovens meninas, como me retratam idiota! Para que perderia tempo em possuir mentes tão insignificantes, sem nenhum poder, quando poderia possuir mentes poderosas, como as de alguns presidentes, e causar tantos danos. PARA QUE PERDER TEMPO PROVOCANDO TREMELIQUES, SE POSSO CAUSAR TERREMOTOS!, meu caro.
- Então, por que continuas conservando o nome Diabo?
- Como disse antes, é apenas um modo de me identificar, pois Eu mesmo não tenho nome. Assim, nomes como Demônio, Satã, Mefisto, Satanás, Samael, ou os populares, Capiroto, Coisa-Ruim, Sete-Peles, Capeta, Demo, Cão, etc, não têm para mim o menor sentido, são apenas nomes.
- E o termo Lúcifer, teria algum sentido?
- Ah!... este, sim. Lucis Ferre: Lúcifer, AQUELE QUE TRAZ A LUZ. É um belo nome! Com um belo significado. Este sim, cabe à mim. Sou Eu quem traz o conhecimento aos homens.
- Contudo, mesmo este termo tornou-se distorcido para os cristãos.
- Pobres coitados, procuram a luz, enquanto mais se atolam nas trevas da ignorância!
São adultos que possuem temores de criança! Este é mais um erro de seus líderes religiosos. Não vêem que é um magnífico título! Até mesmo seu deus, Cristo, ostentou-o.
- E quanto ao outros deuses?
- Não há outros deuses. Sou o único Deus. Sou a consciência do Cosmo.

Atar, Resheph, Anath, Ashtoreth, Ahura Mazda, Nebo, Melek, Ahijah, Ísis, Ptah, Baal, Baco, Astrarte, Ares, Hadad, Hermes, Hera, Dagon, Yau, Amon-Ra, Ártemis, Apolo, Osíris, Molech, Arianrod, Morrigu, Jupiter, Jano, Sekhmet, Govannon, Gunfled, Geb, Dagda, Dionísio, Geush Urvan, Ogurvan, Dea Dia, Iuno Lucina, Inanna, Saturno, Furrina, Cronos, Engurra, Belus, Ubililu, U-dimmer-na-kia, U-sab-sib, U-Mersi, Tammuz, Vênus, Belis, Nusku, Néftis, Aa, Sin, Apsu, Elali, Mami, Zaraqu, Zagaga, Nuada Argetlam, Nut, Tagd, Goibniu, Odim, Ogma, Marzin, Mitra, Marte, Diana de Éfeso, Ra, Seth, Robigus, Plutão, Ptah, Vesta, Zer-panitu, Zeus, Zam, Merodach, Minerva, Elum, Enki, Marduk, Mah, Nin, Perséfone, Istar, Lagas, Nirig, Nebo, Em-Mersi, Assur, Asalluhi, Beltu, Kusky-banda, Nin-azu, Qarradu, Urano, Ueras, Vesta, Khonsu, Afrodite...

