quarta-feira, 24 de julho de 2019

DELEGADO, POR PRECONCEITO RELIGIOSO, ACUSA DE ASSASSINATO MEMBRO DE SEITA "SATÂNICA"

DELEGADO, POR PRECONCEITO RELIGIOSO, ACUSA DE ASSASSINATO MEMBRO DE SEITA "SATÂNICA" 
Vez por outra, vemos notícias de evangélicos demonstrando total intolerância a crenças religiosas não-cristãs, principalmente religiões de origens africana e do chamado neo paganismo, e até mesmo ao Catolicismo e ao uso por esta de imagens de santos católicos. Os atos de intolerância religiosa não apenas fere o direito constitucional do cidadão de exercer sua liberdade de crença, como também pode ser fonte de extrema injustiça levando a falsas acusações e até mesmo risco de vida dos acusados, como o caso que será relatado aqui, que embora ocorrido em 2017, até hoje os acusados ainda sofrem com seus sinistros efeitos e ilustra bem os danos causados por preconceitos religiosos.


Acima, Exemplos de Intolerância Religiosa em Nosso País




O Caso das Crianças Esquartejadas de Novo Hamburgo

No dia 4 de setembro de 2017, um homem ao abrir sacos plásticos próximo a uma rua deserta do bairro Lomba Grande, na cidade de Novo Hamburgo (RS), para seu espanto, encontra partes de dois corpos esquartejados. Por meio de exames posteriores, descobriu-se se tratar dos corpos que pertenciam a dois irmãos: um menino entre 8 a 10 anos e uma menina de 10 a 12 anos, cuja as cabeças não foram encontrada.


Delegado Moacir Fermino

Meses se passaram, e a ausência de casos de desaparecimento de crianças na região só fazia aumentar o mistério. Até que no início de janeiro de 2018, o delegado Moacir Fermino surge com uma explicação assustadora: as crianças eram argentinas e foram sacrificadas em um ritual satânico.

A Testemunha
Com base em um único testemunho, de alguém que se mantinha anônimo, e que afirmara que fora chamado por um dos suspeitos para cavar 9 buracos que serveriam de alicerce para uma construção, e que ao retornar ao local de serviço para apanhar pertences que havia esquecido, viu duas crianças no meio de um círculo com velas acesas tendo no meio círculo sete pessoas de pé, e um homem a pronunciar frases em uma língua estranha, o que motivou a prisão de três pessoas como suspeitas dos assassinatos. Entre elas, Silvio Fernandes Rodrigues, então com 44 anos, líder religioso de um “templo satânico”.


Silvio Fernandes Rodrigues no Templo de Lúcifer


O Demônio Moloch
Segundo o delegado do caso, Moacir Fermino, Sílvio Fernandes Rodrigues seria o líder de uma seita adoradora do deus Moloch, nome de um demônio, que na Bíblia é relatado que, na antiguidade, sacrifícios de crianças eram realizados em seus rituais. Moloch é representado por chifres e um recém nascido em seus braços.


Culto ao Deus Moloch

Ainda segundo as palavras do delegado incluídas ao processo criminal: "As partes dos corpos dos dois irmãos foram largadas 'em linha', para fechar os quatro pontos do ritual de magia negra. Para obedecer ao ritual, os membros dos corpos tiveram de ser colocados em locais visíveis e na frente do loteamento de Jair. As cabeças, segundo o ritual, devem permanecer enterradas (sob risco, se assim não ficar, de quebrar o pacto) para sempre", descreve o documento, que observa que o ritual foi registrado em vídeo, que ainda não foi encontrado.

Esse tipo de ritual, que envolve abusos sexuais, sangue, morte e até aprisionamento em concreto, é muito comum nos Estados Unidos, em Uganda, na Europa e em outros lugares. No templo desse bruxo que prendemos, encontramos várias imagens de demônios, livros de bruxaria, magia negra e maçonaria” - disse também o delegado Moacir Fermino.

Ouvindo Testemunha
Ouvindo testemunha o delegado chegou a conclusão de que o ritual satânico foi realizado dentro do templo, em Morungava, município de Gravataí, e foi contratado por dois empresários de Novo Hamburgo, Jair da Silva e Paulo ademir Norbert da Silva, que buscavam “prosperidade imobiliária”. Eles pagaram R$25 mil reais para o feiticeiro.

Segundo ainda o delegado Moacir Fermino, Sílvio teria dito que para a magia funcionar, os empresários deveriam sacrificar duas crianças de mesmo sangue; o ritual deveria ser praticado por sete pessoas durante sete dias, de acordo com a lua - sete seria um número cabalístico para os fiéis do satanismo. Jair, então, chamou dois filhos seus, Andrei Jorge da Silva e Anderson da Silva. Os cinco mais Márcio Miranda Brustolin, discípulo do feiticeiro, seis pessoas.

Segundo as investigações, o argentino Jorge Adrian Alves, funcionário dos empresários, foi quem ficou incubido de roubar as crinças na Argentina. A polícia suspeita que as vítimas foram trocadas por um caminhão roubado na pobre província de Corrientes.

O Ritual
O ritual satânico, comandado pelo bruxo Sílvio, teria como início a tarefa dada a Jair: o empresário deveria ir a uma igreja evangélica e “renunciar a Deus” para então “seguir o diabo”. Disse o delegado: “Ele teve que, na frente do altar, pingar uma gota de sangue sua em cima de uma Bíblia.”

