quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

CONHEÇA AS MISTERIOSAS SOCIEDADES SECRETAS DO SEXO





CONHEÇA AS MISTERIOSAS SOCIEDADES SECRETAS DO SEXO

Esqueça os famosos Illuminatis, ou outra qualquer sociedade secreta ligada a teorias conspiratórias; ou ainda as famosas sociedades secretas dedicadas ao crime — a italiana Cosanostra e a japonesa yakuza —; o assunto agora é uma forma de sociedade secreta que teve seu apogeu no século XVIII, que muitos ainda desconhecem. Hoje falaremos das sociedades secretas dedicadas ao sexo; sociedades que tiveram como objetivo satisfazer os gostos sexuais de seus membros.




No filme De Olhos Bem Fechados (Eyes Wide Shut), do diretor Stanley Kubrick, nos é apresentado uma sociedade secreta composta por pessoas bem sucedidas que se reúnem em uma rica mansão para orgias sexuais com belas mulheres, sem que seus membros se identifiquem.


 

Embora o filme seja uma ficção, a verdade é que sociedades secretas dedicadas ao sexo é uma realidade, e não é de hoje. O pervertido escritor francês Marquês de Sade (1740 - 1814), usou muitas delas como modelo para escrever seus livros. 


Marquês de Sade


Sade foi um escritor que muito antes de Dan Brown, levou para seus livros histórias envolvendo sociedades secretas que, diferente das misteriosas sociedades do livro Código da Vinci, de Brown, que se dedicavam a guardar segredos religiosos milenares, as sociedades de que fala o Marquês se dedicava as formas mais terríveis de sexo, em que o supremo prazer sexual consistia no sofrimento e morte do parceiro.


Sade diferentemente de Dan Brown conhecia muito bem sobre o que escrevia, e é bem possível que até fizesse parte de algumas destas sociedades, tão comuns no seu tempo; uma destas ele citou com bastante propriedade, a Ordre de Cythere.


AS ORÍGENS

Tal qual a Société du Moment, Ordre Hermaphrodite, e muitas outras, a Ordre de Cythère se dedicava ao sexo, em que nobres senhores se reuniam e praticavam todas as formas de sexo, longe de suas esposas e dasleis morais da sociedade. 



O auge de tais sociedades se deu durante o século XVIII. Sustenta-se que durante a segunda metade deste século havia, somente na França, mais de cem destas sociedades. Sociedades que tiveram como modelo outra sociedade secreta, a famosa Franco-Maçonaria. Porém, diferentemente desta, envolta em cultos místicos, estas sociedades se dedicavam apenas ao culto do prazer. E assim, inspiradas por aquela, tais sociedades obedeciam a um código de conduta, que embora fosse menos rígido que o da Maçonaria, exigia de seus membros discrição e segredo. Deste modo, havia juramentos e ritos de iniciação, regras a serem seguidas e a perfeita comunhão com outros membros. Tudo o que pudesse lhes dar segurança. 



Por isso, era comum que os membros de tais sociedades usassem de códigos para se comunicarem entre si. Algumas sociedades famosas desse tempo, como a Ordre de la Félicité e a Ordre Hermaphrodite (em português, Ordem da Felicidade e a Ordem Hermafrodita, respectivamente), usavam termos da marinha quando se referiam ao objeto de seus cultos; chamavam de “Escola de Marinha” a bordéis, “Fragata” a mulheres, “Navio” a homens, “Mar” ao amor, etc. Quanto aos seus objetivos, havia interpretações diferentes, pois algumas se dedicavam a cultuar os prazeres da vida, com reuniões regradas a boas bebidas e refinadas comidas, e também à leitura de livros pornográficos, com a participação de prostitutas, enquanto outras se dedicavam apenas ao que eles chamavam de “Santas Orgias”, em que o sexo grupal com prostitutas era a atração principal.




O CLUBE DO FOGO DO INFERNO

Contudo, estas sociedades não se limitavam apenas à França. Na Inglaterra, em meio a tantas sociedades secretas, uma tornou-se famosa, o Hell’s Fire Club (o Clube do Fogo do Inferno), uma sociedade liderada por um excêntrico e importante aristocrata inglês, membro do parlamento, Sir Francis Dashwood. Seus integrantes, nobres e importantes políticos, reuniam-se semanalmente para orgias sexuais sob uma igreja, exatamente a cem metros abaixo desta, que o próprio Dashwood mandou construir. Era uma igreja dedicada a São Lourenço, o santo católico padroeiro das prostitutas, que fora construída na cidade de West Wycombe, aproximadamente 55 quilômetros de Londres, em que seus membros se trajavam de monges, enquanto prostitutas contratadas vestiam-se de freiras.