Todos estes deuses - e essa é apenas uma pequena lista de centenas de milhares de deuses - foram deuses de culturas poderosas, em seu tempo. Todos foram cultuados e temidos. Sacrifícios foram feitos em suas homenagens. Pedidos e rezas eram lhes enviados. Gerações se dedicaram a construir-lhes imensos templos. Sacerdotes se dedicaram a lhes interpretar suas vontades, seus desígnios. Desafiar suas vontades era inevitavelmente a morte.  E onde estão agora? Estão todos esquecidos, como seus povos. MAS EU CONTINUO VIVO, POIS SOMENTE O QUE NÃO TEM NOME NÃO PODE SER ESQUECIDO.
- Sim. E agora temos Cristo – disse eu a Ele.
- E o que diferenciaria esta nova crença das antigas? Todas foram e são formas de dominação.
COMO SE PODE CRER EM ALGO QUE LHES FORA IMPOSTO À FERRO E FOGO, A CUSTA DE TANTO SANGUE!!! Da conversão imposta pelo imperador Constantino, aos seus súditos, ao Cristianismo, à conversão dos índios neste tempo. Incluindo as cruzadas que mataram e expulsaram milhares de não-cristãos de Jerusalém, à Inquisição, que matou milhares de pessoas, por não compartilharem de crenças cristãs. Incluindo também a total dominação e manipulação da cultura e do conhecimento, durante centenas de anos, em favor da religião cristã.
QUE CRENÇA É ESSA QUE PRECISA DE TANTA FORÇA PARA CONVENCER OS HOMENS DE SUA VERDADE!!! Não a bastaria por si própria?
As religiões sempre foram usadas para manipular o povo, lhe roubando a energia necessária para transformar a realidade. Os antigos gregos já sabiam disso, para eles religião era coisa para mulheres e escravos. Era um instrumento de poder para acalmar os ânimos dos menos favorecidos, como estes, e assim manter a ordem.   
- Então, não há nada de positivo nelas?
- Há, sonhar é preciso!
- E o tal falado encontro, no deserto, entre Cristo e o Diabo?
- Na verdade nunca houve tal encontro. O que lá se comenta é a luta entre o desejo espiritual do homem e os desejos e necessidades da carne. Tais escritores usaram o Diabo como uma personagem para simbolizar os desejos e a luta contra as tentações da carne.
- Tudo é mentira? – indaguei imediatamente a Ele.
- Seria um exagero afirmar isso – respondeu-me. Mas, pode-se dizer que em grande parte, sim.
Ainda lembro quando começaram: eram apenas um punhado de simples seguidores amedrontados e castigados com a dura realidade. Procurando por todos os cantos por alguém que pudesse lhes dá esperança, como ainda hoje. Até que surgiu um homem, em meio a tantos outros, um certo Josué, ou Jesus, como queira, já que ambos os nomes possuem o mesmo significado: salvador, que os liderou com palavras de conforto.
Sua doutrina se espalhou, como tantas outras, entre o povo humilde. Mas, ao morrer teve sua memória e doutrina traídas pelos que ambicionavam o poder, pois logo viram em sua doutrina um modo de manipular o povo. Aí começaram as mentiras!
Logo, ambicionaram um maior crescimento para tal crença, ambicionando torná-la universal, e assim, criaram uma nova biografia para Cristo, condizente com outras crenças, a fim de seduzirem fiéis de outras culturas. E isto é fácil de ver, por exemplo, compararam Cristo a Moisés, o líder judeu, em seu nascimento, pois como Moisés, fizeram-no ser perseguido por um rei (Herodes), que temeroso por uma profecia, tentou matá-lo para que este não perdesse o poder.
Adaptaram-no, também, à cultura grega, persa e romana, como aos seus imperadores, transformando-o, em deus, como se pode ver em seus próprios escritos cristãos, que tal fato era bastante comum em tais povos, pois um de seus escritores relata claramente isso, quando diz que os próprios cristãos Paulo e Barnabé, foram chamados de deuses por um desses povos.
- Sim, nos Atos dos Apóstolos de Lucas, está descrito.
- Tal fato, era como uma homenagem para os persas, que divinizavam seus líderes políticos e religiosos.
Os gregos já estavam bastante acostumados, em suas mitologias, com seres metade homem metade divino, e mesmo com a divinização total de alguns heróis gregos.
Os imperadores romanos se auto-divinizavam, como uma forma, não apenas de orgulho, mas de manipular o povo, pois a ordem de um deus não poderia ser recusada.
Fizeram-no nascer também de uma virgem, coisa que para os povos egípcio, romano e indiano, não era novidade, por exemplo, o deus indiano Krishna nasceu de uma virgem chamada Devanaguy. O deus egípcio Hórus também teria nascido de uma virgem. Bem como o deus cultuado em Roma, Mitra, de origem persa. E, finalmente, a fim de não Me alongar tanto, na comparação de sua história à história de outros deuses, o associaram aos deuses que venceram a morte, como Mitra, Hórus, Dionísio.
- Quer dizer que transformaram Cristo em um mito?
- Sim. Principalmente para ser um obstáculo ao maior inimigo da cultura Greco-romana, daquele tempo, o Judaísmo, que se expandia assustadoramente, e que ao mesmo tempo se mantinha fechado para outras culturas, como ainda hoje.
E se o que tornava forte a cultura judia era a sua religião, por que não usá-la como arma contra os próprios judeus, distorcendo-a, criando um novo judaísmo capaz de atrair simpatizantes do próprio judaísmo, tornando-o mais passível de influência da cultura Greco-romana.
- E assim nasceu Cristo como mito.
- Sim – disse-me o Diabo, completando:
- E para tanto, tornaram Cristo filho do deus de Israel, a partir de uma própria profecia judaica. Tendo, no final, os próprios judeus optados em levá-lo à cruz, tornando-os, de modo indireto, inimigos dessa nova religião, o Cristianismo.
Bela solução, não acha? Não apenas criaram uma forte contensão à expansão do Judaísmo, como ainda os tornaram inimigos desta nova religião! O que explica em grande medida, por que mesmo ainda hoje, nenhum documento foi achado que comprove a existência de Cristo.
E uma vez estando tudo pronto para dominar outras religiões - incluindo textos, com fatos maravilhosos, como milagres – estavam, consequentemente, prontos para dominar o mundo, sonho tão cultuado por vários imperadores, Dario I, Dario III, Xerxes, César, Felipe da Macedônia, e, finalmente, Alexandre, o grande, ou mesmo Hitler. Porém, para tanto, tal doutrina esperava um imperador, que surgiu na figura de Constantino.
A partir de 315, os primeiros símbolos cristãos começam a aparecer nas moedas do império de Constantino. Em 323 as últimas representações pagãs são destruídas completamente. Tem início aqui, toda a dominação que ainda vemos hoje.
É como eles próprios dizem “não há coisa alguma escondida, que não venha a ser manifesta: nem coisa alguma feita em oculto, que não a ser pública.” (Mc 4:38-21). E Eu completaria, nem que seja pelas mãos do Diabo!

E tendo falado isso, aproximou-se novamente de mim, pondo a mão em minha cabeça, dizendo-me ao ouvido:

- Mas o resto fica para a próxima.

Acordei em um banco da praça em frente à igreja, com um guarda a me chamar. O dia já estava bastante claro. E ao passar ao lado da igreja, procurei pela pequena porta, sem nada encontrar.
Atordoado pelo sol, e o barulho da cidade, caminhei em rumo de minha casa, tendo sempre a sensação da confusão de um sonho em minha mente. E em quanto vasculhava os bolsos, a fim de encontrar algum dinheiro para minha condução, encontrei um cartão, em que estava escrito:

Diabo. Favor, aguardar.


* Artigo publica no site cerebrau.com.br
** Artigo publicado no site cerebrau.com.br  
             

segunda-feira, 13 de agosto de 2012

PRÁTICA SEXUAL CHINESA QUE ORIGINOU A EXPRESSÃO "AFOGAR O GANSO"




     PRÁTICA SEXUAL CHINESA QUE ORIGINOU A EXPRESSÃO "AFOGAR O GANSO"
A EXPRESSÃO "Afogar o Ganso" dizem que surgiu na China devido ao hábito que alguns chineses tinham de terem relações sexuais com gansos. E para apimentar ainda mais suas relações com a ave, seguravam o animal e afogavam-no nos rios enquanto mantinham relações sexuais com eles; isso fazia com que a pobre ave contraísse seus músculos, e ao contraí-los provocava ainda mais prazer aos homens.
Que tal agora substituir o ganso por uma mulher, e o rio, por uma pequena quantidade de água, como uma piscina, ou, sei lá, uma banheira. Isso poderia provocar tanto prazer em quem estaria sendo afogado quanto ao agente do afogamento. Mas antes, para entender isso melhor, falemos um pouco sobre a asfixia erótica:
Técnica que consiste em obter maior prazer sexual diminuindo, drasticamente, a quantidade de oxigênio durante as relações sexuais.
Imaginem, por exemplo, a cena:



Na tela do computador, um homem e uma mulher surgem enfrente à câmera. Ele está tradicionalmente trajado de roupa de couro negro; ela, nua, porém de espartilhos e longas botas pretas, como manda o figurino sadomasoquista; ele vestido apenas com calças justas ao corpo, com os seus órgãos sexuais e nádegas expostas por uma grande abertura na calça. Ela então põe em seu pescoço uma coleira negra, e o trata como um cachorro, obrigando-o, ao seu comando, a se locomover de quatro, ao seu lado. Ela se senta à beira de uma cama, e o obriga, por meio de puxões na coleira, que este lamba suas botas, por toda sua superfície, até os solados. Em seguida, já deitado na cama, o homem tem seus braços e pernas presos pelos pulsos e tornozelos por algemas que são, por sua vez, presas em argolas de ferro presas à cama.


Ela, enquanto pratica sexo oral no homem estirado sobre a cama, amarra uma pequena corda fina em seus testículos e pênis. E senta-se de frente para ele sobre seu órgão sexual, mantendo relação sexual com o mesmo. O homem delira, enquanto a mulher aumenta consideravelmente seu movimento. Após alguns minutos, o homem põe-se a fazer alguns gestos com o rosto e balbuciar algumas palavras, que não podem ser ouvidas, pois o vídeo não possui som, surge então uma terceira pessoa que dá algo para a mulher, pondo-o em suas mãos; segundo depois, pode-se perceber que é um saco plástico transparente que a mulher põe na cabeça do homem, sufocando-o cada vez mais que sua abertura é apertada em seu pescoço. O homem se debate preso pelas algemas; seu rosto se contrai, indo de um forte tom vermelho ao roxo azulado dentro do saco. A mulher levemente se levanta, enquanto o homem ejacula abundantemente. Finalmente, o saco é retirado de sua cabeça, e este respira aliviado dando fartos sorrisos para a câmera.


Mas voltemos aos gansos. Em Taiwan, por exemplo, muitas prostitutas deixam-se submeter a tal método por apenas alguns punhados de dólares. E assim como o ganso, têm suas cabeças mergulhadas em banheiras, piscinas, ou até mesmo em pias cheias de água, suas contrações estimulam ainda mais o prazer de seus clientes.
Imaginem, agora:
Uma mulher e um homem mascarados. Ela com uma pequena máscara que cobri apenas ao redor dos olhos; ele com o rosto totalmente escondido em uma máscara de coro negro. A mulher é chicoteada enquanto faz sexo oral no sujeito; e estando amarrada em uma cama, tem sua calcinha rasgada por ele. Ela, em seguida, após ser desamarrada, levanta-se da cama, e, conduzida por ele, é amarrada novamente; agora, em cordas suspensas a uma pequena trave de madeira, que a deixa suspensa por meio de seus braços e pernas; as cordas deixavam-na com as pernas abertas; e enquanto está suspensa tem sua boca amordaçada; sendo, em seguida, açoitada por uma fina vara de madeira. Consolos são introduzidos em sua vagina e ânus, bem como alguns agarradores de aço com pequenos pesos acoplados a eles são presos em seus mamilos, lábios e vagina.



E acabada esta sessão, vão direto para ao lado de uma banheira. Ficam se beijando enquanto ele e a mulher se despem por completo, exceto por suas máscaras. Em seguida, entram na banheira. O homem, em um dado momento, obriga-a a ficar de quatro na banheira, e põe-se a lhe penetrar com vigor em sua vagina. Até que a mulher prende os pulsos em algumas correntes que há ao lado da banheira, enquanto o sujeito mantém o mesmo movimento de antes; porém, agora, com mais vigor.
Momentos depois, o sujeito está a enfiar-lhe a cabeça na água com força; a mulher se contorce, enquanto mantém-se presa às correntes e a cabeça submersa na água da banheira. O homem grita de prazer, até que, finalmente, chega ao orgasmo, puxando, em seguida, a cabeça da mulher pelos cabelos para fora da água; expondo, com a mão ainda em seus cabelos, seu rosto à câmera. A mulher, então, pode respirar tranquila, sem água e máscara, enquanto sua cor aos poucos volta ao normal.

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

O CASTELO DE SADE (de Bosco Silva)




PARIS, 3 DE ABRIL DE 1768. UM DOMINGO DE PÁSCOA.

Uma luxuosa carruagem segue pelas estreitas ruas de Paris, contrastando com os sujos e fétidos andrajos do povo, que se acumulam em busca de alimentos e de emprego. A fome assola Paris; e as pessoas dividem com os ratos restos de alimentos que caem ao chão.

Uma bela mendiga, que mesmo vestida por sujos e esfarrapados vestidos, que não obliteram sua beleza, se interpõe enfrente a carruagem estendendo a mão, clamando por ajuda, por algo que possa diminuir-lhe a dor de sua miséria. A carruagem para, a porta se abre, e uma mão ostentando grossos anéis de ouro joga-lhe algumas moedas. Em seguida, o nobre cavalheiro lhe oferece emprego; ela então entra na carruagem, e esta segue seu caminho, cortando as fétidas ruas de Paris, seguindo rumo aos negros bosques de pinheiros.

Pelas janelas da carruagem dá ainda para ver o maravilhoso entardecer, que logo é sucedido por uma noite de luar, que parece animar as obscuras criaturas noturnas da floresta. E apenas o trotar dos cavalos é ouvido, quebrando o silêncio da negra floresta, com seus velhos e altos carvalhos e eucaliptos.

O homem, ricamente vestido, mantém-se em silêncio, enquanto a jovem mulher dá pequenos sorrisos de felicidade.