Após serem levadas ao templo, as crianças foram amarradas a dois pedestrais. Enquanto os sete se ajoelhavam e se curvavam ao diabo, Silvio recitou palavras em um idioma desconhecido, o delegado acredita ser aramaico pelo fato do bruxo ser fiel ao deus Moloch. Durante a cerimônia, a menina foi esfaqueada várias vezes. Ela foi assassinada por um dos empresários e marcas no corpo indicam que ela lutou com seus agressores. Já o menino estava alcoolizado. Um laudo pericial apontou 15 vezes o limite da Lei Seca. Um homem adulto com esse nível de álcool no sangue pode entrar em coma.

Os corpos foram esquartejados pelos clientes e existe a hipótese de canibalismo e vampirismo. Depois, as partes dos corpos foram congeladas no templo e desovadas em pontos estratégicos de Novo Hamburgo, em terras dos empresários, a cada sete dias, em busca de prosperidade (o que indica o dia do duplo assassinato anterior ao dia 4 de setembro).

O Outro Lado da Moeda
No início de 2018, com a volta das férias do delegado Rogério Baggio Berbicz que assumiu as investigações do caso, uma grande reviravolta teria o caso. Para começar Rogério Baggio, descobriu que uma pessoa, Paulo Sérgio Lehme, dono de um ferro-velho onde trabalhava um dos acusadores, havia pago informantes para acusarem os suspeitos de assassinatos, e mais dois informantes haviam sido pagos: um deste informantes era o próprio filho de Paulo Sérgio Lehme.


Rogério Baggio Berbicz

Detectou-se também que o delegado anterior, Moacir Fermino, era evangélico recentemente convertido, fato que o teria levado a afirmar durante as investigações que estaria seguindo palavras reveladas pelos profetas de como conduzir as investigações; pretendia também ser pastor, e que possuía pretensões políticas (ele havia disputado vaga  para vereador, e perdido), e que buscava através de sua luta contra uma suposta seita satânica, ganhar fama e reconhecimento dos membros evangélicos e possivelmente por esse meio ter mais sucesso na próxima eleição.

Acusado de falsificação de documentos e corrupção de testemunhas, Moacir Fermino está sendo processado pelo procurador de justiça criminal da cidade de Novo Hamburgo.

O Prejuízo
Com a descoberta de falsificação de provas e  testemunhos, Silvio Fernandes Rodrigues e demais suspeitos foram soltos, após terem passados semanas  detidos, com Silvio a relatar que passou fome na primeira semana de sua prisão, e que correu risco de vida por ser ameaçado de morte pelos outros presos.


Silvio Fernandes Rodrigues no Portão do Templo de Lúcifer


Durante o processo criminal, o templo de Rodrigues foi destruído pela população local. Silvio além de prejuízos materiais teve sua reputação arruinada, tendo sua imagem amplamente divulgada como assassino das duas crianças. Estas até hoje ainda não foram identificadas.

Analisando o Caso
É inegável que o delegado Moacir Fermino acusou Silvio Fernandes Rodrigues, em primeiro lugar, por puro preconceito religioso, movido por um dos preconceitos mais comuns aos membros cristãos, que é o de demonizar tudo aquilo que não está de acordo com suas crenças, tendo como alvo o diferente; tudo que não pertence ou que não está de acordo com suas crenças evangélicas são vistos como pertencente ao demônio, seja comportamento sexuais, roupas sensuais, etc. Tornando-se mais grave quando é direcionado a religiões não cristãs. E neste caso, todo deus que não seja o deus cristão torna-se uma manifestação do demônio, da mentira e do mal. E é bastante conhecido o quanto este preconceito tem prejudicado a liberdade de culto de membros de religiões de origens africanas desde que os escravos africanos chegaram em nosso país, levando a verem em manifestações de orixás do Candomblé e em caboclos da Umbanda, manifestações do Demônio.

O que chama atenção também é como a ignorância é uma das bases deste preconceito, pois, como foi destacado durante as investigações, o delegado Moacir Fermino, para afirmar que a seita cultuava o demônio Moloch (certamente levado pela morte das duas crianças) recorreu a uma superficial pesquisa sobre esta entidade contido na Wikipédia, uma enciclopédia da internet que  publica fatos sem ter um compromisso com a verdade. Um dos advogados de Silvio chegou a argumentar que o esquartejamento das duas crianças não parecia ser fruto de um sacrifício religioso já que os corpos de animais ou pessoas dados em sacrifício a algum deus recebiam um tratamento mais respeitoso, afinal era uma oferenda, ao contrários  dos dois corpos que pareciam obedecer mais a vontade de facilitar seu transporte e ocultar suas identidades do que de ser uma oferenda.

Templo de Lúcifer

Chama atenção também o fato de que o que vemos nos vídeos da seita não é uma estátua de Moloch mas de Baphomet, uma entidade que nunca foi cultuada por alguma seita, que foi criada apenas como ilustração pelo estudioso da magia, o francês Éliphas Lévi, para ilustrar aquilo que supostamente os medievais Templários passaram cultuar; uma suposição que não se baseia em nenhum fato seguro. É preciso dizer também que, apesar de sua aparência, o Baphomet nada tem de satânico.