Sir Francis Dashwood

O lugar era composto de um complexo conjunto de túneis e câmaras que outrora fora uma mina, construída pelo próprio Sir Francis Dashwood para dar trabalho aos moradores locais que haviam tido uma péssima colheita, mas com o tempo havia se transformado no mais secreto covil. Seus túneis eram verdadeiros labirintos. Estes conduziam a câmaras secretas. Havia também um rio subterrâneo a separar o resto do lugar da câmara principal, um lugar que, pelo o que se crê, era dedicado a grandes orgias sexuais e rituais secretos. Havia também um barqueiro que fazia a travessia de membros do clube para tal lugar, como o mítico Caronte, o barqueiro dos mortos dos mitos antigos gregos, vestido com uma longa túnica negra com capuz sobre o rosto, que conduzia as almas dos mortos para sua nova morada.


Igreja de São Lourenço

O lugar também era enfeitado com ilustrações sexuais que parodiavam eventos religiosos cristãos. E ao se crer nos relatos da época, havia também paródias de missas cristãs que eram seguidas por grandiosas orgias, em que belas mulheres nuas serviam de altar para tais ritos.


Um dos Espaços do Hell's Fire Club


Mas é bem possível que tudo não tenha passado de um mal entendido, pois, como hoje, para o populacho, tudo que fuja do Cristianismo toma forma de Satanismo. Assim, é possível que Dashwood apenas misturasse às suas orgias símbolos religiosos pagãos, como os ritos ao deus Baco, que deu origem ao termo bacanal — se de forma séria ou apenas como motivo de diversão, não sabemos ao certo. Mas com o tempo relatos sobre o Hell’s Fire Club, também chamado de “mosteiro de Medmenham” por seus frequentadores, tornaram-se cada vez mais populares, o que obrigou que, em 1774, o clube fosse desativado e que, por sua vez, todos os documentos relativos a ele fossem queimados.


Uma das Passagens do Hell's Fire Club

SOCIEDADES SECRETAS DEDICADAS AO SEXO E A INTERNET

Agora, pense bem: se tais sociedades tinham como objetivo a fuga e o deboche das ideias de uma moral social rígida e hipócrita que obrigava seus cidadãos a comportamentos sexuais que não lhes agradavam, limitando seus gostos a uma incipiente vida sexual, que muitas vezes castigavam com detenções, e mesmo com a morte, comportamentos sexuais que, para a época, eram considerados desviantes, mas que hoje não chegariam nem perto do que se pode encontrar em inofensivos sex shops, imagine então o que motivaria sociedades sexuais secretas de hoje, em que se tem a total liberdade para se cultivar os mais estranhos desejos sexuais. Teria que ser algo extremamente transgressor, não é mesmo?


Pense agora nas possibilidades do mundo moderno, com seus poderosíssimos meios de comunicação e de informação, em que se pode diminuir consideravelmente as distâncias entre os homens apenas com um clique, o quanto não ganhariam tais sociedades com o poder e discrição de tais meios.


E sendo a transgressão um elemento fundamental ao sexo, que tenderia mesmo a unir, em alguns casos, sexo e crimes, não admira que a internet seja um importante meio de agrupar pedófilos e outros criminosos, unindo adeptos em grupos, seja por meio de sites, sociedades, clubes ou o nome que você queira dar.



quarta-feira, 1 de janeiro de 2014

SADISMO E MMA





A impressionante foto acima não é fotoshop, trata-se do momento exato em que o lutador Anderson Silva fratura os ossos da perna ao desferir um chute em seu oponente Chris Weidman. A cena foi vista por centenas de milhares de telespectadores ao redor do mundo. E mais uma vez, motivados por ela, muitas pessoas questionam se isto é esporte ou apenas violência gratuita.

sábado, 28 de dezembro de 2013

13 COISAS QUE AS PESSOAS MENTALMENTE FORTES EVITAM



Que tal começar o ano seguindo essas 13 boas diretrizes da lista compilada pela psicoterapeuta e assistente social Amy Morin:

1. Perder tempo sentindo pena de si mesmas
Você não vê pessoas mentalmente fortes sentindo pena de si mesmas ou suas circunstâncias. Elas aprenderam a assumir a responsabilidade por suas ações e resultados, e têm uma compreensão inerente de que muitas vezes a vida não é justa. Elas são capazes de emergir de uma situação difícil com consciência e gratidão pelas lições aprendidas. Quando uma ocasião acaba mal para elas, pessoas fortes simplesmente seguem em frente.

2. Ser controladas ou subjugadas
Pessoas mentalmente fortes evitam dar aos outros o poder de fazê-los sentir-se inferiores ou ruins. Elas entendem que estão no controle de suas ações e emoções. Elas sabem que a sua força está na sua capacidade de reagir de maneira adequada.

3. Fugir de mudanças
Pessoas mentalmente fortes aceitam e abraçam a mudança. Seu maior “medo”, se tiverem um, não é do desconhecido, mas de tornarem-se complacentes e estagnadas. Um ambiente de mudança e incerteza pode energizar uma pessoa mentalmente forte e estimular o seu melhor lado.

4. Gastar energia em coisas que não podem controlar
Pessoas mentalmente fortes não reclamam (muito) do tráfego, da bagagem perdida e especialmente das outras pessoas, pois reconhecem que todos esses fatores estão, geralmente, fora do seu controle. Em uma situação ruim, elas reconhecem que a única coisa que sempre podem controlar é a sua própria resposta e atitude.