O tempo passa; e percorrendo uma antiga estrada recortada por voos de corujas e morcegos, segue a carruagem, seguida apenas pela imensa lua cheia, que mal consegue clarear a estreita estrada que corta bosques, vales e pequenas montanhas, minadas por pequenos brilhos de vagalumes que se confundem com o brilho das estrelas.

E após transpor um imenso portão, seguem por uma pequena estrada, ladeada por inúmeras estátuas de faunos com enormes falos, que servem de apoio para enormes lampiões, em meio a um grande jardim com inúmeras flores vermelhas de todas as formas; em cujo o final, pode-se entrever uma grandiosa casa, ricamente adornada por grossas colunas e janelas ricamente trabalhadas.
  
Ao chegar, é levada para uma suntuosa sala; e em seguida, guiada por um empregado, por um imenso corredor com dezenas de portas; um corredor negro, repleto de quartos, onde se pode ouvir sussurros e gemidos de corpos que se entregam com imensa devassidão, alguns entreabertos, clareados apenas por grossas velas, como numa masmorra. Num dos quartos, há uma grande cadeira dourada, com o acento e o encosto em cor vermelha, ao qual uma bela mulher está sentada. Ela usa espartilhos e longas botas de couro negro, e também meias de seda negra; tendo, sob seus pés, um homem seminu, de joelhos, que lambi suas botas enquanto se masturba. Mais adiante, em outro quarto, outro homem nu, de cócoras, engaiolado, em uma gaiola de ferro com um enorme cadeado em sua pequena porta. E ao continuarem, encontram, em outro quarto, um casal de lésbicas; uma algemada em uma grossa coluna, apenas vestida por uma longa meia; e enquanto a outra lhe bati nas nádegas com uma grande palmatória, beija-lhe a boca, abafando os gritos.  O cheiro de sexo pareci exalar de todos os cantos e por todos os poros daquele lugar; por fim, chegam a um enorme quarto, luxuosamente decorado, com ricos quadros e cadeiras com pequenos enfeites de ouro incrustrado a madeira. O empregado, antes de deixá-la só, lhe diz que aguardasse seu Patrão.


O homem, um jovem senhor pertencente a uma das mais nobres famílias francesas, adentra o quarto; fecha a porta. Ele a examina, contornando ao seu redor com olhos vidrados de desejos por aquela doce mulher tomada pela miséria; e imediatamente lhe ordena que se dispa; ordem que é tomada entre um misto de apreensão e o desejo pelo trabalho. Sua blusa é então tirada à força de seu corpo, dando-lhe a rapidez que se pede, liberando toda a imensa beleza de seu corpo magro, branco e jovem, com seus mamilos rosados, a cintura sinuosa e sedosos pelos pubianos, que quase escondem por completo uma delicada e rosa vagina, entre duas excitantes coxas bem torneadas. Em seguida, é lhe dado um tapa no rosto, que a faz cair sobre a cama; e sob a débil tentativa de defesa é amarrada de bruços sobre a mesma; seu corpo é chicoteado, enquanto se contorce com dores lancinantes e gritos que são abafados pelas grossas paredes do quarto. E durante o tempo em que é sodomizada, é forçada a se masturbar com o crucifixo e a blasfemar o nome de Cristo. Uma pequena lâmina é então erguida pelo punho de seu algoz, e enquanto acaricia aquele belo corpo feminino estendido sobre a cama, o nobre francês põe-se a lamber o punhal, sua lâmina, o frio e reluzente metal; tão frio quanto o coração de quem a impunha.



O corpo jovem e delicado é, em seguida, picado pelo objeto cortante; o qual derrama múltiplas gotas de sangue, que escorrem sobre a pele branca, entre faixas vermelhas feitas pela ponta do chicote; as gotas de sangue são lentamente lambidas, enquanto o jovem senhor penetra ferozmente em sua vagina. Uma vela vermelha é então tirada de uma pequena gaveta ao lado, e acesa; imediatamente, seu sangue é estancado por pingos de cera quente que caem da vela sobre as feridas abertas; momentos que antecedem a fúria de seu orgasmo, acompanhado por gritos e gestos alucinantes.

Seu algoz é um nobre francês de nome Sade.

Este conto é baseado em fatos reais, neste caso, no sequestro da mendiga Rose Keller, feito pelo escritor francês Marquês de Sade (1740-1814). Caso que, graças a fuga desta, permitiu que Sade fosse posteriormente detido, embora houvesse feito um acordo com sua vítima por meio de pagamento, posteriormente ao caso.

O escritor, Marquês de Sade, passou quase metade de sua vida em prisão ou hospícios, ora por sua vida libertina ora por seus escritos. É o autor do romance OS 120 DIAS DE SODOMA; obra ainda não superada em violência e perversão. Seu nome originou o termo sadismo, dado ao prazer sexual oriundo do ato de agredir e humilhar outro ser-humano.



Conheça o blog de fetiche e contos eróticos “INFERNO DE SADE”: http://infernodesade.blogspot.com.br/

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

MISSA DO GALO (de Machado de Assis)