Baphomet Desenhado Por Éliphas Lévi
O Bruxo Éliphas Lévy e as Origens do Baphomet.

No site do Templo de Lúcifer, podemos ver que Silvio Fernandes Rodrigues mistura vários elementos de diferentes concepções religiosas, dando visível destaque a elementos de religiões afro-brasileira, Silvio afirma que é “considerado um dos quatro melhores mestres da alta magia teúrgica, Goetia, Quimbanda e Catimbó de exu do Brasil e da América Latina”.

É preciso dizer também que não há nenhuma ligação direta entre o nome “Lúcifer” e satanismo, como prova disso pode ser apontado o fato de existir entre os santos da igreja católica um santo que viveu durante o século 6 depois de Cristo, que havia escolhido como nome religioso o nome Lúcifer.

São Lúcifer: O Santo que a Igreja Católica Não Divulga.

Lúcifer (em latim: O Portador da Luz), pela origem de seu nome, como podemos ver, não é um título que tenha haver com trevas, ao contrário. Em sua origem era dado ao planeta vênus, que antecede ao nascer e ao pôr do sol; era também dado a estrela da manhã e da tarde. Como portador da luz passou a ser associado também ao conhecimento, que clareia as trevas da ignorância.


Prometeu Trazendo o Fogo

O termo “Lúcifer” pode ser dado a vários deuses ligados ao  conhecimento, ou ao autoconhecimento, como ao deus grego Prometeu, que roubou o fogo que pertencia somente aos deuses e deu aos homens, e por isso foi castigado.


Derivado de “Lúcifer”, o termo “Luciferismo” é o nome de um corrente religiosa que tem nos mistérios do deuses de conhecimento seu foco, além de também focar no autoconhecimento dos devotos.

Como disse Silvio Rodrigues: “a dualidade é muito importante em nossas vidas, e Lúcifer é uma energia. Meu trabalho é propagar que Lúcifer não é mau, o mal não está na espiritualidade, mas nas pessoas”.

segunda-feira, 1 de julho de 2019

PERSONAGEM DE QUADRO EM MUSEU DE BELÉM PARECE SEGUIR O VISITANTE COM O OLHAR

PERSONAGEM DE QUADRO EM MUSEU DE BELÉM PARECE SEGUIR O VISITANTE COM O OLHAR
Não raro, pessoas que visitam o Museu do Estado do Pará, localizado no antigo Palácio Lauro Sodré, ficam muito assustado, não apenas por essa antiga construção ter fama de assombrado, com inúmeros relatos de assombrações feitos por visitantes e funcionários, mas por se depararem com um curioso fenômeno que tem chamado a atenção de muitos visitantes. Trata-se de um dos quadros em exposição, em que um de seus personagens parece acompanhar com o olhar o visitante, mesmo que este mude de lugar.


Palácio Lauro Sodré



O quadro, um dos maiores quadros do Brasil, chama-se “A Conquista do Amazonas”, encomendado pelo então governador Augusto Montenegro, em 1907, a um dos maiores pintores nacionais da época, Antonio Parreiras, para homenagear a conquista do gigantesco Rio Amazonas pelo navegador Pedro Teixeira. Este quadro já foi estampado em cédula de dinheiro por muitos anos.



A pintura mostra um grupo de soldados portugueses, tendo à esquerda do visitante, um religioso de branco em meio a um grupo de índios. Curiosamente, a figura parece acompanhar com o olhar o visitante que contempla o quadro, mesmo que este mude de lugar.

O fato é percebido após alguns minutos, despertando de imediato a curiosidade do visitante que passa a mudar de lugar e olhar o quadro de vários ângulos diferentes, passando em seguida a compartilhar sua experiência com outros visitantes, e a perguntar “ele também te segue com o olhar?”.



Ao que tudo indica, se deve a uma curiosa ilusão de ótica produzida pela impressionante pintura de Antonio Parreiras.

Então quando você estiver em Belém, visite o histórico Palácio Lauro Sodré, visite o quadro “A Conquista do Amazonas” e experimente olhá-lo, mudando de ângulo, para se assustar com esse curioso detalhe.
   

terça-feira, 25 de junho de 2019

MISTERIOSAS COINCIDÊNCIAS QUE INFLUENCIARAM O LIVRO "A ASSOMBRAÇÃO DA CASA DA COLINA"

MISTERIOSAS COINCIDÊNCIAS QUE INFLUENCIARAM O LIVRO "A ASSOMBRAÇÃO DA CASA DA COLINA"
A Assombração da Casa da Colina” é um clássico da literatura de terror, escrito pela escritora americana Shirley Jackson (1916 - 1965), e publicado em 1959. Foi filmado por Robert Wise como Desafio ao Além (1963) e por Jan de Bont como A Casa Amaldiçoada (1999, com Liam Neeson e Catherine Zeta-Jones). Mais recentemente o livro se tornou base para a história do seriado de enorme sucesso da Netflix, A Maldição da Residência Hill.

O livro de Shirley Jackson conta a história do Dr. Montague, um estudioso dos fenômenos sobrenaturais, que faz um convite para três pessoas para testemunhar os estranhos fenômenos que ocorrem na Casa da Colina, conhecida por ser assombrada. A ele, juntam-se mais três personagens: Eleonor, uma enfermeira de personalidade reservada; Theodora, de alma sensível e artística; e Luke, que é sobrinho da dona da casa da colina e vive metido em jogos de cartas e atividades suspeitas. Que testemunharão as mais sinistros fenômenos que os levarão a duvidar de suas sanidades mentais.