5. Preocupar-se em agradar os outros
É impossível agradar a todos. Pior ainda é quem se esforça para desagradar outros como forma de reforçar uma imagem de força. Nenhuma dessas posições é boa. Uma pessoa mentalmente forte se esforça para ser gentil e justa e para agradar aos outros quando necessário, mas não tem medo de dar sua opinião ou apoiar o que acha certo. Elas são capazes de suportar a possibilidade de que alguém vai ficar chateado com elas, e passam por essa situação, sempre que possível, com graça e elegância.

6. Ter medo de assumir riscos calculados
Uma pessoa mentalmente forte está disposta a assumir riscos calculados. Isso é uma coisa completamente diferente do que pular de cabeça em situações obviamente tolas. Mas com a força mental, o indivíduo pode pesar os riscos e benefícios completamente, e avaliar plenamente as potenciais desvantagens e até mesmo os piores cenários antes de tomar uma atitude.

7. Saudosismo freqüente
Há força em reconhecer o passado e, sobretudo, as coisas aprendidas com as experiências passadas, mas uma pessoa mentalmente forte é capaz de evitar se afundar em decepções antigas ou fantasias dos “dias de glória” de outrora. Elas investem a maior parte de sua energia na criação de um presente e futuro melhores.

8. Cometer os mesmos erros repetidamente
Não adianta realizarmos as mesmas ações repetidas vezes esperando um resultado diferente e melhor do que o que já recebemos. Uma pessoa mentalmente forte assume total responsabilidade por seu comportamento passado e está disposta a aprender com os erros. Pesquisas sugerem que a capacidade de ser autor reflexivo de forma precisa e produtiva é uma das maiores características de executivos e empresários bem-sucedidos.

9. Ressentir o sucesso dos outros
É preciso ter força de caráter para sentir alegria genuína pelo sucesso de outras pessoas. Pessoas mentalmente fortes têm essa capacidade. Elas não ficam com ciúmes ou ressentidas quando outros alcançam sucesso (embora possam tomar nota do que o indivíduo fez bem). Elas estão dispostos a trabalhar duro por suas próprias chances de sucesso, sem depender de atalhos.

10. Desistir depois de falhar
Cada fracasso é uma oportunidade para melhorar. Mesmo os maiores empresários estão dispostos a admitir que seus esforços iniciais invariavelmente trouxeram muitas falhas. Pessoas mentalmente fortes estão dispostas a falhar de novo e de novo, se necessário, desde que cada “fracasso” os traga mais perto de seus objetivos finais.

11. Ter medo de passar tempo sozinhas
Pessoas mentalmente fortes apreciam e até mesmo valorizam o tempo que passam sozinhas. Elas usam esse tempo de inatividade para refletir, planejar e ser produtivas. Mais importante, elas não dependem de outros para reforçar a sua felicidade e humor. Elas podem ser felizes com os outros, bem como sozinhas.

12. Sentir que o mundo lhes deve algo
Na economia atual, executivos e funcionários de todos os níveis estão ganhando a percepção de que o mundo não lhes deve um salário, um pacote de benefícios e uma vida confortável, independentemente da sua preparação e escolaridade. Pessoas mentalmente fortes entram no mercado preparadas para trabalhar e ter sucesso de acordo com seu mérito, ao invés de já chegar com uma lista de coisas que deveriam receber de mão beijada.

13. Esperar resultados imediatos
Quer se trate de um treino, um regime nutricional ou de começar um negócio, as pessoas mentalmente fortes entram nas situações pensando a longo prazo. Elas sabem que não devem esperar resultados imediatos. Elas aplicam sua energia e tempo em doses e celebram cada etapa e aumento de sucesso no caminho. Elas têm “poder de permanência” e entendem que as mudanças genuínas levam tempo.

quinta-feira, 26 de dezembro de 2013

INQUISIÇÃO: Tortura e Dor em Nome de Deus

       Há fatos que jamais devem ser esquecidos, sob pena de se repetirem novamente. A Inquisição Católica é um desses. Por isso nunca é demais lembrá-la.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

A SINGULARIDADE



Muito tem se falado do grande poder da literatura de ficção científica de prever grandes invenções e descobertas humanas; assim, vez por outra, alguém lembra que Júlio Verne foi capaz de antecipar em seus livros a ida do homem a lua, de prever submarinos com a capacidade de percorrer grandes extensões de oceanos, etc.

quinta-feira, 28 de novembro de 2013

CONFISSÕES DE UMA VELHA PROSTITUTA



Alguns clientes tinham uns desejos esquisitos. E eram sempre os que pagavam além da conta. Tinha um que sempre me chamava para que eu ficasse nua, menos nos pés. Ele me pedia para calçar dezenas de pares de calçados, que ele guardava na casa dele. Ele morava sozinho, sabe. E toda vez que eu ia lá tinha novos pares de calçados; de todos os tipos e cores, mas sempre calçados de couro. Pois bem... ele se deitava no chão, sobre o tapete, e me pedia para desfilar ao seu lado...