by Bernardo Bertolucci
Nunca pude entender a conversação que tive com uma senhora, há muitos anos, contava eu dezessete, ela trinta. Era noite de Natal. Havendo ajustado com um vizinho irmos à missa do galo, preferi não dormir; combinei que eu iria acordá-lo à meia-noite.
A casa em que eu estava hospedado era a do escrivão Meneses, que fora casado, em primeiras núpcias, com uma de minhas primas. A segunda mulher, Conceição, e a mãe desta acolheram-me bem, quando vim de Mangaratiba para o Rio de Janeiro, meses antes, a estudar preparatórios. Vivia tranqüilo, naquela casa assobradada da rua do Senado, com os meus livros, poucas relações, alguns passeios. A família era pequena, o escrivão, a mulher, a sogra e duas escravas. Costumes velhos. Às dez horas da noite toda a gente estava nos quartos; às dez e meia a casa dormia. Nunca tinha ido ao teatro, e mais de uma vez, ouvindo dizer ao Meneses que ia ao teatro, pedi-lhe que me levasse consigo. Nessas ocasiões, a sogra fazia uma careta, e as escravas riam à socapa; ele não respondia, vestia-se, saía e só tornava na manhã seguinte. Mais tarde é que eu soube que o teatro era um eufemismo em ação. Meneses trazia amores com uma senhora, separada do marido, e dormia fora de casa uma vez por semana. Conceição padecera, a princípio, com a existência da comborça; mas, afinal, resignara-se, acostumara-se, e acabou achando que era muito direito.
Boa Conceição! Chamavam-lhe "a santa", e fazia jus ao título, tão facilmente suportava os esquecimentos do marido. Em verdade, era um temperamento moderado, sem extremos, nem grandes lágrimas, nem grandes risos. No capítulo de que trato, dava para maometana; aceitaria um harém, com as aparências salvas. Deus me perdoe, se a julgo mal. Tudo nela era atenuado e passivo. O próprio rosto era mediano, nem bonito nem feio. Era o que chamamos uma pessoa simpática. Não dizia mal de ninguém, perdoava tudo. Não sabia odiar; pode ser até que não soubesse amar.
Naquela noite de Natal foi o escrivão ao teatro. Era pelos anos de 1861 ou 1862. Eu já devia estar em Mangaratiba, em férias; mas fiquei até o Natal para ver "a missa do galo na Corte". A família recolheu-se à hora do costume; eu meti-me na sala da frente, vestido e pronto. Dali passaria ao corredor da entrada e sairia sem acordar ninguém. Tinha três chaves a porta; uma estava com o escrivão, eu levaria outra, a terceira ficava em casa.
- Mas, Sr. Nogueira, que fará você todo esse tempo? perguntou-me a mãe de Conceição.
- Leio, D. Inácia.
Tinha comigo um romance, os Três Mosqueteiros, velha tradução creio do Jornal do Comércio. Sentei-me à mesa que havia no centro da sala, e à luz de um candeeiro de querosene, enquanto a casa dormia, trepei ainda uma vez ao cavalo magro de D’Artagnan e fui-me às aventuras. Dentro em pouco estava completamente ébrio de Dumas. Os minutos voavam, ao contrário do que costumam fazer, quando são de espera; ouvi bater onze horas, mas quase sem dar por elas, um acaso. Entretanto, um pequeno rumor que ouvi dentro veio acordar-me da leitura. Eram uns passos no corredor que ia da sala de visitas à de jantar; levantei a cabeça; logo depois vi assomar à porta da sala o vulto de Conceição.
- Ainda não foi? Perguntou ela.
- Não fui; parece que ainda não é meia-noite.
- Que paciência!
Conceição entrou na sala, arrastando as chinelinhas da a1cova. Vestia um roupão branco, mal apanhado na cintura. Sendo magra, tinha um ar de visão romântica, não disparatada com o meu livro de aventuras. Fechei o livro; ela foi sentar-se na cadeira que ficava defronte de mim, perto do canapé. Como eu lhe perguntasse se a havia acordado, sem querer, fazendo barulho, respondeu com presteza:
- Não! qual! Acordei por acordar.
Fitei-a um pouco e duvidei da afirmativa. Os olhos não eram de pessoa que acabasse de dormir; pareciam não ter ainda pegado no sono. Essa observação, porém, que valeria alguma coisa em outro espírito, depressa a botei fora, sem advertir que talvez não dormisse justamente por minha causa, e mentisse para me não afligir ou aborrecer. Já disse que ela era boa, muito boa.
- Mas a hora já há de estar próxima, disse eu.
- Que paciência a sua de esperar acordado, enquanto o vizinho dorme! E esperar sozinho! Não tem medo de almas do outro mundo? Eu cuidei que se assustasse quando me viu.
- Quando ouvi os passos estranhei; mas a senhora apareceu logo.
- Que é que estava lendo? Não diga, já sei, é o romance dos Mosqueteiros.
- Justamente: é muito bonito.
- Gosta de romances?
- Gosto.
- Já leu a Moreninha?
- Do Dr. Macedo? Tenho lá em Mangaratiba.
- Eu gosto muito de romances, mas leio pouco, por falta de tempo. Que romances é que você tem lido?
Comecei a dizer-lhe os nomes de alguns. Conceição ouvia-me com a cabeça reclinada no espaldar, enfiando os olhos por entre as pálpebras meio-cerradas, sem os tirar de mim. De vez em quando passava a língua pelos beiços, para umedecê-los. Quando acabei de falar, não me disse nada; ficamos assim alguns segundos. Em seguida, vi-a endireitar a cabeça, cruzar os dedos e sobre eles pousar o queixo, tendo os cotovelos nos braços da cadeira, tudo sem desviar de mim os grandes olhos espertos.
- Talvez esteja aborrecida, pensei eu.
E logo alto:
- D. Conceição, creio que vão sendo horas, e eu...
- Não, não, ainda é cedo. Vi agora mesmo o relógio; são onze e meia. Tem tempo. Você, perdendo a noite, é capaz de não dormir de dia?
- Já tenho feito isso.
- Eu, não; perdendo uma noite, no outro dia estou que não posso, e, meia hora que seja, hei de passar pelo sono. Mas também estou ficando velha.
- Que velha o quê, D. Conceição?
Tal foi o calor da minha palavra que a fez sorrir. De costume tinha os gestos demorados e as atitudes tranqüilas; agora, porém, ergueu-se rapidamente, passou para o outro lado da sala e deu alguns passos, entre a janela da rua e a porta do gabinete do marido. Assim, com o desalinho honesto que trazia, dava-me uma impressão singular. Magra embora, tinha não sei que balanço no andar, como quem lhe custa levar o corpo; essa feição nunca me pareceu tão distinta como naquela noite. Parava algumas vezes, examinando um trecho de cortina ou consertando a posição de algum objeto no aparador; afinal deteve-se, ante mim, com a mesa de permeio. Estreito era o círculo das suas idéias; tornou ao espanto de me ver esperar acordado; eu repeti-lhe o que ela sabia, isto é, que nunca ouvira missa do galo na Corte, e não queria perdê-la.
- É a mesma missa da roça; todas as missas se parecem.
- Acredito; mas aqui há de haver mais luxo e mais gente também. Olhe, a semana santa na Corte é mais bonita que na roça. São João não digo, nem Santo Antônio...