"A Assombração da Casa da Colina" é elogiado por mestres do terror moderno como Stephen King e Neil Gaiman como um dos mais importantes livros de terror do século XX. Mas o que poucos sabem sobre ele é que parece ter sido escrito com a ajuda de estranhas coincidências que, vez por outra, parecem acontecer com obras de terror de autores famosos. São incríveis coincidências que parecem ter comandado a escrita da autora.

Em um ensaio de 1958, a escritora conta sobre fatos interessantes que aconteceram com ela assim que decidiu escrever seu livro, cuja história envolve fenômenos sobrenaturais:
Como tantas vezes ocorre, assim que eu comecei a pensar em fantasmas e casas assombradas todo tipo de coisa começou a chamar minha atenção, ou talvez eu estivesse tão concentrada no livro que tudo que eu via adquiria relação com ele”.
Ela também conta que durante um passeio com o marido por Nova York, um estranho prédio lhe chamou atenção, um prédio “escuro e horrível no crepúsculo”. O prédio tinha uma aparência tão medonha que Shirley Jackson passou a ter pesadelo com ele todas as noites.


Shirley Jackson
A imagem do prédio assustador continuava em sua mente mesmo após a escritora estar de volta a sua casa. Foi quando ela pediu a um amigo morador de Nova York que mandasse mais informação sobre o prédio para ela. O amigo respondeu que o prédio havia sido destruído por um incêndio, no qual morreram nove pessoas, e seus três outros lados eram apenas meras “cascas” arruinadas. O prédio era considerado assombrado pela vizinhança.

Enquanto estes fatos aconteciam, a escritora continuava sua pesquisa para seu livro. Durante a pesquisa Shirley Jackson encontrou em uma revista a foto de uma casa que tinha o mesmo ar fantasmagórico do prédio de Nova York, porém trazia apenas a informação que se localizava no estado da Califórnia. Como a mãe de Shirley Jackson morava no mesmo estado, esta pediu informações sobre a casa para a mãe. Ao ver a foto da casa, a mãe da escritora ficou surpresa, pois ela conhecia aquela casa, que havia sido construída pelo bisavô de Shirley Jackson. A casa, após ter ficado abandonada por muitos anos, havia sido destruída por um incêndio, com muitos a argumentar que o incêndio teria sido propositalmente feito pelos habitantes da região.

A escritora também escreve que dias depois ela encontrou em sua escrivaninha um pequeno papel com sua caligrafia, sem que ela se lembrasse de ter escrito, com as palavras “Dead Dead” (morto morto) escrito em seu verso.

Teria Shirley Jackson sido estimulada propositadamente por algo além de seu talento de escritora, que conduziu sua escrita por meio de estranhas coincidências que a levou a escrever o seu livro de maior sucesso? Ou tudo não passou de mera coincidência, estimulada pela incrível imaginação da escritora para continuar promovendo sua obra com mais mistérios?

domingo, 16 de junho de 2019

A LOIRA FANTASMA DA CIDADE DE BREVES

A LOIRA FANTASMA DA CIDADE DE BREVES
Após sair do serviço, às 10 horas da noite, Teófilo vinha embora para casa de sua namorada, no município de Breves, cidade da ilha de Marajó. Como nesse tempo ainda não havia luz elétrica no município, Teófilo vinha iluminando o caminho com uma lanterna à pilha em uma mão e na outra carregava uma sombrinha, sob a chuva que caia. Foi quando uma mulher desconhecida compartilhou do mesmo caminho, aproveitando a claridade de sua lanterna. Teófilo achou bom, pois não percorreria sozinho o caminho deserto entre seu trabalho e a casa da namorada. Ele disse a ela: “venha para baixo da sobrinha”. Os dois caminhavam se desviando das poças de lama que haviam se formado devido a chuva que caia. Se distraiam conversando sobre o descaso da prefeitura e de como era tão ruim caminhar sem uma fonte de luz. De repente, ela parou e disse: “É aqui que eu moro”. Agradeceu a companhia. E o barulho do portão, que ela havia acabado de fechar, o fez então suspender a sobrinha, e enfrentar os pingos de chuva para olhar. Teófilo viu então, assustado, que a moça tinha entrado no cemitério da cidade, e havia desaparecido. Ele deixou a sobrinha para trás, assustado, atravessando correndo o campo de futebol que ficava mais a frente, chegando gritando a casa da namorada.



O cemitério referido acima é o Cemitério Santa Rita que ficava no meio da mata, chegava-se lá por meio de um caminho chamado de Passagem da Saudade. Teófilo havia presenciado uma visagem que vinha assombrando a cidade de Breves durante a década de 1980, e que já havia sido vista por alguns moradores da cidade, que a chamavam de a Loira do Cemitério --- “trata-se de uma adaptação local de uma lenda muito comum em vários lugares do Brasil”. A visagem, curiosamente, era descrita como uma mulher bonita que se encantava por algum rapaz. A pesquisadora Dione do Socorro de Souza, que coletou relatos de moradores de Breves sobre a suposta assombração, relata que durante as décadas de 1970 a 1980, marcou o crescimento do número de boates e danceterias no município. O que parece ter gerado também um número maior dos relatos de aparições da Loira do cemitério. Escreve ela: “Pelos relatos a loira esperava os rapazes na frente desses locais e os conduzia ao cemitério. Somente pela manhã se davam conta que tinham passado a noite com uma visagem. A história provocava pavor aos moradores, principalmente nas crianças. Vez por outra surgiam burburinhos das supostas aparições da loira pelos quatro cantos da cidade.”