quarta-feira, 20 de novembro de 2013

SEXO, PERVERSÕES E ASSASSINATOS (de Bosco Silva)



Uma legista ninfomaníaca que adora transar em meio a cadáveres e mesas de autópsias... Um escritor que pesquisa o turismo sexual no Brasil, e que, por todas as formas, incluindo se camuflar como turista sexual e, contra a vontade, a experimentar as mais terríveis formas de sexo bizarro e, com isso, atrair seus agenciadores, tenta provar a existência do mais violento turismo sexual em nosso pais, que tem como objetivo saciar as mais violentas fantasias sexuais de seus clientes... E um policial que luta contra a corrupção policial, se unem a fim de solucionar o aparecimento de cadáveres masculinos com marcas de tortura em rios que contornam a cidade. É o mote para a mais alucinante viagem ao submundo do sadomasoquismo, entre sádicos assassinos e os mais bizarros gostos sexuais.
MARQUÊS DE SADE
SEXO, PERVERSÕES E ASSASSINATOS é também uma singela homenagem a um dos mais polêmicos escritores de todos os tempos, Marquês de Sade (1740-1814), no ano de seu bicentenário de morte; autor que passou grande parte de sua vida em presídios e hospícios, devido suas concepções morais; e que teve sua obra queimada e proibida por tanto tempo, mas que hoje é considerado um clássico da literatura universal.
"O PÊNIS É A MENOR DISTÂNCIA ENTRE DUAS ALMAS"
Marquês de Sade
Conheça SEXO, PERVERSÕES E ASSASSINATOS em nova edição revista. Relançamento em dezembro de 2013.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

O QUE VOCÊ FAZ QUANDO NINGUÉM ESTÁ OLHANDO? - Caso 1: A Abobrinha



Madrugada de terça-feira...
Um homem solitário em busca de emoção se excita enfrente à televisão. Na tela um filme pornô lhe traz alguma emoção em sua vida solitária. E entusiasmado com as performances dos atores, resolve introduzir um pouco mais de prazer em sua vida. Foi até a cozinha e, na falta de um vibrador, revirou a despensa e, entre vidros de maionese, latas de óleo e polpa de tomate, reparou que nas formas inocentes de uma abobrinha, havia um instrumento erótico em potencial, que parecia ter sido naturalmente adaptado ao seu corpo.
Voltou para frente da televisão, introduziu o fruto em seu ânus em um crescente de excitação com movimentos bruscos e repetitivos, até que algo sai, ou melhor, entra erradamente, o fruto se quebra e uma parte se aloja no fundo de seu reto, devido ao grande poder de sucção deste. O homem passa da mais viva excitação ao mais tenebroso dos desesperos. Lambuza os dedos com manteiga na tentativa de tirá-lo. E após várias tentativas resolve ir ao banheiro. Mas o que parecia tarefa fácil torna-se demasiadamente trabalhosa. Decide, finalmente, ir ao hospital. Ao atendente diz que sofreu um acidente de trabalho, que escorregou sobre o fruto.
- Sei muito bem senhor, acidentes acontecem - disse o funcionário não escondendo sua incredulidade. - Só nessa semana tivemos três casos: um garçom que escorregou sobre uma garrafa de cerveja; um auxiliar de limpeza que se acidentou com um desentupidor de pia, e até mesmo, pasme, alguém que caiu sobre um hamster.
- Este devia ser veterinário! - comentou o outro atendente.
- Pobre animal foi parar numa toca tão estranha! - e os dois explodem em gargalhadas.
- Não esqueça daquele cozinheiro que estava lavando a cozinha, escorregou no sabão e caiu sobre um copo que foi parar lá, naquele lugar tão escondidinho - disse o outro ainda rindo.
- O que me intriga é que sempre trabalham nus.
- É, deve ser o calor...
- Ô Manuel mais um daqueles acidentes de trabalho, venha ver, venha ver... - gritou o atendente.
- O que foi dessa vez? Uma garrafa? Um picador de gelo? - pergunta o médico sob o olhar envergonhado do paciente. E após o atendente responder, exclama o médico, ao ver o paciente em desespero:
- Veja o lado bom de tudo isso: ainda bem que você não trabalha com abacaxis!
Uma operação é marcada com urgência. E após acabarem com o tórrido relacionamento entre o homem e o vegetal, ele volta para casa, e decide, definitivamente, não ser mais vegetariano, pelo menos em suas relações sexuais.