Pouco a pouco, tinha-se inclinado; fincara os cotovelos no mármore da mesa e metera o rosto entre as mãos espalmadas. Não estando abotoadas, as mangas, caíram naturalmente, e eu vi-lhe metade dos braços, muitos claros, e menos magros do que se poderiam supor. A vista não era nova para mim, posto também não fosse comum; naquele momento, porém, a impressão que tive foi grande. As veias eram tão azuis, que apesar da pouca claridade, podia contá-las do meu lugar. A presença de Conceição espertara-me ainda mais que o livro. Continuei a dizer o que pensava das festas da roça e da cidade, e de outras coisas que me iam vindo à boca. Falava emendando os assuntos, sem saber por quê, variando deles ou tornando aos primeiros, e rindo para fazê-la sorrir e ver-lhe os dentes que luziam de brancos, todos iguaizinhos. Os olhos dela não eram bem negros, mas escuros; o nariz, seco e longo, um tantinho curvo, dava-lhe ao rosto um ar interrogativo. Quando eu alteava um pouco a voz, ela reprimia-me:
- Mais baixo! Mamãe pode acordar.
E não saía daquela posição, que me enchia de gosto, tão perto ficavam as nossas caras. Realmente, não era preciso falar alto para ser ouvido; cochichávamos os dois, eu mais que ela, porque falava mais; ela, às vezes, ficava séria, muito séria, com a testa um pouco franzida. Afinal, cansou; trocou de atitude e de lugar. Deu volta à mesa e veio sentar-se do meu lado, no canapé. Voltei-me, e pude ver, a furto, o bico das chinelas; mas foi só o tempo que ela gastou em sentar-se, o roupão era comprido e cobriu-as logo. Recordo-me que eram pretas. Conceição disse baixinho:
- Mamãe está longe, mas tem o sono muito leve; se acordasse agora, coitada, tão cedo não pegava no sono.
- Eu também sou assim.
- O quê? Perguntou ela inclinando o corpo para ouvir melhor.
Fui sentar-me na cadeira que ficava ao lado do canapé e repeti a palavra. Riu-se da coincidência; também ela tinha o sono leve; éramos três sonos leves.
- Há ocasiões em que sou como mamãe: acordando, custa-me dormir outra vez, rolo na cama, à toa, levanto-me, acendo vela, passeio, torno a deitar-me, e nada.
- Foi o que lhe aconteceu hoje.
- Não, não, atalhou ela.
Não entendi a negativa; ela pode ser que também não a entendesse. Pegou das pontas do cinto e bateu com elas sobre os joelhos, isto é, o joelho direito, porque acabava de cruzar as pernas. Depois referiu uma história de sonhos, e afirmou-me que só tivera um pesadelo, em criança. Quis saber se eu os tinha. A conversa reatou-se assim lentamente, longamente, sem que eu desse pela hora nem pela missa. Quando eu acabava uma narração ou uma explicação, ela inventava outra pergunta ou outra matéria, e eu pegava novamente na palavra. De quando em quando, reprimia-me:
- Mais baixo, mais baixo...
Havia também umas pausas. Duas outras vezes, pareceu-me que a via dormir; mas os olhos, cerrados por um instante, abriam-se logo sem sono nem fadiga, como se ela os houvesse fechado para ver melhor. Uma dessas vezes creio que deu por mim embebido na sua pessoa, e lembra-me que os tornou a fechar, não sei se apressada ou vagarosamente. Há impressões dessa noite, que me aparecem truncadas ou confusas. Contradigo-me, atrapalho-me. Uma das que ainda tenho frescas é que, em certa ocasião, ela, que era apenas simpática, ficou linda, ficou lindíssima. Estava de pé, os braços cruzados; eu, em respeito a ela, quis levantar-me; não consentiu, pôs uma das mãos no meu ombro, e obrigou-me a estar sentado. Cuidei que ia dizer alguma coisa; mas estremeceu, como se tivesse um arrepio de frio, voltou as costas e foi sentar-se na cadeira, onde me achara lendo. Dali relanceou a vista pelo espelho, que ficava por cima do canapé, falou de duas gravuras que pendiam da parede.
- Estes quadros estão ficando velhos. Já pedi a Chiquinho para comprar outros.
Chiquinho era o marido. Os quadros falavam do principal negócio deste homem. Um representava "Cleópatra"; não me recordo o assunto do outro, mas eram mulheres. Vulgares ambos; naquele tempo não me pareciam feios.
- São bonitos, disse eu.
- Bonitos são; mas estão manchados. E depois francamente, eu preferia duas imagens, duas santas. Estas são mais próprias para sala de rapaz ou de barbeiro.
- De barbeiro? A senhora nunca foi a casa de barbeiro.
- Mas imagino que os fregueses, enquanto esperam, falam de moças e namoros, e naturalmente o dono da casa alegra a vista deles com figuras bonitas. Em casa de família é que não acho próprio. É o que eu penso; mas eu penso muita coisa assim esquisita. Seja o que for, não gosto dos quadros. Eu tenho uma Nossa Senhora da Conceição, minha madrinha, muito bonita; mas é de escultura, não se pode pôr na parede, nem eu quero. Está no meu oratório.
A idéia do oratório trouxe-me a da missa, lembrou-me que podia ser tarde e quis dizê-lo. Penso que cheguei a abrir a boca, mas logo a fechei para ouvir o que ela contava, com doçura, com graça, com tal moleza que trazia preguiça à minha alma e fazia esquecer a missa e a igreja. Falava das suas devoções de menina e moça. Em seguida referia umas anedotas de baile, uns casos de passeio, reminiscências de Paquetá, tudo de mistura, quase sem interrupção. Quando cansou do passado, falou do presente, dos negócios da casa, das canseiras de família, que lhe diziam ser muitas, antes de casar, mas não eram nada. Não me contou, mas eu sabia que casara aos vinte e sete anos.
Já agora não trocava de lugar, como a princípio, e quase não saíra da mesma atitude. Não tinha os grandes olhos compridos, e entrou a olhar à toa para as paredes.
- Precisamos mudar o papel da sala, disse daí a pouco, como se falasse consigo.
Concordei, para dizer alguma coisa, para sair da espécie de sono magnético, ou o que quer que era que me tolhia a língua e os sentidos. Queria e não queria acabar a conversação; fazia esforço para arredar os olhos dela, e arredava-os por um sentimento de respeito; mas a idéia de parecer que era aborrecimento, quando não era, levava-me os olhos outra vez para Conceição. A conversa ia morrendo. Na rua, o silêncio era completo.
Chegamos a ficar por algum tempo, - não posso dizer quanto, - inteiramente calados. O rumor único e escasso, era um roer de camundongo no gabinete, que me acordou daquela espécie de sonolência; quis falar dele, mas não achei modo. Conceição parecia estar devaneando. Subitamente, ouvi uma pancada na janela, do lado de fora, e uma voz que bradava: "Missa do galo! missa do galo!"
- Aí está o companheiro, disse ela levantando-se. Tem graça; você é que ficou de ir acordá-lo, ele é que vem acordar você. Vá, que hão de ser horas; adeus.
- Já serão horas? perguntei.
- Naturalmente.
- Missa do galo! repetiram de fora, batendo.
-Vá, vá, não se faça esperar. A culpa foi minha. Adeus; até amanhã.
E com o mesmo balanço do corpo, Conceição enfiou pelo corredor dentro, pisando mansinho. Saí à rua e achei o vizinho que esperava. Guiamos dali para a igreja. Durante a missa, a figura de Conceição interpôs-se mais de uma vez, entre mim e o padre; fique isto à conta dos meus dezessete anos. Na manhã seguinte, ao almoço, falei da missa do galo e da gente que estava na igreja sem excitar a curiosidade de Conceição. Durante o dia, achei-a como sempre, natural, benigna, sem nada que fizesse lembrar a conversação da véspera. Pelo Ano-Bom fui para Mangaratiba. Quando tornei ao Rio de Janeiro, em março, o escrivão tinha morrido de apoplexia. Conceição morava no Engenho Novo, mas nem a visitei nem a encontrei. Ouvi mais tarde que casara com o escrevente juramentado do marido.