*Dione do Socorro de Souza: Cosmologias da Encantaria do Marajó-Pa. 

quinta-feira, 6 de junho de 2019

MACABRE, BANDA DE DEATH METAL QUE SE INSPIRA EM SANGRENTAS HISTÓRIAS DE SERIAL KILLERS

MACABRE, BANDA DE DEATH METAL QUE SE INSPIRA EM SANGRENTAS HISTÓRIAS DE SERIAL KILLERS
Você sabe o que aconteceu quando três amantes da mais brutal forma de música, o Death Metal, se reuniram tendo em comum o gosto extremo por histórias sangrentas de serial killers? Nasceu o MACABRE, banda de Death Metal que tem como tema principal  de suas músicas as mais violentas histórias de serial killers, temperadas com pitadas ácidas de humor negro.



Sim, o principal assunto das letras do Macabre se trata dos notórios Serial Killers.

O primeiro disco "Gloom" foi lançado em 1989, nos dá um soco no estômago com seu instrumental afiado e letras bizarras. Logo depois nos presentearam com sua maior obra de arte, o épico Sinister Slaughter, que, curiosamente, satiriza a capa do Sgt Peppers Lonely Heart Club Band, famoso álbum dos Beatles, em que estão na capa, ao lados dos músicos, as personalidades que os quatro Beatles admiravam, só que em Sinister Slaughter, em vez de personalidades ligadas à arte e ao conhecimento, estão reunidos os mais famosos e sangrentos serial killers da história. O disco fala desde Albert Fish, Ed Gein a Ted Bundy, até John Wayne Gacy e Jeffrey Dahmer, um dos melhores plays. Depois de alguns anos sem lançar nada, eis que vem um álbum conceitual abordando a trajetória dos mais bizarro Serial Killer americano: Jeffrey Dahmer;  cuja capa do álbum traz a imagem de Dahmer, nome que também dá nome ao álbum.



Abaixo, algumas letras traduzidas e uma pequena biografia sobre quem foi serial killer tema.

Jeffrey Dahmer Blues (Dahmer album, 2000 Year)
Na noite eu conheci Jeffrey
Foi uma noite terrível
Ele me levou para casa e me drogou
Então eu não pude lutar
Eu tenho o Jeffrey Dahmer Blues
É a primeira página de notícias


Jeffrey Dahmer

Jeffrey Dahmer nasceu em Milwaukee em 1960. Teve uma infância pacata, teve o carinho dos pais, porém seu primeiro costume esquisito foi dissecar animais mortos com o material químico de seu pai Lionel Dahmer. O Macabre trata disso na primeira faixa do disco Dog Guts, aonde o baterista Dennis the Menace dá um show de técnica e brutalidade.

Jeffrey Dahmer era esquisito, solitário, era mal entrosado com seus colegas de escola, tirava umas brincadeiras sem graça pra se enturmar, porém era sempre visto como o diferentão. Mais tarde na adolescência se envolveu no alcoolismo; bebia justamente para esquecer seus pensamentos podres sobre violência, sexo e morte. Logo com o passar do tempo se encontrou como homossexual, mesmo indo em uma festa de formatura levando uma amiga como par, no entanto isso não fez o menor sentido pra ele.

Quando atingiu a maioridade saiu de casa, entrou no exército mas foi expulso porque bebia demais, largou a faculdade e passou a morar sozinho. Conseguiu um emprego numa fábrica de chocolates (Chocolate Factory - Macabre); foi um inquilino "exemplar" sempre pagava o aluguel, não dava trabalho pros vizinhos; mesmo assim conseguia esconder suas loucuras e tendências homicidas!

Sua primeira vítima em meados de 1978 se chamava Steve Hicks, Dahmer o dopou e esquartejou. Conforme os anos foram passando ele fez novas vítimas: Dee Konerak Simtasomphone (Konerak - Macabre), Richard guerrero, Oliver Lacy, Matt Turner, Joseph Bradehoft, Anthony Hughes, Raymond Lamont Smith, Curtis Straughter, Errol Lindsey, Anthony Sears, Ernest Miller, Edward W. Smith, David C Thomas.

O Modus Operandi de Jeffrey Dahmer: Consistia em dopar as vítimas, esquartejar, comer algumas partes, se masturbar com os cadáveres. Ele guardava alguns membros do corpo de suas vítimas em sua geladeira, dissecava alguns crânios e guardava como lembrança, Assim queria transformar vítimas em zumbis perfurando suas cabeças com uma furadeira.. Alguns vizinhos reclamavam do odor podre vindo de seu apartamento (213), mas ninguém levava a sério; Sendo que Dahmer como tinha uma lábia incrível, conseguia convencer a todos que era problema no esgoto.