Já este preferiu uma garrafa de cerveja:


quarta-feira, 13 de novembro de 2013

CLIC (de Luis Fernando Veríssimo)



Cidadão se descuidou e roubaram seu celular. Como era um executivo e não sabia mais viver sem celular, ficou furioso. Deu parte do roubo, depois teve uma idéia. Ligou para o número do telefone. Atendeu uma mulher.
— Aloa.
— Quem fala?
— Com quem quer falar?
— O dono desse telefone.
— Ele não pode atender.
— Quer chamá-lo, por favor?
— Ele esta no banheiro. Eu posso anotar o recado?
— Bate na porta e chama esse vagabundo agora.
Clic. A mulher desligou. O cidadão controlou-se. Ligou de novo.
— Aloa.
— Escute. Desculpe o jeito que eu falei antes. Eu preciso falar com ele, viu? É urgente.
— Ele já vai sair do banheiro.
— Você é a...
— Uma amiga.
— Como é seu nome?
— Quem quer saber?
O cidadão inventou um nome.
— Taborda. (Por que Taborda, meu Deus?) Sou primo dele.
— Primo do Amleto?
Amleto. O safado já tinha um nome.
— É. De Quaraí.
— Eu não sabia que o Amleto tinha um primo de Quaraí.
— Pois é.
— Carol.
— Hein?
— Meu nome. É Carol.
— Ah. Vocês são...
— Não, não. Nos conhecemos há pouco.
— Escute Carol. Eu trouxe uma encomenda para o Amleto. De Quaraí. Uma pessegada, mas não me lembro do endereço.
— Eu também não sei o endereço dele.
— Mas vocês...
— Nós estamos num motel. Este telefone é celular.
— Ah.
— Vem cá. Como você sabia o número do telefone dele? Ele recém-comprou.
— Ele disse que comprou?
— Por que?
O cidadão não se conteve.
— Porque ele não comprou, não. Ele roubou. Está entendendo? Roubou. De mim!
— Não acredito.
— Ah, não acredita? Então pergunta pra ele. Bate na porta do banheiro e pergunta.
— O Amleto não roubaria um telefone do próprio primo.
E Carol desligou de novo.
O cidadão deixou passar um tempo, enquanto se recuperava. Depois ligou.
— Aloa.
— Carol, é o Tobias.
— Quem?
— O Taborda. Por favor, chame o Amleto.
— Ele continua no banheiro.
— Em que motel vocês estão?
— Por que?
— Carol, você parece ser uma boa moça. Eu sei que você gosta do Amleto...
— Recém nos conhecemos.
— Mas você simpatizou. Estou certo? Você não quer acreditar que ele seja um ladrão. Mas ele é, Carol. Enfrente a realidade. O Amleto pode Ter muitas qualidades, sei lá. Há quanto tempo vocês saem juntos?
— Esta é a primeira vez.
— Vocês nunca tinham se visto antes?
— Já, já. Mas, assim, só conversa.
— E você nem sabe o endereço dele, Carol. Na verdade você não sabe nada sobre ele. Não sabia que ele é de Quaraí.
— Pensei que fosse goiano.
— Ai esta, Carol. Isso diz tudo. Um cara que se faz passar por goiano...
— Não, não. Eu é que pensei.
— Carol, ele ainda está no banheiro?
— Está.
— Então sai daí, Carol. Pegue as suas coisas e saia. Esse negocio pode acabar mal. Você pode ser envolvida. — Saia daí enquanto é tempo, Carol!
— Mas...
— Eu sei. Você não precisa dizer. Eu sei. Você não quer acabar a amizade. Vocês se dão bem, ele é muito legal. Mas ele é um ladrão, Carol. Um bandido. Quem rouba celular é capaz de tudo. Sua vida corre perigo.
— Ele esta saindo do banheiro.
— Corra, Carol! Leve o telefone e corra! Daqui a pouco eu ligo para saber onde você está.
Clic.
Dez minutos depois, o cidadão liga de novo.
— Aloa.
— Carol, onde você está?
— O Amleto está aqui do meu lado e pediu para lhe dizer uma coisa.
— Carol, eu...
— Nós conversamos e ele quer pedir desculpas a você. Diz que vai devolver o telefone, que foi só brincadeira. Jurou que não vai fazer mais isso.
O cidadão engoliu a raiva. Depois de alguns segundos falou:
— Como ele vai devolver o telefone?
— Domingo, no almoço da tia Eloá. Diz que encontra você lá.
— Carol, não...
Mas Carol já tinha desligado.
O cidadão precisou de mais cinco minutos para se recompor. Depois ligou outra vez.
— Aloa.
Pelo ruído o cidadão deduziu que ela estava dentro de um carro em movimento.
— Carol, é o Torquatro.
— Quem?
— Não interessa! Escute aqui. Você está sendo cúmplice de um crime. Esse telefone que você tem na mão, esta me entendendo? Esse telefone que agora tem suas impressões digitais. É meu! Esse salafrário roubou meu celular!
— Mas ele disse que vai devolver na...
— Não existe Tia Eloá nenhuma! Eu não sou primo dele. Nem conheço esse cafajeste. Ele esta mentindo para você, Carol.
— Então você também mentiu!
— Carol...
Clic.
Cinco minutos depois, quando o cidadão se ergueu do chão, onde estivera mordendo o carpete, e ligou de novo, ouviu um "Alô" de homem.
— Amleto?
— Primo! Muito bem. Você conseguiu, viu? A Carol acaba de descer do carro.
— Olha aqui, seu...
— Você já tinha liquidado com o nosso programa no motel, o maior clima e você estragou, e agora acabou com tudo. Ela está desiludida com todos os homens, para sempre. Mandou parar o carro e desceu. Em plena Cavalhada. Parabéns primo. Você venceu. Quer saber como ela era?
— Só quero meu telefone.
— Morena clara. Olhos verdes. Não resistiu ao meu celular. Se não fosse o celular, ela não teria topado o programa. E se não fosse o celular, nós ainda estaríamos no motel. Como é que chama isso mesmo? Ironia do destino?
— Quero meu celular de volta!
— Certo, certo. Seu celular. Você tem que fechar negócios, impressionar clientes, enganar trouxas. Só o que eu queria era a Carol...
— Ladrão
— Executivo
— Devolve meu...
Clic.
Cinco minutos mais tarde. Cidadão liga de novo. Telefone toca várias vezes. Atende uma voz diferente.
— Ahn?
— Quem fala?
— É o Trola.
— Como você conseguiu esse telefone?
— Sei lá. Alguém jogou pela janela de um carro. Quase me acertou.
— Onde você está?
— Como eu estou? Bem, bem. Catando meus papéis, sabe como é. Mas eu já fui de circo. É. Capitão Trovar. Andei até pelo Paraguai.
— Não quero saber de sua vida. Estou pagando uma recompensa por este telefone. Me diga onde você está que eu vou buscar.
— Bem. Fora a Dalvinha, tudo bem. Sabe como é mulher. Quando nos vê por baixo, aproveita. Ontem mesmo...
— Onde você está? Eu quero saber onde!
— Aqui mesmo, embaixo do viaduto. De noitinha. Ela chegou com o índio e o Marvão, os três com a cara cheia, e...