EXTRATOS NOCTÍVAGOS II (de Renê Romana)


 
Ela desejava palavras condensadas e cremosas escorrendo pelo seu ventre;
Sonhava com aquela invasão pelos seus poros, estava a ponto de implorar de tanto desejo...  
Queria sentir o peso desse corpo que não saia de seu pensamento;
Desejava ser objeto de prazer, e que seu corpo não fosse nada alem do que a fonte dos desejos daquele homem que lhe tirava o sono.
Não queria nada de concreto, só poético, não, não queria palavras, não desejava amor, 
não planejava nada além de uma noite ardente, não queria seu endereço;
Seu corpo era puro ardor, e em sua mente o desejo daqueles toques, 
na sua imaginação ela só queria aqueles dedos, aquela boca;
Delirava movida por tanta perversão, tanta tara, tanto tesão...
Ela acordava com suas entranhas em brasas por causa desse homem imaginário que lhe tirava o sono nas madrugadas silenciosas.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

O CARRO FANTASMA (de Bosco Silva)



Com vocês um conto baseado, por incrível que pareça, em fatos reais e, claro, muita cachaça:

Após voltarem do bar, frequentado por eles todo fim de semana, dois amigos retornaram pelo mesmo caminho tomado antes, na ida: um caminho escuro e silencioso que abrigava uma velha carcaça de um antigo bugre abandonado. A relíquia permanecia naquele lugar a anos, como um modo de alertar sobre os perigos de si dirigir embriagado. Este era a lembrança de um horrível acidente em que seus ocupantes foram cuspidos e esmagados sob as rodas de outros carros.

A vizinhança, de tal lugar, ainda lembrava e comentava todas às vezes, que pessoas alheias, àquele lugar, passavam ao lado de tal veículo, acompanhadas dos que conheciam bem sua história.

A fama de tal história tinha se alastrado bastante pelo bairro em que morávamos. Muitos evitavam cruzar tal caminho de madrugada, ou mesmo de dia, já que as histórias de fantasmas e assombrações infestavam aquele lugar. Não era incomum que jurassem terem visto seus antigos ocupantes, deformados, se arrastarem em direção ao antigo veículo. Assim como outros juravam terem ouvido seu motor ligado, em meio a gritos de horror.  

E sob uma imensa lua cheia, voltavam a pé, por tão sinistro caminho. Comentavam sobre as histórias mais sinistras, e riam, ainda, sob o efeito do vinho:

- Você lembra aquela vez que fingimos de mortos, deitados à beira da pista, próximos ao velho bugre, em que gastamos catchup e um pacote de velas, a assustar os motoristas em seus veículos?

- Sim, claro, nunca me diverti tanto!

- Os ocupantes chegavam a se urinar de tanto medo.

- É. Ou abandonavam seus veículos, ao saírem e receberem o susto. Era tão divertido!

Na volta, ao avistarem de longe, pareceu-lhes que a luz do painel do velho bugre estava acesa.

- Olhe, não parece que o painel do velho bugre está acesa, a piscar?

- Sim, mas me parece ser mais o efeito do vinho que outra coisa – disse um deles rindo.