Foi condenado á prisão perpétua e dentro da cadeia foi espancado por um preso, chegando a morrer á caminho do hospital!
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The Ted Bundy Song (Sinister slaughter Album, 1993 Year)
"Aqui vai uma história de Ted Bundy
Assassinando meninas de segunda a domingo
Atraindo para seu carro
Então elas não poderiam ver o amanhã
Ele matou de segunda a domingo
Seu nome era Ted Bundy
Ele assassinou meninas
E deixou-as na floresta"


Ted Bundy e Algumas de suas Vítimas

*Nascido em 1946 em Burlington (EUA), Ted Bundy teve uma infância meio conturbada, filhos de pais separados; era uma criança solitária e insegura, sempre presenciava brigas constantes em sua família, principalmente pela parte dos seus avós. Mas quando foi crescendo ganhou respeito de algumas pessoas, por acharem uma pessoa elegante, charmosa e inteligente. Aos 21 anos se apaixonou perdidamente por uma mulher, porém ela terminou dentro de 1 ano, pois não via futuro no relacionamento e tudo se esfriou, Ted Bundy queria reatar, no fim nada feito e ele entrou em depressão. Entretanto deu a volta por cima, se formou em psicologia, depois foi cursar direito, casou, porém o casamento não deu certo devido a um trauma do primeiro namoro.

Seus homicídios começaram entre 1974 a 1978, ele escolhia mulheres com a estética parecida com a de sua mãe, devido ao seu trauma de infância; Seu número de vítimas chega a 33 ou 35 mulheres. 

O Modus Operandi de Ted Bundy: Ele tinha um fusca bege, era o principal acessório no qual atraía suas vítimas, ele as abordava dizendo que estava com o braço quebrado; aparentemente engessado, e pedia uma ajuda pra levar objetos pro seu fusca; Ele abria a porta e colocava a mulher pra dentro do carro, daí estuprava, matava, as vezes pegava um pedaço de madeira bem forte e atingia elas na cabeça, chegou a matar uma menina de 12 anos chamada Kimberly Leach.

Como estudava Direito, ele mesmo se defendeu em seus julgamentos, porém não foi o bastante. Em 1989 foi condenado à pena de morte na cadeira elétrica.
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Gacy´s Lot (Sinister Slaugther Album, 1993 Year) 
A polícia divulgou o produto dos crimes de John Gacy 
Eles encontraram um monte de meninos mortos em seus enredos deixado para apodrecer 
Então, eles cavaram o lote e derrubou a casa para olhar os meninos que foram enterrados 
Cerca de Vinte e oito rapazes foram encontrados no lote enchendo suas condições de vida com a podridão.”


John Gacy e Também com sua Fantasia de Palhaço

*John Wayne Gacy nasceu em 1942 nos Estados Unidos. John Wayne quando criança foi espancado pelo pai, era chamado por ele de bichinha; John teve um traumatismo craniano nessa brincadeira, eis um dos motivos de uma mente tão perversa!

Ele sempre foi uma pessoa sociável, um homem de família e bem quisto por pessoas próximas, conseguiu se formar em administração e assim tinha estabilidade. Ele sempre fazia churrasco em suas casas e muitas confraternizações com os vizinhos, na maioria das vezes tinha uma marca registrada: Se trajava de palhaço pogo e ganhava a alegria das crianças; tirou até foto do lado da primeira dama dos USA na época (Rosalynn Carter). Mal sabemos que ele escondia um tenebroso segredo e se tornaria o palhaço assassino!

O Modus Operandi de John Wayne Gacy: Gacy saía em busca de vítimas em seu carro, oferecia proposta de emprego em sua empresa; torturava suas vítimas lendo passagens da bíblia, e utilizava um instrumento chamado garrote para estrangular.

Escondia os corpos no porão de sua casa!
Em 1988 Foi julgado & condenado a pena de morte por injeção letal, só cumpriu a pena em 1994
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As vezes pensamos que a vida é um mar de rosas, que existe um Deus que cuida de nós e nos observa; Porém a vida como ela é nos mostra outra coisa, a realidade nua e crua é um tapa na cara. O que esses assassinos contribuíram com a sociedade? Ao meu ver só trouxeram desgraça e destruíram famílias.

Deixo um conselho a todos os nossos leitores : "Enquanto estivermos vivos, recomendo ouvir os discos do Macabre no volume máximo"...

Músicos do Macabre:
Nefarious (Baixo & Backing Vocal)
Dennis the Menace (Bateria)
Corporate Death (Guitarra & Vocal)

*Matéria Escrita por Felipe Costa

terça-feira, 4 de junho de 2019

BANDIDOS NA TV (RESENHA)

BANDIDOS NA TV (RESENHA)
É espantoso como muitas vezes a realidade é capaz de ser mais bizarra que qualquer filme de terror. E é isso que penso toda vez que vejo notícias tão estranhas como a que trata o mais novo documentário sobre crimes da Netflix: BANDIDOS NA TV, que conta a história do apresentador Wallace Souza que foi acusado de encomendar assassinatos para aumentar a audiência de seu programa policial, “Canal Livre”, um campeão de audiência da cidade de Manaus durante os anos de 1990 a 2010.