terça-feira, 5 de novembro de 2013

A BUNDA (por Bosco Silva)



Não é de hoje que esta parte tão peculiar da anatomia humana atrai tanto os olhares curiosos e desejos da humanidade, ou pelo menos de uma grande parcela dela. E enquanto em países de cultura anglo-saxã se cultua outra parte do corpo feminino, os seios, e onde ter fartos trazeiros chega a ser um sinal de imperfeição; nós porém, latinos, cultuamos a bunda ao ponto desta torna-se um sinal de status e até mesmo como uma escada para o sucesso, para tanto basta analisarmos o surgimento das chamadas mulheres-frutas com seus exuberantes bumbuns, exibindo-os em danças sensualíssimas.
Talvez na própria origem da palavra bunda esteja a pista para compreendemos melhor este fenômeno cultural e sexual tão disseminado em nosso pais.


É provável que a palavra bunda tenha se derivado da palavra Bundo, que era empregado aos indivíduos pertencentes a um dos povos angolano, que foram trazidos ao Brasil como mão de obra escrava. E como em tantas raças negroides, homens e mulheres bundos exibiam certa conformação características, como quadris estreitos e nádegas protuberantes.
Deste modo, não é difícil de imaginarmos quanto tal característica, confrontada com as mulheres brancas europeias, tenha atraído tanto a atenção principalmente masculina. Fico a imaginar ricos senhores de engenhos parados em alguma esquina de um Brasil colonial a observarem escravas carregando grandes tabuleiros em suas cabeças, com olhares cheios de desejos ao andar cadenciado, e o balançar de seus grandes bumbuns.
E ao associarem grandes nádegas a povos escravos e submissos, é possível que tenha estimulado ainda mais desejos sadomasoquistas latentes já presentes no sexo anal. O que, uma vez somado ao clima de nosso país e a grande quantidade de escravos vindos ao Brasil, tenha ajudado a construir a sexualidade brasileira.
Isto pode ser verificado com a história da negra Saartjie, que foi conhecida como a Vênus Negra.