- Ou o reflexo da lua!

- É possível.

Continuaram adiante, comentando suas histórias, e rindo bastante. Quando novamente avistaram as mesmas luzes no velho bugre.
- Não falei?

- São os mortos!

- Corra... corra...

E enquanto corriam desesperados, dois vaga-lumes iluminavam o painel do velho bugre, sob a luz do luar.

terça-feira, 7 de agosto de 2012

"O GOZO NA BOCA DA MINHA TIA" (de Bosco Silva)





"A MINHA TIA PERGUNTOU POR QUE QUANDO EJACULAM NA BOCA DELA O GOSTO DEMORA PRA SAIR?" 
Pergunta feita por uma adolescente no programa Altas Horas da Globo (4/8/12)
     

  
    Vivemos no Brasil um momento em que cada vez mais as pessoas perdem a noção de privacidade, se expondo não apenas a si próprios mas também suas famílias, sem qualquer limite ou respeito por elas. Assim temos pessoas públicas que se masturbam em frente de câmeras pra serem visto por meio da internet, ou que se deixam filmar em seus momentos mais íntimos sem a menor preocupação com estas imagens. Seguem a nova ordem, produzida por estes novos programas, os reality shows,  que tem como objetivo explorarem a intimidade e privacidade de seus participantes: “Não importa como ficar conhecido, importa apenas que se fique”. Esta mentalidade tem também glamuralizado a vida de artistas pornô, e estimulado jovens para tal meio sem mostrá-los os riscos que tal profissão envolvem, como a exploração sexual, os riscos de doenças etc.   E esta  menina, do vídeo acima, é um bom exemplo disso. Que ela tenha suas curiosidades, mas que pelo menos saiba expor suas dúvidas de acordo. E o pior, como sempre acontece, ainda foi estimulada e recompensada com aplausos pelo público.



Conheça o blog de fetiche e contos eróticos “INFERNO DE SADE”: http://infernodesade.blogspot.com.br/

quinta-feira, 2 de agosto de 2012

NOITE SANGRENTA (de Bosco Silva)




Aquela parecia ser uma noite especial para Thompson. Era uma sexta-feira, com uma bela lua que parecia boiar em um céu salpicado de estrelas.

Cansado do dia estressante de trabalho, Thompson resolve ir para um bar para um merecido happy hour.

Senta-se como de costume em seu lugar preferido, ao lado do balcão. Um lugar tão freqüentado por solitários em busca de um papo amigável.

Após a quinta cerveja, uma bela mulher chama-lhe atenção. Ela aproxima-se, senta-se ao seu lado, e pergunta-lhe se tem fogo. Isto lhe pareceu como o que faltava para que a noite tivesse um final feliz. Afinal, uma bela mulher, numa noite como aquela, não havia nada que mais combinasse.

O cigarro pareceu-lhe como um pretexto para uma boa cantada. E assim, logo estavam numa conversa bastante animada.

Após a décima quinta cerveja, o que era uma conversa animada, tornou-se em abraços e beijos ardentes. E logo surgiu o convite para irem para outro lugar.

Ela sugeriu um motel discreto que havia nas proximidades. E logo partiram para tal lugar.

Ao chegarem à intimidade do quarto, o que era beijos ardentes, por sua vez, tornaram-se em mordidas e chupões no pescoço, nas coxas e nas nádegas volumosas e redondas, daquela mulher que parecia incendiá-lo por inteiro. O que contrastou subitamente com um leve frio que parecia vir-lhe de sua nuca.

Após olhar para trás, Thompson percebe que o frio que sentira, era o frio do cano de dois revolveres, que lhe era apontado por dois sujeitos.

A mulher pôs-se a discutir imediatamente:

- Por que vocês demoraram tanto? Eu já estava enojado deste sujeito, tive que beijá-lo incessantemente a noite inteira, argh!!! Eu já não agüentava mais!!! O que vocês ainda queriam, que eu chupasse o pau dele?
- Calma, querida, nos atrasamos um pouco, mas estamos aqui, não estamos?

Thompson ainda atordoado pelo susto tentou argumentar:

- O que é isto, um assalto? Um seqüestro? Se for, por favor, eu posso lhes pagar. Quanto querem?
- Calma, não se assuste, vamos apenas roubá-lo – disse o homem com arma em punho.

Em seguida, lhe injetaram uma substância em suas veias, e disseram-lhe:

- Fique tranqüilo, isto é uma anestesia, apenas para você não nos seguir.

* * *

Thompson acordou atordoado em um quarto escuro como o breu. Tentou, apalpando a parede, encontrar o interruptor que acenderia as luzes. Mas não o encontrou.

Esgueirou-se pelas paredes, desviando-se dos móveis em direção às suas roupas, que tinha deixado sobre uma pequena cômoda que havia no quarto.

Ao encontrar sua roupas achou também sua carteira, que estava em seu bolso.

Ao abrir sua carteira, surpreendeu-lhe saber que o dinheiro estava, aparentemente, todos ali. Nada havia sido roubado. Isso parecia-lhe sem sentido, pois aqueles eram ladrões.

Voltou, então, a esgueirar-se em direção a porta do quarto.

Ao perceber o chão melado por um líquido viscoso, mandou a mão ao chão, percebendo que se tratava de sangue. Imediatamente sentiu que havia sangue também em suas pernas. E ao tatear o caminho do sangue que levemente escorria, percebeu que este vinha de seu rosto. E imediatamente, em seguida, Thompson percebeu que o que tinham-lhe roubado foram os seus olhos.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

EXTRATOS NOCTÍVAGOS I (de Renê Romana)

by Francesca Woodman


Sempre que acordo, que me desperto dos meus sonhos eróticos

é pra cá que corro, pego minha caneta e aquele livro de receitas,

conto tudo a ele, meu livro de receitas me diz  que devo me conter,

tem dias que sinto vergonha de tanta libidinagem,

tanta necessidade carnal como pode isso??