Wallace Apresentando o Canal Livre

O programa, como tantos outros programas da TV brasileira, possuía uma pequena plateia, apresentava atrações musicais, possuía um ajudante de palco fantasiado de Mister M, fantoches e um tradicional anão a animar a plateia, tinha nas notícias de assassinatos sua atração principal, com direito a close nos cadáveres perfurados de bala, porém, escondia, supostamente, este bizarro diferencial.

O programa também era famoso por chegar primeiro às cenas de assassinatos, muitas vezes enquanto o corpo ainda estava quente, ou enquanto o bandido agonizava nas vias públicas de Manaus. Mais tarde uma bizarra explicação para tal feito seria defendida por autoridades policiais: seu apresentador, Wallace Souza, que também liderava o tráfico de drogas, aproveitava as execuções de seus concorrentes a seu mando para também apresentá-las em primeira mão em seu programa de televisão.


Wallace Souza

Wallace Souza era um ex-policial, que ainda mantinha bastante influência no meio policial, e em seu programa matinha uma verdadeira cruzada contra traficantes e pedófilos. Sua popularidade cresceu tanto que foi eleito como um dos deputados estaduais mais bem votados de nosso país. Contudo quando o traficante Moacir Jorge da Costa, vulgo: Moa, foi preso, com medo de ser morto na cadeia, resolveu revelar que seu chefe era nada mais nada menos do que o homem menos suspeito de Manaus: o deputado estadual Wallace Souza.

A partir da confissão de Moa, o documentário enche-se de reviravoltas, com novas evidências e testemunhas surgindo a todo momento para confirmar as suspeitas da polícia e sendo rebatidas pelo apresentador como sendo plantadas pela própria polícia a fim de condená-lo a mando de um complô político contra ele, e afirmando que as testemunhas foram torturadas para depor contra sua dignidade, algumas vezes foram as próprias testemunhas que confirmaram as torturas, o que levou a população de Manaus a dividir-se entre aqueles que sustentavam a inocência de Wallace e os que o condenavam. Até ao ponto de Wallace Souza ser julgado por seus colegas políticos e condenado a perder seu cargo de deputado estadual. Fato que o desgostou muito, levando-o a perder sua imunidade parlamentar, ser detido, ter sua saúde afetada, com idas para São Paulo para tratamento, e acabando por falecer em 27 de julho de 2010, na cidade de São Paulo.


Wallace e Moa, Foto Tirada na Residência do Apresentador

Sua história ganhou repercussão internacional quando foi exibida pelo programa Fantástico, o que, na época, despertou a atenção do diretor britânico, de origem paraguaia, Daniel Bogado, que viajou pela primeira vez para Manaus em 2017 para uma pesquisa preliminar para o documentário, e uma década depois convenceria a Netflix a produzir o documentário sobre o caso.


Para o diretor Daniel Bogado, a história de Wallace Souza e de seu programa Canal Livre, possui muitos atrativos: 
Se eu digo que é sobre um homem que matou para ter audiência na TV, não importa a nacionalidade, as pessoas estão automaticamente interessadas em saber mais. Mas é também sobre família, política e sobre a cidade de Manaus. De certa forma, a história do Amazonas nos últimos vinte anos é contada através do caso”.
Bandidos na TV, de Daniel Bogado, foi a primeira vez que a Netflix se dedicou a uma história brasileira (que ganhou legendas em 27 idiomas diferentes). O documentário é aconselhado não apenas para pessoas que adoram uma história policial verdadeira e cheia de reviravoltas, mas também é um importante registro da influência da mídia brasileira sobre nossa política e opinião pública, nele também podemos ver a influência crescente do crime organizado na política brasileira, que hoje parece dominá-la.



quarta-feira, 15 de maio de 2019

COMO CONVERSAR NOS SONHOS COM PESSOAS MORTAS

COMO CONVERSAR NOS SONHOS COM PESSOAS MORTAS
Dizem que algumas tribos africanas não gostam de ser fotografadas. Para seus membros, as fotografias, com o registro de suas imagens, são como formas de roubar-lhes a alma, mantendo-as cativas de alguma forma por meio dos registros fotográficos. Embora isso pareça engraçado, e bastante ingênuo, para a modernidade com suas câmeras acopladas a celulares, tem certa verdade quando aplicada à nossa memória.


Pois quando guardamos a imagem de alguém em nossa memória, sua imagem não pertence mais a ela, são propriedades nossa, imagens que continuam autônomas e indiferentes mesmo após a morte da pessoa que lhes deu origem. Desta forma é como se os mortos tivessem uma sobrevida em nossa mente, uma existência virtual em nossa memória, que torna-se mais evidente por meio dos sonhos. O que lembra um curioso sonho contado pelo poeta americano Allen Ginsberg com a esposa morta de um de seus amigos.
William Burroughs

O poeta William Burroughs tinha mania de revólveres. Um dia, bêbado, durante uma festa no México, quis brincar de Guilherme Tell, colocou então um copo de bebida sobre a cabeça de sua esposa, Joan Vollmer, para servir-lhe de alvo. Burroughs, fechou um dos olhos e mirou com o revólver o copo sobre a cabeça da esposa. Porém, ao errar o copo, ele acertou de cheio na testa da esposa que morreu na hora.


Joan Vollmer

Um dia, Allen Ginsberg sonhou com Joan Vollmer, sentada em um banco de jardim. No sonho, Joan pedia notícias sobre o marido e os amigos, que era prontamente respondido pelo amigo. Em um dado momento, Allen Ginsberg se apercebeu que estava em um sonho, foi então que perguntou a ela:


Joan, que tipo de conhecimento têm os mortos? Você ainda ama os mortais que conheceu? Lembra o quê, de nós?