  SAARTJIE, A VÊNUS NEGRA
Saartjie (Sarah) nasceu no vale do rio Gamtoos, na atual província do Cabo Oriental, na África do Sul, de etnia Khoisan. Esta é a forma africânder do seu nome, cujo original é desconhecido. Seu nome, Saartjie (que se pronuncia «Sarqui»), pode ser considerado equivalente a "Sarazinha".
Saartjie foi criada em uma fazenda de holandeses próximo à Cidade do Cabo. Hendrick Cezar, irmão do seu patrão, sugeriu que ela se exibisse na Inglaterra, prometendo que isso a tornaria rica. Lord Caledon, governador do Cabo, permitiu a viagem, embora tenha lamentado tal decisão após saber o seu verdadeiro propósito.
Em 1810 Saartjie viaja para a Inglaterra com o sonho de ser artista famosa, acabou refém da escravização de seu corpo numa mistura de colonialismo, machismo e racismo. Cezar promete fazê-la rica, porém foi obrigada a se apresentar em shows de péssimo gosto, em que sai de uma jaula simulando atacar o público como se fosse uma selvagem. Usando uma roupa colante que evidenciava seu físico avantajado, expectadores gritavam obscenidades e mediante pagamento extra poderiam até tocar o seu corpo. Saartjie tinha longos lábios da genitália, particularidade de algumas mulheres Khoisan. Segundo Stephen Jay Gould, "os pequenos lábios ou lábios internos dos genitais da mulher comum são extremamente longos nas mulheres khoi-san e podem sobressair da vagina entre 7,5 e mais de 10 cm quando a mulher está de pé, dando a impressão de uma cortina de pele distinta e envolvente" (Gould, 1985). Em vida, Saartjie nunca permitiu que este seu derradeiro traço fosse exibido.
A sua exibição em Londres causou escândalo, tendo a sociedade filantrópica African Association criticado a iniciativa e lançado um processo em tribunal. Durante o seu depoimento, Sarah Baartman declarou, em holandês, não se considerar vítima de coação e ser seu perfeito entendimento que lhe cabia metade da receita das exibições. O tribunal decidiu arquivar o caso, mas o acórdão não foi satisfatório, devido a contradições com outras investigações, que tornaram a continuação do espetáculo em Londres impossível.
No final de 1814, Saartjie foi vendida a um francês, domador de animais, que viu nela uma oportunidade de enriquecimento fácil. Considerando que a adquirira como prostituta ou escrava, o novo dono mantinha-a em condições muito mais duras. Foi exposta em Paris, tendo de aceitar exibir-se completamente nua, o que contrariava o seu voto de jamais exibir os órgãos genitais. As celebrações da reentronização de Napoleão Bonaparte no início de 1815 incluíram festas noturnas. A exposição manteve-se aberta durante toda a noite e os muitos visitantes bêbados divertiram-se apalpando o corpo da indefesa mulher. Foi depois exposta a multidões, que zombavam dela. Era alvo de caricaturas, mas chamou também o interesse de cientistas e pintores. O anatomista francês Georges Cuvier e outros naturalistas visitaram-na, tendo sido objeto de numerosas ilustrações científicas no Jardin du Roi.
O corpo foi totalmente investigado e medido, com registo do tamanho das nádegas, do clitóris, dos lábios e dos mamilos para museus e institutos zoológicos e científicos.
Com a nova derrota de Napoleão, o fim do seu governo e a ocupação da França pelas tropas aliadas em junho de 1815, as exposições tornaram-se impossíveis. Saartje foi levada a prostituir-se e tornou-se alcoólica. Morreu em dezembro de 1815, ao cabo de 15 meses em França. Como causa da morte, foram aventadas várias hipóteses: varíola, sífilis ou pneumonia.
Saartjie Baartman morreu a 29 de Dezembro de 1815 de uma doença inflamatória. Para não ter de pagar o enterro, o domador de animais vendeu o cadáver ao Musée de l'Homme (Museu do Homem), em Paris, onde foi feito um molde em gesso do corpo. Os resultados da autópsia foram publicados por Henri de Blainville em 1816 e por Cuvier em Mémoires du Museum d'Histoire Naturelle em 1817. Cuvier anotou, nesta monografia, que Saartjie era uma mulher «inteligente, com excelente memória e fluente em holandês». Além do molde em gesso, o esqueleto, os órgãos genitais e o cérebro, conservados em formol, estiveram em exibição até 1974.
A partir da década de 1940, houve apelos esporádicos pela devolução dos seus restos mortais, mas o caso só ganhou relevância após o biólogo norte-americano Stephen Jay Gould ter publicado The Hottentot Venus na década de 1980.
Quando se tornou presidente da República da África do Sul, Nelson Mandela requereu formalmente à França a devolução dos restos mortais de Saartjie Baartman.
Após inúmeros debates e trâmites legais, a Assembleia Nacional Francesa atendeu o pedido em 6 de Março de 2002.
Os restos mortais de Sarah Baartman foram inumados na sua terra natal, Gamtoos Valley, em 3 de Maio de 2002. 

Se você se sentiu tocado pela história assista o filme a Vênus Negra: http://www.predadoronline.com/2013/09/venus-negra-legendado-dublado-assistir.html    

sexta-feira, 1 de novembro de 2013

O ENIGMA DA VELHA PROSTITUTA (de Bosco Silva)