E ela se desvaneceu à minha frente. E no instante seguinte tudo que vi foi sua lápide manchada pela chuva com um epitáfio ilegível sob um galho retorcido de uma árvore, entre o mato selvagem de um cemitério esquecido no México”.

Por alguma razão, nosso cérebro não consegue processar a ideia da morte em nossos sonhos. Estamos lá, sonhando que estamos dirigindo um carro em alta velocidade quando este se choca a outro carro, e simplesmente acordamos, assustados, sem acordarmos em alguma forma de paraíso (segundo a religião professada pelo sonhador). É como se nos faltasse informação suficiente sobre a morte para podermos "rodar" o "programa" em nossa mente por completo, travando-o. Sua interrupção seria um sinal de que havíamos morrido em nosso sonho?, ou seria apenas uma reação de defesa perante o perigo, mesmo em um pesadelo?
Allen Ginsberg
Da mesma forma, como bem viu Allen Ginsberg, ao sonharmos com alguém já falecido e perguntarmos sobre a morte, a pessoa simplesmente desaparece. Mais uma vez: é como se a falta de informação sobre a morte travasse o "programa" responsável por "rodar" o sonho em nossa mente, como se a pergunta não combinasse com sua existência em nosso sonho, o levando de volta para o lugar de onde vieram, para as gavetas empoeiradas de nossa memória.

Então, da próxima vez que sonhar com alguém morto, continue agindo normalmente, para que a pessoa não perceba que já está morta, e desapareça, como uma bolha de sabão estourada.

FONTE: Mundo Fantasmo: O Fantasma de Joan Burroughs

quarta-feira, 8 de maio de 2019

O DIABO NA ENCRUZILHADA - A HISTÓRIA DE ROBERT JOHNSON (RESENHA)

O DIABO NA ENCRUZILHADA - A HISTÓRIA DE ROBERT JOHNSON (RESENHA)
Se você é um fã de Rock já deve ter ouvido falar do famoso Clube dos 27, composto por Brian Jones (ex-guitarrista dos Rolling Stones), Jimi Hendrix, Janis Joplin, Jim Morrison, Kurt Cobain e Emy Winehouse,  famosos astros da música que, no auge do sucesso, morreram com 27 anos de idade. Bem, mas falta um nessa lista, aquele com quem o Clube dos 27 tem início, e cuja vida cheia de lendas e mistérios, incluindo um suposto pacto com o Diabo para obter sucesso, acabará por emprestar ao grupo e ao Rock em geral a famosa mística diabólica envolvendo seus membros. Trata-se do lendário guitarrista de Blues, Robert Johnson, personagem do novo documentário da Netflix: O Diabo na Encruzilhada.

O documentário, dirigido por Brian Oakes, é composto por entrevistas com familiares de Robert Johnson, com músicos de Blues, pesquisadores de sua música e da cultura afro-americana, que ajudam a jogar um pouco de luz sobre a vida de um dos músicos mais importantes do Blues e do Rock’n’Roll, pois, como diz um dos músicos entrevistado no documentário, não existe um som de Blues e Rock que não tenha acordes de Robert Johnson.


O documentário também esmiúça como era a vida dos negros americanos no tempo em que viveu Robert Johnson, que ainda sofriam muito com o racismo, levando uma vida não tão diferente de seus avós escravos, e cujo o extremo racismo do Mississíppi podia a qualquer momento levar um negro a ser linchado e morto, pelo menor motivo, bastando apenas que ele olhasse para uma mulher branca, frequentasse lugares para brancos, ou que um branco simplesmente não fosse com a cara dele.

Robert Johnson
A forma de misticismo afro-americano, denominado Hoodoo, possuía forte influência nos negros americanos durante as décadas de 1920/30, e tinha grande influência em Robert Johnson — o que é bastante evidente em sua música —, que dava às encruzilhadas poder místico, e era onde negros iam receber dons de suas entidades espirituais africanas, e onde supostamente Robert Johnson teria vendido a alma ao Diabo em busca de sucesso e dons musicais. Não se sabe se isto aconteceu realmente, mas o que se sabe com certeza, é que negros cristãos logo iriam se contrapor a esta forma de misticismo, demonizando tudo que tinha  origem africana, como o Blues, que era chamado de a "música do Diabo".

O documentário deixa claro, o quanto Robert Johnson sofreu não somente pelo racismo dos brancos americanos, mas sobretudo do preconceito a sua música vindo de seus próprios irmãos de cor.

É interessante notar que este mesmo preconceito vemos hoje direcionado aos músicos de  Rock, que herdaram não apenas os acordes de Robert Johnson, como também sua fama de diabólico.

keith Richard, dos Rolling Stones, conta que ao ouvir pela primeira vez o álbum famoso de Johnson "The King of The Delta Blues Singers", perguntou ao seu colega de banda, Brian Jones: "Mas quem é o outro cara que toca com ele?". Não havia outro cara: Johnson fazia tudo aquilo sozinho. A menos que o outro cara fosse o Diabo. Mas lendas são lendas, e essas coisas não existe. Não é mesmo?

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