Ainda hoje me lembro com saudade das corridas após a escola quando éramos menino, em que apostávamos quem chegava primeiro ao futebol no velho campo de terra batida atrás da escola; das noites de apagão em que caçávamos vaga-lumes, e fazíamos lâmpadas com eles em vidros de maionese; dos doces banhos na bela lagoa ao entardecer, e dos passeios nas noites de finais de semana para vermos as estrelas; ficávamos a contemplá-las deitados sobre a relva rala, tentando contá-las, pensando na vida e projetando as próximas estripulias para o final de semana. Eram tempos de ingenuidade, de agradáveis descobertas e também de grandes surpresas. Mas de todas estas lembranças uma guardo em especial: 
De Neusa, a velha prostituta que, apesar de sua idade avançada, ainda agradava muitos os homens; tanto que mesmo as novinhas cheirando a leite, com carnes rígidas das mais apetitosas não eram páreas para ela, com seu corpo encurvado, pele enrugada e boca flácida. O que despertava a curiosidade e também um quê de inveja em muitas mulheres; havendo aquelas que argumentavam que Neusa se banhava com chá de casca do tronco do cajueiro a fim de contrair a vagina durante suas relações sexuais; mas o certo era que isso não era segredo para nenhuma mulher de seu ofício, e que nenhuma, mesmo cultivando tal prática, não conseguia o mesmo efeito. O que aumentava ainda mais o mistério em sua volta, havendo também aqueles que diziam que Neusa havia contraído pacto com demônio, que a mantinha com tais poderes.
Tal segredo não apenas passou a estimular a curiosidade das mulheres das redondezas mas também de nós; por isso tínhamos o costume de pararmos enfrente da velha casa de Neusa, todo final de tarde, e ficávamos a observar as beatas ao virem da igreja benzerem-se ao passar enfrente de sua casa como quem encarasse o próprio demônio; dos homens que imploravam por mais uma hora de amor ao seu lado, a qualquer hora do dia ou da noite, e do entra e sai de senhores de todas as idades.
Um dia, após mais um banho no velho ribeirão, descemos a ladeira e ficamos a espreitar mais uma vez a velha casa de madeira, de aparência humilde, com um grande jardim recheado de árvores frutíferas de todas as espécies, eram mangas, jacas, figos e jabuticabas, a amadurecerem sem que alguém as procurasse; parecia que as árvores imploravam para que alguém subisse em seus grossos troncos, saboreassem seus saborosos frutos e que as tomassem de abrigos a quem estivesse cansado com o sol à pino;  o que era um convite tentador aos moleques da região, incluindo, claro, nós.  Mas ao mesmo tempo em que as árvores possuíam este aspecto tentador, havia também o ar sinistro produzido pelas sombras de suas folhagens, que a tornava como que envolta em uma atmosfera sempre noturna mesmo nas horas mais ensolaradas do dia, conferindo-lhe ar sombrio de casa abandonada e mal-assombrada; o que, por sua vez, mantinha a garotada longe de suas tentadoras frutas. Porém naquele dia estávamos dispostos a enfrentar nosso medo e aventurarmos além de seus muros. E assim tentados pela visão das frutas nos arriscamos em apanhá-las.
Carlinhos foi o primeiro, saltou o muro com a agilidade que seu corpo franzino lhe proporcionava, agilidade que tantas vezes havia sido testada em quintais vizinhos, o que lhe proporcionou a grande oportunidade de por seu talento mais uma vez à prova. E ao comando de seu assovio, todos pulamos o muro...
E após verificarmos a ausência de Neusa, passamos a deliciarmos com as frutas mais saborosas que havíamos comidos na vida. Porém a curiosidade em mim pela aquela velha casa queimava como a mais alta das febres. O que me fez por um momento desprezar as frutas e me aventurar a procurar por brechas a fim de olhar seu interior. E ao contorná-la verifiquei que a porta estava entreaberta; e assim motivado pela curiosidade natural a nossa idade adentrei-a.
A casa, embora humilde, possuía mobílias e quadros suntuosos, e também grandes tapetes trabalhados belamente enfeitavam o frio chão de madeira. E apesar de pequena, possuía inúmeros quartos que contrastavam com seu tamanho visto de fora. Mas o último quarto chamou-me mais a atenção, já que era para ele que se encaminhavam a longa fileira de tapetes, como um convite para que entrássemos nele. Ao abri-lo, tive uma grande surpresa:


Móveis com formas de falo decoravam o quarto; como uma mesa que tinha quatro pernas em forma de pênis esculpidos em madeira, e um enorme falo que se projetava de seu centro; cadeiras com ornamento de mulheres com grandes pênis na boca ou em pleno ato sexual espalhavam-se pelo quarto; mas um me assustou sobremaneira: 



Uma grande poltrona que estampava uma criatura com chifres, longos dedos finos a lamber uma protuberante vagina. O susto foi tanto que imediatamente pus-me em fuga, obrigando o resto dos meninos a seguir-me, em meio a tantos porquês de tal atitude repentina.
Passei ainda alguns dias com medo do que tinha visto naquele quarto maldito; vindo-me sempre a tona o que o povo dizia: do terrível pacto com o demônio!
E por estas mudanças surpreendentes que compartilhamos na vida, logo o medo passou, e a curiosidade tomou-me a alma novamente. Voltei outra vez para a casa dela, mas desta vez sozinho...
Desta vez entrei pela porta da frente. E ao ouvir vozes, busquei abrigo no único quarto aberto, o temido quarto sinistro. E ao perceber que passos seguiam para ele, me escondi sob a cama. Neusa entrou acompanhada de um homem. Despiram-se. E sobre a cama ela se entregou a seu amante. A cama tremia, rangia, me imprensando. Até que em um dado momento o homem passou a lhe implorar por algo que eu desconhecia. O homem gritava, gemia e dizia: “bora Neusa, tire elas. Ninguém faz como você, querida”. Olhei então para a pequena mesinha ao lado da cama, vi um copo d’água, e logo em seguida, dentro, um par de dentaduras.
Compreendi então, alguns anos depois, que nada havia de sobrenatural ou de maligno naquilo, Neusa apenas tinha um modo peculiar de agradar sexualmente os homens.